Canal Içara

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28 de setembro de 2020 - 12:36
Andreia Limas: A arte de empreender mesmo na crise
23/09/2020 às 07:16 | Andreia Limas
Na semana passada, tratamos neste espaço sobre os números da economia em Santa Catarina durante o mês de julho, com altas na indústria, no comércio e nos serviços, ressaltando o pouco – para não dizer o quase nada – de apoio do Governo do Estado para que isso ocorresse.

Sem o empurrão governamental, o desempenho pode ser explicado pela resiliência e o espírito empreendedor catarinense, que já fazia de Santa Catarina um destaque na economia brasileira, superando estados maiores em tamanho e número de habitantes, muito antes da pandemia de coronovarírus.

A crise de saúde pública exigiu novas posturas, alternativas diferenciadas, ideias inovadoras e quem melhor conseguiu se adaptar às mudanças saiu na frente no processo de retomada econômica. Na prática, para os catarinenses, os inúmeros problemas gerados pela Covid-19 serviram como um estímulo para empreender, fechar novos negócios e seguir se desenvolvendo.

Números

Prova disso está no número de empresas abertas este ano, apesar de todas as turbulências e incertezas. Com saldo superior ao registrado no mesmo período do ano passado, Santa Catarina já alcançou em 2020 a marca de 100 mil novas empresas, sendo que 65 mil foram constituídas durante a pandemia, segundo dados da Junta Comercial do Estado.

Do início do ano até 31 de julho, foram contabilizados 557 empreendimentos estabelecidos em terras catarinenses, enquanto 322 deixaram o Estado, o que representa um saldo de 235 novas empresas que escolheram o nosso cenário econômico para empreender.

Já no mesmo período de 2019, foram 528 empresas transferidas para Santa Catarina, enquanto 298 saíram desta unidade da federação, proporcionando um saldo positivo de 230 novas empresas. A diferença mostra que, apesar de toda a insegurança gerada pela pandemia da Covid-19, a economia catarinense é reconhecidamente pujante e atrai investidores confiantes na continuidade da retomada econômica.

Empregos

Ter mais empresas funcionando significa gerar mais empregos, como mostram os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged). Após perdas de postos de trabalho em abril e maio, o saldo entre admissões e desligamentos voltou a ficar positivo em junho no Estado, chegando a 13.345 contratações a mais que demissões em julho.

Os dados de agosto ainda não saíram, mas há outros indicadores que podem ser considerados. Esta semana começou com o Sistema Nacional do Emprego (Sine/SC) registrando 4.005 vagas de emprego disponíveis em Santa Catarina. Boa parte delas oferecidas pela indústria, um dos setores que mais promoveu demissões devido à pandemia.

Agricultura

Outro setor que segue em franco desenvolvimento no Estado é o agronegócio, mesmo com a estiagem prolongada e, claro, a pandemia de coronavírus. A Epagri estima crescimento nas principais culturas agrícolas de Santa Catarina na comparação com o ciclo 2019/20: arroz, soja, milho, feijão, hortaliças, frutas e fumo. A safra de verão vai encontrar o mercado interno aquecido e provavelmente o dólar em alta, o que favorece as exportações.

Comércio

O comércio ainda deve levar um bom tempo para se recuperar das perdas de faturamento acumuladas ao longo da pandemia. Por isso mesmo, as atenções voltam-se às datas comemorativas, principalmente, a mais importante do ano: o Natal. Em Içara, o planejamento do período natalino já começou, com a Câmara de Dirigentes Lojistas reunindo representantes da Fundação Cultural, secretarias de Educação e Desenvolvimento Econômico, além do setor de Fomento às Atividades Inclusivas, para alinhar ações que poderão ser realizadas em dezembro. A maior preocupação é estar ainda sob restrições de funcionamento e limitação de público em eventuais eventos.

Adiamento

Diante do número reduzido de colaboradores no comércio, com os afastamentos durante a pandemia, e também por causa do impacto causado pelo coronavírus no faturamento das empresas, o Sindicato dos Comerciantes Varejistas e Atacadistas de Içara, Morro da Fumaça e Balneário Rincão emitiu uma solicitação formal a parlamentares e governantes catarinenses para o adiamento da exigência de entrega do Bloco X. O pedido é para que a prorrogação ocorra até junho de 2021.

O Bloco X consiste no envio de arquivos gerados automaticamente pelo Programa Aplicativo Fiscal do Emissor de Cupom Fiscal (PAF-ECF) para a base de dados da Secretaria de Estado da Fazenda (SEF/SC), para o acompanhamento mais efetivo e fiscalização das transações. O prazo inicial para a obrigatoriedade no envio dos arquivos já sofreu uma readequação, para 1º de outubro.


Não, ainda não é tempo de comemorar o fim da pandemia ou dos problemas e restrições dela decorrentes, mas os indicadores de julho, divulgados na última semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nos permitem manter a confiança na recuperação econômica e com uma tendência já verificada em outros momentos.

Assim como em períodos anteriores, a reação em Santa Catarina é mais acelerada do que em outras regiões do Brasil, bem maiores em termos de extensão territorial e população. E esse desempenho é conquistado com a mínima participação do governo estadual, que pouco contribuiu para manter as empresas funcionando e os catarinenses empregados durante a crise gerada pelo coronavírus.

Serviços

Duramente castigado pelas restrições – e ainda com atividades suspensas em alguns segmentos – o setor de serviços manteve em julho a recuperação pelo terceiro mês consecutivo, ainda que mais lenta e menos sólida que nos meses anteriores e em comparação aos demais setores da economia, conforme os dados da Pesquisa Mensal de Serviços.

Santa Catarina apresentou crescimento de 3,1% no volume na comparação mensal, resultado ligeiramente superior à média nacional de 2,6%. Em relação ao mesmo mês do ano passado, o Estado ainda está negativo em 7,4%, porém, representa o quinto melhor resultado do país, cuja média foi de -11,9%. No acumulado do ano, as perdas estaduais foram reduzidas para -8,4%, próximo à média nacional de -8,9%.

Comércio

O volume de vendas do varejo cresceu 5,2% em julho, na comparação com o mês anterior, após a alta recorde de 13,3% em maio e de 8,5% em junho. Esse é o maior resultado para o mês de julho da série histórica, iniciada em 2000, e a terceira alta seguida no ano, com algumas categorias apresentando resultados acima dos registrados no período pré-pandemia de Covid-19, como móveis e eletrodomésticos e hiper e supermercados. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio.

O comércio varejista como um todo está 5,3% acima de fevereiro, quase a mesma variação de junho para julho (5,2%), ou seja, o crescimento de julho já representou um ganho. Os resultados do volume de vendas em julho foram bastante positivos no país e acima das projeções, com um crescimento de 7,2% no varejo ampliado, na comparação com o mês anterior. Porém, este desempenho ainda não cobre as perdas da crise – a retração é de 1,8% e 6,2% no acumulado do ano.

No Estado

O varejo ampliado em Santa Catarina continuou a apresentar ganhos (+3,5% na comparação com o mês anterior), porém em um ritmo menor, o que também é esperado após o choque positivo inicial relacionado a desembolsos depois de um represamento do consumo. Esse comportamento ocorreu de maneira mais concentrada em junho no Estado.

No acumulado do ano, o setor está com volume de vendas 1,1% menor que o mesmo período do ano passado. Porém, ao considerar as receitas nominais, já está em patamares positivos em 1,2% – o resultado é puxado principalmente pelos materiais de construção. Santa Catarina teve o melhor resultado do país no varejo restrito, com alta de 3,4% nas vendas, de janeiro a julho.

Indústria

A produção industrial teve alta em 12 dos 15 locais analisados pela Pesquisa Industrial Mensal Regional, na passagem de junho para julho. O resultado reflete a ampliação do movimento de retorno à produção, após paralisações por conta dos efeitos causados pela pandemia de Covid-19. A produção industrial nacional cresceu 8% em julho, pelo terceiro mês consecutivo, sendo que em Santa Catarina ficou em 10,1%.

Impactos

Apesar dos indicadores, das 3,2 milhões de empresas em funcionamento na primeira quinzena de agosto, 38,6% ainda perceberam impactos negativos decorrentes da pandemia em suas atividades. Por outro lado, para 33,9%, o impacto foi pequeno ou inexistente; e, para 27,5%, o efeito foi positivo.

Inflação

O reaquecimento na economia, combinado à diminuição na oferta de alguns produtos que ganharam a preferência do mercado externo, levou a inflação de agosto a ser a mais alta para o mês desde 2016, embora o índice (0,24%) tenha desacelerado em relação a julho (0,36%). Pesaram mais no bolso do consumidor, principalmente, a gasolina, que subiu pelo terceiro mês seguido, e os alimentos, que chegaram a registrar certa estabilidade de preços em julho, mas voltaram a subir em agosto. Os dados são do IBGE e compõem o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). No ano, o indicador acumula alta de 0,70% e, em 12 meses, de 2,44%.


Andreia Limas: Por que os alimentos aumentaram tanto?
09/09/2020 às 07:10 | Andreia Limas
Essa é a pergunta que os consumidores brasileiros se fazem, diante da disparada de preços percebida nas gôndolas dos supermercados. E estamos falando de itens da cesta básica, como óleo de soja, arroz, leite e carne bovina.

Muitos atribuem a elevação à crise do coronavírus, há aqueles que colocam a culpa nos próprios consumidores, por estocar produtos durante a pandemia, e outros entendem que a situação é agravada pelos que se aproveitam para lucrar em um momento de desespero.

Mas, afinal, existem explicações razoáveis para a alta? A verdade é que os preços são puxados para cima por diversos fatores, que incluem desde a influência da Covid-19 na economia até movimentos normais de mercado, impulsionados pela alta do dólar, por exemplo.

Soja

Difícil não se assustar ao se deparar com o óleo de soja custando quase R$ 6, quando meses antes era vendido por menos de R$ 4. Será que isso se justificaria por uma quebra de safra? Não é o caso, pois o país terá produção recorde este ano. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), o volume de soja processada no Brasil em 2020 deve totalizar 44,6 milhões de toneladas, com a produção de cerca de 9 milhões de toneladas de óleo de soja, um crescimento de 3% em relação a 2019.

Menor oferta

Apesar disso, a oferta no mercado interno caiu. A entidade responsabiliza o inesperado aquecimento da demanda doméstica pela redução no abastecimento. “O cenário de limitação na oferta do óleo de soja nas gôndolas dos supermercados de algumas regiões do país é resultado de mudanças no consumo em meio à pandemia”, sustenta a Abiove, lembrando que as pessoas passaram a fazer todas as refeições dentro de casa, o que elevou o volume de compras de alimentos.

Exportações

O consumo pode até ter aumentado, porém, existe outra explicação – bem mais convincente – para a redução na oferta e o consequente aumento no preço do produto: as exportações. A China, principal compradora da soja brasileira, decidiu fazer estoques estratégicos de alimentos e a cotação do dólar, acima de R$ 5, também favorece as vendas para o mercado externo. Entre janeiro e agosto, o Brasil comercializou 30,81% a mais do produto em relação ao mesmo período do ano passado. Para a China, foram quase US$ 4 bilhões a mais, representando aumento de 26,32% no comparativo entre um ano e outro.

Carne

A oferta e o preço da carne bovina também foram influenciados pelas exportações, que aumentaram 12% no acumulado do ano até agosto, passando para cerca de 1,3 milhão de toneladas. Nesse caso, a responsável também foi a China, que elevou em 65,8% as compras no mesmo período, segundo a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo). Os chineses responderam por 62,4% de toda a carne bovina exportada pelos brasileiros no ano até agosto, conforme a entidade.

Entressafra

Além disso, o preço da carne bovina sofre os efeitos da entressafra, que afeta também o preço do leite. No inverno, a oferta do produto geralmente diminui, à medida em que aumentam os custos de produção, com a substituição da pastagem por ração para a alimentação do gado leiteiro. Em Santa Catarina, a produção de leite e derivados também sofreu os impactos da estiagem este ano. Somados a isso, existem outros fatores, como o aumento do consumo durante a pandemia e o dólar em alta, o que inibe a importação de leite.

Arroz

Com o arroz, a comparação dos preços médios entre abril e o começo de agosto revelou elevação de até 28%. O que se explica em parte por uma situação similar à da carne: a maior procura externa diminuiu a oferta doméstica do produto. Mas a Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) aponta outro fator para a alta. “Nas últimas semanas, a indústria tem sofrido enorme dificuldade de acesso à matéria-prima, decorrente da restrição de oferta do arroz, que está concentrada em poder de poucos produtores. Esse movimento tem resultado em falta de referência para comercialização do arroz e na oscilação generalizada nos preços do cereal para cima, tanto para a indústria como para os consumidores”, afirmou a entidade em nota.

Supermercados

Embora os aumentos estejam relacionados principalmente à produção e a opção pelo mercado externo, o ônus acabou ficando com o setor supermercadista. O próprio presidente da República, Jair Bolsonaro, pediu que os proprietários de supermercados baixassem os preços, por uma questão de “patriotismo”. Ora, o presidente deveria saber que esses estabelecimentos em geral apenas repassam os reajustes praticados pelas indústrias e fornecedores. E o Governo Federal precisa ir além, por exemplo, intensificando a fiscalização para coibir abusos.

Energia

O juiz federal Leonardo Cacau Santos La Bradbury, da 2ª Vara da Justiça Federal em Florianópolis, em decisão proferida na última sexta-feira, dia 4, determinou a suspensão do reajuste da tarifa de energia elétrica da Celesc, com impacto médio de 8,14% ao consumidor, até o fim do estado de calamidade pública em função da pandemia de Covid-19. A decisão atende a um pedido da Diretoria de Relação e Defesa do Consumidor (Procon) e ainda há possibilidade de recurso por parte da empresa e da Aneel. Resta saber se a determinação será estendida também à Cooperaliança, que teve reajuste médio de 10% definido pela agência reguladora, sobretudo, devido ao preço da energia adquirida junto à Celesc.


Até 2019, o reajuste do salário mínimo levava em conta a correção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do ano anterior, mais a variação do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos) de dois anos antes. Com a mudança da regra de cálculo, o percentual ficou menor, levando em conta somente o INPC, encurtando ainda mais o mínimo. Tanto que a proposta de aumento é de apenas R$ 22 para o próximo ano – dos atuais R$ 1.045 para R$ 1.067, conforme o projeto do Orçamento de 2021, enviado nesta semana ao Congresso.

O projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), apresentado em abril, fixava o salário mínimo em R$ 1.075 para o próximo ano. O valor, no entanto, foi reduzido devido à queda da inflação, de acordo com o governo – o Ministério da Economia previa, em abril, que o INPC encerraria 2020 em 3,19%, mas essa estimativa foi revisada para 2,09%.

Piso estadual

Daí a importância de ter um piso estadual, como é o caso de Santa Catarina. Dividido em quatro faixas, de acordo com a ocupação do trabalhador, o mínimo regional supera o salário mínimo, aplicado nacionalmente, em até 33,11%. Para 2020, os pisos da primeira, segunda, terceira e quarta faixas foram fixados em R$ 1.215, R$ 1.260, R$ 1.331 e R$ 1.391, respectivamente. O aumento médio foi de 4,96%, enquanto o reajuste do salário mínimo nacional ficou em 4,71%.

O diferencial no Estado é que o piso é reajustado conforme o índice negociado por representantes da classe patronal e dos trabalhadores. O acordo é então encaminhado ao governador para a elaboração da lei e o encaminhamento à Assembleia Legislativa para votação. Instituído em 2009 pelo governador Luiz Henrique da Silveira, o piso estadual passou a ser adotado no ano seguinte.

Auxílio emergencial

Destinado aos trabalhadores informais, microempreendedores individuais, autônomos e desempregados, como forma de garantir uma renda mínima durante a crise causada pela pandemia da Covid-19, o auxílio emergencial será prorrogado até o final do ano, embora com parcelas de valor menor. O presidente Jair Bolsonaro anunciou nessa terça-feira, dia 1º, que o benefício terá mais quatro parcelas de R$ 300.

A ajuda financeira começou a ser oferecida em abril, estabelecida inicialmente em três parcelas de R$ 600. Em junho, por decreto, o governo prorrogou o auxílio por mais dois meses, no mesmo valor.

Mesmo que a concessão tenha sido marcada por problemas, é preciso reconhecer que o auxílio mostrou-se fundamental, tanto para atender a população mais vulnerável quanto para manter a economia girando. Segundo informações divulgadas pela Caixa, mais de R$ 184,6 bilhões já foram pagos a 67,2 milhões de beneficiários.

Bom exemplo

A pandemia de coronavírus também potencializou a responsabilidade social das empresas e um bom exemplo vem de Içara. A Tintas Farben fez a aquisição de uma obra de arte do artista plástico Adair Fernandes, direcionando os recursos financeiros ao Movimento Juntos de Coração, iniciativa de entidades de Criciúma e região, em prol das famílias mais vulneráveis impactadas pela crise. O quadro, produzido exclusivamente pelo pintor para doação à campanha, possibilitará a distribuição de 58 cartões de compras, no valor individual de R$ 60, à comunidade. A Farben também fez a doação de mais de 5,1 mil litros de álcool industrial para diversas entidades da região.

Inspeção gratuita

Promovida pelo Núcleo Estadual de Automecânicas (NEA) e realizada na Região Carbonífera pelo Núcleo de Automecânicos da Associação Empresarial de Criciúma (Acic), a Inspeção Veicular Gratuita contará nesta edição com a adesão de oito empresas, em quatro cidades da região, incluindo a Mecânica Carlinhos, de Içara. Os interessados em participar da ação, que ocorrerá durante todo o mês de setembro, deverão fazer o agendamento por telefone.

Mesmo que numa versão diferente por conta da pandemia, o foco da Inspeção Veicular Gratuita não muda: as oficinas vão avaliar os carros de clientes e interessados em realizar um check list completo no seu veículo. Além da avaliação, os motoristas receberão orientações sobre cuidados com o carro, detalhes que precisam ficar atentos no dia a dia e dicas para aumentar a vida útil do veículo.


A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nessa terça-feira, dia 25, o reajuste tarifário da Cooperativa Aliança – Cooperaliança. Assim, a partir de 29 de agosto, haverá aumento de 9,49% para o consumo residencial; de 10,25% para consumidores comerciais atendidos em baixa tensão e 9,59% para os atendidos em alta tensão (caso das indústrias).

Dessa forma, o efeito médio para o consumidor será de 10%, um reajuste salgado e fora de hora, quando pessoas físicas e jurídicas continuam tentando se recuperar da crise de coronavírus. A energia elétrica é uma necessidade básica para as famílias e para as empresas, sobretudo as indústrias, representa um dos principais insumos. Mas isso não parece ter pesado na decisão dos diretores da agência reguladora.

Dentro do esperado

Estabelecida em Içara, a Cooperaliança atua também nos municípios de Balneário Rincão, Araranguá e Jaguaruna, abrangendo 40 mil unidades consumidoras. O aumento na casa dos 10% já era projetado pelos técnicos da concessionária e a tendência se consolidou após a aprovação do reajuste tarifário da Celesc, na semana passada, com efeito médio de 8,14%, pois a empresa catarinense é a atual fornecedora da cooperativa. Conforme a Aneel, o reajuste em ambos os casos foi impactado, em especial, pelo pelos custos de transmissão e aquisição de energia, com destaque para a compra de energia da usina de Itaipu, precificada em dólar.

Desoneração

Também nessa terça-feira, a Aneel divulgou que adotará uma ação para desonerar as tarifas de energia a partir de 2021. A diretoria da Agência determinou que suas áreas técnicas atuem para garantir consonância entre os saldos financeiros do fluxo de caixa e do fluxo econômico da Conta de Comercialização de Energia Elétrica de Itaipu. Com essa decisão, a Aneel busca que parte do saldo da conta em 2020 sirva para reduzir o valor do repasse da tarifa de Itaipu em 2021. Atualmente, o saldo da conta está em R$ 1 bilhão. A expectativa é que, com a alteração da metodologia, havendo sobra de arrecadação na conta, esse recurso poderia auxiliar a reduzir as tarifas.

Mercado livre

Para que consiga aplicar tarifas menores, a administração da Cooperaliança decidiu recorrer ao mercado livre para a compra de energia. O leilão já realizado definiu a Copel Comercializadora S.A, de Curitiba, no Paraná, como a nova fornecedora, mas o contrato só entrará em vigor em 1º janeiro de 2022. Até lá, o reajuste da cooperativa estará atrelado às tarifas da Celesc.

Empregos

Depois de voltar a apresentar saldo positivo de empregos com carteira assinada em junho, a Região Carbonífera teve novamente em julho mais admissões do que desligamentos. Com 11 dos 12 municípios obtendo saldo positivo, no mês passado houve 5.006 contratações, contra 3.794 desligamentos, o que resultou em 1.212 postos de trabalho a mais, conforme os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgados na última sexta-feira (21).

Destaque

O destaque ficou por conta de Criciúma, que teve 499 admissões a mais que desligamentos, voltando a ter saldo positivo após três meses de perdas. Em seguida, aparece Içara, que com 234 postos de trabalho a mais voltou a ter saldo positivo no acumulado do ano. A seguir, vêm Forquilhinha com 117; Siderópolis com 108; Urussanga com 96; Nova Veneza com 60; Orleans com 33; Morro da Fumaça com 26; Lauro Müller com 17; Treviso com 15 e Balneário Rincão com sete. Em Cocal do Sul, o número de contratações (122) foi igual ao de demissões em julho.

Semestre

O desempenho no mês passado ajudou a Região Carbonífera a diminuir a perda de empregos formais no acumulado do ano. Agora, são 1.192 postos de trabalho fechados entre janeiro e julho – a maior redução ocorreu em abril, período de restrições às atividades econômicas por conta da pandemia.

Setores

Em Içara, o único setor que ainda apresenta déficit é a indústria, com 432 demissões a mais que contratações entre janeiro e julho. O setor de serviços registrou saldo positivo de 253 empregos no acumulado do ano, pouco à frente do desempenho do comércio, que adicionou 242 vagas. Houve ainda a colaboração da construção, com 25 postos de trabalho, e da agricultura, com sete, contribuindo para o saldo positivo de 95 no período.

Em Balneário Rincão, foram 51 postos de trabalho a menos no comércio no acumulado do ano, -11 na construção e -21 na indústria. Por ouro lado, o setor de serviços adicionou 97 vagas no período, proporcionando que o município tivesse saldo positivo de 15 empregos entre janeiro e julho (houve ainda uma vaga na agricultura).

No Estado

Santa Catarina registrou em julho o segundo mês consecutivo de variação positiva no saldo de empregos formais. Com 10.044 novas vagas abertas, teve o maior saldo entre os estados do Sul e o terceiro em relação ao resto do país, atrás apenas de São Paulo (22.967) e Minas Gerais (15.843). A aceleração foi puxada, especialmente, pelo setor industrial, que representou 76,4% das novas vagas criadas.

Ônibus

Esta semana marca a volta do transporte coletivo, com o retorno dos ônibus intermunicipais na Região Carbonífera ocorrendo antes mesmo que o Governo de Santa Catarina autorizasse a retomada em todo o Estado – o transporte interestadual já havia sido autorizado. O retorno ainda é com restrições e não há previsão de quando o serviço poderá voltar à normalidade. O setor de transporte de passageiros acumula prejuízos e perdas de postos de trabalho, sem perspectiva de recuperação a curto prazo.


Andréia Medeiros Limas é jornalista, com experiência editorial nos jornais da Região Carbonífera, e assessoria de imprensa.