Canal Içara

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06 de julho de 2020 - 05:49
Caos entre Ruas São Donato e Ipiranga
14/06/2011 às 21:52 | Luana Réus, içarense indignada com a falta de planejamento da cidade
Um verdadeiro caos. Foi o que se transformou essa pequena rua apos a instalação da Caixa Econômica Federal. O movimento de veículos, que já era grande, pelo Banco do Brasil e a mecânica que existe no local, agora triplicou, ocasionando problemas aos comerciantes e motoristas. Sem uma boa sinalização, motoristas são obrigados a estacionar em qualquer lugar, para que possam cumprir seus deveres e necessidades bancarias. Estacionamentos em calçadas, estacionamento na contra mão, em entrada de veículos (entrada/saída de veículos da mecânica, casas e apartamentos que existem no local).

De quem é a culpa? Não colocaremos nos motoristas, que se organizam como dá, já que não existe um lugar reservado a eles. Da Caixa Econômica talvez, por se instalar em um lugar onde já não suportava o fluxo de veículos que existia? Também não. A culpa vem mais de trás, de nossos prefeitos talvez. É notável que Içara cresceu, se desenvolveu. O aumento de veículos e pessoas impressiona, talvez até nos assuste. O que faltou foi planejamento.

O Centro de Içara já não suporta o fluxo de veículos que existe, não há estacionamentos suficientes. O que resta aos comerciantes? Proteger o pouco espaço que sobra com correntes e plaquinhas do tipo "estacionamento exclusivo para clientes". E isso dá jeito? Não. É um problema muito além. Um dia desses, um veiculo estacionou na frente da oficina, não por ser cliente, mas porque precisava ir ate a Caixa Econômica.

Se não bastasse ocupar o lugar, que seria para um cliente, ainda jogou o carro pra cima de uma moto que estava estacionada no local,esse sendo de um cliente da mecânica, causando prejuízos. Por sorte e ética do tal cidadão, ele voltou ao local e acertou com o dono da moto, pedindo desculpas. Mas desculpas, acreditamos, já não basta. Mas é por esse motivo que não podemos colocar a culpa apenas nos motoristas. Se ele não tinha lugar para estacionar, se a Caixa Econômica não planejou um estacionamento para seus clientes, o que ele pode fazer, certo?

"Pegar" o lugar do cliente da oficina mecânica, que por sinal planejou e preza pelo direito do seu cliente estacionar em um lugar próximo. Outro dia, o dono da oficina me retratou que um caminhão estacionou na frente da mecânica, para ir, imaginem, é claro, ao banco e quando foi saindo, bateu em uma saveiro que estava estacionada ao seu lado, sendo de um cliente da oficina, causando mais prejuízo. Pro dono do caminhão, é claro, que teve que bancar.

Se qualquer um parar por 5 minutos naquela rua, verá que o que eu digo não é invenção e estou aumentando nada. É uma loucura. Carro que desce, que sobe, estaciona, sai, entra... Um caos mesmo. Estacionar na entrada das casas/empresa já nem é mais novidade. Hoje mesmo presenciei um senhor, estacionando seu veiculo na contra mão, do lado oposto da rua onde deveria estacionar. Alem disso, era na frente da entrada da mecânica. Verdadeiras infrações de trânsito não é mesmo? E o que dizer de estacionar sobre a calçada? É, esse senhor desceu de seu veiculo e auxiliou uma senhora a estacionar o seu carro, em cima da calçada.

Quem tirou a carteira em uma auto-escola (não que eu queira dizer que alguém tenha tirado pelo correio, imaginem) sabe que calçada é para pedestres, a rua é para veículos e isso inclui estacionamento. Imaginem uma mãe, com uma criança no carrinho passando por ali. O que ela teria que fazer? Atravessar pelo meio da rua não é mesmo? Colocando em risco a sua vida e dessa criança. Nem vamos comentar que Içara não é uma cidade que visa a inclusão social. Cadeirantes tem seus espaços ocupados por buracos, ou como acontece agora na rua São Donato, por veículos.

É sim de causar revolta, indignação. Içara esta crescendo em uma proporção tão grande, estamos nos tornando uma cidade produtiva, com Indústrias e comércios de ponta, onde já não é preciso sair daqui para obtermos o que precisamos nas cidades próximas, como Criciúma, por exemplo. Mas sem um planejamento, não ocorrera desenvolvimento. Apenas um crescimento desordenado, um caos, onde muitos pensarão: "Que saudade que eu tenho da minha cidadezinha do interior, tão pequena, sem carros, sem pedestres, sem nada..."


Opinião: Desrespeito aos professores
31/05/2011 às 13:47 | opinião de Márcia Turatti dos Santos – Professora de História da Rede Estadual de Educação (SC) e mãe de aluna da escola pública
Sou professora de História da rede estadual em Santa Catarina e estou em greve juntamente com os demais colegas. Um dos motivos dessa greve é a implantação do piso salarial nacional em nosso Estado. Estamos vivendo um momento que jamais imaginávamos enfrentar em nossas vidas profissionais. A implantação do piso está sendo uma afronta a nossa categoria.

O governo do Estado se nega a implantar o piso na carreira, ou seja, da forma como o governo está fazendo, professores que iniciam agora na profissão ganharão o mesmo que um professor em fim de carreira. Acreditamos ser isso uma injustiça e um desrespeito não só com os trabalhadores em educação como com nossos alunos/as. Sem falar em outras questões estruturais que nos fazem travar uma luta constante para garantir qualidade de ensino aos nossos alunos e alunas.

O nosso plano de carreira que era ruim, já não existe mais. Escrevo essas palavras com uma profunda tristeza e choro ao lembrar-me da professora cheia de sonhos que há vinte anos ingressou nesta carreira acreditando que poderia contribuir na formação do cidadão brasileiro e ajudar a construir uma sociedade mais justa e igualitária. E acredito sinceramente que tenho contribuído. Mas o magistério não é sacerdócio.

Existem as questões práticas de nossas vidas que precisam ser supridas com um salário digno. Estudamos porque acreditamos em nossa profissão. Nós acreditamos. Quem não acredita é Governo de Santa Catarina ao destruir nosso plano de carreira.

Qual a motivação para continuar nesta profissão? O governo com essa medida divide os trabalhadores em educação entre os que receberão aumento de salários e os que não receberão. A medida provisória que foi encaminhada para Assembléia Legislativa se for aprovada, e é possível que seja, pois o governo Colombo tem maioria, dará o golpe de misericórdia em nossa categoria. Como explicar aos nossos alunos/as que não é mais necessário estudar e se aperfeiçoar para ser um professor? Que respeito teremos deles?

Anos atrás quando a LDB foi aprovada ela previa que todos os professores sem formação deveriam ingressar na universidade e concluir o ensino superior. Assim fizeram muitos professores. Era uma exigência da lei maior. Outros, já formados, buscaram uma especialização, mestrado, doutorado. Hoje nos perguntamos para quê? Para um governo sem responsabilidade alguma com a educação colocar tudo isso por terra.

Lembro-me de sua campanha às vésperas da eleição. Não tinha proposta alguma de valorização dos profissionais da educação. Quando questionado sobre o piso, sua resposta foi de que se o piso fosse implantado os professores sairiam perdendo. Aí está a questão. Na época Raimundo Colombo já sabia o que fazer caso fosse eleito, e caso o Supremo Tribunal determinasse o pagamento do piso como salário e não como remuneração.

Ele foi eleito, e aí está o seu governo com o slogan “As pessoas em primeiro lugar”. Acreditamos então que os trabalhadores em educação na visão do senhor governador não se encaixam na categoria “pessoas”. Não estamos em primeiro lugar, estamos em último. E isso me faz pensar sobre o que diz a propaganda da campanha pela valorização do professor do Movimento “Todos pela Educação” e pergunto se:

“No brilho de uma ferrovia / (um bom professor) /No bisturi da cirurgia / (um bom professor) / No tijolo, na olaria, no arranque do motor / Tudo que se cria tem um bom professor”, por que nosso salário não se equipara com os salários desses profissionais?

Ou se: “A base de toda conquista é o professor / A fonte de sabedoria o professor / Em cada descoberta, cada invenção / Todo bom começo tem um professor”, por que somos tratados com tanto desrespeito?

Fico a imaginar sobre o que diriam as autoridades que receberam nosso governador na Alemanha se soubessem que no Estado que ele governa os trabalhadores em educação estão em greve para garantir que o piso seja aplicado na carreira? E ele? Que foi buscar parcerias com a Alemanha não se envergonha de submeter-nos a essa humilhação?

Não, claro que não. As parcerias que busca visa apenas lucros para nosso Estado. A educação não faz parte disso. A educação assim como a saúde não produz lucros e sim despesas na visão do governo. Teria pelo menos obtido informações de quanto ganha um professor na Alemanha? Não claro que não.

Diante disso tudo a única alternativa encontrada pela categoria foi a greve. Espero que sejamos fortes para enfrentar todas as arbitrariedades do governo que ainda virão. Não podemos esquecer jamais que todos os direitos foram conquistados com muita luta, nado nos foi dado de “mão beijada”. Por isso, temos um compromisso com aqueles que vieram antes de nós e com os que virão depois de nós: manter os direitos já conquistados e lutar pela sua ampliação. Não podemos deixar o governo desrespeitar nossa categoria dessa forma.

Este texto foi escrito na esperança de sensibilizar as pessoas para que nos apóiem. Para que nos ajudem a mostrar que nossa luta é legal, é legítima, é justa.


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