Ainda na minha infância minha mãe costumava fazer bolachas com sal amoníaco e pães caseiros. O cheiro ficou impregnado nas minhas memórias.

Essa semana numa noite fria resolvi fazer broas sem glúten e sem lactose fiz a massa num ritual parecido com o que minha mãe fazia, só que as minhas eram sem trigo. Assim que coloquei para assar senti o cheiro da minha infância. Lembranças tão boas regadas com o afeto que minha mãe fazia as bolachas e os pães.

Minhas memórias olfativas são inúmeras, o cheiro de cominho quando cozinho me lembra minha tia Luiza quando cozinhava pra gente, sentir o cheiro do tempero enquanto cozinho me alegra me faz retornar a minha infância na casa da tia Luiza em Torres no Rio Grande do Sul.

O cheiro de pimentão me lembra minha outra tia Otília quando cozinhava pra nós numa época em que passei alguns dias na casa dela em Porto Alegre para realizar alguns exames. Cada um desses aromas me traz de volta todo amor e dedicação que tiveram por nós. Ambas irmãs do meu pai Luiz já partiram para eternidade, mas as lindas lembranças marcaram cada um de nós.

As bergamotas do inverno me lembram a casa da tia Nair que com a graça de Deus ainda vive entre nós, bolinhos de chuva com café com leite e bergamotas que a gente descascava de baixo do pé, brincávamos nos domingos na grama, colhendo laranjas e amoras silvestres. Num tempo em que não havia telefone a gente ia sem avisar, mas a acolhida era sempre a mesma café quentinhos bolinhos de chuva no caldeirão feito no fogão a lenha. Vários primos já estavam lá visitávamos nossa nona Rosa que morava com a tia.

O cheiro de café coado na hora me lembra muitas pessoas uma delas é a tia Adelir, as tortas e doces me lembram tia Adélia que mesmo morando no interior esperava as visitas com bolos e doces não sabia quando viriam, mas se alguém chegasse estaria pronta para receber.

A bolacha de leite que a maioria de nós chamava de bolacha da vaca me lembra do café da tia Ivone, em breve irei lhe visitar matar a saudade desse café tão maravilhoso da minha tia tão querida.

Cheiro de terra molhada lembra a chuva caindo e a gente apreciando a chuva com as janelas abertas, gostávamos de observar a chuva caindo com ela o cheiro da terra.

Cheiro de mata, de cipó mil homens que às vezes sinto quando vamos em lugares com matas, tem o cheiro do chá pra febre da infância, cheiro de mata tem cheiro de ar puro.

Todos os cheiros que marcaram nossas vidas seguem com muitos significados, o perfume da tia Orandina que existe até hoje o Tabu, perfumes de tantas pessoas que se foram antes de nós que quando sentimos nos trazem tantas memórias lindas de amor. Marcas que carregamos em nós de momentos especiais.

Quero deixar marcas de amor sempre que cozinhar para alguém, estiver com pessoas especiais, criar lindas memórias olfativas para que no futuro seja lembrada também nessas memórias. Que cada um de nós possa aproveitar momentos especiais e eternizar memórias olfativas por onde passar.


Simone Cândido: deixe ir o que não lhe acrescenta
06/08/2022 às 07:43 | Simone Cândido
Em certos dias nos deparamos com situações difíceis de serem decididas. Queremos continuar ao lado de pessoas que para nós nos trazem algum benefício, talvez afeto. Nos sentimos culpados se não tentamos de todas as formas possíveis viver o que há de melhor.

Lutamos, nos esforçamos, mas, os outros não querem o mesmo que nós. Querem continuar na mesmice de sempre. Nos prendem a eles querem que sejamos exatamente como eles desejam. Não nos dão o livre arbítrio de sermos nós mesmos.

Oferecemos o que de melhor temos junto de nós, os outros pouco se importam se nós sentimos bem dessa forma, parecemos aprisionados a eles. Entramos num marasmo parecendo areia movediça. Nos sentimos presos sem ação. É cômodo para o outro continuar assim, sem decisões ou mudanças de sua parte. Já para nós é uma agonia.

Queremos ir em frente, tendo aí nosso lado alguém que nos incentive para nosso melhor, mas o outro não quer. Não tem ações, muito menos quer seguir a mesma evolução que nós estamos.

Então em meio a tudo isso é preciso decidir se continuamos atrelados a esses que não querem mudar em nada apenas querem que o outro mude. O outro que precisa mudar. Não dá para ficar para trás se temos em mente algo muito diferente do que o outro nos oferece. Tentamos muitas coisas, no entanto se não nos faz feliz precisamos deixar ir.

É difícil deixar ir embora pessoas que amamos. O amor precisa de reciprocidade, cumplicidade caso contrário ele morrerá. Se alguém já não evolui da mesma forma que nós, então é melhor que siga seu caminho. Já aprendeu de nós o necessário e nós dele.

Sigamos em frente deixando ir embora o que não nos acrescenta. Sejamos felizes onde estivermos sem nos sentirmos aprisionados. Nossos relacionamentos devem nos trazer paz e tranquilidade. Ninguém merece sentir-se preso a alguém.


Simone Cândido: qual significado você procura?
30/07/2022 às 09:52 | Simone Cândido
Passamos nossa existência procurando significados para aqueles que por nossa vida passam. Alguns significam por algum tempo, depois perdem um pouco da essência. Afastam-se de nós ficando pouquíssimas lembranças. Outros significam tanto para nós, que nem mesmo a distância e o passar do tempo consegue apagar de nossas almas, seu significado.

Ficamos nos perguntando o motivo de certas pessoas significaram tanto para nós. Termos saudade de alguém que não vemos por muito tempo e mesmo assim as almas continuam entrelaçadas pelo fio do afeto. Esse que é imortal, levaremos por onde formos, seja aqui nesse plano ou no plano espiritual.

Trazemos conosco muitos significados pela vida a fora, quisera que muitos permanecessem, mas existe algo que se chama livre arbítrio, o qual cada um é responsável por suas atitudes e seus caminhos. Então seguimos curando as cicatrizes que ficam em nós, levando aprendizado de cada um que por nós passou.

Uma das coisas que significam muito é a fé essa aprendemos com os outros que por nós passaram. Fé em ter a certeza de que a vida não é apenas algo que passa, sem deixar significados. Passamos pela vida significando muitas coisas. Muitas vezes não sabemos a dimensão do que podemos significar para os outros, mesmo assim continuamos significando muito.

O que importa não é o tempo que tivemos com algumas pessoas, mas sim o que podemos significar para elas e elas para nós. Levaremos daqui desse plano tudo que plantarmos as sementes do bem querer, do estar presente mesmo de longe, da união de almas. De lá do outro lado da vida sentiremos o quanto continuamos significando, pois aqui fizemos nossa trajetória valer cada dia que aqui passamos.

Sentiremos todo amor que emana dos que por aqui ficarem. A dor, essa é inevitável, pois quem foi amor faz muita falta. Abraços, conversas segredos que achamos que não podemos mais contar. Mas de lá nos ouvem, sentem todo nosso amor. Recebem nossas orações como um belo presente. Podemos e devemos chorar, pois, assim aliviamos nossos corações, da falta da presença física.

Algumas palavras resumem esse sentimento. Afeto, amor, gratidão por tantas pessoas terem deixado tantos feixes de luz em nossas vidas. Saudade, mas uma saudade boa com cheiro de café novinho passado na hora. Cheiro de perfumes junto com cheiro de pessoas amadas. Saudade de ouvir a voz, de sorrisos especiais, covinhas no rosto, olhos nos olhos, afagos nos cabelos.

No dia de hoje elevamos nossas preces entregando a cada um dos que amamos o nosso amor eterno. Na certeza do reencontro. Certeza de que em nossos sonhos podemos nos encontrar abraçar emanar todo nosso amor. Que cada um de nós possa significar muito para os que por nós passarem, e vice-versa.

Tornarmos o mundo melhor com afetos sinceros desinteressados e reais. Seguimos significando e tentando deixar significados belíssimos para os que ficarem depois de nossa partida para o mundo espiritual. Hoje é um belo dia para significarmos muito para os outros.


Ser avós é ser mães e pais pela segunda vez, emoção renovada após o crescimento dos filhos. Muitos avós ajudam seus filhos na educação dos netos. Outros participam das vidas dos netos com menos frequência, mas deixam suas marcas eternas.

Quem não lembra daquele quitute feito pela vovó ou até mesmo pelo vovô? Bolos, bolachas, pizzas, pipoca, bolinhos e outras comidas prediletas feitas com tanto amor e carinho. Passeios no sítio, comer frutas direto do pé... Muitos de nós fizemos isso na casa de nossos avós.

Eram brincadeiras, jogos de cartas, desafios de massinha de modelar entre tantas lindas lembranças que guardamos de nossos avós. O abraço caloroso, o afago, tudo isso nos ajuda a construirmos nossa personalidade com memórias afetivas guardadas com amor em nós.

O Dia dos Avós é um dia especial para que cada um de nós possa refletir a importância de nossos pais para nossos filhos. Infelizmente alguns não conheceram pessoalmente seus avós, mas através daqueles que os conheceram, podem ter contato com suas histórias de luta e de vida. Exemplos que podemos levar conosco seguindo assim nossa história.

Hoje trago alguns depoimentos de avós amor incondicional por seus netos.


Eugênia Carla Bitencourt

“Meu nome é Eugênia Carla Bitencourt Torres, vovó de primeira viagem do Pyetro e estou aqui pra falar um pouco de como está sendo minha experiência. Quando minha filha Bianca, me falou que estava grávida, eu fiquei paralisada, não acreditando naquela notícia, a ficha só foi caindo quando a barriguinha dela começou a se desenvolver, e ainda assim parecia um sonho, até que chegou o dia do nosso Pyetro vir ao mundo, foi uma sensação extraordinária misturada com o nervosismo, por ver minha filha sentir as dores do parto e eu não poder segurar ela no colo pra tentar amenizar aquelas dores. Ficamos assim naquela agonia até 16:57 do dia 06 de maio, quando meu genro me manda uma foto dele. Aí eu caí aos prantos, foi muita emoção. Hoje ele com 2 meses e 20 dias, não consigo tirar ele dos meus pensamentos um só minuto, agoniada pra vê-lo e ser recebida com aquele olhar e sorriso lindo. Pra mim está sendo uma experiência mágica.”




Lidiana Santos

“Ser vó é mãe com açúcar...eu não entendia isso até Inácio e Rodrigo nascerem...meus netos. Ser vó é ser mãe sem parto... é ser mãe sem gestação... sem noites em claro... É amor em dobro. Minha única decepção é não ter tanto tempo disponível pra curtir mais eles, mas as chamadas de vídeo são constantes e amenizam a falta de tempo.”




Nadir da Rosa Dos Santos

“Ser avó para mim é uma emoção muito grande, é ser mãe pela segunda vez, o coração pulsa mais forte. Os netos trazem uma alegria maior que nossos filhos, nós fizemos as vontades deles, damos muito carinho. Estamos sempre disponíveis para eles. Tenho sete netos e trato todos iguais não existe nenhuma diferença. Ser avó é tudo de bom. Não tem palavra mais linda de se ouvir ser chamada de vó ou vovó. É muito emocionante meus netos são tudo para mim.”




Maria de Lourdes Zili Rafael e José Rafael

“Ser avós, não pode haver benção maior que Deus nos deu de presente que são nossos netos, eles são motivo de viver, alegria de brincar e ser criança com eles, há cada dia que passa o amor só cresce. Temos a alegria de um estar morando conosco. Gratidão e a palavra por cada uma dessas benção colocada em nossas vidas, somos avós coruja sim.”




Rosa Maria Luiz Gomes e Dorvaci Arcino Gomes

“Temos uma única filha que se chama Liliane. Em 2019 ela engravidou da Alice nos trouxe muita alegria era a renovação da família. Em 2020 veio a pandemia ficamos apreensivos pois Alice nasceu bem no início disso tudo. A cada dia nos alegramos com o crescimento de nossa netinha, sempre que podemos ficamos com ela para que a mãe possa sair e fazer algumas voltas. Cada sorriso nos preenche de alegria eu e meu esposo Dorvaci somos muito realizados e felizes. Todos os dias o vovô vai visitá-la, cuida para que a Liliane possa atender as clientes. Podemos dizer que somos avós muito corujas da nossa pequena. É um amor inexplicável e maravilhoso.”




Feliz dia dos avós! Pai e mãe que por muitas vezes educam os netos, e tem papel fundamental no crescimento afetivo. Que se sintam amados e acolhidos por seus netos, que o amor esteja sempre presente nas famílias.


Simone Cândido: Feliz Dia dos Amigos!
20/07/2022 às 08:45 | Simone Cândido
Dia 20 de julho é dedicado aos amigos. Alguns deles chegam até nós por apenas alguns momentos, outros por uma estação inteira, ou ainda por anos. Cada uma traz consigo algo necessário para nosso aprendizado. Algumas dessas pessoas temos afinidade imediata, parecendo que já as conhecemos há muito tempo. Criamos laços, doamos nosso tempo, conversamos, somos solícitos quando se faz necessário. Choramos juntos, desejamos que coisas boas aconteçam.

Alguns se aproximam de nós pelo que podemos oferecer: algum conhecimento em alguma área específica. E lá vamos nós estendermos nossas mãos para outros, acreditando que ensinar algo ou ajudar outras pessoas nos tornará grandes amigos. Ledo engano, na maioria das vezes alguns desses ditos amigos se aproximam de nós enquanto podemos lhes fornecer algum benefício. Triste realidade, pois a amizade deveria ser uma via de mão dupla, de caminhada junta. Se precisarmos de algo, o outro também poderá nos oferecer seu ombro amigo e seu apoio.

Quantos doam seu amor, seu afeto, perguntam como você está? Melhorou? Enquanto esse por sua vez dá as costas, sem ao menos ter o mínimo de consideração pelo amigo que tanto bem lhe fez. Quando um dos dois continua tendo afeto, preocupação, o outro finge não ter tempo, pois sua vida é muito corrida. E a do outro não é corrida? Quantas vezes deixaram suas coisas, seus afazeres para lhe dispender um pouco de afeto.

Podemos escolher quem são nossos amigos: aqueles que realmente poderão ficar em nossas vidas. Sermos gratos por tudo que nossos amigos nos proporcionam, pelas vezes que, mesmo distante, enxugaram nossas lágrimas com palavras de conforto: vai passar, você vai ficar bem, vai dar tudo certo. Entre tantas outras coisas que nos fazem seguir nosso caminho com determinação, sabendo que não estivemos sozinhos.

Podemos criar laços, de afeto com nossos amigos se soubermos dar o devido valor, quantas vezes um amigo ouve, nos dá um conselho, está presente nos momentos mais tristes de nossas vidas. Por que na hora da vitória, não chamar o amigo para celebrar? Quantos abandonam o amigo assim que consegue a vitória, o amigo esteve ao seu lado secando suas lágrimas o tempo inteiro.

A vida é muito curta! Olhe ao seu redor quantos amigos você tem? Quais deles você pode confiar? Quais deles estiveram ao seu lado nos teus dias de angústias? Estar junto em dia de festa qualquer um está. Agora na hora da dor da aflição isso é raridade. Ame seus amigos. Diga isso enquanto você pode. Hoje ainda dá tempo de transformar a via de mão única em via de mão dupla, em que o afeto vai e vem.

Dedico a todos os amigos presentes em minha vida, talvez para alguns eu não tenha dito o quanto significam para mim. Quantos partem tão cedo e não dá tempo de dizer os quanto os amamos. A vida é um sopro. Ame seus amigos. Diga a eles o quanto são importantes mesmo que não seja no Dia do Amigo.


Simone Luiz Cândido é voluntária na causa adoção de crianças e adolescentes; já participou de três antologias com suas crônicas, além disso, ama escrever reflexões sobre a vida cotidiana, eternidade, amor e convivência.