Canal Içara

Canal Içara

09 de abril de 2020 - 08:22
Dias de se reinventar e espalhar a solidariedade
04/04/2020 às 12:24 | Simone Luiz Cândido
Receitas, muitas receitas de bolos, pães, além de atividades inimagináveis há alguns dias. Pessoas que até então nunca vimos cozinhando nada, hoje mostram seus dotes culinários. Tentamos todos os dias mudar a sintonia do medo, da angústia das novas rotinas que fomos obrigados a criar.

Professores tentando ajudar seus alunos com atividades à distância. Secretarias de educação com sites de conteúdos à distância. Esta é a busca incessante de não perder-se o foco no ano letivo que há pouco tempo havia se iniciado. Crianças aprendendo a valorizar o estar em casa, aprendendo um novo modo de estudar, se divertir.

Saudades que podem ser sanadas através de redes sociais. Se as muitas perdas em 2019 nos fizeram valorizar os abraços e encontros, 2020 nos mostra ainda mais que agora sem podermos abraçar e nos encontrarmos esse valor aumentou.

Solidariedade vista em vários lugares do país. Mercados que deixam locais com alimentos para aqueles que precisam, outros fazem suas doações e outros ainda fazem quentinhas e distribuem aos que mais necessitam. Dividir o que se tem formando uma grande corrente do bem.

Aprendemos a poupar água, pois ela é fundamental para a vida na terra. Sentimos uma grande energia em torno de toda humanidade e precisamos urgentemente clamar para que haja uma saída. Até tudo isso passar, teremos reinventado nosso modo de viver e sentir. Lutar pelo bem em comum nos ajudará nesse tempo tão difícil.

Esse tempo nos servirá para muitas reflexões a respeito de nossas vidas. Quais são os valores que realmente importam para nós? Até alguns dias atrás tínhamos a liberdade de ir e vir, hoje está tudo restrito. Antes trabalhávamos e muitos de nós incansavelmente buscando um futuro melhor. Vem à pandemia e nos faz desacelerar para literalmente.

Em meio aos que se solidarizam infelizmente existem aqueles que não pensam nos outros. Há alguns dias li muitos relatos de pessoas que tentando fazer sua limpeza em casa colocaram fogo em entulhos. Parem e pensem em quem tem problemas respiratórios, com a entrada dos dias mais amenos começam as crises de asma.

Cuide da sua família, limpe o pátio, mas pense no seu semelhante. Tenha empatia. Só quem já teve problemas respiratórios sabe o que isso significa. Sei muito bem o que é isso: querer respirar e não conseguir. Dá pra usar outros métodos que não sejam fazer fogo e fumaça na cidade inteira.

Todos os dias torcemos para que haja soluções, para que retomemos nossas vidas. Seguimos cuidando de nossas famílias, ouvindo as orientações do Ministério da Saúde, elevando nossas preces. Procuremos semear a paz, pois é necessária para que possamos nos harmonizar e assim seguiremos enfrentando essa pandemia até então desconhecida por nós.


Alguns dias já se passaram dessa quarentena do coronavírus. Muitos apreensivos em suas casas enquanto outros precisam trabalhar nos serviços essenciais. Antes de isso acontecer muitos tinham outra visão sobre essas pessoas que estão de prontidão nas frentes de trabalho. Alguns não eram muito valorizados, outros ainda pouco notados pelos que precisam deles. A princípio notam-se os trabalhadores da área de saúde, enfermeiros, médicos, agentes e secretários de saúde. Nessa área podemos destacar com muito louvor o pessoal que trabalha na higienização. Nos dias atuais ainda é mais importante esse trabalho que realizam.



Para que possamos nos alimentar, temos outra grande rede de trabalhadores, indústrias alimentícias, os caminhoneiros que transportam alimentos, remédios entre tantas outras coisas tão necessários em nosso dia a dia, além de indústrias farmacêuticas que produzem remédios, máscaras e álcool gel. Há também os supermercados, padarias, agropecuárias que continuam trabalhando em meio a essa pandemia. Igualmente ocorre com postos de combustíveis, farmácias, bancos, exército, polícias Civil e Militar, bombeiros, SAMU, coletores de lixo, o Ministério da Saúde, governos Federal, Estadual, Municipal e Defesa Civil.

Obtivemos informações em tempo real pela imprensa, que trabalha incansavelmente trazendo informações precisas. Nesses dias em que foi necessário ficarmos em isolamento social. Destaco o jornalista Lucas Lemos deste portal, que nos trouxe matérias precisas além de vídeos informativos do seu canal Diário de Jornalista, que pode ser acessado em www.youtube.com/diariodejornalista.

Várias cidades da região iniciaram essa semana os trabalhos de sanitização de ambientes públicos de grande circulação. Cenas que jamais imaginávamos ver no país, muito menos aqui no sul de Santa Catarina. E quem são as pessoas que fizeram esse belo trabalho para que a população pudesse ficar mais tranquila quanto à contaminação do coronavírus? Não sabemos, mas sabemos que esses trabalhadores estão contribuindo para que nossas famílias fiquem em suas casas em segurança.

Foi uma semana tensa, mas de muitas manifestações de fé nas janelas das casas e apartamentos onde pessoas cantaram juntas outras fizeram suas preces. Vimos também ações solidárias pessoas uniram-se em prol dos caminhoneiros que agora com a ameaça do coronavírus não encontram restaurantes funcionando para sua alimentação. Várias pessoas de cidades aqui do Sul de Santa Catarina estão fazendo marmitas e entregando para os caminhoneiros. Colocam placas indicando que a um quilômetro tem distribuição de marmitas gratuitas. É gestos como esse que nos fazem crer em dias melhores

Temos muito a agradecer a todos esses e a todos que talvez não tenhamos lembrado, mas estão lá por trás dos bastidores trabalhando doando suas vidas em favor de outras vidas. Somos gratos a todos vocês, muitos de nós ficamos em casa enquanto vocês estão nas frentes de trabalho. Receba todo nosso carinho, gratidão aplausos por todo bem que fazem a cada um de nós.


Crônica: precisamos nos cuidar e preservar os outros
21/03/2020 às 10:14 | Simone Luiz Cândido
Estamos vivendo um tempo muito diferente do que imaginamos para 2020 o coronavírus chegou assustador levando muitos ao pânico. Alguns estão desesperados estocando mercadorias em casa, outros compraram todo estoque álcool em gel, mas enquanto agirem assim aqueles que não têm álcool em gel para usar pode ser os que irão contrair o vírus poderá infectá-los.

Recebemos diariamente áudios, e vídeos a respeito disso, precisamos avaliar esse conteúdo que muitas vezes só causa pânico e medo. O compartilhamento indiscriminado pode gerar grandes transtornos. A imprensa tem feito um grande trabalho informativo, devemos filtrar os conteúdos repassando somente o que realmente é de credibilidade. Áudios de pessoas em redes sociais nem tenho repassado, muitos nem chego a ouvir.

Devemos sim cuidar de nossos familiares com sensatez ficando em casa lavando as mãos, e os que têm doenças crônicas redobrar o cuidado usando os medicamentos indicados pelos médicos. Se os asmáticos já sofrem com a chegada do inverno agora é hora de intensificarmos o tratamento.
Aqueles que precisam trabalhar que tomem os cuidados indicados pelo ministério da saúde.

Tenho visto muitas receitas para o combate do vírus, mas sabemos que não existe vacina e nem medicamento específico para isso. A prevenção ainda é o melhor remédio, ficarmos longe de nossos familiares não significa que deixaremos de ter vínculo afetivo, e sim que os amamos e queremos que estejam bem. Hoje as redes sociais nos possibilitam a comunicação de maneira muito fácil mesmo à distância.

Sigamos com as orientações do ministério da saúde, não repassemos notícias sem credibilidade muito menos áudios em massa de pessoas que nem sabemos de onde vem assim poderemos evitar que Fake News se espalhem.

Utilizemos esse tempo para atividades com nossos filhos, podemos fazer muitas coisas não significa que ficaremos o tempo todo nas redes sociais, criando pavor em nossas crianças. Precisamos sim ensiná-los os cuidados que devem ter, não só nesse momento de pandemia, e sim em toda sua vida. Claro que nos dias atuais com muito mais ênfase.

Eis um tempo em que precisamos parar nos afastar fisicamente para assim evitarmos o contágio. A fé nos ajudará nesses momentos difíceis em que estamos vivendo. Mas é preciso que cada um de nós faça sua parte, cuidemos das pessoas mais suscetíveis ao vírus.
Lave suas mãos, fique em casa cuide de você e dos outros, assim logo poderemos estar juntos novamente.


Dia Nacional dos Animais: uma crônica aos protetores
14/03/2020 às 10:02 | Simone Luiz Cândido
Desde criança tivemos animais em casa. A maioria deles eram gatos. Recordo-me de um gato branco que era meu quando tinha apenas cinco anos. Viemos de Criciúma para casa da minha avó em Içara e quando chegamos o encontramos atropelado e morto na frente de casa. Já era noite. Eu chorei muito junto com meus irmãos. Minha mãe tentava nos acalentar enquanto nosso pai pegava a pá para fazermos o sepultamento do gato. E lá fomos nós com velas acesas seguindo o cortejo do enterro do primeiro gato que tenho recordação.

Após o enterro lá ia, eu e meus irmãos maiores, colocar flores para o gato. Ele era da família e já estávamos acostumados com ele. Depois do gato tivemos um cachorro preto vira-lata bem peludo chamado Veludo. Esse trouxemos no caminhão de mudança para Içara, mas o malandro fugiu de casa e após algum tempo havia encontrado um novo lar foi bem cuidado e amado.

Na casa da vó Ana nasceram vários cachorrinhos todos pretos de pelos baixo popularmente conhecidos por Guaipéca, ou seja, vira-lata e assim chegou o nosso Bob era muito querido e brincalhão. Um dia de manhã mamãe o encontrou morto envenenado, a vi chorando, pois o cachorro era muito querido.

Após a morte do Bob ela decidiu que não teríamos mais cachorros em casa, sofreu muito. E foi aí que começaram os ciclos de nossos gatos de infância. O Chico nem sei de onde veio era desses tigrados comuns mesmo viveu dez anos conosco. Os de cor laranja eram chamados de Bilú. Tivemos muitos Chicos, Mimos, e Bilús. Cada um que morria era enterrado e recebia flores. Todos os gatos nos deram muito amor e nós a eles.

Quando casei decidi que teria um cachorro, adotei um vira-lata adulto chamado Lupi após algum tempo adotei o Puf era um filhote de poodle cor champanhe os dois até que se davam bem, algum dia ou outros se desentendiam. Lup teve um câncer tivemos que sacrificá-lo foi muito triste para nós. Chorei copiosamente dei banho fiz carinho, mas nosso fiel companheiro estava sofrendo muito e tivemos que tomar essa atitude o veterinário disse que seria o melhor para ele.

Puf durou mais alguns anos era um amor para os gatos. Fazia amizade com cada gato que chegava. Um dos meus gatos se chamava Mike ele era surdo miava muito alto, cheguei a trocar o nome dele várias vezes até descobrir que era surdo por isso não atendia por nome algum.

Infelizmente muitos de meus gatos foram envenenados, eu adulta e já casada chorava a cada perda. Os seres humanos precisam aprender muito com os animais, pois nos dão amor incondicional enquanto pessoas tão cruéis envenenam os pobres bichos. Gato vive solto não tem como prender. A maldade humana é capaz de ter coragem pra matar esses seres que nos dão tantas alegrias.

Puf era muito amigo da Meg da raça poodle que era da minha vizinha, no seu último dia de vida ela veio até nossa casa como sempre fazia pulou o muro ele já deitado para morrer se levantou cheirou a Meg como quem se despede foi a cena mais linda que pude ver entre eles. No outro dia ele se foi.

Eu com a tristeza da partida do Puf decidi que não queria mais cachorro só gatos, mas mudei de ideia quando minha amiga ofereceu um filhote de uma cadela que havia aparecido na casa dela e assim chegou o Bolt nome dado em homenagem ao Bolt o Super Cão um filme infantil.

Algum tempo depois a Meg que era muito minha amiga, mas tinha um gênio forte só gostava de mim, criança não era muito fã não. Veio a morrer após um parto difícil chorei igual criança o amor por ela era muito forte. Uma cachorrinha capaz de pular o muro para me visitar e receber carinho e claro comer ração junto com o Puf. Entre lágrimas me despedi da Meg. Era mais uma que tinha deixado amor no meu coração.

Meu último gato se chamava Garfield um gato laranja o Bolt cresceu e o expulsou de casa tomou posse do território. Até hoje não me conformo com o desaparecimento dele. Esses foram alguns dos animais que passaram por minha vida deixaram muito amor.

Em Içara temos os voluntários da ONG Amigo Bicho que faz um trabalho incrível com os animais. Resgatando, abrigando muitas vezes em suas casas sendo lar temporário até encontrarem um lar definitivo após a castração dos animais. Com a castração evita-se que novos animais estejam nas ruas e sejam abandonados por pessoas irresponsáveis. Nesse sábado a ONG está realizando o mutirão de castração. Outra grande ação dos voluntários.

Hoje dia 14 de março em que se comemora o Dia Nacional dos Animais, minhas reverências aos protetores de animais que doam suas vidas, seu tempo em favor das vidas dos nossos queridos animais. Desejo um mundo em que não existam abandonos de animais, maus tratos e mortes desnecessárias. Se os animais forem castrados não teremos muitos filhotes inocentes que muitas vezes são mortos cruelmente ao nascer.

Enquanto esses humanos que se dizem pessoas de bem poderiam apenas castrar em vez de tomar essas atitudes desprezíveis. Refletindo sobre esse dia desejo que mais pessoas além das ONGs possam amar e cuidar dos animais com muito amor. Assim poderemos mudar pelo menos onde vivemos.


Crônica: Que o amor e o respeito falem mais alto pelas mulheres
08/03/2020 às 05:00 | Simone Luiz Cândido
Cada uma de nós mulheres já esteve durante a gestação de nossas mães no ventre de nossas avós. O óvulo que hoje somos nós foi formado mais ou menos no terceiro mês de gestação de nossas mães. Alguns desses óvulos de nossas mães acabaram morrendo. Nós hoje somos vencedoras estivemos sim onde tudo começou para nossas mães.

Quantas energias receberam desde essa gestação? O que acontecia ao redor daquela pequena célula que carregaria nosso DNA. Algumas de nós recebemos o amor, pois, nossa mãe foi muito amada e bem-vinda desde o início. Outras de nós recebemos a tristeza de uma gestação indesejada, talvez nossa mãe seja aquela que veio depois que muitos outros filhos já haviam chegado naquela família.

Tudo o que acontecia com nossa mãe era passado em cada célula que se formava dentro daquele novo ser. Vinha carregado com muitas energias do ambiente e das vivências de nossas avós.

No meu caso isso aconteceu há 84 anos um tempo bastante difícil onde nem tudo era fácil. Minha avó trabalhava na roça, meu avô trabalhava no Rio Grande do Sul como fotógrafo ela ficava com os filhos cuidando da casa e do trabalho na roça. Um tempo em que não existia luz elétrica, o arroz era pilado em casa, o café era plantado e torrado em casa. Quantas dificuldades se encontravam durante a gestação de minha mãe. Minha avó já tinha outros três filhos.

Além de mim estavam sendo formados os óvulos que hoje são meus irmãos. Todos nós recebemos energias de amor, de tristezas, muitas vezes de dificuldades durante a gestação de nossa mãe. Num tempo que não se tinham muitos recursos era tudo muito difícil, até criavam alguns animais para seu sustento, mas vinha o que chamavam de peste e morriam sem que a família pudesse usufruir dos animais para seu alimento.

Tudo isso tem muitos significados, quem somos vai além do que nós vivenciamos desde a nossa gestação no útero de nossas mães. Vem de antes, ou seja, lá atrás onde nossa mãe foi gestada. Após o nosso nascimento continuamos recebendo bagagens, aprendemos com as mulheres que estão próximas de nós. Algumas nos inspiram a sermos iguais a elas. São guerreiras desde muito cedo enfrentam batalhas desde muito jovens.

Nós mulheres vivenciamos hoje o fruto de muitas lutas de outras mulheres que fazem parte de nossos antepassados. Queremos um mundo melhor para nós e nossas meninas. Por isso seguimos lutando para que possamos ser vistas pelo que somos. E sim nós mulheres podemos fazer a diferença onde vivemos, somos filhas, amigas, namoradas, esposas, companheiras.

Lutando por um mundo igualitário com direitos iguais, onde possamos ser amadas, respeitadas.

Seguindo o caminho que escolhermos ao lado de alguém ou não. E quando dissermos não que nossa voz seja respeitada. Nesse dia internacional da mulher que é celebrado no dia 8 de março vamos repensar sobre o valor das mulheres na sociedade. Desejamos que cada uma de nós possa viver em harmonia sem violência. Que o amor e o respeito falem mais alto. E que a paz reine.


Simone Luiz Cândido é voluntária na causa adoção de crianças e adolescentes; já participou de três antologias com suas crônicas, além disso, ama escrever reflexões sobre a vida cotidiana, eternidade, amor e convivência.