Canal Içara

Canal Içara

03 de abril de 2020 - 01:41
Na crise, não se pode perder o foco
01/04/2020 às 07:10 | Andréia Limas
Sim, ainda estamos falando de coronavírus e seus impactos na saúde, na economia e também na política, pois a pandemia no Brasil, antes dividida entre as duas primeiras, cada vez mais ganha uma conotação política.

O que temos visto até agora é uma divisão entre os esforços dos técnicos em administrar o avanço da doença no país, sugerindo para isso medidas como a quarentena (saúde); a classe empresarial pressionando para a retomada das atividades, sob o risco de queda massiva de produção, quebradeira, recessão e perda de empregos (economia); e políticos brigando para ver quem ganha mais notoriedade e possa contabilizar em votos futuramente (política).

Mas na crise, manter o foco no problema é ainda mais imprescindível. Quanto mais tarde entendermos que é preciso parar de perder tempo com as discussões e pensar em alternativas para minimizar os impactos, pior será para todos os setores.

Quarentena
Alguns governadores e prefeitos definiram por parar as atividades, mantendo em funcionamento apenas os setores considerados essenciais, como os de alimentação, saúde, segurança, abastecimento de combustíveis e serviços de água, energia, saneamento básico e comunicações. A intenção é promover o distanciamento social e, com isso, reduzir o risco de contágio por Covid-19. O pensamento é simples: diminuindo a circulação de pessoas, a tendência é desacelerar o número de infectados, possibilitando o atendimento sem a sobrecarga do sistema de saúde.

Alternativas
Então, se a opção for essa, quais são as alternativas para impedir que as empresas paradas mantenham a saúde financeira? Quais medidas podem garantir os empregos e a renda de quem não está trabalhando? Como amparar os microempreendedores individuais, autônomos, micro e pequenos empresários? Como assegurar o poder de compra durante e após a crise? O foco deveria estar em buscar soluções que mantenham a economia girando, mesmo que em menor escala, já planejando o pós-crise. Isso e apurar se a estratégia realmente se mostra eficaz e o sistema de saúde consegue absorver a demanda.

Volta ao trabalho
Por outro lado, o Governo Federal, na figura do presidente Jair Bolsonaro, instiga os brasileiros a retomar suas atividades, voltar ao trabalho e concentrar-se no isolamento dos idosos, que integram o grupo de risco ao lado de pessoas com imunidade comprometida e doenças crônicas. Seguindo por esse caminho, o foco precisaria estar em fortalecer o sistema de saúde e buscar alternativas para os diretamente afetados pela pandemia, com os Ministérios da Saúde e da Economia falando a mesma língua, algo que não está ocorrendo no momento.

Questões a considerar
Nesse caso, há várias questões a considerar. Como evitar o avanço da doença? Como prover o sistema público de saúde com os recursos (humanos e financeiros) para tratar dos pacientes que precisem de internação e/ou leitos de UTI? Como garantir que os trabalhadores da área da saúde possam também se proteger da doença, contando com a quantidade necessária de EPIs, por exemplo? Como assegurar o fornecimento dos medicamentos necessários? No caso dos idosos, haverá algum programa de apoio psicológico, médico ou financeiro? Como poderão ter garantia de renda mínima as pessoas acima de 60 anos que ainda estão no mercado de trabalho, seja no mercado formal ou na informalidade, empregados ou autônomos, microempreendedores individuais, micro e pequenos empresários? Como poderão ter garantia de renda mínima as pessoas contaminadas com o coronavírus e que não puderem trabalhar? Como os ministérios podem atuar de maneira integrada?

Briga política
O que não pode ocorrer é transformar a crise gerada pelo coronavírus em uma briga política, como temos visto nos últimos dias na queda de braço entre o presidente da República e os governadores, sobretudo o de São Paulo, João Doria. Os dois vêm trocando farpas pela imprensa e através das redes sociais, sobretudo, em relação à paralisação das atividades. Nesses canais, as opiniões se dividem entre defensores ferozes do presidente da República e seus opositores. Fato é que essas discussões em nada ajudam a acabar com o problema, sem contar o efeito negativo sobre os brasileiros, já bastante confusos com a pandemia e inseguros sobre seu futuro financeiro.

Carlos Moisés
O governador de Santa Catarina, Carlos Moisés da Silva, surpreendeu os catarinenses ao decretar a quarentena, reforçando a recomendação para permanecer em casa. No entanto, logo após anunciar sua prorrogação, o governo lançou um plano estratégico para a retomada das atividades já a partir desta semana. Dois dias depois, em entrevista coletiva, Moisés afirmou que poderia voltar atrás e estender a quarentena, caso os recursos para a saúde requisitados junto ao Governo Federal não chegassem ao Estado. No domingo, após conversar com prefeitos catarinenses e ouvir representantes de outros órgãos, manteve a quarentena até 8 de abril, liberando apenas os serviços bancários, de lotéricas e cooperativas de crédito. Essa indecisão também não ajuda.

Às cegas
A verdade é que ninguém sabe como lidar com a crise criada pela pandemia, nem tem garantias de que as medidas adotadas até o momento surtirão o efeito desejado, pois esta é uma situação totalmente atípica, na qual avançamos às cegas. Não há receita pronta, mas podemos aprender com os países onde o problema apareceu primeiro, para não repetir erros cometidos lá. Além disso, precisamos de conscientização e união, pois se cada um pender para um lado, a luta será ainda mais difícil.


Com a intenção de garantir que o sistema de saúde não entre em colapso, com a disparada de casos de coronavírus, o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés da Silva, precisou tomar a corajosa medida de impor quarentena no Estado. Iniciada na semana passada e prorrogada a partir desta quarta-feira, dia 25, a medida paralisou todas as atividades consideradas não essenciais. Um remédio amargo, sem dúvida, administrado em um momento em que o gestor precisou escolher entre a saúde e a economia. Analisando friamente, em relação à saúde ainda não é possível dizer o quanto a medida foi acertada, embora todos reconheçam os problemas nessa área antes mesmo da chegada do vírus. Mas na economia, a projeção é de um reflexo profundo.

Setor produtivo
A paralisação das atividades significa uma queda brutal na produção de um dos setores industriais mais importantes do país; o fechamento de boa parte do comércio e a suspensão do turismo, em um Estado eminentemente turístico e no qual o setor de serviços respondeu pela imensa maioria dos empregos com carteira assinada gerados em 2019: 33,7 mil dos 71,4 mil apurados em Santa Catarina no saldo entre contratações e desligamentos, segundo dados do Caged. Evidente que as restrições caíram como uma bomba no setor produtivo e mesmo entre a população. Há incertezas dos dois lados sobre como será a crise econômica depois da crise de saúde pública.

Não está sozinho
Entretanto, Carlos Moisés não está sozinho. A quarentena foi adotada também pelo Rio de Janeiro (o principal destino turístico do país) e por São Paulo, o coração da economia brasileira. Na China, já dura dois meses, se estende por países da União Europeia e nos Estados Unidos a paralisação de atividades não essenciais e serviços públicos se acentua dia a dia – na Virginia, as escolas só voltarão a funcionar no próximo ano letivo, que por lá inicia em setembro. Para os economistas, é muito cedo para prever o que o coronavírus provocará não só no mercado interno como também no internacional.

O que pode ser feito?
Mas o que pode ser feito enquanto isso? A saída será projetar um cenário de recessão na economia mundial, reconhecer a possibilidade de uma crise econômica forte, já estudando alternativas para blindar a economia local ou ao menos amenizar as perdas. Salvar as empresas nacionais e manter o maior número de empregos possível, pois é isso que os outros países estão fazendo. Nesse cenário futuro, vai se sobressair quem conseguir se estabilizar primeiro, na saúde e na economia.

Socorro
Tanto o Governo do Estado quanto o Governo Federal anunciaram medidas para proteger o setor produtivo, na tentativa de garantir que as empresas tenham fôlego para passar por esse momento, sem precedentes na história recente do país. O socorro também veio de bancos públicos e privados, enquanto as entidades empresariais lutam para que seus associados possam se manter no mercado. Essa ajuda e a união de todos pode fazer a diferença entre a sobrevivência e a quebradeira.

Criatividade
Apesar do cenário nebuloso, a crise também abre espaço para a criatividade, para soluções inovadoras quando o distanciamento social precisa ser respeitado. Nesse sentido, algumas empresas já se adaptaram ao home office, às videoconferências, às reuniões virtuais. O Núcleo de Mulheres Empreendedoras da Associação Empresarial de Içara (ACII), por exemplo, montou uma programação de lives pelo Instagram, dirigida às nucleadas, abordando assuntos como a prevenção e cuidados ao coronavírus; ação do cérebro em isolamento; a importância das plantas para a mente; a mulher, emoção e a gestão.

Telemarketing
Outras empresas, no entanto, erraram a mão no início da quarentena. Aproveitando que eventuais clientes estariam em casa, companhias telefônicas e prestadoras de serviço insistiram no telemarketing, oferecendo todos os tipos de planos e produtos. Além de telefonemas, os e-mails, mensagens de texto e chamadas no WhatsApp também se intensificaram. Os bancos acreditaram que seria uma boa ideia cobrar aquela dívida antiga, ligando insistentemente para pessoas que tinham apenas o mesmo sobrenome dos devedores.

Estratégia ruim
Como não posso falar pelos outros, falo por mim. Entendo que essas estratégias estão completamente equivocadas porque, se estou em quarentena pela possibilidade de contrair um vírus e acabar tendo gastos com o tratamento e até de morrer, não vou contratar um plano que nem sei se terei a oportunidade de usar. Quanto aos devedores, se não pagaram até agora, porque pagariam nesta situação, sem saber o que os espera no dia seguinte?


Antes de mais nada, quero aqui dizer que reconheço plenamente os problemas de saúde pública gerados pela pandemia de coronavírus e entendo como indispensáveis todas as iniciativas, sejam elas ou não do governo, para garantir que as pessoas permaneçam saudáveis e o país atravesse o atual momento com o menor número possível de vítimas do novo vírus. Mas, a proposta da coluna é falar sobre a economia e, por isso, vamos analisar o avanço da doença – e suas possíveis consequências – sob a ótima econômica, abordando primeiro as medidas anunciadas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, na última segunda-feira, dia 16, para manter a saúde financeira dos brasileiros.

Socorro ao setor produtivo
O pacote de medidas emergenciais, de acordo com o Ministério da Economia, visa proteger a população mais vulnerável, além de manter os empregos e garantir que os brasileiros tenham condições financeiras de arcar com eventuais despesas decorrentes da pandemia. Segundo o ministro, serão disponibilizados, rapidamente, R$ 147,3 bilhões, sendo R$ 59,4 bilhões em ações voltadas ao setor produtivo.

Esforço inicial
A conta inclui R$ 30 bilhões resultantes do adiamento por três meses do prazo para o recolhimento do FGTS pelas empresas; R$ 22,2 bilhões do adiamento por igual período do pagamento da parte da União no Simples Nacional; R$ 5 bilhões de crédito do Proger/FAT para micro e pequenas empresas; R$ 2,2 bilhões devido à redução de 50% nas contribuições do Sistema S também por três meses. Segundo Guedes, apesar da magnitude, esse é apenas um esforço inicial.

Quebradeira
A intenção do Governo Federal com as medidas é muito clara: evitar a quebradeira em diversos setores da economia. Alguns deles já acusaram o golpe, como o de turismo, mas muitos outros vão sofrer à medida em que o cancelamento de eventos e a suspensão de atendimentos/serviços for ampliada. Mantendo esse dinheiro nas empresas, por pelo menos um período elas terão como se continuar no mercado e permanecer com os postos de trabalho abertos. Esperando que a tempestade passe logo e sem deixar muitos estragos.

Incerteza
Com o vaivém do mercado de ações, que virou uma gangorra nos últimos dias por causa da pandemia; a desvalorização do real, com o dólar passando dos R$ 5, e a loucura que virou a economia mundial – um novo período de recessão já é uma hipótese considerada, o Governo Federal acertou em cheio ao se mobilizar e agir neste momento de incertezas. Temos visto em outros países a queda na produção, a preocupação com o fechamento de empresas e a perda de empregos, enquanto os governos locais se esforçam para minimizar os efeitos negativos na economia. Era fundamental que a equipe econômica se antecipasse e tentasse evitar esse cenário no Brasil. As medidas podem proteger a nossa economia e torcemos para que isso aconteça.

Crédito
O Conselho Monetário Nacional (CMN) também anunciou que vai facilitar a renegociação de operações de crédito de empresas e de famílias, dispensando os bancos de aumentarem o provisionamento, caso essa repactuação ocorra nos próximos seis meses. Outra medida expande a capacidade de utilização de capital dos bancos para que esses tenham melhores condições para realizar as eventuais renegociações e de manter o fluxo de concessão de crédito, baixando a necessidade de capital próprio para a alavancagem das operações. Isso possibilitará aumentar a capacidade de concessão de crédito em torno de R$ 637 bilhões, de acordo com o Ministério da Economia.

Saque do FGTS e antecipação do 13º salário
Também foram anunciadas medidas que beneficiam os idosos. A principal delas é a antecipação da segunda parcela do 13º salário para o mês de maio, a ser pago aos aposentados e pensionistas do INSS. A antecipação da primeira parcela para o mês de abril já tinha sido anunciada. Além disso, o governo vai transferir os valores não sacados do PIS/Pasep para o FGTS para permitir que os trabalhadores façam novos saques. Ainda com a preocupação de injetar recursos na economia, o governo vai antecipar para junho o pagamento do abono salarial.

Corrida aos supermercados
Mas a luta para controlar a pandemia não depende só do governo. É preciso que cada um faça a sua parte. Às empresas cabe manter a produção e os empregos, sem elevar os preços tendo o coronavírus como desculpa. Os cidadãos, além de seguir as medidas para retardar o avanço do vírus, devem ter cuidado com a economia, não promovendo uma corrida aos supermercados, por exemplo, como tem ocorrido nos últimos dias. Ações como essas podem causar o desabastecimento, um risco que até então não se corria, porque o comércio acaba não conseguindo repor as mercadorias na mesma velocidade em que são compradas pelos clientes em pânico. Além disso, a alta na demanda inevitavelmente resultará em majoração de preços e inflação maior.


Quando o Brasil vai se livrar do PIBinho?
11/03/2020 às 08:36 | Andréia Limas
Era essa a resposta que os brasileiros esperavam, após mais um ano de fraco crescimento da economia nacional. Enquanto os mais pessimistas já acreditavam em um desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) de no máximo 1% de alta e os mais otimistas apontavam para um aumento de 1,3%, o índice ficou em 1,1% em 2019, conforme os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última quarta-feira, dia 4. Diante disso, caberia ao Governo Federal, sobretudo à equipe econômica, explicar aos brasileiros o que levou a mais um ano de PIBinho, quais as medidas para tentar acelerar o crescimento e quando o país poderia voltar a registrar índices melhores.

Circo
Em vez disso, numa atitude de desrespeito total aos brasileiros, o presidente Jair Bolsonaro apareceu ao lado de um comediante – caracterizado como ele mesmo, na gravação de um quadro humorístico – e usou a situação para se esquivar das perguntas em relação ao PIB. Se a ideia era tripudiar a imprensa, que justamente o questionou sobre isso, o circo armado por uma emissora de televisão, com a aprovação do presidente da República e de seus assessores diretos, acabou atingindo todos os brasileiros, ainda não totalmente recuperados dos efeitos negativos provocados pela recente crise econômica. Lamentável. E antes do ataque dos bolsonaristas de plantão, esclareço que essa crítica é à atitude e não à pessoa do presidente, de quem se espera, no mínimo, uma postura de respeito.

Cortina de fumaça
No dia seguinte, o presidente Jair Bolsonaro usou as redes sociais para falar sobre o PIB e a reunião que teve com empresários em São Paulo. Segundo ele, levando em conta a avaliação do empresariado, a economia está “muito bem”, utilizando as matérias relacionadas ao fraco desempenho econômico para um novo ataque à imprensa. A impressão que fica é que, tanto o episódio de quarta-feira quanto a live foram usadas como uma cortina de fumaça, para desviar o foco do “pibinho”.

Por outro lado...
Já o ministro da Economia, Paulo Guedes, não fugiu às perguntas sobre o PIB. Segundo ele, o crescimento de apenas 1,1% para o primeiro ano de mandato já era esperado e a projeção para 2020 é chegar a 2%, mesmo com os eventuais impactos causados na economia mundial pelo coronavírus. Mas, de acordo com o ministro, esse patamar só será alcançado se as reformas propostas pelo governo forem aprovadas. Na avaliação de Guedes, apesar de o crescimento do PIB em 2019 ter sido menor que o dos dois anos anteriores, a economia brasileira está se acelerando e apresentando sinais de recuperação.

Os números
Conforme os números divulgados na última semana pelo IBGE, o PIB (soma dos bens e serviços produzidos no país) fechou 2019 totalizando R$ 7,257 trilhões, dos quais R$ 6,21 trilhões se referem ao Valor Adicionado a preços básicos e R$ 1,04 trilhões aos Impostos sobre Produtos líquidos de Subsídios. Trata-se do terceiro resultado positivo, após as altas de 1,3% de 2017 e de 2018, que interromperam as quedas de 2015 e 2016. O PIB per capita variou 0,3%, em termos reais, alcançando R$ 34.533 em 2019. “A maior contribuição para o avanço do PIB vem do consumo das famílias, que cresceu 1,8%. Pelo lado da oferta, o destaque foi o setor de serviços, que representa dois terços da economia”, informa Rebeca Palis, coordenadora das Contas Nacionais do IBGE.

Crescimento
O setor de serviços cresceu 1,3%, puxado por atividades de informação e comunicação (4,1%), atividades imobiliárias (2,3%), comércio (1,8%), outras atividades de serviços (1,3%), atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (1,0%) e transporte, armazenagem e correio (0,2%). A atividade de administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (0,0%) se manteve estagnada no ano. Na indústria, a atividade de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos cresceu 1,9% em relação a 2018, puxada pelo crescimento de 1,6% na construção. Já o destaque negativo ocorreu em indústrias extrativas, com queda de 1,1% no ano. Indústrias de transformação ficaram estáveis, em 0,1%.

Investimentos e consumo
A taxa de investimento no ano de 2019 foi de 15,4% do PIB, ligeiramente acima do observado no ano anterior (15,2%). A taxa de poupança foi de 12,2% em 2019 (ante 12,4% em 2018). Entre os componentes da demanda interna, houve avanço no consumo das famílias (1,8%), e na formação bruta de capital fixo, em 2,2%. O consumo do governo recuou 0,4%.

Rosas
As mulheres que foram ao comércio de Içara no último sábado tiveram uma surpresa preparada pelos lojistas da rua Marcos Rovaris. Elas receberam rosas de presente, em alusão ao Dia Internacional da Mulher. O gesto foi repetido pelo menos 500 vezes nas lojas participantes do Núcleo do Sindilojas voltado para a área conhecida também como o “shopping de Içara”, pela variedade de lojas. É uma ação simples, que possivelmente não gera aumento imediato no volume de vendas, mas certamente fideliza a cliente e pode reverter em faturamento no futuro.


A quem interessa o dólar em alta?
04/03/2020 às 11:34 | Andréia Limas
Se você respondeu rápido e não teve a menor dúvida em apontar os exportadores, saiba que a resposta não é tão simples assim. Os próprios analistas do mercado divergem sobre quem ganha e quem perde com a valorização da moeda americana, que vem batendo recordes seguidamente. Quem exporta e, portanto, recebe em dólar, pôde em parte comemorar a disparada na cotação. Por outro lado, insumos e maquinários adquiridos fora do país também tornam a produção mais cara e isso pode refletir, a longo prazo, em majoração de preços no mercado interno, levando a um índice maior de inflação. De acordo com economistas, o repasse só não aconteceu ainda devido à fragilidade da economia brasileira, que não cresceu o esperado, e o temor de recessão.

Fator China
Os exportadores até podem aproveitar o momento para aumentar as vendas para o exterior. Mas, para isso, precisarão encontrar novos mercados, o que leva tempo. Maior comprador de produtos brasileiros, a China vive na economia profundos reflexos do surto de coronavírus. O vírus, aliás, está fazendo estragos na economia global, gerando queda de ações e diminuição no volume de negócios no comércio internacional.

Combustíveis e pão
Se a situação dos exportadores não é tão confortável quanto se imagina, pior ainda para os importadores, que veem o preço dos produtos aumentar e não conseguem repassá-lo ao consumidor. Mas essa condição talvez seja questão de tempo: se a alta continuar, as empresas não conseguirão mais absorver o impacto e caberá ao consumidor – todos nós – pagar a conta. E não estou falando de importados de luxo, carros ou perfumes, porém de itens como o trigo, base do pão nosso de cada dia e do macarrão, produto indispensável na mesa dos brasileiros. Há de se ressaltar, ainda, os combustíveis, que sob a nova política de reajuste têm os preços flutuando conforme o mercado externo e o efeito chega rapidinho às bombas.

Turismo
Conforme os analistas, o ministro da Economia, Paulo Guedes, está certo em um ponto na análise que fez sobre a disparada do dólar. A moeda americana em alta está afugentando os turistas que pretendiam viajar ao exterior, pois a valorização interfere no preço das passagens e das compras feitas fora do país. Isso pode ser bom, conforme apontou o ministro, para aquecer o turismo interno. Mas aqui há outra consideração a fazer: havendo aumento na demanda, qual é a tendência? O aumento de preços, como reza a lei da oferta e da procura, talvez o mais conhecido – e aplicado – conceito da economia. Além disso, com tantas incertezas sobre o futuro econômico, o mais provável é que as famílias adiem as férias, em vez de escolher destinos nacionais, como sugeriu o ministro.

Supervalorização
O dólar vem dando sinais de supervalorização desde o ano passado, entretanto, em fevereiro alcançou a maior cotação da história desde a criação do real, batendo nos R$ 4,50, quando as projeções apontavam para no máximo R$ 4,20 na estimativa para este ano. Segundo economistas, vários fatores podem ter levado a esse recorde, mas é quase unanimidade o papel de protagonista que teve o corte na taxa de juros. Com juros menores, o investimento estrangeiro acabou sendo direcionado a outros países, que oferecem taxas maiores e/ou menor risco. E com menos dólares no mercado, maior é a cotação da moeda.

Intervenção
Para conter a alta da moeda americana, o Banco Central tem feito intervenções no câmbio, como leiloar novos contratos de swap cambial, que equivalem à venda de dólares no mercado futuro, mas esses esforços ainda são tímidos e de pouco impacto. Seria necessário um posicionamento mais firme, para levar a cotação a níveis aceitáveis e de menor risco para a economia. Porque, se a disparada continuar, a preocupação, de empregadas domésticas a ministros da Economia, não será só as viagens à Disney.

Balança comercial
Com a maioria dos contratos de longo prazo, pelo menos por enquanto os efeitos da cotação do dólar pesam positivamente na balança comercial brasileira, que em fevereiro registrou o terceiro maior saldo da história para o mês, de US$ 3,096 bilhões. O resultado foi suficiente para reverter o déficit registrado em janeiro e o primeiro bimestre acumula saldo positivo em US$ 1,361 bilhão. Houve alta de 15,5% nas exportações, com destaque para a venda de petróleo, minério de cobre e ferro. Já as importações subiram 16,7%, principalmente pela compra, no mês passado, de uma plataforma de petróleo de US$ 2,2 bilhões. Os números foram divulgados na segunda-feira (2) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia.


Andréia Medeiros Limas é jornalista, com experiência editorial nos jornais da Região Carbonífera, e assessoria de imprensa.