Canal Içara

Canal Içara

15 de outubro de 2019 - 03:43
Reflexão: Feliz Natal!
25/12/2011 às 09:39 | Conferencista Jairo Martins
Jesus nasceu. Mas nasceu em nós? Nasceu com a missão de ser alguém que mudaria a história da humanidade. Nasceu com um propósito de morte. Morreu para que tenhamos vida. Jesus não nasceu no meio dos holofotes. Nem a mídia, nem as redes sociais deram ênfase à capitalização deste nascimento.

Para os céus estava se iniciando a maior história da civilização. O nascimento de Cristo trouxe a lição da humildade. Trouxe o senso de vir ao mundo em meio às imperfeições das pessoas que o receberam, mesmo que muitos não o recebessem nem o reconhecessem. Jesus precisou ensinar as lições mesmo no seu nascimento. As lições de quem veio para ser referencial para a existência da felicidade.

Aquele que veio para ser onipotente para que a impotência humana veja o quanto Ele é necessário. Veio para ser onipresente, mesmo quando as pessoas, supostamente acham que estão sozinhas. Veio para ser onisciente, mesmo que as pessoas acham que seus esconderijos interiores nunca serão revelados.

Cristo haveria de nascer para mudar o curso das coisas. Nasceu para que pudesse nascer a palavra “esperança”. Jesus não se esquivou de buscar o melhor de Si para alimentar quem era desprezado pelo falível homem. Nasceu para servir e, não para julgar. Nasceu para ser mordomo. Nasceu para entender as emoções e os corações das pessoas sem objetivos, desistentes.

Nasceu para entender os mais incompreensíveis seres que não acham rotas lógicas para vitorias existenciais. Jesus é mais que Natal, é compromisso com os corações . Doar-se incondicionalmente sem estabelecer critérios de troca. Ironicamente ou não, somos a Sua imagem e semelhança, porém nos perguntamos se, realmente Cristo nasceu em nós.

Se Ele nasceu em nós, somos o reflexo Dele no nosso dia a dia, na nossa família, no nosso trabalho. Somos voluntariosos na arte de servir as pessoas, somos empreendedores do cultivo de sorrisos. Se Ele nasceu em nós, um feliz Natal para quem O tem em seu dia a dia. Caso contrário receba-o e tenha um Natal realmente feliz, sem a ilusão de quem somente ouviu falar Dele , mas não teve experiências do nascimento no seu coração.


Opinião: Içara, a capital do lixo
22/12/2011 às 17:30 | Oceanógrafo José Nestor Cardoso
Conforme muito bem colocado na reunião da Câmara Municipal, nossa cidade está com a clara identidade de Capital do Lixo. O lixo representa hoje um dos maiores problemas do planeta e aumenta a cada dia associado a uma sociedade regida pelo consumo. Segundo o IBGE, no ano 2000 já havia produção de quase 230 mil toneladas de lixo diárias no Brasil.

Considerando que nos últimos 10 anos houve uma diminuição no nível de pobreza e um aumento considerável do consumo, pode-se supor que atualmente mais de 300 mil toneladas de lixo são geradas a cada 24h. O consumo derivado de melhores condições econômicas, a facilidade proporcionada pela economia globalizada, a industrialização e o aumento desenfreado dos produtos e embalagens descartáveis levam ao aumento dos rejeitos.

Com exceção poucos países, como Japão, Bélgica, Finlândia e Suécia, que investem pesadamente em sua redução, na maior parte do mundo o lixo aumenta de forma exponencial. Uma observação simples pode ser feita em casa, avaliando quanto volume de lixo é gerado. A reciclagem tem crescido em alguns pontos, mas é insignificante comparado com o volume de lixo gerado.

A reciclagem apenas chega a frações ínfimas do total de lixo produzido, especialmente quando sabemos que apenas uma parcela minúscula do lixo pode ser aproveitada para reciclagem pela tecnologia atual. Lembremos ainda que lixo tecnológico, hospitalar e biológico apresentam particularidades que os tornam ainda mais complicados do ponto de vista do manejo, bem como lixo tecnológico com metais pesados de toda sorte e componentes carcinogênicos. De um modo geral, há dois destinos: ou é incinerado ou enterrado. E nenhum destes destinos é bom para o planeta.

A incineração gera gases tóxicos lançados na atmosfera, partículas sólidas e ainda consome grandes quantidades de combustível que acaba gerando gases que contribuem para o efeito estufa. Os aterros sanitários, nome pomposo para lixo enterrado, é uma fonte de pragas, contaminação do solo e poluição de lençol freático. Mesmo que existisse uma fiscalização eficiente, ainda assim teríamos um grande problema ambiental e ao longo do tempo os lixões esgotam suas capacidades.

A utilização de espaços de antigos lixões tem provocado problemas como recentemente detectados no Shopping Norte em São Paulo. Há risco de explosão pelo acúmulo de gás. Ou seja, além da poluição visual, hídrica, de solo e atmosférica, acabamos ficando com extensas áreas inóspitas e condenadas. É impensável que uma cidade como Içara esteja aceitando resíduos de 15 municípios. Resta saber quem autorizou, quem defende esta situação e que benefícios pessoais estejam alcançando, pois certamente a cidade e sua população só tem a perder.


Opinião: O pulso ainda pulsa
18/12/2011 às 10:31 | Dentista Vilson Schambeck
Ouvi certa feita “chegará o dia em que o honesto terá vergonha de ser honesto”. Olhe ao seu redor e perceba que este dia já chegou. O erro, hoje, é algo comum. Algo normal, amplamente aceito por nossa sociedade. Denegrir, falsear a verdade, fugir para com suas responsabilidades... Enfim o mundo parece um engodo.

Fingimos que não vemos isto ou aquilo. Somos covardes. Testemunhamos fatos, mas fugimos quando intimados. Não queremos nos incomodar, não foi comigo... O outro que se dane. Não pensamos coletivamente. Esquecemo-nos que ao lutar pelo todo, lutamos por nós próprios também. A luta coletiva tem mais força. Uma luta por saúde, educação, dignidade. Pleiteamos mudanças, mas não somos capazes de mudar a nós próprios.

Somos de fato cada vez mais hipócritas, covardes, imaturos, inconseqüentes. Miséria, baixos salários, falta de educação, comportamento desumano... Nada mais nos afeta. Estamos cauterizados, encarcerados num filme em terceira dimensão. É cada um por si neste vale tudo. Seja sincero com você mesmo, não envergonhe a Deus. Esqueça o Natal, Páscoa... Não vá a missa, ao culto ou a qualquer outra celebração religiosa. Dê o seu acento para outro. Pare de ocupar espaço. Se as pregações não encontram guarida em nossos corações, para que então dizer-se religioso.

O fato é que transformamos nossas igrejas num clube social. Nada além disto. Um encontro para desfilar um belo traje de fim de semana. Onde está o “bom dia”, o “com licença”, o “me desculpe”. Onde já se viu trabalhar uma vida inteira para depois passar os últimos dias de sua vida mendigando o pão, pois é isto que a grande massa de aposentados faz. O que eles ganham mal dá para pagar a conta da farmácia. Onde já se viu um jovem de 17 anos não ceder lugar no transporte coletivo para uma pessoa idosa, como já vi acontecer.

Que país é esse que um político se aposenta com salário integral após quatro anos de mandato. Vergonha!!! Esse é o nosso país. Um país que literalmente pára diante da copa do mundo, mas que não se une ante as mazelas sociais. Engodo, depois virá a “propaganda eleitoral gratuita”. Falácia. Prometem sempre as mesmas coisas: saúde, educação e segurança. Mas eles possuem planos de saúde, põem seus filhos na rede particular de ensino e suas casas vivem cercadas dia e noite por empresas de vigilância. Mentira!

Não acredite nessas promessas. Nada vai mudar. Nada, absolutamente nada. Temos que mudar a nós próprios primeiro. Seja exemplo para seu filho. Ore, busque, engaje-se, faça acontecer, testemunhe, faça você a diferença. Precisamos de líderes. Mas o líder não é forjado no banco de um MBA qualquer. A liderança nasce no fogo. O deserto de ontem será a tua lavoura amanhã. Precisamos de pessoas que tenham conhecido o sofrimento de perto, pois só estes são capazes de saber o que de fato o povo precisa.

Há muitos que ao pegarem um jornal só lêem três coisas: horóscopo, resumo das novelas e colunas sociais. Onde está o pensamento crítico? Onde está o cidadão? Sinceramente, para muitos a vida é uma balada de um tom só: EU, EU, EU. Me desculpem mais este desabafo, mas o pulso ainda pulsa.


Reflexão: Içara, querida Içara
11/12/2011 às 07:46 | Maria de Fátima Pavei
Por entre as içarobas se escondem mil segredos. Das nossas Escolhedeiras de Carvão, dos Ex-Ferroviários, das 55 Comunidades de Içara... Em cada canto desta terra, uma qualidade visivelmente querida por todos. A simplicidade, os trabalhadores ao longe sobre um trator ou andando por entre as lavouras verdes demonstrando um capricho em suas evocações sugestivas e formosas.

Assim é Içara e eu não me canso de elogiar... O içarense é um povo que transborda de felicidade por pertencer ao lugar onde vive. As histórias contadas de geração em geração é o motivo desta graça, uníssoma... A imortalidade existe? Eu senti em cada cantinho de Içara, quando eu e Sanete perambulamos com um gravador e um livro buscando a história que preguiçosa deslizava no papel, desenrolando-se em todos os quintais.

A beleza do Içarense se reafirma e cresce em densidade, nas manifestações expressas ou nas fotografias. Nada é mais rico do que a preciosidade com que lidamos todos os dias, às vezes distraídos. Essa garimpagem, que Deus nos permite, nunca deixará de produzir surpresas. Outro dia ao atravessar a rua, lá longe vinha o “Gengiskan”, tirei da bolsa uma máquina e o fotografei.

Uma moça que ia para a Academia, olhou para mim e disse: “Se vê cada coisa neste mundo!”. Gritei “sou escritora e ainda escreverei sobre o “Gengiskan”. Ela entra na Academia, entro no carro e ando alguns minutos atrás do “Gengiskan” só para ouvir “Que beijinho doce, que ela tem”, encheu a cidade de passado e alegria. E sai silenciamente pensando, que o moço da carroça musical deixa nesta cidade muitas alegrias, e o içarense sabe.

Nossa terra tem Içarobas aonde canta o “Gengiskan”. É Içara florida, cujas árvores florais tomam conta da estrada... E as flores nas casas, as roupas deitadas sobre as janelas, pegando sol. Estou escrevendo sobre Içara e são nestas pequenas ocasiões que o escritor recolhe no ar a literatura para poder salvar o mundo e a si mesmo. O escritor nasceu para transitar por entre as letras e livre, sem amarras...

Mesmo que a chuva quente e sonora lhe fizer tremer de frio, sentirá o beijo dos pingos da água... Quando entrei nos museus desta cidade para construir um capítulo do meu livro, senti que Içara é única! As pinturas expostas nas paredes da Casa da Cultura, outro presente dos céus, a cidade içarense viva. Apreciei cada imagem, uma por uma. Em pensamentos li os nomes das pessoas que estão escritos embaixo de cada gravura: Pacífico Pizzetti, Evaristo Piazza, Cecília Dal Toé, Antônio Guglielmi, Luiz Guglielmi, Paulo Rizzieri e Celso Cabreira.

Parabenizei-os em silêncio, por terem deixado o egoísmo e valorizado as mãos do artista e embelezado as paredes da antiga igreja, na época (1945). Lembrei-me do meu avô que gritava alto e ninguém ouvia.... Volta-me novamente a cena do “Gengiskan”. A música entrou pela janela, atravessou a casa e a manhã se transformou em alegria, mais uma vez...


Opinião: Hipocrisia uma crise sem fim
10/12/2011 às 10:51 | Dentista Vilson Schambeck
Pois bem! Você se acha uma pessoa hipócrita? Não? Era essa a resposta que eu queria ouvir de você. Eu também não acho que eu seja uma pessoa hipócrita e, acredito que poucas pessoas assumam ser hipócritas. Então continuemos…

Hoje é um dia daqueles, li, vi, ouvi e aqui estou a desabafar mais uma vez. Está em todos os jornais: escândalo das passagens aéreas em Brasília, verbas de gabinete usadas ao limite para gastos pessoais, empreguismo, apartamento funcional hospedando a amante, etc... Dá vontade de rasgar o título de eleitor.

O pior é que somos nós que votamos nessa gente. Mas me pergunto será que estes são gentemesmo? Possuem um coração que ainda bate? Que igreja eles freqüentam? Argumentam que tudo é absolutamente legal, uma prática comum. Se comportam como legalistas, pois em nenhum momento citam a moral como balisa para suas decisões.

A moral é um sentimento humano que nos difere dos animais, que firmada na ética nos anuncia quando estamos errados. A moral está intrinsicamente ligada à consciência, e a escolha diária a que todos somos submetidos: fazer ou não fazer. A verdadeira política está para a vida pública como o sacerdócio está para a religião: requer vocação,e é para poucos. É algo sagrado. Você lida com a esperança de muitos. Uma decisão errada, e você poderá influenciar toda uma geração.

Trabalho no Sistema Único de Saúde há muito tempo e lido com a dor todos os dias. Lá na faculdade nos ensinam a não nos envolvermos tanto com a dor do outro, para que nós próprios não acabemos doentes. Mas não é fácil, a dor dói. Tem dias que tudo o que posso fazer é tão somente ouvir. E como aprendemos.

O desabafo de alguém com dor é uma aula de vida, de cidadania, uma pós-graduação em humanidade. Dá vontade de gritar: por que? Porque uns com tanto, achando tudo normal, legal... e outros tendo que ruminar as migalhas deste banquete chamado Brasil. O verdadeiro político precisa estar junto do povo e saber ouvi-lo. Precisa saber que povo somos todos nós. Precisa saber a diferença entre política de estado e política de governo: a primeira deve permanecer, independente de partido.

Mas onde estão os verdadeiros? Junto com os hipócritas? Um dia me perguntaram qual sistema econômico seria melhor, capitalismo ou comunismo, e eu respondi que na verdade não precisamos de um sistema novo, o que o homem precisa é de uma nova vida. Precisamos parar de mentir para o outro e para nós próprios.

A sociedade precisa de um derramamento de amor, e de uma campanha institucional aos quatro ventos: “só a verdade liberta”. O homem sem amor é escravo do seu ego, mas aquele que ama ainda consegue se ocupar com a vida do outro. Gostaria de ser prefeito, governador ou presidente por apenas um dia e baixar o seguinte decreto:

“Doravante estão proibidos toda propina, apadrinhamento político, e altos salários. São também ilegais a mentira, a falsidade e a hipocrisia. Ame o outro como a si mesmo o fosse. Revoguem-se as disposições em contrário”. Sonho, utopia... não sei, mas o pulso ainda pulsa.


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