Canal Içara

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12 de dezembro de 2019 - 08:50
Na magia do Natal, uma crônica para o ano inteiro
07/12/2019 às 18:34 | Simone Luiz Cândido
Mês de dezembro havia chegado. Muitas crianças se preparavam para as apresentações de Natal. Ensaios, músicas professores envolvidos para que tudo pudesse estar impecável. Shoppings, comércio e praças das cidades sendo preparadas para a chegada do Natal.

Por toda parte a magia do Natal se espalhava, algumas crianças já haviam feito o pedido do seu presente de Natal, enquanto outras desejavam uma família, moram em abrigos e ano após ano deseja ter uma família. Outras ainda desejam ter alimentação, pois em muitos dias suas principais refeições são na escola.

Diferentes realidades se apresentam na época de Natal, alguns podem ter tudo o que desejarem outro espera essa época do ano para receber presentes de pessoas que se unem para fazer o Natal de algumas famílias um pouco mais feliz.

O Natal é a data em que comemoramos o nascimento do Mestre Jesus ele veio ao mundo através da humildade nasceu numa manjedoura rodeado de animais. A simplicidade é demonstrada a nós nessa cena de Natal onde o mestre recebeu presentes dos Reis Magos.

Os Reis Magos são personagens bíblicos. Segundo o apóstolo Mateus, eles vieram do Oriente, conduzidos por uma linda e brilhante estrela. Em seu evangelho, Mateus não diz quantos eram os Reis Magos, nem mesmo o nome deles. Sabemos apenas que eram mais do que um, pois ele faz a citação no plural.

Conduzidos pela estrela, chegaram à cidade de Belém, local de nascimento do menino Jesus, trazendo presentes (mirra, ouro e incenso). Estes presentes possuíam um sentido simbólico. O ouro representava a realeza, a mirra (resina antisséptica) simbolizava a pureza enquanto o incenso simbolizava a fé.

Chegado o dia das apresentações famílias inteiras aguardam nas praças das igrejas matrizes luzes por toda parte pais felizes observando seus filhos demonstrarem a magia do Natal. Alguns choram a ausência de alguns da família que já partiram outros aguardam a chegada de novos membros, assim segue a magia do Natal com encantamento, novos sonhos, e o desejo de dias melhores.

Muitas pessoas se unem todos os anos buscando fazer o Natal de outras pessoas um momento melhor. Papais Noéis inspirados em São Nicolau que costumam entregar presentes tornam o Natal ainda mais mágico.

Não podemos esquecer-nos do que o Mestre Jesus veio nos ensinar a humildade, o amor àqueles que estão próximos de nós, que cada um de nós possa fazer dessa magia que nos contagia um tempo lindo de espera do Natal onde possamos fazer algo a mais não somente no Natal, mas o ano inteiro. Unidos pelo bem do próximo.


Crônica: Os olhos da alma
30/11/2019 às 13:19 | Simone Luiz Cândido
Diego Batista nasceu em 23 de outubro de 1986. Seus pais nem os médicos perceberam que ele havia nascido com deficiência visual descobriram quando ele já tinha cinco meses. A princípio não aceitavam o fato de o seu filho ter nascido cego. Procuraram vários médicos, pois eram pais zelosos. Todos deram o mesmo diagnóstico Diego não enxergaria.

Diego foi crescendo se adaptando a cada nova situação, eram muitos desafios aprender a se locomover conhecer sua casa. Aos poucos Diego foi aprendendo. E isso não era mais algo que representante medo ou insegurança. Sua mãe Elizabeti sempre o encorajou a ser independente. Diego Sempre conviveu com pessoas que não tinham deficiência visual brincava com os amigos normalmente, para ele sua vida era igual à de seus amigos. Aos 14 anos seu pai lhe deu uma bicicleta de presente. Raras vezes alguém demonstrava preconceito pelo fato de Diego ser cego.

Aos 24 anos Diego terminou o ensino médio, aprendeu braile e conheceu uma associação para cegos. Lá fez muitos amigos, ensinou o que sabia e também aprendeu com os outros. Inclusive a utilizar a bengala. Essa participação da associação foi de grande importância, lá conheceu sua esposa Janine também deficiente visual. A história de Janine é um pouco diferente ela ficou cega aos treze anos de idade por conta da esclerose múltipla. Surgiram grandes desafios na vida de Janine reaprender a viver sem ter a visão. Desafio esse superado com maestria. O casal tem dois filhos Jamile de nove anos e Everton de cinco anos.

Janine relata que a princípio quando nasceram às crianças foi um pouco difícil, depois o instinto materno fala mais alto. Diego e Janine costumam dizer que foi amor à primeira vista. Sim a visão não se resume apenas a um sentido e sim do ver a alma do outro e logo simpatizar um pelo outro.

O casal mora na cidade de Morro da Fumaça sua casa foi construída através de doações. Moram na casa o casal os dois filhos e uma tia de Janine. Os dois são independentes os filhos não são deficientes visuais. Diego e Janine realizam as atividades diárias normalmente é um grande exemplo de amor e de uma família que se ama muito.

Pessoas desinformadas não conhecendo a realidade de deficientes visuais assim chamados há muito tempo, quando os encontram costumam falar alto, se estão com outras pessoas se dirigem a quem está acompanhando. Diego relata que isso acontece muito no seu cotidiano. Alguns pais não deixam seus filhos serem independentes por medo, mas pessoas cegas são capazes de adaptarem-se as situações da vida. Elizabeti e Célio seus pais sempre incentivaram para que ele pudesse ser independente. Outros julgam deficiente visual por casar e ter filhos preocupa-se como cuidarão das crianças. Não percebem que são humanos e podem amar e terem uma família.

Hoje existem muitas facilidades para que cegos possam cozinhar. Existe forno de micro-ondas, chaleira elétrica, cafeteira, panela de arroz. Diego cozinha mesmo sendo cego. Os telefones celulares também tem acessibilidade. Cegos hoje em dia conseguem comunicar-se muito bem através do uso da internet. Diego realiza palestras gratuitamente em escolas, empresas sobre como é a vida de um deficiente visual dando seu exemplo.

Diego tem um canal no YouTube onde faz vídeos sobre sua vida cotidiana. Em um desses vídeos mostra como faz para atravessar uma ponte de arame na divisa de Nova Veneza com Forquilhinha atravessa utilizando a bengala e ainda filma a passagem pela ponte com celular. Muitos de nós que enxergamos inclusive eu, não temos coragem de atravessar esse tipo de ponte.

Diego e sua esposa Janine atravessaram muitas pontes do preconceito, do medo de que não pudessem ter uma família, mas com muito amor venceram, são felizes. Que cada um de nós abra seus olhos da alma para que com empatia possamos entender que todos somos humanos com deficiência ou não, viemos para esse planeta para cultivarmos o amor.



Sabedoria: conhecimento utilizado para o bem
23/11/2019 às 10:49 | Simone Luiz Cândido
Ser sábio não significa ter um grau de escolaridade elevado. Muito menos vários diplomas.

Para muitos o lugar onde estão pode ser medido com seus diplomas e cursos que possuem. No entanto, usam do conhecimento que tem para poderem humilhar outras pessoas.

Alguns usam palavras com muita formalidade buscando mostrar sua sabedoria, assim sendo pensam que outros não conseguem interpretar mesmo que essas palavras sejam ofensivas.

Não percebem que a sabedoria perde todo seu sentido mesmo que venha enfeitada com um lindo vocabulário.

Há outros que nascem com sabedoria em muitas coisas que fazem. Devido as suas possibilidades não tiveram as mesmas oportunidades que outros que se dizem sábios donos da verdade.

Nascem em lugares pouco privilegiados, estudam pouco e mesmo assim conseguem passar lições de vida jamais vividas por outros que possuem muitos diplomas.

Ser sábio é ser humilde, não usar seu conhecimento para que outros se sintam constrangidos.

Saber usar o conhecimento para o bem comum, ajudando o outro, ensinando transferindo seu conhecimento.

Sábios se encontram muito próximos de nós, são pessoas que vivem na simplicidade e mesmo assim transmitem seu legado de conhecimento.

Que cada um de nós possa usar seu conhecimento para o bem. Assim formaremos uma sociedade muito melhor. Valorizemos aqueles que estão próximos a nós seu conhecimento poderá nos deixar grandes legados de sabedoria.


Crianças começam a expressar seus sentimentos balbuciando, cantando depois desenhando. E quando vão à escola através da escrita. É algo lindo de ver quando uma criança começa reconhecer as letras, tentando formar palavras, depois frases. As primeiras palavras escrita ainda em caixa alta. Ver seu nome escrito traz sorrisos em seus rostos.

Professores que ajudam a moldar seres ainda muito pequenos ensinam que escrever é algo libertador. Assim podemos expressar sentimentos, podemos ler e refletirmos sobre aquilo que lemos.

O professor moldar quinze, vinte alunos e percebe que todo seu esforço se tornou realidade é muito emocionante. No início do ano eram apenas poucas palavras escritas demoradamente. Ao fim do ano já sabem ler escrevem, ainda que seja com a grafia errada, mas estão alfabetizados. Faltam apenas alguns ajustes e logo no próximo ano conseguirão escrever com a grafia correta.

Olhando para nossos filhos durante esse aprendizado nos traz alegrias imensas. Ver que aos poucos o desafio vai desaparecendo. Estar junto com eles incentivando a leitura faz muito bem a eles e também para nós. Vimos ali à memória de nosso aprendizado.

Observando minha filha de sete anos, a princípio demorava um pouco para ler, juntava vagarosamente as sílabas tentando compreender as palavras. Hoje já quer escrever, contar histórias percebeu que sabendo ler e escrever pode expressar seus sentimentos.

Já não lhe basta só o ler agora tenta interpretar a leitura. Incentivo sempre a leitura sem medo de errar, pois todos erram e ela está só começando.

Aos queridos professores que alfabetizam seus alunos com tanta dedicação, nossa eterna gratidão. Das letras de caixa alta até a leitura e interpretação. Seguimos nosso lindo caminho com um novo horizonte através da alfabetização.


Com quem você pode realmente conversar?
09/11/2019 às 10:12 | Simone Luiz Cândido
Em minha infância assistia ao programa da Xuxa Meneghel guardei para sempre algo que ela sempre falava. Era mais ou menos assim, pois eu era ainda uma menina recordo apenas da lição não das palavras exatas. “Viemos para o planeta Terra para viver muito, mas para isso acontecer precisamos cuidar do nosso corpo, mantê-lo saudável nos alimentando certinho, comendo frutas, vegetais, evitando doces. Tomar nosso banho cuidar da higiene.” A lição que aprendi foi essa cuidar de nós mesmos para viver bastante e com uma boa qualidade de vida.

Muitas pessoas acreditam que buscar ajuda médica ou psicológica é procurar doenças. Outros ainda dizem: "- Quem procura acha". O medo de descobrir algum tipo de doença ou algum momento em que seja necessário tratar-se com um psicólogo pode trazer para alguns constrangimentos ou medos. Existem alguns desses medos pelo julgamento que alguns farão.

Tempos atrás onde muitos eram internados em sanatórios e tidos como "loucos" criou-se a ideia de que se alguém precisar tomar remédios antidepressivos é por que é "louco". Nos tempos atuais precisamos desmistificar essa ideia equivocada. Se precisarmos tomar remédios para depressão ou qualquer outra doença que seja precisamos ter a aceitação de que nos fará bem. Os tratamentos psicológicos também são necessários ajudam muito no tratamento.

Quando se descobre uma doença mais difícil de obter a cura podemos ter momentos difíceis e aí entra a ajuda psicológica que aliada aos medicamentos e a aceitação do tratamento podem trazer a cura mais rápida e eficaz.

Se cada um de nós mudar esse tipo de pensamento equivocado de não usar remédios, de não procurar doenças, utilizando outros termos como, por exemplo, prevenção, pois prevenir ainda é o melhor remédio. Poderemos evitar que muitas doenças sorrateiras nos façam perder a vida tão cedo.

Precisamos nos unir quando alguém estiver precisando de um apoio, seja ele uma conversa ou companhia. Não conseguiremos estar com muitas pessoas, nem darmos atenção, para muitas pessoas, mas se aquela mais próxima pode olhar com carinho e amor, tornando suas vidas um pouco melhor. Podemos mudar os pensamentos quando em vez de criticamos as dores alheias lhes oferecermos afeto, e até nossas preces. E se hoje não pudermos estar com alguém ou fazermos algo de concreto podemos lhes dizer hoje eu farei preces por você.

Somos humanos e sentimos dores físicas, mentais as ditas dores da alma, remédios ajudam no tratamento, as feridas da alma necessitam de apoio, se alguém próximo de nós precisarmos de apoio pode indicar o CVV- Centro de Valorização Da vida. No número 188 onde voluntários se dispõem a ouvir a quem precisa com uma palavra amiga com total sigilo. E se esse alguém somos nós podemos mudar nosso conceito de que precisamos sim de apoio.

Em tempos em que a depressão assola crianças, jovens, adultos, idosos vamos nos unir àqueles que amamos. Mudando conceitos sem julgamentos sem críticas, quem tem depressão sabe o significado de suas dores e seus dias sombrios. Nunca devemos dizer não é nada, tem muito sorriso disfarçado dores interiores que não conhecemos.

Comecemos nosso fim de semana fazendo uma lista que tenha no mínimo cinco pessoas que possamos conversar e apoiar. Assim faremos uma grande corrente de amor ao próximo transformando o mundo em que vivemos.


Simone Luiz Cândido é voluntária na causa adoção de crianças e adolescentes; já participou de três antologias com suas crônicas, além disso, ama escrever reflexões sobre a vida cotidiana, eternidade, amor e convivência.