Um belo dia para significarmos muito
02/11/2018 às 10:00 | Simone Luiz Cândido
Passamos nossa existência procurando significados para aqueles que por nossa vida passam. Alguns significam por algum tempo, depois perdem um pouco da essência. Afastam-se de nós ficando pouquíssimas lembranças. Outros significam tanto para nós, que nem mesmo a distância e o passar do tempo consegue apagar de nossas almas, seu significado.

Ficamos nos perguntando o motivo de certas pessoas significaram tanto para nós. Termos saudade de alguém que não vemos por muito tempo e mesmo assim as almas continuam entrelaçadas pelo fio do afeto. Esse que é imortal, levaremos por onde formos, seja aqui nesse plano ou no plano espiritual.

Trazemos conosco muitos significados pela vida a fora, quisera que muitos permanecessem, mas existe algo que se chama livre arbítrio, o qual cada um é responsável por suas atitudes e seus caminhos. Então seguimos curando as cicatrizes que ficam em nós, levando aprendizado de cada um que por nós passou.

Uma das coisas que significam muito é a fé essa aprendemos com os outros que por nós passaram. Fé em ter a certeza de que a vida não é apenas algo que passa, sem deixar significados. Passamos pela vida significando muitas coisas. Muitas vezes não sabemos a dimensão do que podemos significar para os outros, mesmo assim continuamos significando muito.

O que importa não é o tempo que tivemos com algumas pessoas, mas sim o que podemos significar para elas e elas para nós. Levaremos daqui desse plano tudo que plantarmos as sementes do bem querer, do estar presente mesmo de longe, da união de almas. De lá do outro lado da vida sentiremos o quanto continuamos significando, pois aqui fizemos nossa trajetória valer cada dia que aqui passamos.

Sentiremos todo amor que emana dos que por aqui ficarem. A dor, essa é inevitável, pois quem foi amor faz muita falta. Abraços, conversas segredos que achamos que não podemos mais contar. Mas de lá nos ouvem, sentem todo nosso amor. Recebem nossas orações como um belo presente. Podemos e devemos chorar, pois, assim aliviamos nossos corações, da falta da presença física.

Algumas palavras resumem esse sentimento. Afeto, amor, gratidão por tantas pessoas terem deixado tantos feixes de luz em nossas vidas. Saudade, mas uma saudade boa com cheiro de café novinho passado na hora. Cheiro de perfumes junto com cheiro de pessoas amadas. Saudade de ouvir a voz, de sorrisos especiais, covinhas no rosto, olhos nos olhos, afagos nos cabelos.

No dia de hoje elevamos nossas preces entregando a cada um dos que amamos o nosso amor eterno. Na certeza do reencontro. Certeza de que em nossos sonhos podemos nos encontrar abraçar emanar todo nosso amor. Que cada um de nós possa significar muito para os que por nós passarem, e vice-versa.

Tornarmos o mundo melhor com afetos sinceros desinteressados e reais. Seguimos significando e tentando deixar significados belíssimos para os que ficarem depois de nossa partida para o mundo espiritual. Hoje é um belo dia para significarmos muito para os outros.


Doar-se; o mundo precisa de mais voluntários
26/10/2018 às 09:27 | Simone Luiz Cândido
Certo dia admirando os longos os cabelos da minha pequena Naiane de cinco anos pensei: “Tantas pessoas passando por tratamentos contra o câncer, seus cabelos caindo e a Naiane com tantos cabelos poderíamos doar os cabelos dela”.

Conversei com ela e disse: “Filha tem muitas crianças e adultos que perdem os cabelos por que fazem tratamento de saúde”. A princípio ela disse não, depois fui conversando e a convenci de deixarmos os cabelos crescerem um pouco mais até doarmos. Cada pessoa que olhava ou elogiava o cabelo já dizia: “Vou doar para uma menina que não tem cabelos”.

Conheci muitas pessoas que tiveram câncer, essa palavra tão temida por muitos, quando eu era criança as pessoas se referiam “aquela doença”. Tal era o medo de ter, pois para muitos esse diagnóstico se referia a morte.

Nos dias atuais existem muitos meios de prevenção, exames preventivos, mamografias exames de imagem que possibilitam o tratamento no início da doença com muitas chances de cura.

Quando a doença chega a alguém próximo a nós fica mais difícil, o mundo parece desabar, muitos ficam sem chão, mas com o apoio e amor daqueles que estão próximos possibilita ainda mais a probabilidade de cura.

Lembro minha tia Eloisa Bernardes quando fazia quimioterapia, mulher guerreira mesmo sem seus cabelos lutava bravamente. Colocava sua peruca fazia sua maquiagem se fazia de forte, e lá ia viver. Esse cabelo que alguém doou fez toda diferença nesses momentos de tratamento.

Eloísa, mulher de fé, garra não desistia de lutar pela vida, teve a cura; viveu junto de nós mais nove anos, maravilhosos e felizes. Quis o bom Deus que voltasse para junto dele cumpriu o que havia vindo fazer por aqui.

Uma das maiores heranças que deixou foi sua fé, durante todo tratamento, não culpava Deus simplesmente clamava a ele por sua vida. Na nossa última conversa me disse: “Vai dar tudo certo Deus fará o melhor”.

Outubro é um mês dedicado à prevenção com várias ações ligadas à Rede Feminina de Combate ao Câncer. Cito as maravilhosas voluntárias da linda causa as guerreiras, minhas queridas professoras Pina Vito e Arlete Michels, além de muitas outras mulheres.

Dizem que existem muitos anjos sem asas por aí, tenho certeza que alguns desses anjos se vestem de rosa, doam seu tempo, seu amor para que outras pessoas possam ter chances de cura e vida longa.

Doar-se eis algo tão difícil nos dias atuais, muitos alegam não terem tempo. Minha amada mãe já dizia: “Tempo não se tem se tira”. Meus aplausos para essas voluntárias.

Em maio desse ano chegou o dia de cortar os cabelos da Naiane para doarmos uma alegria imensa tomou conta de nós, emoção muito forte.
Foram oito mechas para doação enviadas para Ong da região onde moramos. (www.facebook.com/Meninas-dos-Cabelos-Maracajá-e-AraranguáSC)

Desejamos de todo coração que essa pessoa que recebeu os cabelos da Naiane receba todo amor que ela leva consigo, pois é uma criança muito carinhosa.

O mundo precisa de mais pessoas que possam doar um pouco de si mesmas, assim poderemos fazer a diferença por onde passarmos. Que cada um possa partilhar boas práticas levando amor ao próximo que tanto necessita.


Crônica para quando eu crescer
19/10/2018 às 10:28 | Simone Luiz Cândido
Nascemos dependentes de outras pessoas: nossos pais, avós, tios ou alguém próximo, pois seres indefesos necessitam que alguém o alimente, dê banho e outros cuidados, que, sem eles, não sobreviveríamos. Assim, vamos crescendo e nos desenvolvendo!

Aprendemos lições de vida e afetos, que nos sãos passados de geração em geração. Vamos sendo moldados pelos nossos responsáveis e adquirimos o jeito de serem, os hábitos e nos tornamos pessoas com muitas semelhanças aos nossos.

Do nascimento até ficarmos independentes, demoram alguns anos. E haja paciência de quem nos cuidou! Crescemos e vamos passando por várias fases e, aos poucos, vamos dependendo menos para nossas tarefas diárias, mas nem sempre agradecemos por todo cuidado que tiveram.

Olhando para as mãos de nossos pais, já enrugadas pelo passar do tempo, podemos perceber o quanto foram importantes para nossas vidas. Quantas vezes essas mãos cuidaram de nós, quantos afagos, quantas comidinhas gostosas com tanto amor nos fizeram! Muitas histórias nos contaram até aprendermos a falar, depois a ler. Incansáveis com seus ensinamentos repetiam muitas vezes, até que aprendêssemos e alguns acabam esquecendo todos os sacrifícios que seus pais passaram para o seu desenvolvimento.

Os anos passam e os pais envelhecem, repetem as histórias que já ouvimos várias vezes, ou nem as ouvimos, deixamos de lado. Quantos vivem na solidão, sem uma visita ou um telefonema dos filhos! Alguns perdem a memória, esquecem com facilidade fatos cotidianos. Outros não conseguem lembrar-se de seus próprios filhos. E nós, podemos nos esquecer deles?

Amor de verdade jamais é esquecido! Mesmo que eles não recordem quem tu és, lembra-te que foste criança e eles te tornaram o adulto de hoje. Cresci e sigo o exemplo de meus pais, que ensinaram, por onde eu passar deve deixar marcas de onde vim do quanto recebi de amor. Assim, segue o ciclo da vida para minhas filhas, pois já cresci e meus pais moram em outra dimensão de lá quero que tenham orgulho da mulher que me tornei.

Que cada filho, que ainda tem a alegria de ter seus pais por perto, dê toda atenção necessária, muito amor, pois é gratuito. E se Deus permitir, ficaremos com nosso rosto e mãos enrugadas, prova que vivemos muitos anos. E quando não nos lembrarmos de muitas coisas, que nossos filhos nos façam lembrar de todo amor que lhes ensinamos, seguindo o ciclo da vida.

Dedico aos meus pais Luiz e Fátima, que muito contribuíram para eu me tornar quem sou aos meus sogros Fernando e Zenair, que muito auxiliaram seus filhos e netos nessa jornada terrena.


Lembranças da infância nos anos 80
12/10/2018 às 11:00 | Simone Cândido
Para muitos, o Dia das Crianças é sinônimo de presentes que não substituem o carinho, a presença de que uma criança necessita. Desde cedo, elas aprendem por meio dos comercias e/ou pelas redes sociais que nesse dia elas precisam ganhar presentes e, geralmente, ainda escolhem.

Sou a quarta filha de cinco irmãos. Eram tempos muito difíceis! A maioria das meninas da minha época tinha a boneca dorminhoca. Era o sonho das meninas! A tal boneca existia em várias cores, feitas de um tecido brilhante um tipo de veludo. Quando eu ia à casa das outras meninas, lá estava a dorminhoca em cima da cama!

Na TV, ainda em preto e branco, passava o comercial da Susie da Estrela, a prima da Barbie. Olhava com olhos brilhantes para o comercial, mas nunca tive nenhuma das duas bonecas. Existia um tal de bonecão, esse era bem popular. Vinha só com um calção e mais nada. Quem tinha um macacão de algum irmão menor, usava no boneco. O meu, chamava-se Rogério, pois esse seria o meu nome caso eu fosse menino.

Também existiam as pulseiras de metal. Minha vizinha aparecia lá em casa com o pulso cheio de pulseiras, balançando aos meus olhos e aos de minhas irmãs. Ficávamos olhando com vontade de colocar algumas também, mas quatro meninas, não era fácil para meus pais atenderem a esses caprichos.

São tantas lembranças! As festas de crianças com o tal Capilé, um suco feito com sabor framboesa, que misturado com água rendia vários litros, muito doce e o cheiro, nem se fala. Ainda sinto até hoje! E o tal do ki-suco, misturava em dois litros de água e bastante açúcar. Refrigerante era só no Natal e Ano Novo! Meu pai comprava um engradado de laranjinha e fazíamos a festa!

Na venda do Seu Zé Antônio e do seu Maneca (Manoel Goulart), comprávamos doce de abóbora, sorvete e bolacha com maria-mole, balas soft, pirulito zorro e suspiro rosa que na época, eu adorava. Outro dia, experimentei um suspiro daqueles para matar a saudade. Achei terrível, puro açúcar! Como podia gostar naquela época?

A pasta do positivo era muito comum nas escolas dos anos 80, mas lá em casa, ninguém teve e olha que isso era bem comum. As caixas de lápis de cor, minha mãe comprava de doze cores, e dividia metade de cada e azar de quem ficasse com a metade que tinha a cor branca. Nossos cadernos eram encapados com papel manilha e plástico do saco de arroz, que passávamos álcool para tirar as letras. E ficava aquele caderno bem encapado, com um plástico bem resistente. Sim, resistente. Essa é uma das palavras que nos define para as vivências dos anos 80.

Nossas posses eram poucas, mas não era preciso mandar fazer nossas tarefas escolares. Estudávamos com muito amor e quando um ficava doente, chorava para ir à escola. Desde cedo aprendemos a agradecer por tudo que tínhamos em nossa vida. Foram tempos maravilhosos! Penso nas crianças de hoje, nos valores que são passados para elas. Quero passar para as minhas filhas os valores sentimentais da minha infância, do amor e do afeto.

Nossos brinquedos eram simples, pouquíssimas roupas, mas com muito amor e carinho. Brinquedos podem fazer crianças felizes por alguns momentos, mas de nada irá adiantar se não tiverem o afeto de quem presenteou. Então, aproveite e tire esse dia ou outros dias para brincar com as crianças, ou simplesmente sair, rir conversar, comprar livros, estar com elas, pois elas precisam muito mais de presença do que presentes.


Alison Dal Molin de Lacerda em memórias
05/10/2018 às 11:00 | Simone Luiz Cândido
Nossa infância foi muito feliz! Aos domingos, íamos à casa do Tio Agenor. Meu pai Luiz jogava canastra com o tio e a tia Ana. Enquanto isso, brincávamos na rua de subir no pé de goiaba, apanhar laranja crava e quando eu e a Regiane chegávamos o tio logo dizia: “Quem de vocês comeu mexerica verde? Estou sentindo cheiro daqui!” Riamos e nos fazíamos de bobas.

A alegria era garantida no campinho da frente de casa. Num instante, chegavam muitas crianças e adolescentes. Certa vez, fizemos uma fogueira com matos de pés de vassoura, daquelas de varrer o pátio. Todos rindo em meio à fumaça, brincando, diziam: “Estamos no céu!” Falávamos deste céu que acreditamos ser a morada dos que partem antes de nós. Meus primos Eliana, Tânia, Adilton, Regiane, Alison e Idaiana e meus irmãos Rosa, Ana, Rosilene e João brincávamos muito. Era muito divertido! Tantas vezes estivemos na casa deles e eles na nossa. Era amor de irmãos.

Nossos pais partiram muito cedo para eternidade. Sentimos muita saudade. Tornamo-nos ainda mais ligados pelo afeto mesmo sem estarmos presente fisicamente. As redes sociais nos possibilitam comunicação sempre que possível. Há alguns dias, postei sobre a vida e suas surpresas, o quanto nossa vida é frágil. Comentei sobre um jovem que conheci no lançamento de uma antologia da qual era uma das autoras. O jovem Irê Vieira, que conheci dia 4 de agosto, sentou ao nosso lado, juntamente com sua mãe Maria Regina, pessoas muito simpáticas.

No dia 11 de agosto, segundo domingo, dia dos pais o jovem de 27 anos faleceu de acidente. O meu texto falava sobre o quanto devemos amar as pessoas e que precisamos aproveitar a vida. Meu primo Alison comentou: “Meus sentimentos prima e você falou tudo nesse texto...bjos.” Não sabíamos que a fragilidade da vida o alcançaria tão rápido. Apenas dois dias depois, Deus o chamou para a eternidade. Era noite de terça-feira quando recebi a triste notícia.

Fiquei incrédula, sem saber o que fazer. Fiz minha prece a Deus, agradeci pela oportunidade de ser prima de alguém tão especial. Alison era uma alma sútil, veio à terra para levar a alegria, o amor a todos. Demonstrava a saudade daqueles que partiram antes dele, escrevia com gesto de carinho, cada foto de meus pais lá ia ele escrever o quanto amava. Foi amor por onde passou: nas escolas, na rádio, faculdade, li relatos lindos sobre ele, chorei, agradeci mais uma vez. Alguém que soube demonstrar amor? Alison Dal Molin de Lacerda!

Amou a Ana Júlia com muito carinho e, com certeza, ficará gravado no coração dela para sempre. Com Ana Paula, cumplicidade, união, um amor lindo e verdadeiro, intenso, sempre demonstrado para todos os quanto os amava. Cada bolo feito com carinho simplesmente por amar, unido de corpo e de alma nas alegrias e tristezas, dificuldades e conquistas. Se vamos sentir sua falta? Sim, esse mês já ficou vazio, sem seus posts à moda antiga, relembrando pessoas e fatos importantes. Fico com todo esse amor que ele semeou e colheu. A pequena Ana Júlia fruto desse amor tão lindo.

Difícil continuar o caminho, mas a herança maior que alguém pode receber ele deixou, as lembranças do pai e esposo amoroso, cumplicidade ímpar. Podemos chorar a sua ausência, pois somos humanos e necessitamos disso, mas devemos vibrar no amor, pois isso fará muito bem. Aqueles que amamos jamais morrerão, a vida continua, apenas mudamos para outro plano. Lágrimas rolam, não de desespero e, sim, de saudade.

Nessa vida não importa quanto tempo temos e sim, que vivamos intensamente o amor, pois não sabemos o dia de nossa partida para a eternidade, então, hoje é o dia para sermos melhores, amarmos mais.

Até um dia, querido primo! Nos encontraremos na eternidade.


Simone Luiz Cândido é voluntária na causa adoção de crianças e adolescentes; já participou de três antologias com suas crônicas, além disso, ama escrever reflexões sobre a vida cotidiana, eternidade, amor e convivência.