Andreia Limas: Como a economia vai reagir à injeção de mais de R$ 800 milhões?
17/08/2022 às 08:15 | Andreia Limas - andreia.limas@canalicara.com
Não pretendo discutir o mérito da concessão dos auxílios financeiros a caminhoneiros e taxistas, tendo como justificativa compensar as perdas com a alta dos combustíveis. Mas não podemos ignorar os impactos que uma injeção de recursos nesse nível pode significar à economia.

Juntas, as primeiras etapas de pagamento dos benefícios somam R$ 872,2 milhões em agosto, dinheiro que certamente não será empregado todo no abastecimento dos veículos para o desempenho das atividades profissionais.

Assim como todo dinheiro que chega sem ser esperado (vem de emenda aprovada no mês passado), o primeiro impulso é gastar. E o estímulo ao consumo é justamente o que se quer evitar em um momento como o atual, de luta para baixar a inflação.

Primeira vitória

Após meses de alta nas taxas de juros, a primeira vitória na batalha contra o aumento de preços veio com a deflação de julho, também resultado da limitação de tributos sobre combustíveis e energia elétrica. Será possível também manter a inflação sob controle em agosto com mais dinheiro circulando?

Vale lembrar que o auxílio a caminhoneiros e taxistas acumulou duas parcelas. Em tese, a partir de setembro a injeção mensal de recursos seria menor, com a previsão de se estender até dezembro, num investimento total superior a R$ 7 bilhões.

Por outro lado, além desses auxílios instituídos agora, outros benefícios federais foram mantidos e reajustados para cima. Como a economia vai reagir a isso? Saberemos assim que saírem os primeiros indicadores, como o IPCA de agosto.

Caminhoneiros

O Ministério do Trabalho e Previdência iniciou na última semana o pagamento das duas primeiras parcelas de R$ 1 mil (cada) do Benefício Caminhoneiro-TAC. Vão receber, nesta primeira etapa, 190.861 transportadores de carga, totalizando aproximadamente R$ 381,8 milhões em recursos. Mas a tendência é de aumento no número de beneficiados.

Além de estarem com cadastro ativo no Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTR-C), da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em 31 de maio de 2022, os caminhoneiros que recebem nesta primeira etapa tiveram operações de transporte registradas na ANTT em 2022.

Os demais ativos no RNTR-C, mas sem operações registradas neste ano, ainda poderão apresentar a Autodeclaração do Termo de Registro do TAC, para também receber o benefício. O prazo vai até 29 de agosto, com o pagamento da duas primeiras parcelas previsto para 6 de setembro nesse caso.

Taxistas

Para os taxistas, o pagamento das duas primeiras parcelas de R$ 1 mil iniciou nessa terça-feira, dia 16, com 245.213 motoristas de táxi de todo o Brasil aptos a receber o benefício – o volume de recursos soma R$ 490,4 milhões.

Ao todo, foram 300.771 taxistas inscritos por municípios e pelo Distrito Federal até 2 de agosto, fase inicial de cadastros para o primeiro lote de processamento de dados. Içara cumpriu o prazo e informou que nove profissionais estão cadastrados como ativos no município.

Novo prazo

Para as prefeituras que não enviaram as informações, foi aberto um novo prazo, que terminou nessa segunda-feira, dia 15. Se cumprirem os requisitos, os taxistas cadastrados na segunda etapa receberão as parcelas referentes aos meses de julho e agosto no segundo lote de pagamento, previsto para ocorrer no dia 30 de agosto. A data limite para envio dos cadastros é 11 de setembro.

Energia

Começou o período do reajuste tarifário anual das distribuidoras de energia elétrica que atendem a região. Nessa terça-feira, dia 16, a Aneel aprovou os percentuais da Celesc, com efeito médio de 11,32% para os consumidores, sendo 7,66% para os residenciais B1, 8,17% para consumidores cativos de baixa tensão e 16,81% para consumidores cativos de alta tensão. As novas tarifas entrarão em vigor em 22 de agosto.

A revisão tarifária da Cooperaliança deve entrar na pauta da próxima reunião de diretoria, programada para terça-feira, dia 23. Já as novas tarifas da Cermoful devem ser conhecidas em setembro.


Andreia Limas: Após mais de dois anos, país tem deflação
10/08/2022 às 16:06 | Andreia Limas - andreia.limas@canalicara.com
Confirmando as previsões do mercado, o Brasil teve deflação em julho, algo que não ocorria há mais de dois anos. Divulgado nessa terça-feira, dia 9, pelo IBGE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo teve variação mensal negativa de 0,68%, frente a -0,38% registrado em maio de 2020, a última vez em que o país havia tido deflação.

Vale lembrar que, naquela época, vivíamos o auge das restrições, fechamentos e suspensão de atividades econômicas por conta da pandemia da covid-19. Agora, há outras explicações para a queda.

Juros

A primeira delas é a elevação da taxa básica de juros, a Selic, pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central. Na reunião da semana passada, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a Selic de 13,25% para 13,75% ao ano, no 12º aumento consecutivo.

Com isso, a taxa alcançou o maior patamar desde novembro de 2016, quando estava em 14%. O Comitê voltará a se reunir em setembro, para avaliar a necessidade de um novo reajuste.

Elevar os juros significa encarecer o crédito, desestimulando o consumo, o que diminui a pressão inflacionária sobre os preços e resulta em queda na inflação. A expectativa do mercado é que a inflação feche o ano em 7,11%, conforme o Boletim Focus divulgado nesta semana.

Combustíveis e energia

Outro reflexo direto na queda da inflação vem da redução dos preços dos combustíveis e da energia elétrica, após a limitação sobre a cobrança do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) pelos estados.

Sobre a energia também foi tirado o peso das bandeiras tarifárias, que foram da cobrança extraordinária pela escassez hídrica à bandeira verde, sem adicional pelos custos de geração, em vigor em julho e já definida também para agosto.

Menor taxa desde 1980

A taxa registrada em julho foi a menor do IPCA desde o início da série histórica, em janeiro de 1980. E também contribuiu para que a alta da inflação acumulada no ano reduzisse para 4,77%. Porém, nos últimos 12 meses, a inflação segue acima dos dois dígitos, agora em 10,07%.

Segundo o IBGE, dos grupos de produtos e serviços pesquisados, dois apresentaram deflação em julho, enquanto os outros sete tiveram alta de preços.

Transportes e habitação

O resultado do mês foi influenciado principalmente pelo grupo dos Transportes, que teve a queda mais intensa (-4,51%), e contribuiu com o maior impacto negativo (-1,00 ponto percentual) no índice de julho. A desaceleração deve-se, principalmente, ao recuo no preço dos combustíveis (-14,15%), com a gasolina caindo 15,48%, o etanol 11,38% e o gás veicular 5,67%. O único combustível com alta em julho foi o óleo diesel (4,59%), acima do mês anterior, quando subiu 3,82%.

Além disso, também houve recuo nos preços do grupo Habitação (-1,05%), com impacto de -0,16 ponto percentual. A redução está relacionada especialmente à queda da energia elétrica residencial (-5,78%), de acordo com o IBGE.

Alimentação

A maior variação positiva, por sua vez, veio de Alimentação e bebidas (1,30%), que acelerou em relação a junho (0,80%), contribuindo com 0,28 ponto percentual. O destaque ficou com a alimentação no domicílio, que acelerou de 0,63% em junho para 1,47% em julho. O maior impacto positivo no índice do mês veio do leite longa vida (25,46%), cujos preços já haviam subido 10,72% no mês anterior.

Além disso, os preços de alguns derivados, como o queijo (5,28%), a manteiga (5,75%) e o leite condensado (6,66%) também subiram, contribuindo para o resultado observado no mês. Outro destaque foram as frutas, com alta de 4,40%.

INPC

Base da inflação para famílias com renda mensal de até cinco salários mínimos, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor – INPC – teve queda de 0,60% em julho, a menor variação registrada desde o início da série histórica, em abril de 1979. No ano, acumula alta de 4,98% e, nos últimos 12 meses, de 10,12%, influenciado principalmente pelo preço dos produtos alimentícios.

Setor químico

Quem aguardava com expectativa a divulgação do INPC de julho eram os trabalhadores das indústrias químicas da região, que têm data-base em 1º de agosto. Eles esperavam o índice para fechar a inflação do período e definir a base de negociação com os representantes das empresas.

Entregues à classe patronal em junho, os pleitos da categoria têm entre os principais pontos a reposição da inflação e ganho real nos salários; valorização do Programa de Lucros e Resultados (PLR) e do piso salarial; inclusão das gestantes e puérperas afastadas para licença maternidade no PLR e manutenção das demais cláusulas sociais, de segurança no trabalho e econômicas da atual convenção coletiva.

A primeira rodada de negociações ocorreu na segunda-feira, dia 8, sem aprofundar o debate em torno de cláusulas específicas. Uma nova rodada está agendada para segunda-feira da próxima semana (15).


Andreia Limas: O que o comércio pode esperar do Dia dos Pais?
03/08/2022 às 12:42 | Andreia Limas - andreia.limas@canalicara.com
Embora em menor volume que o Dia das Mães e mesmo o Dia dos Namorados, o Dia dos Pais é uma data que costuma movimentar o comércio e o setor de serviços, nesse caso, com atividades que envolvam a família. Mas o que esses setores podem esperar em termos de faturamento neste ano?

Para fazer uma estimativa a respeito, entidades empresariais promovem pesquisas entre consumidores e empresários. Esses levantamentos mostram, por exemplo, tíquete médio com presentes entre R$ 150 e R$ 183,66 no Estado.

Fecomércio

A Fecomércio realizou pesquisa para conhecer o perfil do consumidor, buscando preparar o empresário do setor com informações relevantes para um melhor aproveitamento da data. Foram ouvidas 2.105 pessoas, nas cidades de Blumenau, Chapecó, Criciúma, Florianópolis, Joinville, Lages e Itajaí.

A pesquisa de intenção de compras demonstra os consumidores propensos a ampliar os gastos para os presentes em cerca de 11,86% frente ao ano anterior. Isso significa praticamente manter o volume de vendas, se considerarmos a inflação do período, de 11,89% no acumulado dos últimos 12 meses.

A expectativa de gasto médio dos consumidores catarinenses ficou em R$ 183,66, abaixo do nível pré-pandemia. Está 9,21% menor que em 2018 (R$ 202,28) e 5,15% menor que em 2019 (R$ 193,63), em termos reais. Em Criciúma, a projeção de tíquete médio é de R$ 171,08.

Última semana

Como de praxe, as compras devem ficar concentradas durante a semana que antecede a data comemorativa, pois 73,8% dos consumidores indicaram essa situação – desse total, 14,3% pretendem comprar na véspera, 4,8% no dia e 54,7% na semana. Até lá, os salários já estarão em conta, o que pode favorecer as vendas para a data.

FCDL

Entre os comerciantes, o clima é de otimismo, como mostra o levantamento da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Santa Catarina (FCDL/SC) junto a empresários do setor: 80% dos entrevistados esperam resultado melhor do que o registrado na mesma data no ano passado. Também houve a projeção de crescimento entre 4,1% e 6,1% no volume de vendas.

Os empresários entendem que o tíquete médio deva ficar na faixa de R$ 150, com os itens de vestuário e calçados liderando a lista de presentes na preferência do consumidor. O levantamento foi realizado com empresas que atuam no varejo nas 20 cidades com maior potencial de consumo de Santa Catarina.

Em Içara

Para a data, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Içara também preparou uma ação especial e vai sortear uma estadia na Pousada Vale dos Figos e um almoço na Vigna Mazon, em Urussanga, além de brindes, entre quem escolher as lojas parceiras para comprar.

O horário de atendimento também será ampliado até as 17 horas, com a realização de duas edições do Sábado Total, neste e no próximo fim de semana.

Serviços

Além de movimentar o comércio tradicional, o Dia dos Pais também traz impactos para o setor de serviços. Geralmente é grande o número de famílias que aproveitam o dia para realizar alguma programação especial. Entretanto, a maioria dos entrevistados pela Fecomércio informou que não pretende realizar nenhum tipo de passeio (56,1%) este ano.

A segunda opção mais citada foi almoçar/jantar na casa de familiares, respondida por 20,8% dos entrevistados, frente a 7,2% dos que pretendem ir a restaurantes, resultado também inferior aos períodos pré-pandemia.

Empregos

Apesar do indicativo da pesquisa para o Dia dos Pais da Fecomércio, o setor de serviços continua em franca recuperação e isso é demonstrando por indicadores como o Novo Caged.

Atualizados até junho, os dados divulgados na semana passada pelo Ministério do Trabalho e Previdência mostram que os serviços responderam pelo incremento de 399 empregos formalizados no primeiro semestre em Içara, quatro vezes mais que a segunda colocada, a construção, que adicionou 91 no período. No comércio, foram 28 admissões a mais que desligamentos, enquanto a agropecuária obteve saldo positivo de quatro.

Com os 430 novos empregos adicionados à economia do município desde o início do ano, Içara fechou o mês de junho com 20.175 pessoas trabalhando com carteira assinada.

Região Carbonífera

A Região Carbonífera chegou a 5.491 empregos formais acrescentados no primeiro semestre deste ano, considerando os 12 municípios. Entre os setores, o maior número de novas vagas – 3.366 – foi gerado pelo setor de serviços, seguido pela indústria, com 1.657, e pela construção, com 366. Já a agropecuária perdeu 52 postos formalizados no período.

Em Santa Catarina, os serviços também lideraram a geração de empregos com registro em carteira no semestre, com 43.395 vagas do total de 84.367 adicionadas entre janeiro e junho.


Andreia Limas: Expectativas do mercado estão mais otimistas
20/07/2022 às 08:31 | Andreia Limas - andreia.limas@canalicara.com
Divulgado nesta semana pelo Banco Central, o Boletim Focus mostra que as expectativas do mercado em relação à economia brasileira estão mais otimistas. As projeções para 2022 demonstram, por exemplo, redução da inflação e aumento do PIB.

Para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), que corresponde à inflação oficial do país, a estimativa era de 8,27% há quatro semanas, passou para 7,67% na semana passada e chegou a 7,54% nesta semana.

Já para o Produto Interno Bruto, soma de todas as riquezas produzidas no país, há quatro semanas a projeção apontava crescimento de 1,50% na comparação com o ano anterior, variação que subiu a 1,75% esta semana.

O Boletim Focus é uma publicação semanal que reúne a projeção de cerca de 100 instituições do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos do país.

Câmbio e juros

Em relação ao câmbio, o mercado aposta que o dólar continue em tendência de queda e feche o ano em R$ 5,13. Nessa terça-feira, dia 19, a moeda americana recuou 0,04%, sendo vendida a R$ 5,4224. No mês, acumula alta de 3,63%, mas no ano ainda tem desvalorização de 2,73% frente ao real.

Para a taxa básica de juros, a Selic, a projeção é de 13,75% ao ano. Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, realizada em junho, a Selic foi elevada de 12,75% para 13,25% ao ano, atingindo o maior patamar desde dezembro de 2016. A ata do Copom à época sinalizou para um novo aumento na próxima reunião, marcada para o início de agosto, que pode ser igual ou inferior a 0,5 ponto percentual.

Inflação

Vale lembrar que aumentar os juros é uma estratégia adotada pelo Banco Central para reduzir a inflação. Em junho, o IPCA foi de 0,67%, 0,20 ponto percentual acima da taxa de maio (0,47%). No ano, o índice acumula alta de 5,49% e, nos últimos 12 meses, de 11,89%.

Todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram variação positiva no mês passado. A maior variação foi do grupo Vestuário, com alta de 1,67% e 0,07 ponto percentual de contribuição. Já o maior impacto (0,17 ponto percentual) veio de Alimentação e bebidas (0,80%). Os dados são do IBGE.

Campeões do aumento

Entre os alimentos, os campeões do aumento foram o leite longa vida (10,72%) e o feijão-carioca (9,74%).

Combustíveis

O grupo Transportes (0,57%) desacelerou em relação a maio (1,34%), influenciado pelo resultado dos combustíveis (-1,20%). Enquanto os preços da gasolina caíram 0,72%, o recuo nos preços do etanol foi mais intenso (-6,41%). Por outro lado, houve aumento do óleo diesel (3,82%) e do gás veicular (0,30%).

No grupo Habitação, o gás encanado também subiu em junho (0,81%). Já a energia elétrica recuou menos (-1,07%) na comparação com o mês de maio (-7,95%), com impacto de -0,04 ponto percentual no IPCA de junho. Segue em vigor, desde 16 de abril, a bandeira tarifária verde, em que não há cobrança adicional na conta de luz.

INPC

Para as famílias com renda mensal de até cinco salários mínimos, a inflação teve alta de 0,62% em junho, acima do registrado no mês anterior (0,45%). No ano, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumula alta de 5,61% e, nos últimos 12 meses, de 11,92%. O índice também usado como base para o cálculo dos salários.

Aguardando

Falando em reajuste salarial, os trabalhadores do setor químico na região ainda aguardam a manifestação das empresas para a realização da primeira rodada de negociações. “Fizemos as assembleias nas portas das fábricas, entregamos o rol de reivindicações em junho e até agora não houve uma movimentação do sindicato patronal para conversarmos”, afirma Edson Rebelo, vice-presidente do sindicato que representa a categoria.

“Esperamos fechar a negociação este mês ainda, porque a nossa data-base é 1 de agosto. Seria interessante fechar agora, para o trabalhador já começar a receber a partir de agosto”, acrescenta.

Reunião

Nessa terça-feira, empresários do setor químico se reuniram para avaliar a pauta de negociação apresentada pelos trabalhadores. Entre os principais pontos estão a reposição da inflação e ganho real nos salários; valorização do Programa de Lucros e Resultados (PLR) e do piso salarial da categoria; inclusão das gestantes e puérperas afastadas para licença maternidade no PLR e manutenção das demais cláusulas sociais, de segurança no trabalho e econômicas da atual convenção coletiva.

Ao todo, são mais de 3 mil trabalhadores que atuam em cerca de 100 empresas da indústria química da região Sul do Estado.


Andreia Limas: Qual o impacto da redução do ICMS no seu bolso?
13/07/2022 às 08:53 | Andreia Limas - andreia.limas@canalicara.com
O consumidor já começou a sentir o impacto da limitação do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, que levou Santa Catarina a reduzir para 17% a alíquota cobrada sobre energia elétrica, gasolina automotiva, álcool carburante e comunicação. O mais evidente é a redução no preço da gasolina. Mas ainda não se sabe o tempo que vão durar esses efeitos.

A longo prazo, a tendência é de que essa diminuição da alíquota seja absorvida e superada por outros componentes que levam ao preço final praticado. É ingenuidade pensar que a redução de um único imposto possa resistir, por exemplo, ao aumento do petróleo no mercado internacional, que hoje dita a política de preços adotada pela Petrobras.

Além disso, a alta dos combustíveis afeta todos os setores econômicos, e certamente o impacto não será atenuado apenas com a redução de um dos vários impostos que incidem sobre esses produtos.

Em Içara

De acordo com levantamento realizado pelo Procon de Içara, com a diminuição dos impostos que incidem sobre a gasolina, a redução média na cidade chegou a 13,20% na comparação com os dados anteriores, de 31 de maio. A gasolina aditivada teve uma dedução de 13,11% e o etanol uma queda de 2,57%. Já o diesel comum teve aumento de 7,98% e o diesel S-10 de 8,36%.

O menor preço encontrado para o litro da gasolina foi de R$ 5,64, tanto para a comum quanto para a aditivada, com a perspectiva de diminuir um pouco mais nos próximos dias.

No Estado

Segundo pesquisa da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço da gasolina também baixou em outras cidades de Santa Catarina. Entre os 21 municípios catarinenses pesquisados, Tubarão foi a cidade com o menor preço praticado, com o litro sendo vendido a R$ 5,45. O valor máximo, R$ 6,99, foi alcançado por Caçador.

Gás natural

Na teoria, a limitação do ICMS deveria impactar também sobre o gás natural, o que na prática está longe de ser realidade. Conforme a pesquisa do Procon de Içara, no município o GNV apresentou alta de 21,44% entre 31 de maio e 7 de julho. Encontrado em dois postos içarenses, o metro cúbico é vendido por R$ 5,99 em um estabelecimento e por R$ 6,19 no outro.

Esses aumentos já refletem os reajustes autorizados pela Agência de Regulação dos Serviços Públicos de Santa Catarina (Aresc), em vigor desde 2 de julho: tarifa única de 38,72% em relação ao repasse do custo do gás e transporte e de 2,04% referente a parcela da margem bruta. No entanto, considerando que a alíquota do PIS/Cofins está zerada até o final deste ano, o efeito ao segmento veicular foi de mais R$ 1,0059 por metro cúbico sobre a tarifa em vigor até então.

Já os efeitos médios tarifários para o setor industrial ficaram em 37,78% em relação ao repasse do custo do gás e transporte e de 2,37% referente a parcela da margem bruta; para os consumidores residenciais, de 21,94% e 8,39%, respetivamente; e para os comerciais, de 26,39% e 6,63% na composição da tarifa.

Atraso

Vale lembrar que o fornecimento de gás natural vive um cenário de redução de oferta frente à alta demanda pelo insumo, o que pressiona os preços para cima. A perspectiva era diminuir a pressão com a entrada em operação do terminal de GNL, em São Francisco do Sul, a partir de junho, mas o projeto está atrasado.

A empresa prevê concluir as obras até o fim do ano, entretanto, ainda não tem um supridor definido.

Energia elétrica

Chegamos agora a um ponto ainda mais delicado: a energia elétrica. Nesse caso, dificilmente a redução do ICMS será percebida pelo consumidor, devido a diversos fatores que influenciam nas tarifas.

Antes de mais nada, é preciso lembrar que se aproxima o período da revisão tarifária anual – ocorre em agosto para consumidores da Cooperliança, da Cermoful e da Celesc, empresas que atendem Içara.

No caso da Cooperativa Aliança, os índices preliminares propostos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) são de 16,58% para consumidores residenciais (B1), 17,36% para consumidores cativos de baixa tensão e 13,66% para consumidores cativos de alta tensão, resultando em efeito médio para o consumidor de 15,93%.

Bandeiras tarifárias

Além disso, temos as bandeiras tarifárias, montante que é cobrado de forma adicional na conta de luz de acordo com as dificuldades de geração de energia. No momento, vigora a verde, sem custos adicionais, mas a situação pode mudar a cada mês – o calendário de divulgação prevê para 29 de julho o anúncio da bandeira a ser adotada em agosto.

No mês passado, a diretoria da Aneel aprovou os novos valores de bandeira tarifária: a amarela teve aumento de 59,5%, de R$ 1,874 a cada 100 quilowatts (kWh) consumidos para R$ 2,989. Já a bandeira vermelha 1 passou de R$ 3,971 para R$ 6,500 a cada 100 kWh, alta de 63,7%. O patamar mais caro da bandeira, a vermelha 2, passou de R$ 9,492 a cada 100 kWh para 9,795, aumento de 3,2%.

Com a aprovação da agência, entre agosto de 2021 e abril deste ano vigorou a chamada bandeira de escassez hídrica, que resultou em cobrança extra de R$ 14,20 a cada 100 kWh consumidos.


Andréia Medeiros Limas é jornalista, com experiência editorial nos jornais da Região Carbonífera, e assessoria de imprensa.