Canal Içara

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07 de julho de 2020 - 03:25
Andréia Limas: Continua a sangria de empregos
01/07/2020 às 10:59 | Andréia Limas
Mesmo que a maior parte das atividades já tenha sido retomada, o mercado de trabalho continua sangrando, ainda que a intensidade da hemorragia pareça ter diminuído. Segundo os dados de maio do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgados na última segunda-feira, dia 29, pelo Ministério da Economia, no acumulado do ano, houve 5.766.174 de admissões e 6.911.049 de demissões no país, com resultado de -1.144.875 vagas com carteira assinada.

O Brasil iniciou o ano com 38.809.623 empregados celetistas, número que caiu para 37.664.748 no fim de maio, representando uma redução de quase 2,95%. Esse percentual no Estado foi superior a 2,64%, passando de 2.079.445 no começo de janeiro para 2.024.457 no fim de maio, com o fechamento de 54.988 postos de trabalho. Já a Região Carbonífera terminou maio com um estoque de 128.257 empregos com carteira assinada, uma redução inferior a 1,74% em relação ao volume que mantinha no início do ano (130.526).

Por outro lado...
A boa notícia é que os dados de maio mostram uma desaceleração no número de demissões e um aumento no número de contratações em relação ao mês anterior. Na Região Carbonífera, a quantidade de admissões foi maior nos 12 municípios, no comparativo com abril. No acumulado do ano, quatro cidades mantêm saldo positivo entre admissões e desligamentos.

Evolução
Já havíamos abordado neste espaço que a Região Carbonífera vinha conseguindo manter positivo o saldo entre contratações e demissões desde 2019, tendência que se manteve no início deste ano. Em janeiro, houve saldo positivo de 1.130 empregos gerados na região e, em fevereiro, de 1.430. Apesar da pandemia e da restrição às atividades na segunda quinzena do mês, março também fechou com 239 contratações a mais que desligamentos. A sequência positiva foi quebrada em abril, quando a quarentena esteve em vigor praticamente durante todo o mês. Houve, então, a perda de 3.688 postos de trabalho, com o número de demissões (5.925) superando o de contratações (2.237) pela primeira vez no ano.

Recuperação
Em maio, o saldo também foi negativo, mas a perda de vagas com carteira assinada diminuiu para 1.380. Naquele mês, a Região Carbonífera registrou 3.105 admissões e 4.485 demissões, com saldo de 2.269 postos de trabalho perdidos no acumulado do ano. Mesmo assim, os mais otimistas acreditam que o desempenho pode sinalizar uma (tímida) recuperação no mercado formal, atenuando a crise econômica que se esperava após a pandemia. Entendo que é cedo para comemorar, pois o aumento de casos de coronavírus torna real a ameaça de novas restrições e impactos ainda maiores à frágil economia do país.

Quem ganhou e quem perdeu
Contabilizando os números de maio, mantiveram o saldo positivo no acumulado do ano as cidades de Urussanga (com 118 contratações a mais que demissões no período), Forquilhinha (112), Lauro Müller (58) e Balneário Rincão (quatro). Perderam vagas as cidades de Criciúma, com 1.672 desligamentos a mais que admissões; Içara, com saldo negativo de 255; Orleans, com saldo de -190; Cocal do Sul, -169 postos de trabalho no período; Siderópolis, com -142; Morro da Fumaça, com -96; Treviso, com -23; e Nova Veneza, com -14.

Esperança
Em meio à pandemia, Içara recebe a confirmação de que Esperança verá, enfim, sair do papel o projeto do distrito industrial na comunidade. Empresa no ramo de transformação veicular, a TCA, com sede em Erechim, no Rio Grande do Sul, é a primeira a instalar-se na área desapropriada na Fazenda Guglielmi. Para o local ainda estão projetados o Condomínio Empresarial Luiz Henrique da Silveira e o Terminal Intermodal. “É uma empresa que possui um faturamento significativo e isso sem dúvida favorece a geração de emprego e renda. Serão, de imediato, dez empregos gerados, podendo chegar a mais 30 novos postos de trabalho”, estima o secretário de Desenvolvimento Econômico do município, Paulo Brígido. A cidade também contará com novas vagas de trabalho com a inauguração de dois atacadistas, ambas previstas para o segundo semestre deste ano.


Andreia Limas: o lado bom da crise
24/06/2020 às 07:16 | Andréia Limas
Por mais que a pandemia de coronavírus tenha colocado o mundo de cabeça para baixo, causado a morte de milhares de pessoas, levado os sistemas de saúde pública ao colapso e gerado impactos gigantes na economia, há de se reconhecer também o seu lado positivo. Falando apenas sobre as questões econômicas, foco desse espaço, como em toda a crise, a suscitada pela Covid-19 também despertou uma característica fundamental aos empreendedores: a resiliência. Diante das dificuldades, empresários de todos os portes arregaçaram as mangas e foram atrás de soluções inovadoras para manterem-se vivos no mercado.

Faturamento
Em seu estudo sobre os impactos da Covid-19, referente ao mês de maio, a Fecomércio SC apurou se as empresas realizaram ações que consideram inovadoras em seu processo. E 62,2% dos entrevistados afirmaram que sim. Entre os empresários que alegaram ter realizado alguma mudança, a variação do faturamento foi positiva (5,6%) em relação aos meses comuns do ano, enquanto entre os que não realizaram a variação foi negativa (1,8%).

Tecnologia e descontos
Entre as ações que as empresas consideram inovadoras, a intensificação das redes sociais e a entrega em domicílio foram as mais citadas. A realização de promoções e descontos também foi significativa, apesar de não serem tão inovadoras assim, salvo se considerarmos o momento em que foram adotadas. Em épocas de dificuldades no caixa, geralmente as empresas não têm margem para conceder descontos ou fazer promoções.

Mudanças
Outro questionamento da pesquisa da Fecomércio foi sobre a percepção dos empresários sobre possíveis mudanças em suas empresas com o fim da pandemia. Quase 80% dos entrevistados entende que haverá mudanças (76,8%). Entre os que percebem que haverá mudanças, a mais citada está relacionada a novos canais de venda e distribuição de forma digital (52,5%). A diversificação do cliente aparece com 11,9%.

Acelerando tendências
As restrições impostas às atividades econômicas por conta da pandemia exigiram a busca por alternativas e, nesse cenário, as ferramentas tecnológicas ocuparam ainda mais espaço nas organizações, acelerando a tendência de expansão do uso da tecnologia no setor produtivo. Também mostraram ser soluções eficientes para captar clientes e fomentar o networking em plena crise. Lives, cursos, seminários, reuniões e até rodadas de negócios são realizados de forma on-line e muitos analistas apontam que serão incorporados ao cotidiano das empresas pós-pandemia. Assim como há a tendência de o trabalho remoto ser instituído em maior escala no futuro próximo. E, você, o que tirou de bom da crise?


Calma, não estou sugerindo arrumar as malas e partir mundo afora em plena pandemia. A intenção aqui é discutir o que anda acontecendo na economia norte-americana e fazer um comparativo com o Brasil. O coronavírus chegou primeiro por lá, também exigiu restrições às atividades, mas o mercado já está reabrindo e os indicadores permitem projetar um cenário futuro. É como se pudéssemos ver em perspectiva o que deve ocorrer por aqui num futuro próximo, bem mais perto da realidade do que das teorias.

Deflação e recessão
Com a economia já em recessão (os analistas acreditam numa crise pior do que a de 2008/2009), os preços ao consumidor nos EUA caíram em maio pelo terceiro mês consecutivo, algo inédito até então. Conforme os dados do Departamento do Trabalho, o índice registrou redução de 0,1% no mês passado, após cair 0,8% em abril e 0,4% em março. O indicador exclui os preços de alimentos e energia, que oscilam de mês para mês. A pandemia e as quarentenas destinadas a contê-la interromperam uma expansão recorde iniciada em junho de 2009.

Interferência
Uma espécie de Banco Central americano, independente do governo, o Federal Reserve procura manter a inflação em ritmo anual de 2%. Para impedir que a economia implodisse completamente, o Fed reduziu a zero a taxa de juros de curto prazo que controla e despejou trilhões de dólares no sistema financeiro. E sinalizou que está pronto para fazer mais. Nesta semana, anunciou que comprará títulos corporativos individuais, como parte de seu programa para manter o bom funcionamento dos mercados de empréstimos e permitir que grandes empregadores tenham acesso a dinheiro.

Comércio
As vendas no varejo dos EUA tiveram alta recorde de 17,7% de abril a maio, com o setor se recuperando parcialmente depois que o coronavírus fechou lojas, achatou a economia e paralisou os consumidores nos dois meses anteriores. O relatório do governo na última terça-feira, dia 16, mostrou que os volumes negociados recuaram em março (8,3%) e abril (14,7%), aumentando à medida em que as empresas reabriram suas portas. Ainda assim, os danos da pandemia às vendas no varejo permanecem graves, com as compras diminuindo 6,1% na comparação com o mesmo período do ano passado. Muitas empresas encerraram as atividades de vez.

Recuperação
A melhora nos indicadores do varejo pode sinalizar que a economia tenha iniciado uma recuperação lenta e prolongada. Em maio, foram criadas 2,5 milhões de vagas de emprego, um aumento inesperado, sugerindo que o mercado de trabalho superou o momento mais crítico. Mesmo assim, ainda há dúvidas entre os analistas se o aumento em empregos, nas vendas no varejo e em outras áreas será sustentado nos próximos meses ou se os índices podem voltar a cair, por exemplo, com uma segunda onda de infecções por Covid-19.

Desemprego
Os analistas alertam que alguns dos ganhos até agora provavelmente refletem o impacto da ajuda temporária do governo e o aumento dos benefícios de seguro-desemprego em face de uma recessão profunda. A taxa de desemprego é historicamente alta para os padrões do país, de 13,3%, segundo a medida padrão do governo, e de 21,2% pelo indicador mais amplo. Por enquanto, os americanos estão gastando desproporcionalmente mais em itens essenciais e menos em luxos. E os empregadores chamam apenas uma parte de seus funcionários demitidos para reabrir parcialmente os negócios. Sem os quase US$ 3 trilhões em ajuda governamental distribuídos, a taxa de desemprego seria ainda maior. Pouco mais da metade da ajuda financeira foi dada a famílias e empresas, mantendo trabalhadores empregados, hipotecas e aluguéis pagos e muitas contas atualizadas.

Incerteza
A tendência é tão difícil de definir que, em uma entrevista coletiva na semana passada, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, usou as palavras "incerto" ou "incerteza" sete vezes para descrever as perspectivas para a economia. Segundo ele, o tamanho da crise e o ritmo da recuperação vão depender, sobretudo, do sucesso em conter o avanço do vírus.

No Brasil...
Pressionado pela queda de 4,56% nos preços dos combustíveis, o Brasil registrou deflação de 0,38% em maio, após o recuo de 0,31% em abril. É o segundo mês consecutivo de queda nos preços e o menor índice desde agosto de 1998, quando ficou em -0,51%. Os dados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, divulgados na semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado do ano, o índice registrou queda de 0,16%. Já nos últimos 12 meses, o IPCA acumula alta de 1,88%, abaixo da meta de inflação de 4% do governo para 2020, que tem tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Consumo
Em relação às vendas no comércio varejista, houve queda de 16,8% em abril, na comparação com o mês anterior, refletindo os efeitos do isolamento social para controle da pandemia de Covid-19. É o pior resultado desde o início da série histórica, em janeiro de 2000, e a segunda queda consecutiva, acumulando uma perda de 18,6% no período. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada nessa terça-feira, dia 16, pelo IBGE. O recuo nas vendas no varejo atingiu, pela terceira vez desde o início da série, todas as oito atividades pesquisadas.


Os lojistas estão mais ansiosos pelo Dia dos Namorados do que quem vai receber o presente da pessoa amada. Afinal, a data representa mais uma esperança de recuperação em um ano totalmente atípico, de lojas fechadas, faturamento em queda e dificuldades para manter o quadro de pessoal.

E o que renova as expectativas de um bom desempenho em vendas é a chegada do frio. No ano passado, as baixas temperaturas foram raras e não houve intensas ondas de frio como costuma ocorrer no outono/inverno catarinense, fazendo com que as roupas mais pesadas e as cobertas ficassem nas prateleiras. Sem a renovação do guarda-roupa no ano passado, a tendência é de que este ano o consumidor precisará ir às compras.

Intenção de consumo

O otimismo, no entanto, esbarra nos números. Segundo a Pesquisa de Intenção de Compras – Dia dos Namorados 2020, realizada pela Fecomércio SC, o percentual de consumidores que informaram não saber o que seria comprado ou não responderam quase triplicou, atingindo 14,3%. Sete a cada dez consumidores afirmaram que não devem comemorar a data fora de casa. Um dos principais destinos dos casais, os restaurantes registraram queda de quase 30 pontos percentuais. Apenas 12,2% dos entrevistados devem almoçar ou jantar fora, atrás até mesmo daqueles que não sabem ou não responderam suas intenções de passeio (13,7%).

Roupas e perfumes

Entre os que já se definiram pelas compras, as roupas (33,2%) e perfumes/cosméticos (18,4%) continuam liderando a lista de presentes. O comércio de rua (53,8%), os shoppings (23,0%) e a internet (14,5%) serão os principais locais de compra. Independente do canal de venda, o atendimento (25,6%) será determinante, à frente do preço (23,3%) e da qualidade do produto (22,8%). A expectativa de gasto médio dos consumidores catarinenses é de R$ 138,47. Quase a metade pretende pagar à vista em dinheiro (45,3%), seguido pelo débito à vista (24,4%). Esse comportamento também pode indicar a intenção de evitar o endividamento futuro com compras parceladas. A pesquisa foi realizada com 1.126 pessoas, entre os dias 18 e 30 de maio, nas cidades de Blumenau, Chapecó, Criciúma, Florianópolis, Itajaí, Joinville e Lages.

Queda no faturamento

Segunda maior data em vendas para o comércio durante o ano, perdendo apenas para o Natal, o Dia das Mães pode ser um bom termômetro para a projeção do setor para o Dia dos Namorados. Ouvindo 362 empresas dessas mesmas cidades, a Fecomércio SC questionou os empresários sobre qual foi a variação do faturamento na data. Os entrevistados apontaram queda de 32,38% em relação ao Dia das Mães de 2019, como pode ser aferido também pela Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), realizada pelo IBGE. Já na comparação com os meses comuns, o crescimento da percepção de faturamento foi de 1,07%, indicando que o expressivo movimento comercial que é tipicamente relacionado à data pouco compensou os efeitos da crise e pandemia.

Confiança

A Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Santa Catarina (FCDL/SC) também fez um levantamento junto a empresários do comércio e serviços nas 20 cidades de maior potencial econômico do Estado, sobre as perspectivas para o Dia dos Namorados. O estudo apontou que 58% acreditam que as vendas do comércio para a data, a terceira melhor do setor no ano, devem ser semelhantes ou melhores que as de 2019, sendo que 55,6% dos entrevistados acreditam que o crescimento deste ano deve chegar a 2,5%. Outros 27,2% dos lojistas preveem resultados negativos. Foi revelado, ainda, que embora os itens de vestuário e calçados sejam a preferência como presente na opinião de 25,45% dos ouvidos pelo levantamento, outras opções foram citadas na sequência, como perfumes e cosméticos (14,4%), e chocolates (11%). Dos entrevistados, 72,5% pretendem realizar promoções, campanhas, eventos ou descontos para a data.

Avaliação

“Os empreendedores catarinenses têm a capacidade de superar obstáculos em seu DNA e sairão mais fortes deste momento. Observamos que o consumidor prossegue cauteloso por conta da conjuntura, mas, em paralelo, está saudoso de uma prática recorrente e histórica: o prazer de ir às compras, de presentear e ser presenteado. A combinação do início da temporada de frio e o Dia dos Namorados deve reforçar o apelo ao consumo, proporcionando grandes alegrias e momentos inesquecíveis aos namorados em sua data máxima”, avalia Ivan Tauffer, presidente da FCDL/SC.

Negociações

Em meio aos problemas gerados pela pandemia e a expectativa pelo reaquecimento das vendas, patrões e empregados tentam chegar a um acordo sobre a convenção coletiva de trabalho em Içara, Morro da Fumaça e Balneário Rincão. O Sindicato dos Comerciantes Varejistas e Atacadistas (Sindilojas) de Içara e Região formou uma comissão interna para negociação com o sindicato laboral e criou também uma pauta para a continuidade do diálogo, na assembleia geral ordinária realizada de forma on-line na última quinta-feira, dia 4. A convenção coletiva de trabalho encerrou em abril. Por isso, os comerciantes devem seguir atualmente a legislação trabalhista e as medidas provisórias vigentes.

Feriado

Para a abertura no Corpus Christi, celebrado nesta quinta-feira, 11, véspera do Dia dos Namorados, será preciso um acordo individual com cada trabalhador. O dia trabalhado poderá ser pago, compensado no banco de horas ou com folga, conforme cada acordo.

Inovação

Além das dificuldades, a pandemia de coronavírus também criou espaço para a inovação, proporcionando novas experiências de consumo. Em um shopping de Criciúma, por exemplo, está em operação o “Carrinho da Honestidade”, com o objetivo de despertar a compra de produtos sem que haja atendimento ou supervisão. As opções são expostas com o preço, o cliente retira o que deseja, deixa o pagamento e leva. O sistema de autoatendimento, também conhecido como "pegue e pague", tem uma dinâmica de venda difundida em países desenvolvidos como Inglaterra e Suíça, em que as opções de pagamento se dão através da máquina de cartão de crédito e débito e também em dinheiro. O projeto, com algumas versões em outros lugares do país, é inédito na região.


Enfim, os números oficiais sobre a perda de empregos
03/06/2020 às 07:25 | Andréia Limas
Há duas semanas, tratamos na coluna sobre a falta de dados oficiais sobre a perda de empregos e a dificuldade em avaliar os impactos causados no mercado de trabalho pela quarentena imposta em Santa Catarina, devido à pandemia de coronavírus. Enfim, na semana passada, o Ministério da Economia divulgou os números do novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), referentes a contratações e desligamentos ocorridos entre janeiro e abril em todo o país.

Sobretudo nos dois últimos meses, houve mais demissões que contratações, resultando em um saldo negativo no acumulado do ano, como já era esperado. No entanto, os índices mostraram que a crise não foi tão profunda como se imaginava. É claro que o fechamento de postos de trabalho nunca é uma boa notícia. Mas, diante do cenário, as perspectivas apontavam para um número muito maior de desligamentos.

Em crescimento

Segundo dados do Caged, a Região Carbonífera vinha conseguindo manter positivo o saldo entre admissões e desligamentos. Em 2019, dos 12 municípios que compõem a região, dez registraram mais contratações que demissões, fechando o ano com 5.337 novos empregos formais criados. Maior município da região, Criciúma liderou o ranking, com 1.879 vagas abertas. A tendência se manteve no início desde ano, conforme o Novo Caged. Em janeiro, houve saldo positivo de 1.128 empregos gerados na região e, em fevereiro, de 1.406. Já com a pandemia e a restrição às atividades na segunda quinzena do mês, março também fechou com 168 contratações a mais que desligamentos.

Pior desempenho em abril

Com as restrições ainda em vigor, a região teve o pior desempenho em abril, quando houve a perda de 3.520 postos de trabalho, resultando em saldo negativo de 818 no acumulado do ano. A região terminou o mês com um estoque de 129.708 empregos com carteira assinada, uma redução inferior a 0,63% em relação ao volume que mantinha no início do ano (130.526). Esse percentual no Estado foi superior a 1,50%, passando de 2.079.445 no começo de janeiro para 2.048.153 no fim de abril, com o fechamento de 31.292 postos de trabalho.

No país

De janeiro a abril de 2020, houve 4.999.981 admissões e 5.763.213 demissões no país, com resultado de -763.232 empregos formais. O Brasil iniciou o ano com 38.809.623 empregados celetistas, número que caiu para 38.046.391 no fim de abril, representando uma redução de quase 1,97%.

Saldo positivo

Apesar das restrições às atividades econômicas, seis municípios da Região Carbonífera conseguiram manter saldo positivo no acumulado do ano, na comparação entre admissões e desligamentos: Forquilhinha (105), Urussanga (99), Nova Veneza (71), Lauro Müller (44), Morro da Fumaça (35) e Balneário Rincão (29). Por outro lado, perderam postos de trabalho as cidades de Treviso (-17), Cocal do Sul (-83), Siderópolis (-89), Orleans (-165), Içara (-200) e Criciúma (-647).

Maio

De acordo com o calendário estabelecido pelo Ministério da Economia, a próxima divulgação do Novo Caged ocorrerá no dia 29 de junho, com dados referentes a maio, quando saberemos se o patamar de queda no número de empregos se manterá. Para os meses seguintes, tudo dependerá da retomada das atividades econômicas e da recuperação da economia. Vale lembrar que, por enquanto, ainda estão em vigor medidas como a redução de jornada/redução de salários e a suspensão de contratos de trabalho, ações que ajudaram a segurar o desemprego, mas têm data de validade.

Comércio

Segundo setor que mais perdeu vagas no acumulado do ano em Içara, com 73 postos a menos, reflexo de mais de um mês de portas fechadas, o comércio tenta se recuperar como pode. Depois da leve reação no Dia das Mães, a aposta agora é no Dia dos Namorados, com uma nova promoção deflagrada pelas lojas associadas à Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL). Neste ano, serão sorteadas seis cestas de café da manhã entre os clientes que adquirirem produtos e preencherem os cupons para concorrer. O sorteio acontecerá às 15 horas do dia 17 de junho.

Frio

Com as baixas temperaturas dos últimos dias, a expectativa dos comerciantes é para a elevação na venda de artigos para o frio, a exemplo de roupas, calçados e acessórios, junto com outros produtos tradicionais para a data, como chocolates, flores e joias. Para incentivar a movimentação, o comércio de Içara terá o Sábado Total neste fim de semana, com as lojas associadas à CDL abertas até às 17 horas, e atenderá em horário especial novamente no dia 11, véspera da comemoração e feriado de Corpus Christi, até às 18 horas.

Assembleia virtual

Os comerciantes de Içara, Morro da Fumaça e Balneário Rincão terão assembleia geral nesta quinta-feira, dia 4, a partir das 17h30. Neste ano, as deliberações patronais sobre a convenção coletiva de trabalho iniciarão por meio eletrônico. O uso do ambiente virtual adotado pelo Sindilojas permitirá avançar nas relações trabalhistas em paralelo ao seguimento das orientações de prevenção e controle da Covid-19. A assembleia definirá a pauta dos empreendedores, avaliará as propostas dos comerciários, elegerá uma comissão para a mediação das negociações, também terá a deliberação sobre a prorrogação da convenção coletiva, além da aprovação de taxas e contribuições ao setor.


Andréia Medeiros Limas é jornalista, com experiência editorial nos jornais da Região Carbonífera, e assessoria de imprensa.