Canal Içara

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08 de maio de 2021 - 04:15
Dica de Leitura: A Arte de Viver, de Tchich Nhat Hanh
04/02/2021 às 07:42 | Maristela Benedet
Os tempos seguem difíceis e preocupantes. Para tentarmos entender estes acontecimentos ao nosso redor é necessário sentirmos os vários corpos dentro do nosso ser. Temos a maravilhosa capacidade de fazermos esta conexão interior e assim, sermos resilientes às situações de barulho do mundo externo. Em a Arte de Viver, o líder espiritual, mestre do zen-budismo e ativista da paz, Thch Nhat Nanh, nos convida a “entrarmos” em nossos oito corpos.

O corpo humano é o primeiro. E graças a ele, somos capazes de experimentar todas as sensações da vida. Embora, na maioria dos momentos pouco “percebemos” a sua existência em nós, pois nossa mente esta sempre destoada deste corpo. Despertar é o desafio do nosso segundo corpo. Ele nos chama a estarmos atentos as vivências do amor e da compaixão.

A prática espiritual seria o nosso terceiro corpo na visão do mestre espiritual. Com ele podemos aprender a administrar os sofrimentos e promovermos nosso equilíbrio ampliada pela visão comunitária do quarto corpo, onde mesmo distantes das pessoas, podemos nos conectar com elas. A sabedoria está presente no quinto corpo ao jogarmos a semente e ela florescer em outras terras. A nossa energia, as nossas falas e as nossas influências, mesmo passado o tempo e espaço, integram o sexto corpo, o da continuação.

No sétimo e oitavo corpos sentimos a vida pulsar mesmo com estes corpos já desintegrados; permanecendo conectados com toda a essência eterna no universo. O ativista da paz aprofunda seu olhar sobre os nossos desejos materiais, sugerindo que temos tudo em nós e, no nosso ser reside a plena felicidade.


A nossa relação com a Mãe Terra está em desequilíbrio. A Covid-19 nos provoca a fazermos uma mudança em relação aos cuidados e o respeito com a nossa casa comum, ou nós, humanos, corremos o risco sermos extintos. Cientistas de vários países, há poucos anos, concluíram que a terra não somente possui vida sobre ela mesma, e sim, ela própria é um sistema que regula os elementos físicos, químicos e ecológicos. Ela é viva e cada ser é interligado com o outro.

Nesta análise, entendemos que a Covid-19 ou outros vírus, mesmo disseminados em laboratórios, compõe um sistema único gritando por socorro. Esta profunda reflexão está na obra do teólogo, professor universitário e escritor Leonardo Boff, Covid-19, A Mãe Terra Contra-Ataca a Humanidade - Advertências da pandemia. Nas pesquisas, o autor sugere que o esperado “normal” não deverá mais existir.

“Mudem a forma como vivem sobre mim, que sou seu lar vivo e ferido. Assim como estão se comportando vocês não podem continuar, caso contrário, eu, a Mãe Terra, irei me livrar de vocês, porque são excessivamente agressivos e maléficos para com toda a humanidade de vida que junto com vocês também criei.” Os Governos precisam entender que o uso da terra deve ser com harmonia e conter esta perigosa depredação em nome da riqueza e do individualismo.

Se a agressão continuar, ela (Mãe Terra) poderá contra-atacar mais uma vez. A pandemia é a oportunidade para resgatarmos a nossa compaixão, a solidariedade e promovermos a regeneração da sua, da nossa fonte.


Dica de Leitura: A Livraria, de Penélope Fitzgerald
14/01/2021 às 12:12 | Maristela Benedet
Uma mulher apaixonada pelos livros e uma viúva de coragem. Assim pode ser definida Florence Green ao enfrentar a resistência da pequena cidade de Hardborough, na Inglaterra, nos anos 50 para abrir uma livraria.

Os moradores, diversos pescadores, da cidade cercada pelo mar, não possuem hábitos de leitura. Suas opiniões são conduzidas pela dominadora Violet Gamart. Ela tem outros planos para a mansão centenária herdada por Florence.

Entre tantos desafios, a jovem viúva encontra certo acalento ao dividir a mesma paixão pelos livros com o senhor solitário Mr.Brundish e nas histórias contadas a Christine, a esperta menina de 10 anos ajudante na Livraria.


Uma folha em branco e uma vontade de dar novos sentidos as suas vidas e voz para as pessoas escreverem as suas histórias. Sem planejar, em 2011, o casal mineiro Iara e Eduardo Xavier, o Dudu, venderam seus poucos bens, transformaram seu carro em uma casa e saíram pelo Brasil em busca de seres que fazem o bem, em busca de bons exemplos. Esta desafiadora experiência eles contam no livro: Caçadores de Bons Exemplos. Em busca de brasileiros que fazem a diferença.

Nas cidades e vilas, Iara e Dudu conheceram moradores com tão pouco para viver e com o coração cheio para doar. Sentiram uma energia revigorante nos momentos de cansaço e das dificuldades no exemplo da massa de biscoitos usada para ensinar crianças sem acesso a escola a ler e escrever, até a casa dos detentos, onde não existe grades e nem chaves, somente trabalho, aprendizado e oportunidades para abrir as portas da liberdade.

Nos 1.599 projetos descobertos em mais de 404 mil quilômetros percorridos, Iara e Dudu encontraram pessoas sem crença em um mundo melhor e, a certeza de muitas outras de que existe conserto para o ser humano. Homens e mulheres com coragem e determinação para salvar vidas. Em lugares desconhecidos do país, vivenciaram e se emocionaram com projetos inspiradores revelando as boas ações pouco divulgadas, por gente do bem que carregam a esperança de transformação em um Brasil melhor.



Existe outra vida além desta em que vivemos? O Jardim dos Girassóis, de Lygia Barbieri Amaral, utiliza de vivências espirituais para contar a história do pai de família Alberto, de 34 anos, após a sua passagem deste plano.

O amoroso e trabalhador pai de Juliana, de um relacionamento anterior, e pai de Felipe, de seu casamento com Lenita, sofre um enfarto a caminho do trabalho. A sua partida provoca dor e tristeza à família que agora tenta se unir para viver sem ele.

Lenita chora no seu aniversário e sente saudade dos girassóis presente de Alberto, na data, todos os anos. No outro plano, Alberto tenta entender onde está. E muitos conflitos e aprendizado vão acontecer nestes dois mundos.

A obra leve e de fácil compreensão traz reflexões sobre a existência humana e a possibilidade de continuidade da vida após a morte.


*Maristela Benedet é colaboradora do Canal Içara, tem formação em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo desde 1996, atua na área e nas horas de lazer dedica-se a leitura