Simone Cândido: Nutrição infantil e restrições alimentares
24/09/2022 às 13:08 | Simone Cândido | artigo de Mônica Bif Felisberto
Alergias tardias mediadas por IgE geralmente são as mais difíceis de controlar e de se obter uma cura. Intolerância à lactose é à incapacidade do corpo produzir a enzima lactase dificultam que o leite seja digerido pelo sistema gastrointestinal. Crianças intolerantes sentem muitas dores abdominais e tem episódios de diarreia. Já a doença celíaca é uma doença autoimune causada pela intolerância ao glúten, uma proteína encontrada no trigo, aveia, cevada, centeio e seus derivados, provocando dificuldade do organismo de absorver os nutrientes dos alimentos, necessária uma mudança da dieta excluindo totalmente os alimentos com glúten.

Em todos os casos de alergia e intolerâncias, é interessante um cuidado especial com o intestino. Sabe-se que ali é desenvolvido cerca de 80% da nossa imunidade. O uso de probióticos, prebióticos, alimentos anti-inflamatórios, antioxidantes, ajudam na cicatrização do intestino, melhorando a saúde como um todo.

Crianças são consideradas seletivas quando recusam um determinado tipo ou grupo de alimento por mais de 10 vezes, preparado de formas diferentes. O mais severo é quando a criança come menos que 10 alimentos diferentes. Nesses casos o recomendado é a terapia alimentar, até mesmo terapia psicológica dependendo do caso. O que pode ajudar as crianças e adolescentes a se alimentarem melhor e evitar casos assim? Como falado anteriormente, um bom preparo da mãe antes de engravidar, recomendado é uma pré-concepção com dieta e suplementação específica por no mínimo 3 meses antes de engravidar (vale para os pais também), amamentação exclusiva até os 6 meses quando possível, e na necessidade de incluir a fórmula, importante não deixar de oferecer o peito e o ideal suplementar com probióticos.

Introdução alimentar somente a partir dos 6 meses, feita de forma participativa, deixando o bebê sentir a textura dos alimentos, fazendo as preparações oferecendo todos os grupos alimentares, carnes, leguminosas, cereais, tubérculos, verduras, legumes e frutas, de forma no início apenas amassadas com garfo, sem liquidificar, e ir aumentando a textura para estimular a mastigação. Não oferecer alimentos industrializados e ultraprocessados antes dos 2 anos, são ricos em sal, açúcar e corantes e condimentos artificiais, além de conservantes, que podem causar alergias.

Ofereça comida de verdade. A partir dos 3 anos a criança, com supervisão, pode ajudar nos pré-preparos da cozinha, ajudar a lavar os legumes, as frutas, fazer um bolo saudável. Quem tiver espaço, ajudar a cultivar uma horta, levá-lo à feira para ajudar a escolher as verduras da semana, inserir a criança na rotina familiar, fazendo ela se sentir também protagonista pela sua alimentação. Fazer as refeições junto com a família, sentado à mesa, sem distrações, sem celular ou TV ligados, você precisa sentir e observar o que está comendo, não pode ser algo feito no piloto automático. Preparar as refeições e comprar os ingredientes juntos, ajuda bastante, o papel social do comer.

A comida carrega em si uma grande influência afetiva, memórias boas e ruins, as crianças aprendem pelo exemplo dos pais. Evitar a monotonia alimentar, só um tipo de comida todo dia. Comer é nutrir o corpo, a alma e o espírito. Tentem fazer desse momento com os filhos um momento leve, tranqüilo, em paz e sem cobranças, sem forçar pra comer mais ou insistir pra provar algum alimento de que não goste, mas promovendo um momento bonito em família, onde possam conversar como foi seu dia, fazer uma oração juntos, agradecer pelo alimento e dar valor àquele momento, juntos. E se o seu filho não come, não esqueça, ali existe uma razão, procure um Nutricionista que será um profissional habilitado para lhe ajudar a descobrir o caminho da alimentação saudável possível."


Nós mães temos um grande desafio: ensinar nossos filhos desde muito cedo a se alimentarem de maneira saudável. Tentamos fazer o nosso melhor, ouvimos falar que muito açúcar faz mal à saúde e lá vamos nós reduzir a adição de açúcar na alimentação de nossos filhos. Quando são bebês começamos após os seis meses a introdução alimentar, a criança começa experimentar sabores diferentes do que até então conhecia. É um grande desafio tentamos o possível e o impossível. Muitas de nós descobrimos restrições alimentares em nossos filhos.

Tenho duas meninas, ambas com intolerância à lactose. Após a descoberta, foi necessário mudar os hábitos alimentares. O fato de serm intolerantes à lactose mudou a alimentação delas e foi necessário usar produtos sem lactose - que na verdade não são sem lactose, e sim possuem a enzima lactase já inclusa. A lactose até diria que é fácil de adaptar-se e também é fácil para se fazer bolos e pães em casa.

Há três anos descobri que, além de ter Intolerância à lactose, uma de minhas filhas tem doença celíaca. Foram feitos exames de sangue e endoscopia para o diagnóstico. A doença celíaca causa inflamações e deficiência de vitamina b12 deixando a pessoa fragilizada impedindo o crescimento. A restrição alimentar da pessoa com doença celíaca já é bem mais difícil de lidar.

Bolos, pizzas, panquecas até tem o mesmo sabor que as com glúten. Já os pães são bem diferentes e difíceis de fazer. É uma luta diária, um passo de cada vez para procurar uma vida saudável. Aceitar a alimentação saudável não é tarefa fácil. Na coluna de hoje trago informações sobre Nutrição com enfermeira, acadêmica de Nutrição, Mônica W. Bif Felisberto:

Meu nome é Mônica W. Bif Felisberto, tenho 37 anos, sou casada e mãe de um menino de 4 anos, sou formada em Enfermagem, atuei na área durante 10 anos, atualmente sou empreendedora do Agro. Faço graduação na modalidade Semipresencial em Nutrição pela UNESC e Pós-Graduação em Nutrição Materno Infantil pelo INADES. Bom, a convite da minha amiga Simone, farei uma breve abordagem sobre Nutrição e Alimentação Infantil.

Durante a Pandemia do Covid-19, descobri que sou portadora de uma taquiarritmia cardíaca, além disso já vinha tratando uma série de alergias sem muito sucesso pelos métodos tradicionais, somado a isso meu filho teve diagnóstico de TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade), um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta o comportamento, podendo trazer vários prejuízos ao processo de aprendizagem da criança, caso não seja devidamente compreendido e tratado pelos pais. Sendo assim, procurando ter mais saúde, de forma mais natural, comecei a me interessar pela área da Nutrição, pesquisei e comecei a ver que era o caminho que mais poderia trazer respostas eficazes aos problemas que me haviam sucedido.

A referência do nutricionista sempre será o alimento, como Hipócrates mesmo dizia: “Que o seu remédio seja o seu alimento, e que seu alimento seja o seu remédio.” Dentro da Nutrição existem várias áreas de especialização, a Nutrição Materno Infantil que se enquadra dentro da Nutrição clínica, atua desde a pré-concepção, passando pela gestação, primeira e segunda infância e adolescência. Sabe-se, por meios de inúmeros estudos atuais cada vez mais relevantes e reconhecidos, que o resultado da nossa saúde não depende apenas de fatores genéticos, mais que a epigenética (que associa o papel dos estímulos ambientais e hábitos de vida na ativação ou não de determinados genes), tem maior peso nessa conta. Hoje em dia existem muitas crianças com problemas de alergias e intolerâncias alimentares, esse é um assunto bem complexo e um resultado também do mundo moderno, por que envolve não somente a questão da saúde física, mas também emocional da criança e da família, e o estilo de vida que levam.
Muitas mães chegam nos consultórios de nutricionistas já completamente desgastadas e desacreditadas, é nesse momento que o profissional acolhe essa família e juntos buscam um caminho melhor para proporcionar melhor qualidade de vida. Os hábitos alimentares das crianças são formados desde o ventre materno, já se sabe que o líquido amniótico, onde o bebê fica mergulhado durante toda a gestação, não é totalmente estéril e é dotado de sabor da comida que a mãe come.

O leite materno é o alimento mais completo pro bebê, ele é um alimento vivo, ele se adequa às necessidades do bebê, além de possuir nutrientes importantes para o desenvolvimento do bebê, possui hormônios, anticorpos e fatores de crescimento. Ele também tem sabor, do que a mãe come. O paladar da criança vem sendo formado durante esse tempo todo. Os sintomas das intolerâncias alimentares começam já desde o nascimento do bebê. Crianças alérgicas à proteína do leite, por exemplo, os APLV, se não diagnosticadas e intervindas precocemente correm sério risco de vida e desnutrição severa. Por isso muita atenção se o bebê recém-nascido tem choro estridente, diarreia líquida persistente e com presença de sangue nas fezes, é um sinal de alerta importante. A mãe, nesse caso, deverá seguir uma dieta específica, sem nenhuma contaminação com a proteína do leite se quiser continuar amamentando.

O leite materno é compatível com o bebê, o problema aqui são as ingestões da dieta da mãe. Fórmulas infantis devem ser específicas para esse bebê, as mamadeiras e utensílios utilizados para criança devem ser livres de contaminação com a proteína do leite de vaca. Lavados e guardados separadamente dos do restante da família, se não a criança vai continuar reagindo. Dependendo da alergia pode melhorar com o crescimento da criança, geralmente com uma boa conduta nutricional e acompanhamento.


Simone Cândido: e se não houver amanhã?
10/09/2022 às 11:08 | Simone Cândido
Dizem que perdemos pessoas, mas na verdade não perdemos ninguém. A vida, essa que começa lá no útero de nossas mães não finda com a morte. Perdemos pessoas quando as deixamos de lado, quando nos esquecemos de agradecer por sua presença em nossas vidas. Estamos nesse planeta vivendo, sentido afeto, por pessoas, outras vezes sentimos alegrias e tristezas, sorrimos e choramos.

Dedicamos nosso tempo para outros, mostramos nossa gratidão por aqueles que vivem próximos de nós. É natural, querermos o bem, sentir alegria pela realização daqueles que a vida nos apresenta.

Muitos se afastam de nós não sentem o mesmo que sentimos, não há muito que fazer, cabe a nós apenas ter respeito por suas atitudes. Isso não significa que não teremos sentimentos em relação a isso. Não se trata de cobrarmos afeto e sim de sentirmos tristezas, pois humanos que somos necessitamos de reciprocidade.

A vida segue mesmo que alguns tenham recebido todo amor e mesmo assim querem seguir outros rumos, planos. Se nesses planos nós não estamos seguimos em frente, onde encontraremos outros companheiros para nossa jornada terrena. Sorrimos, choramos, amamos, temos filhos, eles crescem, tornam-se adultos espelhos daquilo que nós lhes ensinamos.

Ao fim da jornada que pode terminar muito cedo, pois não sabemos o dia em que partiremos muitos se lembrarão de nós. Alguns dirão que sentem amor por nós, lamentarão por não terem dito isso antes de nossa partida.

Outros dirão o que fizemos aqui na terra qualidades que apreciam em nós, outros lembrarão apenas dos nossos defeitos.

Outros nunca saberão quem um dia nós fomos. Alguns ouvirão histórias contadas sobre nós, vinda de seus pais ou outras pessoas que nos conheceram. Após nossa partida ficará difícil dizer o que cada um sente. Mesmo sabendo que a vida não termina no túmulo só nos veremos em sonhos.

Algumas reflexões será que já dissemos o quanto amamos as pessoas? Tiramos tempo para estarmos com elas? Somos gratos por todo bem que nos fizeram ou só nos lembramos do que não gostamos nos outros? E se não houver amanhã? Poderemos ter a consciência tranquila de todo amor que poderíamos ter demonstrado aos outros?

Desde 2020 vivemos em meio à pandemia, perdemos muitas pessoas nesse período, a vida nos dizendo o tempo todo demonstre ainda em vida, amanhã pode ser tarde. Está sendo um tempo de muitas partidas, várias delas muito precoces. Vamos aproveitar para dizermos coisas boas aos que a vida nos trouxe, se não dissermos talvez nunca saibam disso. Se não houver amanhã teremos feito nosso melhor.


A origem do Setembro Amarelo e todo esse movimento de conscientização contra suicídio começou com a história de Mike Emme, nos Estados Unidos. O jovem era conhecido por sua personalidade carinhosa e habilidade mecânica, tendo como sua marca um Mustang 68 que ele mesmo restaurou e pintou de amarelo.

Porém, em 1994, Mike cometeu suicídio, com apenas 17 anos. Infelizmente nem a família, nem os amigos de Mike, perceberam os sinais de que ele pretendia tirar sua própria vida. No funeral, os amigos montaram uma cesta de cartões e fitas amarelas com a mensagem: “Se precisar, peça ajuda”. A ação ganhou grandes proporções e expandiu-se pelo país.

Diversos jovens passaram a utilizar cartões amarelos para pedir ajuda a pessoas próximas. A fita amarela foi escolhida como símbolo do programa que incentiva aqueles que têm pensamentos suicidas a buscarem ajuda.

Em 2003, a Organização Mundial da Saúde(OMS) instituiu o dia 10 de setembro para ser o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio. O amarelo do Mustang de Mike é a cor escolhida para representar essa campanha.”(Google)

Bem perto de nós temos pessoas que precisam de ajuda, muitas delas disfarçam muito bem seus sentimentos. Precisamos ficar atentos àqueles que convivem conosco. O cansaço, a sensação de a dar conta do que se tem a fazer os deixa cansados. Cabe a cada um de nós observar. Tornar uma equipe não deixando o peso só para uma pessoa específica.

Muitos ainda rejeitam tratamento psicológico ou até mesmo psiquiátrico. A ideia de que temos que ser fortes o tempo todo cria essa rejeição. Se precisarmos tomar remédios para depressão ou qualquer outra doença que seja precisamos ter a aceitação de que nos fará bem. Os tratamentos psicológicos também são necessários ajudam muito no tratamento.

Quando se descobre uma doença mais difícil de obter a cura podemos ter momentos difíceis e aí entra a ajuda psicológica que aliada aos medicamentos e a aceitação do tratamento podem trazer a cura mais rápida e eficaz.

Se cada um de nós mudar esse tipo de pensamento equivocado de não usar remédios, de não procurar doenças, utilizando outros termos como, por exemplo, prevenção, pois prevenir ainda é o melhor remédio. Poderemos evitar que muitas doenças sorrateiras nos façam perder a vida tão cedo.

Precisamos nos unir quando alguém estiver precisando de um apoio, seja ele uma conversa ou companhia. Não conseguiremos estar com muitas pessoas, nem darmos atenção, para muitas pessoas, mas se aquela mais próxima pode olhar com carinho e amor, tornando suas vidas um pouco melhor. Podemos mudar os pensamentos quando em vez de criticamos as dores alheias lhes oferecermos afeto, e até nossas preces. E se hoje não pudermos estar com alguém ou fazermos algo de concreto podemos lhes dizer hoje eu farei preces por você.

Somos humanos e sentimos dores físicas, mentais as ditas dores da alma, remédios ajudam no tratamento, as feridas da alma necessitam de apoio, se alguém próximo de nós precisarmos de apoio pode indicar o CVV- Centro de Valorização Da vida. No número 188 onde voluntários se dispõem a ouvir a quem precisa com uma palavra amiga com total sigilo. E se esse alguém somos nós podemos mudar nosso conceito de que precisamos sim de apoio.

Em tempos em que a depressão assola crianças, jovens, adultos, idosos vamos nos unir àqueles que amamos. Mudando conceitos sem julgamentos sem críticas, quem tem depressão sabe o significado de suas dores e seus dias sombrios. Nunca devemos dizer não é nada, tem muito sorriso disfarçado dores interiores que não conhecemos.

Comecemos nosso fim de semana olhando ao nosso redor e quem sabe poderemos ajudar alguém, até mesmo a aceitar o tratamento necessário. Assim faremos uma grande corrente de amor ao próximo transformando o mundo em que vivemos. Pessoas precisam de alento o ano inteiro, o mês de setembro é um mês em que se fazem mais campanhas de valorização da vida.


Simone Cândido: Você pratica a reciprocidade?
27/08/2022 às 09:02 | Simone Cândido
Muitos relacionamentos, sejam eles familiares, amorosos ou de amizade, precisam ser recíprocos. Ou seja, a doação de afeto necessita que seja de ambas as partes, caso contrário não existe uma boa relação. Para alguns, os relacionamentos afetivos são vias de mão únicas: só pensam em receber afeto, companhia e até mesmo quando precisam de algo se sentem bem em receber.

Tem um ditado que diz: “uma mão lava a outra”. Só que na hora de lavar a mão do outro que lhe faz tanto bem, falta água. Querer os benefícios é muito bom, doar seu tempo seu afeto já lhes toma tempo dizem estarem ocupados demais para responderem um bom dia, perguntarem como o outro está.

Alguns permanecem doando tempo por amor ao próximo. Sente no profundo de suas almas a angústia de não terem retorno do afeto e, mesmo assim, fingem que está tudo bem, mas não está. Passamos por muitas situações difíceis e esses que continuam dando sua mão aos outros muitas vezes são os mais sofredores. Enfrentam suas batalhas diárias e mesmo feridos socorrem os outros que deles precisam.

A via deveria ser de mão dupla: uma vai e outra volta, quando um está ferido o outro lhe traz a cura com gestos e palavras. Quando esse se recupera ajuda o outro lhe transfere amor, afeto e companhia. Algumas pessoas da região citam uma santa popular. “Só se lembra da Santa Bárbara quando ronca trovoada.” Isso mesmo só se lembra de algumas pessoas quando estão precisando de algo seja material ou afetivo.

Vale refletirmos como estão nossos relacionamentos, se estamos dando o devido valor àqueles que a vida nos apresenta. Querer para si e não para o outro não fará bem, tudo o que fazemos é para nós mesmos que estamos fazendo o universo conspira a nosso favor em todos os nossos atos. Cuide de seus relacionamentos, cultive o amor, seja recíproco, queira o bem, mas devolva o bem, faça os outros se sentirem bem.


Simone Luiz Cândido é voluntária na causa adoção de crianças e adolescentes; já participou de três antologias com suas crônicas, além disso, ama escrever reflexões sobre a vida cotidiana, eternidade, amor e convivência.