Canal Içara

Canal Içara

20 de setembro de 2021 - 01:38
Opinião: Hipocrisia uma crise sem fim
10/12/2011 às 09:51 | Dentista Vilson Schambeck
Pois bem! Você se acha uma pessoa hipócrita? Não? Era essa a resposta que eu queria ouvir de você. Eu também não acho que eu seja uma pessoa hipócrita e, acredito que poucas pessoas assumam ser hipócritas. Então continuemos…

Hoje é um dia daqueles, li, vi, ouvi e aqui estou a desabafar mais uma vez. Está em todos os jornais: escândalo das passagens aéreas em Brasília, verbas de gabinete usadas ao limite para gastos pessoais, empreguismo, apartamento funcional hospedando a amante, etc... Dá vontade de rasgar o título de eleitor.

O pior é que somos nós que votamos nessa gente. Mas me pergunto será que estes são gentemesmo? Possuem um coração que ainda bate? Que igreja eles freqüentam? Argumentam que tudo é absolutamente legal, uma prática comum. Se comportam como legalistas, pois em nenhum momento citam a moral como balisa para suas decisões.

A moral é um sentimento humano que nos difere dos animais, que firmada na ética nos anuncia quando estamos errados. A moral está intrinsicamente ligada à consciência, e a escolha diária a que todos somos submetidos: fazer ou não fazer. A verdadeira política está para a vida pública como o sacerdócio está para a religião: requer vocação,e é para poucos. É algo sagrado. Você lida com a esperança de muitos. Uma decisão errada, e você poderá influenciar toda uma geração.

Trabalho no Sistema Único de Saúde há muito tempo e lido com a dor todos os dias. Lá na faculdade nos ensinam a não nos envolvermos tanto com a dor do outro, para que nós próprios não acabemos doentes. Mas não é fácil, a dor dói. Tem dias que tudo o que posso fazer é tão somente ouvir. E como aprendemos.

O desabafo de alguém com dor é uma aula de vida, de cidadania, uma pós-graduação em humanidade. Dá vontade de gritar: por que? Porque uns com tanto, achando tudo normal, legal... e outros tendo que ruminar as migalhas deste banquete chamado Brasil. O verdadeiro político precisa estar junto do povo e saber ouvi-lo. Precisa saber que povo somos todos nós. Precisa saber a diferença entre política de estado e política de governo: a primeira deve permanecer, independente de partido.

Mas onde estão os verdadeiros? Junto com os hipócritas? Um dia me perguntaram qual sistema econômico seria melhor, capitalismo ou comunismo, e eu respondi que na verdade não precisamos de um sistema novo, o que o homem precisa é de uma nova vida. Precisamos parar de mentir para o outro e para nós próprios.

A sociedade precisa de um derramamento de amor, e de uma campanha institucional aos quatro ventos: “só a verdade liberta”. O homem sem amor é escravo do seu ego, mas aquele que ama ainda consegue se ocupar com a vida do outro. Gostaria de ser prefeito, governador ou presidente por apenas um dia e baixar o seguinte decreto:

“Doravante estão proibidos toda propina, apadrinhamento político, e altos salários. São também ilegais a mentira, a falsidade e a hipocrisia. Ame o outro como a si mesmo o fosse. Revoguem-se as disposições em contrário”. Sonho, utopia... não sei, mas o pulso ainda pulsa.


Salário mínimo, liberdade ou escravidão?
04/12/2011 às 22:23 | Dentista Vilson Schambeck
“Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade”. É o que diz o artigo I da Declaração Universal dos Direitos do Homem.

A escravidão contemporânea é diferente da antiga, não obstante rouba também a dignidade da pessoa humana. “Na escravidão contemporânea, não faz diferença se a pessoa é negra, amarela ou branca.” Os escravos são miseráveis, sem distinção de cor ou credo. Porém, tanto na escravidão imperial como na do Brasil de hoje, mantém-se a ordem por meio de ameaças, terror psicológico, coerção física e punições.

A ameaça de desemprego resultante de cortes nas empresas aumenta, significativamente, o nível de problemas de saúde entre os empregados. O processo de exclusão moral depende de se conseguir pôr na cabeça das pessoas certas idéias falsas. Uma delas é o “mito do mérito”: as pessoas se convencem de que a vida é só para quem “merece”. (…) O mito do mérito é profundamente anticristão.

Para quem crê em Jesus, a vida é vista fundamentalmente como um dom que Deus nos oferece, independentemente de merecermos. Você merece mais que um salário mínimo! Com um salário mínimo não se vive, se sobrevive. Você sobrevive numa selva, numa ilha deserta, numa guerra… Viver pede mais!

Queremos paz, lazer, escola, educação, saúde, moradia, transporte. Então porque devemos aceitar a lei do mínimo? É sempre o mínimo esforço, um mínimo de honestidade, um mínimo de alegria, um mínimo de caridade. Idolatramos aos quatro ventos o jeitinho brasileiro, mas como está a sua vida?

Você não nasceu escravo, nasceu livre. Você já analisou o porquê do mínimo? Bem, se ele não existisse receberíamos talvez muito menos ou nada. Mas talvez o nada fosse melhor. Acordaríamos deste sono. O sono da inércia, da acomodação. Pararíamos de achar que isso é normal, pois na verdade não é. Passar fome, mendigar o pão, morrer por falta de remédio, e viver sem esperança não pode ser normal.

Você não nasceu para ser escravo. Lute! Nas eleições renovam-se as esperanças. Sua arma é o voto. Não o troque, não barganhe, pois o homem que se vende recebe sempre mais do que vale. Ora, mas que esperança pode ter o detentor do salário mínimo? Só pode pensar o mínimo possível.

Dorme e sonha sempre o mínimo, para que possa render o máximo no dia seguinte. É lá no seu “trabalho” que ele se revela. Dá sempre o máximo de si, para receber no final do mês o tão esperado mínimo. Nos fazem acreditar naquilo que vemos. Hoje eu te digo: sonhe! Não deixe que te roubem a fé e a esperança. Vislumbre uma mudança, almeje algo diferente, inconforme-se, planeje. Nós trabalhadores somos o que este país ainda tem de melhor: não estamos envolvidos em nenhuma CPI, trabalhamos de sol a sol, clamamos, choramos, sentimos.

Você sente, você ainda é gente. Não se sinta cauterizado pelo medo. Abrace também esta minha indignação… E no dia que formos uma verdadeira nação, talvez então possamos viver no mais alto padrão. Afinal, se tudo é energia, sonharmos juntos já será o início da realização. Um novo pensamento, uma nova vida, um novo horizonte, um novo paradigma. Eis aí uma nova luz, uma centelha de vida.


Assédio moral, perseguição e covardia
27/11/2011 às 12:30 | Dentista Vilson Schambeck
Não sei falar de horóscopo, novela das oito ou festas de sociedade. Gosto de falar daquilo que é real, palpável, pois estar na vanguarda é não se acovardar. Gosto de tocar fundo no coração das pessoas. E hoje vou escrever de algo, infelizmente, muito comum em nossos dias: ignorância e covardia.

O assédio moral é nada mais que isso, um “chefe” ignorante e covarde procurando fazer de tudo para humilhar e desacreditar um funcionário subordinado, pois esta situação fere nada mais que a dignidade e a identidade do trabalhador. Meu professor de filosofia dizia que “só podemos medir a verdadeira utilidade de um homem depois que lhe dermos liberdade de ação, como também só passamos a conhecer o real caráter de alguém, após darmos a ele um cargo de liderança”.

O “chefe” tirano projeta em suas vítimas as suas próprias fraquezas profissionais e morais. Sente-se sempre ameaçado pela competência de seu subordinado. São os covardes da liderança, que ao se verem perdidos, começam a vomitar toda a sujeira que tem dentro de si. Em seu inconsciente o céu só pode abrigar uma estrela, a sua.

As instituições que permitem tais situações em sua rotina de trabalho estão fadadas à falência administrativa e social. A mediocridade dominará de tal forma as relações interpessoais de trabalho que a empresa terá tudo para não dar certo. Vale lembrar que tudo isso poderá pesar no bolso do empresário, pois quem humilha ou xinga empregado não fica impune.

Poderá ser enquadrado na prática de crime de calúnia e difamação, estes, estampados nos artigos 138 e 139 do Código Penal, além de correr o risco de indenizar o trabalhador prejudicado por dano material, moral e à imagem. Sabe, dói na pele ver colegas se afastarem de você por medo de também sofrerem os respingos da malhação de pau.

Pobres de espírito, não sabem que agindo assim eles próprios serão os próximos, pois o que o perseguidor mais teme é a unidade, já que juntos, nós trabalhadores, somos muito fortes. Não se pode enfrentar sozinho um chefe tirano. Procure ajuda. Consulte o departamento médico de sua empresa; conte ao seu médico tudo o que você está passando, pois o assédio moral traz sempre conseqüências para o corpo: aumento da pressão arterial, insônia, pesadelos, perda do apetite, ansiedade, etc.

Relate tudo ao seu médico. Por lei ele é obrigado a anotar esses detalhes em seu prontuário, bem como todo medicamento que você vier a tomar. E isto serve como prova caso um dia você decida processar o bendito chefinho. Por lei você tem até três anos, após o fato ocorrido, para levá-lo aos tribunais. Outra dica importante é procurar estar em contato com outras pessoas de sua empresa que também estejam passando pelo mesmo processo de tortura psíquica.

Uma pessoa poderá servir de testemunha no processo da outra e vice-versa. Não desista, persiga sempre a justiça e nunca se deixe vencer pelo medo. Ademais não se nasce “chefe”, você está “chefe”. Em outras palavras: a vida corre e o chefe de hoje será o subordinado amanhã. Por último lembrem-se, Golias era um gigante invencível; Davi, pequenino demais perto do grande gigante Golias, derrotou-o com uma pedrinha chamada, inteligência.


Reflexão: Ano novo, vida nova?
20/11/2011 às 16:37 | Dentista Vilson Schambeck
Estamos chegando a mais um findar de ano. Árvores sendo enfeitadas, presépios, luzes, muito brilho e encantamento. Retrospectivas na televisão, melhores momentos. Um novo ano se avizinha. Novos projetos? Nova vida?

Muitos dar-se-ão em presentes num automatismo sem fim, afinal é Natal. Mas talvez tenhamos passado o ano inteiro sem dizer, para esta mesma pessoa que receberá o presente, as seguintes frases: “você é importante na minha vida”; posso lhe ajudar em algo”; “como tens passado”; etc.

Nós, a humanidade, deveríamos de fato ser mais humanos. Não adianta dar uma de bonzinho nessa época, se passamos o ano inteiro sendo indiferentes aos que estão a nossa volta. Troque a cesta básica por uma abraço, e, aquele presente qualquer por um perdão. Deixe o carro na garagem e vá fazer uma viagem com seu filho andando a pé, segurando-o na mão. Engaje-se em algum trabalho voluntário, doe-se, faça acontecer.

Mas será que de fato fizemos algo diferente em 2011? Será que não repetimos os mesmos erros de 2010? O que nos aguarda em 2012? Quantas promessas não vividas, quantas vidas falidas. Depressão, ansiedade, angústia, dor... Me desculpem os encastelados mas a nossa sociedade está doente.

Precisamos fazer algo diferente. Que o Natal seja uma época de reconciliação consigo e com o outro. Precisamos encontrar a nossa alegria na felicidade do outro. Precisamos decretar que o primeiro dia do ano não mais será o da primeira ressaca, devido a cachaça do dia anterior. Precisamos ser menos religiosos e mais cristãos.

Quantas pessoas perderam suas vidas neste ano, morreram. Já não estão mais entre nós. Disse uma vez e repito: o lugar nesta cidade onde estão guardados os sonhos mais bonitos é no cemitério. Lá estão sepultados todos os planos daqueles que por aqui passaram e já partiram. Lembre-se, a vida é feita de sonhos, e mesmo que pareçam utopias são eles que nos movem a ação. O tempo para fazer é o hoje.

Faça agora. Não perca mais tempo. Ligue para aquele parente que virou as costas para você e diga “em nome de Jesus me perdoe, pois eu te amo”. Humilhe-se, afinal é no natal que celebramos o nascimento do Cristo, aquele que deixou-se ser humilhado, foi crucificado para depois ser ressuscitado. Ressuscite você também a sua fé. Seja homem, seja mulher, seja gente. A vida é uma dádiva de Deus, não a desperdice. Exercite o poder da palavra: “bom dia”, “com licença”, “obrigado”. Exercite a alma, ore mais. Fortaleça a musculatura do coração, apaixone-se. Regue a dor com as lágrimas da esperança. E por fim sorria, comece hoje o novo dia!


Opinião: Um grito no silêncio
06/10/2011 às 11:49 | Maria de Fátima Pavei
Sem emoção o espírito estaria morto. Içara está passando por momentos difíceis, não é possível que alguém chegue de mansinho, retire o prefeito da cidade e pronto. Quem está mandando nesta cidade? Politicamente creio em “gente”, não em partido político. Os homens precisam acordar para um novo ideal político, fora dos lugares-comuns, pois sistemas e regimes não passam de desencontros humanos.

Não acredite em ideias velhas e sovadas, creia na política limpa e democrática, naqueles que assumiram cargos, mas estão servindo as comunidades e não está brigando pelo poder. O poder é o ranço do mundo, não se deixe ser possuído pelo homem que é capaz de matar para ser o dono de qualquer coisa, interessa é mandar.

Nestes últimos dias, está difícil ter que aceitar o que está nos acontecendo. São brigas nos jornais, nos bares, nos restaurantes, nas casas, nas ruas, no Facebook... As pessoas se posicionam e custa o que custar, opinam para deixar ou tirar o prefeito. Está certo? Pleiteiam por vantagens em prol de si mesmas? Por que se comportam assim?

Chega a ser ridículo, quando justificam sua escolhas. Não é possível que as pessoas esqueceram que o prefeito é um ser humano. Outros administradores sofreram, foram mandados embora e hoje percebemos que não mereciam. Estou certa ou não? Você se colocou no lugar destas pessoas, de suas famílias sofrendo? Parou para pensar, que poderia estar acontecendo com você?

O escritor não tem o mínimo compromisso com as direitas ou com as esquerdas, com o centro ou com a terceira força. Seu único compromisso é com o gênero humano. A procura da verdade e da justiça são os impulsos básicos que deveria levar qualquer pessoa a tomar atitudes. Não é verdade? Assim quebraríamos a casca do medo e egoísmo que nos mantêm omissos diante dos nossos problemas e, principalmente, de nossos semelhantes.

A palavra é o veículo da nossa comunicação, tem esse importante dever a cumprir, salvar as vidas. A luta por uma convivência solidária, mais humana, acaba se transportando para meus textos, humildes, mais impregnados do sangue dos injustiçados e da dor dos oprimidos. Busco deixar ao meu leitor a esperança de ajudar a compor um homem mais sábio e humano. Represento neste momento milhares de pessoas que queriam falar isto que escrevo, pois se sentem atacadas por lobos e gritando a dor provocada.

Em suas gargantas as palavras perseguidas e afogadas. É assim que você se sente? É nosso dever, minha gente, percorrer os corações dos homens, não interessa se ele é PP, PMDB, PT... Interessa que ele é gente. As guerras que a humanidade inconsciente aplaude, a discriminação, a indiferença é o que abafa o nosso grito libertário. Isto é dor ou não?

A exploração do homem pelo homem apoia-se em regimes imutáveis; são crimes que ofendem a humanidade. Chega de maldade, de gritos. Fique comigo, não jogue ao lixo as minhas palavras, pois a escritora que sou escreve pensando com o coração, na alma que sofre... Então, leia meu texto e repasse para outras pessoas é a palavra de Içara, dos sofredores, de quem ainda pensa com o coração. A palavra de um escritor é vida, é arte de fazer da palavra um presente ao leitor. Vida para mim é tudo o que sinto, é o que capto pelos sentidos e que de alguma forma me modifica. Eis o meu grito no silêncio!


Envie também o seu artigo para opiniao@canalicara.com. Para ter o texto publicado é necessário se identificar. A postagem não significa que o portal concorde com a opinião.