Simone Cândido: De quem é a culpa?
30/04/2022 às 09:21 | Simone Luiz Cândido
Não acredite quando alguém lhe disse que a culpa é só sua. Não temos unicamente culpa dos acontecimentos. Cada um contribui para que muitas coisas aconteçam. Nós agimos de certas formas, mas o resultado final não depende somente de nós.

Muitos culpam outrem por suas atitudes contínuas, não mudam suas ações nem sua forma de pensar para esses a culpa sempre será do outro. O outro está errado, o outro não consegue ver a verdade.

Qual verdade se refere? Nunca muda de opinião nem aceita que outro lhe diga onde também tem erros? Errar é humano, achar que sempre está certo, e os erros são do outro eis outro grande erro.

Quando refletimos sobre nossas ações, podemos ver que erramos e muito e a culpa não é sempre do outro, muitas vezes é nossa, pois não aceitamos correções. Não aceitamos que nos digam onde podemos ser melhores.

Quando temos a humildade de ouvir a opinião do outro, tentamos melhorar nosso modo de ver as coisas. Aceitamos correções, somos seres imperfeitos, viemos para esse universo para aprendermos e sermos a cada dia melhor, se acharmos que o erro sempre é do outro está na hora de nos colocarmos no lugar do outro.

O que estamos fazendo, estamos ouvindo, aceitando a opinião do outro? Cabe a cada um de nós avaliarmos nossas atitudes, nos revestirmos de humildade aceitando e corrigindo nossos próprios erros. Precisamos abrir nossa mente e o coração para mudança tão necessário em cada um de nós.

Não a culpa não é sempre do outro, ela muitas vezes é nossa, a mudança precisa acontecer também em nós.


Manoel Dos Santos Filho, mais conhecido como Pereira, recebeu o nome do pai biológico Manoel Quintino Dos Santos, que veio a falecer logo após seu nascimento. Seu Pereira nasceu em 6 de junho de 1936 em Ilhas, que pertence à Araranguá. Sua mãe biológica Martina Pereira Alves o entregou para adoção para o casal Manoel José Pereira e Evilázia Pereira que morava na Lagoa da Mãe Luzia. E já tinham a filha biológica Adelina. Trabalhavam na agricultura, plantavam melancia, aipim e outras culturas para o sustento da família.

Dona Francisca nasceu em 25 de março de 1937. Morava na comunidade da Lagoa da Mãe Luzia, onde conheceu seu futuro esposo ainda na infância, estudavam na mesma escola, eram vizinhos. Brincavam juntos, pescavam com caniço. Na juventude, namoraram por dois anos e casaram. Manoel trabalhava na roça, domava cavalos, pescava, tinha carteirinha de pescador onde contribuía para sua aposentadoria.

Após o casamento, moraram por quase dois anos no terreno dos pais de Francisca, trabalhando na roça. Depois desse tempo, vieram morar em Içara. Seu Pereira tinha um açougue e depois a peixaria, que ficava na Rua Vitória, próximo ao trilho. Ao lado tinha um bar, nas proximidades a venda do falecido José Antônio e o bar do falecido Manoel Goularte, ambos foram amigos e vizinhos de longa data.

Todas as manhãs vinha o caminhão trazer o peixe e muitos clientes que se tornaram amigos. Iam esperar a chegada dos pescados. Logo seu Pereira colocava no gelo e começavam as vendas. A balança era à moda antiga. Tinham vários pesos e no outro lado eram colocados os peixes. Após a pesagem eram enrolados com jornal e colocados em sacolas. Alguns iam na peixaria apenas para conversar. Formaram muitas amizades. Por mais de 20 anos a peixaria funcionou ali nesse local.

O casal tem cinco filhos: Osmar (Marzinho do Pereira) Liomar, Edimara, Lindamar, Elemar; Sete netos: Priscilla, Carlos Júnior, Amanda, Dinarte Júnior, André, Murilo, Francini; e quatro bisnetos: Luiz Gustavo, Eloisa, Gabriel e Lara.

Após o fechamento do estabelecimento, seu Pereira foi trabalhar de guarda na Prefeitura. Compraram uma casa ali próximo ao trilho, onde hoje é a rodoviária. Era uma das chamadas casas de turma. Dona Francisca trabalhava de merendeira no antigo Colégio Antônio João, hoje Salete Scotti Dos Santos. Era funcionária do município emprestada para o estado. Após dois anos, foi trabalhar na Escola Municipal Maria Arlete Bitencourt Lodetti, onde trabalhou até se aposentar aos 65 anos.

“Dona Chica! Saudade dessa exemplar servidora, que fazia seu trabalho com dedicação e responsabilidade. Silenciosa nos seus passos calmos e sorriso leve. Trabalhava com disciplina e tudo que fazia ficava limpo e saboroso. Obrigada dona Chica.”
- ex-diretora e professora Tereza Feltrin, do Colégio Estadual Salete Scotti dos Santos

Seu Pereira aposentou-se pela Prefeitura de Içara. A casa onde moravam seria demolida para a construção da Avenida Procópio Lima. A Prefeitura na época fez a indenização através de uma casa com terreno no Bairro Cristo Rei, onde o casal reside há 17 anos. Por muito tempo, para passar o tempo continuava indo até a rodoviária de Içara onde encontrava vários amigos e conhecidos, mantinham as conversas do tempo da peixaria e as amizades.

Ultimamente devido à dificuldade para caminhar ele fica mais por perto de casa. O casal relembra os tempos em que trabalharam, ele na peixaria e ela de merendeira, com saudades. São felizes pela família que formaram. Agradecidos por tudo que viveram.


O Dia Mundial da Conscientização do Autismo, 2 de abril, foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007. A data foi escolhida com o objetivo de levar informação à população para reduzir a discriminação e o preconceito contra os indivíduos que apresentam o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Em Içara, foi criada a Associação Beneficente de Apoio ao Autista (Abaa) com o registro em cartório em 7 de junho de 2018 e o início dos trabalhos em 2 de abril de 2019. Desde então, segue em atuação para o diagnóstico e prognóstico desse distúrbio do neurodesenvolvimento, que apresenta déficits nas áreas sociais, comportamentais e comunicativas.


Angelita, mãe do Arthur
- Angelita Dagostin Nunes é mãe do Arthur, de três anos, e associada à ABAA.



Nossa história começou há uns 12 anos, quando várias tentativas de ter um filho não deram certas e resolvemos entrar com o processo da adoção. Em um dos exames de genética que fiz, a médica geneticista falou que se eu engravidasse poderia ter um filho, se fosse menino, com algum tipo de problema genético. Na hora, assustados resolvemos não arriscar e resolvemos parar as tentativas e partir para a adoção. Processo feito com muito carinho e amor. Depois de uns anos na fila, Deus me abençoou com uma gestação maravilhosa. Minha menina linda, cheia de saúde. Se minha família estava completa? Não, não estava. Minha menina sempre pediu um irmãozinho e eu não consegui mais engravidar. Deus tinha um propósito para minha vida e para minha família.

Depois de uns nove anos na fila da adoção um telefonema mudou nossas vidas. Nosso Arthur estava a nossa espera, lindo, cheio de saúde. Adotamos com muito amor. A mana ficou louca de tanta felicidade. O amor não está no sangue, está no coração, na alma. Arthur sempre foi um bebê muito esperto, andou com dez meses. Com um aninho eu comecei a notar alguns comportamentos diferentes. Pulava muito quando estava alegre ou triste. Dava tchau olhando para a mãozinha. Não me atendia quando chamava. Só queria um tipo de desenho. Não desenvolveu a fala.

Levei ao médico com um ano e meio, este pediu para colocar ele na escolinha e levar ao fono que era só um atraso de linguagem. Vim pra casa sabendo que não estava certo aquele diagnóstico, mas como eu estava passando por uma depressão, acabei cedendo ao que o médico falou e ao que todos estavam falando. A única que enxergava o autismo presente no meu pequeno era eu. Algum tempo se passou e ele foi mostrando cada vez mais acentuado os sinais de autismo. Mais duas consultas com especialistas e nada. Comecei com dois anos a fazer terapias e levar ao fono mesmo sem diagnóstico. Eu estava sem chão, fazendo de tudo por ele, para ter o melhor desenvolvimento possível. Enfim, no ano passado tivemos o laudo.

Mesmo já tendo toda certeza que meu menino é autista foi um choque pegar aquele laudo CID 10 F 84. Meu mundo desabou. Meu Deus, tanta coisa para um anjo passar. Não era justo, muitos porquês, muitos medos. Mas Deus nos fortalece e nos mostra o caminho a seguir. Nossas forças renascem. Todos os dias é uma vitória. Não temos dias fáceis, mas temos muito amor. Arthur tem uma irmã maravilhosa, que o ama incondicionalmente, que protege, que entende. Um pai e uma mãe que lutam todos os dias para o melhor para ele e para nossa Família. Um amor que Deus enviou. Um propósito que talvez hoje não entendemos, mais que um dia tudo fará sentido! Eu fui escolhida por Deus para ser uma Mãe especial.


Juliane, mãe do Miguel Pietro
- Juliane Pizoni, mãe do Miguel Pietro, de cinco anos, autista moderado não verbal, associada à ABAA. "COM ORGULHO MAMÃE DE ANJO AZUL RARO”



Quando recebi o diagnóstico de autismo do Miguel eu tive medo. É um misto de sentimentos que me desencadeou uma ansiedade. Tive apoio num grupo virtual de mães de autistas aqui da região que se chama TEA Apoio Içarense. Ali vi que eu não estava sozinha. Nesse grupo temos mães de várias cidades é uma rica troca de experiências e apoio. Nele participam associadas à ABAA e não associadas.

Em seguida descobrimos outro diagnóstico uma distrofia muscular rara. Então meu chão se abriu. Segundo a geneticista, o autismo veio através dessa síndrome rara. O Miguel é uma criança doce, alegre, costumamos dizer que Deus nos enviou para mudar nossas vidas. Ele gosta de passeios rápidos, a bagunça que faz fora de casa, as risadas que dá na rua chamam muitos olhares principalmente com os choros. Meu filho é muito amado na creche, na APAE e na clínica que frequenta. Sou muito grata por isso. Aprendi com ele a viver sem reclamar, sem ter medo do que virá amanhã e a ser grata por tudo que temos.


Simone, mãe do Jhonas
- Simone Inácio dos Santos, mãe do Jhonas de cinco anos e associada à ABAA.



Descobri o diagnóstico do Jhonas com dois anos e dois meses. Para nós foi um choque, misturado com muito medo. Vivi o luto que se fala, aceitei o autismo, mas como ele era muito novinho resolvemos comunicar a família mais pra frente. Desde que descobri não parei mais, foi muita correria. O primeiro passo foi levar o encaminhamento para APAE e ali já tive toda assistência. Me acolheram com todo carinho com todos profissionais maravilhosos. A professora do meu Filho eu nunca vou esquecer: a Karoline. Eu tinha insegurança de deixá-lo porque era tão pequeno e ela me passou muita tranquilidade.

Comecei ver todos os resultados que cada dia que passava via mais resultados. Ele tem atendimento duas vezes na semana na APAE. Mesmo assim eu queria mais e mais, não parava. Procurei outros profissionais para poder ajudar meu filho em seu desenvolvimento. Em casa também não paro com terapias. Faço muitas atividades com ele. Meu filho não andava. Conheci o Rodrigo Brunel, professor de Educação Física, que ajudou muito. Hoje ele anda, corre... graças a Deus. Tenho muita gratidão pelo Rodrigo. É um dos profissionais que ama o que faz. Ajudou muito no desenvolvimento do Jhonas. Criamos um laço de amizade e ele é padrinho do Jhonas. Quando descobri a associação ABAA conheci muitas mães, ali, sempre nos passando experiências.

Tivemos muitos resultados. Jhonas já fala, mas sem função, isso já é uma grande conquista. O desfralde comecei com a profissional Karoline Nair Figueredo da Silva, que foi professora na APAE. Hoje ela trabalha particular e ela atende o Jhonas. Esse era o meu maior desejo: o desfralde. Eu pensava que nunca ia acontecer e com ajuda dela eu consegui.


Sandremara, mãe do Jhean Pierre
- Sandremara Costa, mãe do Jhean Pierre, presidente e cofundadora da ABAA.



Recebi o diagnóstico de TEA do Jhean Pierre aos dois anos e oito meses, depois de muita luta, pois na época não se falava em autismo e o pediatra achava normal o comportamento do meu filho. Jhean chorava dia e noite, não dormia e nada o acalmava ou chamava sua atenção. Após o diagnóstico iniciou-se o tratamento, com o que se tinha no momento, já que não se tinha muitas opções naquela época. Pouco se tinham clinicas que fossem especializadas, nem todas as Apaes recebiam autistas. Era tudo muito difícil, pois era tudo novo.

Era pouco falado sobre o transtorno, as pessoas não reconheciam nossos direitos. Não se tinha rede de apoio e me sentia sozinha brigando pelos direitos e pela dignidade do meu filho. Anos mais tarde fui conhecendo outras mães e começamos a nos reunir e trocar experiências. Foi quando surgiu a ideia de fundarmos uma associação para dar tratamentos dignos para os autistas e para acolher seus familiares, mesmo que nossos filhos não chegassem a usufruir dessa instituição, mas beneficiaria outras famílias que não precisariam passar por tudo que nós havíamos passado. Foi então que, nasceu a ABAA - ASSOCIAÇÃO BENEFICENTE DE APOIO AO AUTISTA.

Meu filho hoje tem 16 anos é autista nível 3, tem deficiência intelectual grave e epilepsia. Depende de mim para praticamente tudo, mas é a pessoa que mais me inspira a continuar e nunca desistir.


O Dia Mundial da Conscientização do Autismo, 2 de abril, foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007. Essa data foi escolhida com o objetivo de levar informação à população para reduzir a discriminação e o preconceito contra os indivíduos que apresentam o Transtorno do Espectro Autista (TEA, um distúrbio do neuro desenvolvimento, que apresenta déficits nas áreas sociais, comportamentais e comunicativa.

Em Içara existe a Associação Beneficente de Apoio ao Autista (Abaa). A entidade foi registrada em cartório em 7 de junho de 2018 e começou os trabalhos em 2 de abril de 2019. “A associação foi fundada em 2018 com o propósito de ajudar os familiares, cuidadores e as pessoas com TEA. Visamos a qualidade de vida e funcionalidade desses autistas. Buscamos por inclusão na sociedade e garantia dos seus direitos. Assim, a ABAA (Associação Beneficente de Apoio ao Autista) funciona como uma rede de apoio. Levamos orientação, acolhimento e informações sobre os seus direitos”, ressalta a presidente e cofundadora, Sandremara Costa.

“Além do atendimento clínico especializado, instruímos e acolhemos os familiares, pois são a base para o paciente. A família bem orientada e instruída consegue dar continuidade no tratamento em casa e ir em busca dos direitos do seu filho. Trabalhamos em parceria com as escolas, pois acreditamos que, casa, escola e instituição precisam trabalhar juntas para uma maior evolução do paciente”, acrescenta.

“Fundamos a ABAA com oito famílias de autistas e hoje estamos com mais de sessenta famílias associadas, só do município de Içara. Isso mostra como aumentou o número de diagnósticos nos últimos anos e quão importante é uma entidade como a nossa para atender essa demanda. Hoje ofertamos atendimentos especializados nas áreas de neuropediatria, psicologia e psicopedagoga, estes são pagos com recursos que a entidade corre atrás. Cada família de associado contribui mensalmente com R$ 25, que são usados para despesas da instituição, em contrapartida a família recebe a orientação, suporte e o tratamento para o autista. A entidade também conta com doações da sociedade. Em Içara temos o apoio muito grande da Administração Municipal, das secretarias e da Câmara de Vereadores”, pontua.

Simone, mãe do Luiz Gustavo

“O Luiz Gustavo tem se desenvolvido graças à combinação de amor e dedicação da família e também a profissionais maravilhosos que fazem toda a diferença na evolução dele. Hoje ele tem 9 anos, frequenta a escola pública regular e tem acompanhamento de uma auxiliar de turma. É uma criança alegre, carinhosa e inteligente. Muitas são as dificuldades a serem superadas, mas para nós cada pequena conquista é uma vitória. Até os 3 anos, ele não verbalizava praticamente nenhuma palavra com significado, mas por volta dos 5 anos já começou a ler as primeiras palavras. Ele é bem agitado, seu hiperfoco está direcionado as marcas, principalmente de carros e eletrodomésticos. Apresenta ecolalia imediata e tardia, tem dificuldade de interpretação e também de raciocínio lógico matemático, mas em contrapartida tem uma memória fantástica, o que o auxilia no processo de aprendizagem. Por fim, posso dizer que o autismo vai muito além do que é retratado nas séries e filmes sobre o tema. Nem todos são gênios, nem todos são agressivos, nem todos tem QI acima da média. O autista é um ser humano único como qualquer outro, com suas especificidades e que merece nada mais que respeito. Não são eles que têm que se adaptar à sociedade, mas a sociedade deve incluir e favorecer a vivência dele em todos os espaços, porque lugar de autista é onde ele quiser estar. Certamente me tornei uma mãe, profissional e um ser humano muito melhor, depois que meu mundo se pintou de azul! Meu filho é minha vida!”
- Simone Réus da Silva, mãe do Luiz Gustavo, associada à ABAA.



Andréia, mãe do André

“André tinha 1 ano e 6 meses quando recebemos o pré-diagnóstico de autismo. Achávamos que era o fim, nos desesperamos. André não tinha fala funcional, muitos movimentos repetitivos, não obedecia a nenhum comando e não interagia. No entanto, não cruzamos os braços. Fomos pesquisar e estudar para poder contribuir para um futuro melhor. Vimos que autismo não tem cura, mas tem tratamento. Com o tratamento na idade certa, a criança pode ter os prejuízos que o autismo traz minimizados. Investimos muito e até hoje André recebe estímulos e terapias para que possa continuar se desenvolvendo. É uma luta constante por inclusão, por conscientizar a sociedade, e principalmente por tratamentos. Ter um filho autista é lutar por muito mais que um mero tratamento, é conscientizar toda uma sociedade por mais afeição e empatia”.
- Andréia Alves Berto de Moura, mãe do André, de 8 anos, associada à ABAA



Patrícia, cofundadora

“A associação tem muita importância para o município pois, como todo mundo sabe as terapias são muito caras e a maioria das famílias não tem condições de fazer plano de saúde ou particular, então vai ajudar muito essas famílias. Tenho dois meninos de 15 anos João Marcos e Marcos Vinícius com autismo, minha gravidez foi bem tranquila porém, tive pressão alta e eles nasceram de 8 meses de gestação, desenvolveram tudo dentro do normal engatinharam e caminharam tudo no tempo certo, porém não desenvolviam a fala, em todas as consultas com o pediatra eu relatava pra ele sobre isso e ele dizia q era normal por terem nascido prematuros, com dois anos e pouco a minha irmã falou pra mim sobre o autismo, na época eu nem sabia o que era. Marquei consulta com neuropediatra e eles passaram por avaliações, então com três anos veio o diagnóstico.... foi muito difícil como já relatei eu não sabia o que era foi uma luta comecei a pesquisar procurar por tratamentos. Mas Deus colocou pessoas maravilhosas nas nossas vidas, como as profissionais q atendem eles até hoje Mara Rubia e Karla da Fisioclínica. É muito difícil você receber um diagnóstico e não ter nenhum suporte.
- Patrícia Figueiredo Silva, cofundadora da ABAA e integrante da diretoria.



Tatiana, mãe do Davi

“Ser mãe é um desafio para todas as mulheres, o desejo do filho perfeito leva a mamãe sonhar e planejar a vida toda daquela. Criança... Nós como pais começamos a investigar primeiro com neurologista, mas o processo é longo a início começamos com a fonoaudióloga. Depois de uns seis meses o neurologista pediu pra fazer musicoterapia que iria ajudar na fala. Assim começou nossa luta. Davi apresentava atraso na fala, comportamento agitado, não dormia muito bem. Logo o neurologista já deu medicação. Davi começou na escola com 2 anos e meio, não interagia com as crianças, gostava de brincar sozinho. Além disso o comportamento dele era muito agitado. O diagnóstico do TEA veio com três anos de idade. Hoje ele segue seu tratamento com psicóloga equoterapia. Fonoaudiólogo. Davi hoje tem 13 anos de idade é alfabetizado. A importância do laudo cedo e as terapias ajudam muito, e a dedicação dos pais também”.
- Tatiana Lourenço Felipe, mãe do Davi e associada à ABAA.



Desce criança temos dificuldades quanto a mudanças. Nascemos crescemos conhecemos nossa família vamos convivendo e na escola formamos círculos de amizade. Aos poucos vamos nos acostumando com o ambiente escolar. Criamos vínculos afetivos.

Moramos em nossas residências alguns por muito tempo no mesmo lugar e cidade, e de repente surgem novas oportunidades e precisamos mudar de cidade. Deixamos para trás amigos que fizemos, coisas que construímos, flores que plantamos, árvores que nos deram sombra e frutos.

Chegamos em outra cidade e é necessário nos adaptarmos onde tudo é novo, casa diferente, ambiente diferente, pessoas diferentes. É um misto de muitas emoções, insegurança, medo, mas também um grande desejo de ficarmos bem.

Para as crianças mudar de cidade por exemplo é muito mais difícil que para adultos, estão em formação e iniciaram círculos de amizades os quais terão que se afastar, criar novos vínculos.

Em alguns casos a criança fica triste e deprimida não aceita ter que deixar a família e seus amigos e ir para longe. Alguns precisam de tratamento psicológico, ainda em tenra idade terão que aprender como é adaptar-se.

Para os adultos parece ser um pouco mais fácil, sentem sim a falta das pessoas da casa onde viveram, o desapego é necessário. Alguns adultos, não conseguem adaptar-se às mudanças.

O fato de ter que arrumar a mudança demanda tempo e muitas emoções, são objetos de uma vida inteira, alguns que utilizamos bastante outros são recordações de tempos que passaram. Até irmos para nova casa surge a ansiedade e noites mal dormidas. No dia da mudança levamos nossas coisas pessoais. Chegamos colocamos coisas por todos os cômodos, é preciso organizar tudo novamente, organizar o novo ambiente onde iremos passar grande parte de nossas vidas.

Ficamos exaustos por algum tempo, mas logo conseguimos colocar nossa casa em dia. Arrumamos o jardim plantamos novas flores e tudo aos poucos vai tomando seu lugar.

Ao vermos florescer nosso jardim vamos sentindo tranquilidade, ver a natureza ao nosso redor nos traz paz. Encontramos pessoas novas, fazemos novos círculos de amizades, mas mesmo assim sentimos saudades dos antigos amigos.

Quando entendemos que nosso novo lugar nos ajuda a evoluir, vamos percebendo que tudo é aprendizado, cada pessoa que conhecemos vem ao nosso encontro para nos ensinar algo ou aprender algo conosco. E se por ventura tivermos a chance de voltar ao nosso lugar de origem, sentiremos saudades de onde estamos, das pessoas que conhecemos. Assim sendo será necessário que nos preparemos para deixar os novos amigos que fizemos. Já acostumamos com a cidade, o jeito de viver do novo lugar.

Agora teremos ainda mais saudades de pessoas que cabem nos nossos corações, é inevitável não sentirmos afeto pôr aqueles que chegam em nossas vidas. O destino nos reserva muitas surpresas, nem imaginávamos sair de um lugar em que moramos para mudar para outro. Conhecemos muitas coisas inimagináveis, lugares que jamais iríamos pisar, contemplarmos lugares diferentes nos faz muito bem.

As boas vibrações nos seguem, deixamos bons rastros onde passamos. Numa nova porta poderemos continuar nosso aprendizado com amor e fé, acreditando que estamos no lugar certo e no tempo certo. Se nos apegamos? Muitas vezes sim, queremos criar raízes, mas vem uma voz do Divino e nos diz é hora de seguir em frente. Em cada mudança temos novos aprendizados.

Nem sempre aceitamos as mudanças que vem ao nosso destino. Paramos, pensamos, sentimos tristeza em termos que deixar pessoas, lugares... O tempo é um dos melhores conselheiros nos faz refletir sobre as mudanças.

Construímos novos jardins, plantamos, colhemos o que plantaram antes de nós, plantarmos para outros colherem. Assim seguimos nosso aprendizado. A chave é seguir em frente desapegando e evoluindo sempre.


Simone Luiz Cândido é voluntária na causa adoção de crianças e adolescentes; já participou de três antologias com suas crônicas, além disso, ama escrever reflexões sobre a vida cotidiana, eternidade, amor e convivência.