Canal Içara

Canal Içara

20 de setembro de 2021 - 01:31
1968 - O que fizemos de nós, de Zuenir Ventura
09/07/2010 às 09:53 | Maristela Benedet - maristela.benedet@canalicara.com
Como são os jovens de hoje? Quais são os ideais dessa geração? Estão são interrogações do jornalista Zuenir Ventura em “1968 - O que fizemos de nós”. A obra faz novas provocações após 42 anos do lançamento do Best-seller “1968 – O ano que não terminou”, publicação em que os ideais coletivos para mudar o mundo moviam o sentido de vida daquela juventude dita rebelde. E hoje? Como vivem os filhos daqueles que sonhavam com um novo mundo?

Com depoimentos, reflexões e entrevistas com personalidades e políticos que influenciaram na construção dos rumos da sociedade nos últimos anos, o autor vai chegando a algumas conclusões: O jovem de hoje é individualista. Não é politizado e nem solidário. Carreira, sucesso e fama norteiam seus objetivos e são mais dependentes, demoram a sair casa.

Uma preocupação é com a Imagem. Nunca uma geração esteve tão focada na aparência. “Sem poder mudar o mundo muda-se o corpo”. Nas suas observações, é uma geração sem ideologia, que não contesta e não protesta, pois tudo é permitido e não existe mais tabu. Uma boa leitura para todos pensarmos sobre momentos essenciais da nossa história. Importante análise nesse momento em que nos preparamos para escolher os políticos que estarão no poder nas esferas estadual e federal.

SOBRE O AUTOR: Pela série de reportagens publicadas no Jornal do Brasil, em 1989, “O Acre de Chico Mendes”, Zuenir Ventura ganhou os Prêmios Vladimir Herzog e Esso em 1989. As reportagens e a nova pesquisa efetuada 20 após a morte de Chico Mendes, resultaram no livro “Chico Mendes – Crime e Castigo”, lançado em 2003.


Viajando na Leitura! Sobrevivi para contar
04/06/2010 às 14:12 | Maristela Benedet - maristela.benedet@canalicara.com
Uma história surpreendente e emocionante. Em “Sobrevivi para contar”, o leitor vai descobrir a capacidade que a fé é capaz de transformar em um ser humano. Entender que a crença em um Deus superior pode mover as mais intransponíveis montanhas. A obra conta a história pessoal da africana Imaculleé Ilibagiza. Aos 22 anos, ela é a única sobrevivente da família em um dos mais recentes genocídios da história da África, em 1994.

Vivendo feliz com pais e dois irmãos unidos e amorosos, em instantes a jovem se depara com uma guerra sangrenta, envolvendo as duas principais etnias de Ruanda, os tútsis e hútus. No massacre, mais de um milhão de pessoas são assassinadas pelos hutús. Movidos pelo ódio, racismo e manipulados pela imprensa, amigos e vizinhos se tornam inimigos. Integrante da etnia tutsis, Imacullé tentar se salvar em um minúsculo banheiro com mais sete mulheres durante três meses. Sofrendo com o fim trágico da família, o medo e as ameaças constantes de serem descobertas e mortas, encontra na fé a força e a coragem para acreditar que sobreviveria para contar.

Sem poder comunicar-se com as companheiras, seu diálogo seria com Deus por meio das orações. Crença motivadora para manter o sonho com um futuro em meio a inúmeras tragédias. Um relato de esperança de alguém que escapou da morte com somente um fio da própria existência. Uma prova de que a espiritualidade pode ser um fundamental alicerce para resolver os mais dramáticos problemas. Um livro de cabeceira “estimulante” na nossa jornada diária.

INDICAÇÃO: Sobrevivi para contar, de Immaculeé Ilibgiza e Steve Erwin (Editora Fontanar, 2008)
Onde comprar? Fátima Bookstore, em Criciúma (R$ 36,90)


Viajando na leitura! O Menino Príncipe
30/04/2010 às 15:54 | Maristela Benedet - maristela.benedet@canalicara.com
Um resgate interior nas provocações de uma criança. O encontro com a infância perdida no mundo adulto é o que propõe “O Menino Príncipe”. Do escritor Edegar Generoso, foi criado em homenagem aos 100 anos de Saint-Exupéry. A obra relata histórias do filho, ricas em imaginação, peripécias e curiosidades naturais da criança, contadas pelo pai, o jardineiro.

Nas crônicas, o autor mescla a realidade no cotidiano vivenciada com o filho com as fantasias literárias. Instiga o leitor a refletir sobre as borboletas camufladas no casulo da existência e a desabrochar para a verdadeira essência da vida. Leva a silenciar e faz uma viagem de volta a imaginação e a pureza da alma.

Um livro para adultos e crianças, com uma linguagem simples. Possui uma lição profunda que toca o coração e encanta já nas primeiras páginas. Sugestão de presente aos filhos para o Dia das Mães. Dica também aos professores como material didático. E, a todos aqueles que precisam acalentar a si mesmo ou a outras pessoas.

SOBRE O AUTOR - O escritor, historiador e sindicalista de Criciúma, Edegar da Cunha Generoso, escreveu ainda em parceira com João Marino Vieira os livros de poesia “Flores e Amores” e “Trilhas e Sonhos”.


Viajando na Leitura! Ensaio sobre a cegueira
28/02/2010 às 12:41 | Maristela Benedet - maristela.benedet@canalicara.com
Ele parou no semáforo em meio a um trafego intenso. Num instante o sinal fica verde, mas ele não sabe, está cego. Assim começa “Ensaio Sobre a Cegueira” de José Saramago. O romance narra à epidemia de cegueira que vai aos poucos atingindo milhões de pessoas sem causa aparente. O autor não especifica o local e os personagens não tem nome, são identificados pelas suas características físicas.

Assustado, o motorista do sinal procura o médico que após os exames, conclui que seus olhos estão perfeitos e não tem explicação para a “treva branca”. Logo ele seria a próxima vitima da doença. Sem saber como agir diante dessa situação inusitada, o Governo leva os cegos para uma base desativada do exército, com mínimas condições de sobrevivência. Estranhamente a esposa do médico não fica cega, mais se faz de uma, para acompanhar o marido.

O instinto pela vida altera a razão e o equilíbrio das vitimas. “Penso que não cegamos, penso que estamos cegos. Cegos que vêem. Cegos que vendo não vêem”, filosofa a mulher do médico. E a cegueira aos poucos vai revelando a escuridão das suas almas. A obra ativa as sombras escondidas em cada um de nós. Instiga a uma profunda reflexão sobre a ausência de “visão” do homem na elaboração do seu futuro e do planeta; a cegueira existente em cada um de nós, onde muitas vezes olhamos sem saber ver, e daqueles que mesmo cegos penetram nas entranhas humanas e enxergam o impossível. Uma leitura intrigante para quem deseja filosofar sobre o sentido da existência e aprecia uma verdadeira obra-prima da literatura mundial.

SOBRE O AUTOR – Com Memorial dos Conventos (1992) – best-seller internacional – José Saramago foi reconhecido em todo o mundo. Publicou ainda Ensaio sobre a Lucidez (2004), Ensaio sobre a vivência (2005), A bagagem do viajante (1996), O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991), entre outros.


Viajando na Leitura! Lula, o filho do Brasil
26/01/2010 às 15:22 | Maristela Benedet - maristela.benedet@canalicara.com
A saga de Dona Lindu e seu filho Lula esta narrada na obra “A História de Lula, o Filho do Brasil” de Denise Paraná. O livro inicia contando na terceira pessoa a história da mãe de Lula, que acreditando no impossível e contrariando o destino traçado para milhões de nordestinos transformou suas “lagartixas” em borboletas. Revela a situação de extrema miséria vivida em Caetés, agreste de Pernambuco e a carta falsa que traçou um novo rumo à família Silva, dando coragem para junto com oito filhos, o então caçula Lula com sete anos, ir rumo à grande São Paulo em 1952, sem saber o que a sorte lhes reservava.

Relata o encontro com o marido alcoólatra e violento impedindo Lula de estudar e a nova partida. Destacando a presença forte de Dona Lindu, como a esteira da família e sua luta para criar os filhos sozinha. A história segue humanizando o presidente do Brasil, desde as peripécias da infância até a juventude. Em vários capítulos, narra o trabalho como engraxate e torneiro mecânico, o sofrimento pela morte da esposa grávida, o engajamento no sindicalismo e a liderança conquistada junto aos trabalhadores metalúrgicos entre as décadas de 70 a 80.

INDICAÇÃO A históra de Lula, o filho do Brasil, de Denise Paraná (Objetiva, 2009, 144 páginas)
Onde comprar? Fátima Bookstore – R$ 24,90

DADOS DA OBRA: A jornalista Denise Paraná escreveu a bibliografia de Lula nos anos 90 como tese de Doutorado na USP. Em 2002, a escritora publica “Lula o filho do Brasil” pela Editora Perseu Abramo, obra que inspirou o filme com roteiro da própria jornalista. Após a produção, Denise escreveu uma nova versão, “ A história de Lula, o filho do Brasil”, diferente da tese, mais enxuta e com novas pesquisas.

MAIS SOBRE O ASSUNTO: “Lula do Brasil – A história real, do Nordeste ao Planalto” (Geração Editorial -2010). A publicação é a edição brasileira de “Lula of Brazil – a history so far”, escrito pelo inglês Richard Bourne, pesquisado do Núcleo de Estudos Políticos da Comunidade das Nações na Universidade de Londres e ex-repórter do diário britânico "The Guardian”.


*Maristela Benedet é colaboradora do Canal Içara, tem formação em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo desde 1996, atua na área e nas horas de lazer dedica-se a leitura