Canal Içara

Canal Içara

15 de outubro de 2019 - 20:43
Em homenagem as crianças, vou publicar a poesia da minha filha, Naiane Depiere Cândido, de seis anos, que irá receber a menção honrosa no concurso da Academia Criciumense de Letras, e a crônica da minha filha, Naila, de dez anos, que foi o terceiro lugar do concurso literário da Acle.


Meu cachorro
(Naiane Depiere Cândido)

Meu cachorro é tão bonitinho, eu amo tanto ele.
Ele é especial para mim, ele gosta muito de mim.
Ele lambe meu bracinho com carinho.
Quando era bem pequenininha, O meu cachorro mordia de carinho.
O meu cachorro é tão espertinho, meu lindo cachorrinho.
Ele olha para mim sorrindo, abana seu rabinho.
O nome do meu cachorro é Bolt ele é tão espertinho.

Moda: cada um tem a sua
(Naila Depiere Cândido)

Eu adoro me vestir e apreciar-me no espelho, já tenho minhas makes, uso roupas na moda, já faz um tempo que eu estou ligada no mundo da moda. Mas tem umas pessoas que não.
Uma vez olhei para um desconhecido que não estava nada na moda, então falei para mim mesma: “Nossa que roupa mais brega”.

No outro dia eu estava vendo um vídeo no YouTube. Estava vendo um tutorial de make, passou um comercial sobre moda e falava que todo mundo tinha a sua moda. Parei e pensei na pessoa que eu julguei por causa de suas roupas. Falei para mim mesma e disse: “Se cada um tem a sua moda por que existem os tutoriais de moda e de make?”. Se existe a moda, ela foi criada por alguém e a roupa daquela pessoa que eu julguei pode ser a próxima moda.

Eu aproveito cada dia da minha vida com diversão e com moda, tudo junto e misturado. Quando lança uma nova moda a gente veste e se acostuma, mas se a gente mesmo cria a nossa moda, se acostuma mais ainda porque foi agente que criou. Se alguém na moda passa por mim vai dizer a mesma coisa. Que não estou na moda.

Quando a gente está em casa e bota aquela roupa que não está na moda, mas é muito boa de ficar, ela não é bem mais confortável? Eu sigo a moda, mas eu uso só o que é mais confortável para mim. Ou seja, eu mesma faço a minha moda.


Outubro Rosa: prevenir é um ato de amor à vida
05/10/2019 às 07:55 | Simone Luiz Cândido
Dedico a todas as mulheres. Especialmente às voluntárias da Rede Feminina, que realizam um maravilhoso trabalho em prol de outras mulheres.

Outubro rosa

Toda mulher precisa cuidar-se.
Seja o mês outubro ou não.
Amar-se, eis aí a solução.

Vestidos de rosa para chamar atenção.
De todas as mulheres queridas
Estamos todos de plantão.

Para que ter medo dos exames
Se eles podem nos ajudar.
A prevenir o câncer de mama
Ou em outro lugar?

O desconforto é momentâneo,
E só irá nos ajudar, diagnóstico
Precoce nossas vidas salvar.

Para você querida amiga, que
Está a se tratar nosso apoio
Daremos todo amor te ofertar.

Voluntárias da rede feminina
Queremos agradecer são luzes e nos
Ajudam a viver. Deixam suas casas
Realizam com muito amor esse
Lindo trabalho de grande valor.

Nesse mês de outubro queremos
Intensificar o amor próprio cuidando
De nossas vidas fazendo o autoexame.

Enquanto tiver vida à luta
Travaremos. Seja com cabelos
Ou de lenço iremos nos amar.

Unidas iremos os lenços usar
Demonstrando nossa empatia
Por todas que estão a lutar.

Vamos todos nessa luta o
Outubro Rosa viver.
Precisamos Perder o medo
E os exames fazer.


Agenesia: uma a cada 1,5 mil crianças são afetadas
28/09/2019 às 09:16 | Simone Luiz Cândido
Há dois anos fiz uma pesquisa no Google sobre mãos com deficiência. Meu pai nasceu em 30 de junho de 1938 com agenesia de mão, para mim esse termo até então era algo que eu desconhecia. Descobri a existência da associação “DAR A MÃO”. Que foi criada pela Geane Poteriko mãe da pequena Dara que também nasceu com agenesia de mão na mão direita, meu pai era mão esquerda. Ambos com as mãos iguais.
Minha avó chorou muito quando ele nasceu, pois foi uma surpresa a deficiência naquele tempo não existiam exames de ultrassonografia.

Geane fez todos os exames durante a gestação da Dara inclusive o morfológico e nenhum deles mostraram a agenesia. No nascimento de Dara Geane se surpreendeu, cuidou da gestação, fez todo pré-natal, a mãe precisava de respostas para a deficiência da filha. Buscou em vários médicos até encontrar a resposta e um diagnóstico.

Para ter um diagnóstico, passei por vários médicos e consultas, até que uma pediatra, em Curitiba, quatro meses após o parto, fez uma análise do histórico da minha gestação e explicou o que poderia ter acontecido: a Síndrome da Brida Amniótica, uma rara patologia congênita ocasionada pelo aprisionamento de partes do feto por anéis fibrosos do saco amniótico no útero. Foi o que causou a agenesia em Dara.

Estima-se que esta síndrome afeta aproximadamente um a cada mil e quinhentos nascimentos e não possui características genéticas ou hereditárias. Trata-se de um ”trauma intrauterino”, ou seja, um “acidente” ocorrido durante a gestação cujas causas ainda são desconhecidas e estão sendo pesquisadas. Para melhor entender a síndrome, pode-se defini-la em palavras mais simples: a brida amniótica é uma fibra interna da bolsa da placenta que gruda no bebê, impedindo que o órgão que foi grudado se desenvolva.

Após este diagnóstico, eu soube finalmente que não tive culpa pelo ocorrido durante a gravidez e entendi como se deu a agenesia de mão em minha filha. Sem o sentimento de culpa, tudo começou a fluir naturalmente e as experiências da maternidade ganharam muito mais significado para mim. Com as explicações recebidas pela médica e após fazer inúmeras pesquisas, criei uma página na internet contando minha história, a experiência com a falta de um diagnóstico na gestação e incluí informações sobre agenesia, o que causa esta condição congênita, o que é a Síndrome da Brida Amniótica e algumas reflexões sobre o que vivenciei após o nascimento da minha filha.

A partir desta página, mães de todo o Brasil começaram a entrar em contato e enviar e-mails compartilhando também suas histórias, destacando o quanto se sentiam isoladas pela falta de informação, orientação e também por não conhecerem casos semelhantes aos seus. Assim surgiu a ideia de criar uma rede de apoio para estas famílias, por meio de uma Associação. Nasceu “então a “associação Dar a mão” fundado em 30/09/2015 em São João do Ivaí, norte do Paraná.”

“A denominação da Associação faz simultaneamente referência ao nome de Dara e ao verbo ”dar”, remetendo à ação de “dar a mão”, oferecer ajuda e solidariedade para crianças que nasceram com condições físicas semelhantes.” Geane Poteriko. A associação Dar a mão propicia para muitas famílias a convivência e a troca de experiências. Dara aceita com naturalidade a Agenesia. Está com cinco anos e já entende que se trata de uma condição física, uma diferença que não a limita.

Para algumas atividades do dia a dia, Dara usa a prótese 3D que lhe auxilia e facilita a manipulação de objetos. Pesquisando Geane conheceu as próteses feitas pela e-Nable, logo após o nascimento de Dara, uma ONG Americana que produz os arquivos para adaptação ao usuário e produção das próteses 3D.A partir daí, começou a buscar potenciais parceiros para desenvolver o projeto no Brasil. Conheceu por intermédio do Lions Club Curitiba Batel a doutora em Engenharia e pesquisadora em tecnologia assistida, Dra. Lucia Miyake da PUC PR.

Iniciando em 2015 a parceria que segue até hoje no Projeto de Impressão 3D da Associação Dar a Mão. Esse ano a associação “Dar a mão” teve uma grande conquista no dia 11 de setembro de 2019 foi publicada apela Assembleia Legislativa do Paraná a Lei n. 19.927/2019 que institui o Dia da Conscientização da Agenesia de membros, a ser realizado anualmente em 30 de setembro. A data é em homenagem à Associação Dar a Mão - dia da fundação da instituição pioneira na luta pela Causa da Agenesia de membros em nosso país.

Tal lei tem grande relevância à causa da agenesia de membros, trazendo reconhecimento da importância da causa, principalmente na busca da consolidação de políticas públicas para atendimento das crianças e pessoas com Agenesia de membros no Brasil. O próximo passo é levar esta Lei a nível nacional, para aprovação como Lei Federal.

“ A Associação Dar a Mão atua diretamente no campo da tecnologia assistiva e tecnologia social, incluindo o trabalho com a consciencialização sobre as diferenças de membros, de prevenção e combate ao bullying e pelo respeito às deficiências físicas, além da disseminação de informações sobre a Síndrome da Brida Amniótica e outras doenças ou síndromes raras que causam a Agenesia de Membros.”
O mundo precisa de mães iguais a Geane Poteriko, que lutam pela inclusão de seus filhos, unindo forças com outras mães para que seus filhos cresçam sabendo que podem viver plenamente e realizados com suas particularidades.

Contatos Associação Dar a mão: associacaodaramao@gmail.com e www.facebook.com/associacaodaramao


Olhando pela janela, uma poesia para gerar gentilezas
21/09/2019 às 08:43 | Simone Luiz Cândido
Essa semana recebi um vídeo via Whatsapp e também o assisti em outras redes sociais. No vídeo um senhor já idoso com um bilhete de passagem gratuito que não lhe dá direito ao assento. Uma jovem chega até ele e lhe oferece seu lugar sendo que a viagem teria 5h pela frente. Ela diz a ele que seu bilhete também não lhe dá o direito de utilizar o assento, o senhor aceita seu lugar. E quase no fim da viagem chega o cobrador e diz à moça que no outro vagão ainda tem lugares vagos, e para a surpresa daqueles que estavam no metrô ela usava muletas para poder locomover-se. Ano passado escrevi uma poesia sobre o tema mais uma reflexão sobre nossas viagens, essas que para muitos são diárias.

Olhando pela janela

Olho pela janela vejo a bela paisagem.
Ao meu lado um desconhecido vem chegando para viagem.
Todo o dia nessa rotina pessoas vem e vão.
Alguns rostos já conhecidos passam na estação.

Somos passageiros da viagem da vida e sempre podemos aprender.
Gerar gentilezas para aqueles que vierem as merecer.

A gestante, a mãe com o filho no colo ou o idoso que chegar. Ser gentil nada mais é que a si mesmo ajudar.

Nos caminhos dessa vida, nós iremos receber de volta todo bem que pudermos aos outros fazer.

Ao chegar ao fim da linha um sorriso podemos ter, gratidão ao motorista que ao nosso destino nos levou.

Todo o dia transporta vidas com muita dedicação seja com sol ou chuva lá está ele de prontidão.

Obrigada meu bom Deus, por mais uma viagem, a única certeza dessa vida é que aqui estamos somente de passagem.


Crônica: é preciso semear para ter um lindo jardim de flores
14/09/2019 às 10:29 | Simone Luiz Cândido
Ao iniciarmos um novo dia abrimos nossos olhos a janela da alma. Podemos ouvir o canto dos passarinhos observar a paisagem mostrando o novo dia que chega. As árvores que florescem deixando cheiro de perfume delicado renovando a vida florescem para que novas sementes cresçam seguindo o ciclo da vida. Roseiras abrem suas flores em botão embelezando os jardins que alguém plantou.

Ao lado de minha casa mora um senhor chamado Adolfo conhecido por Dodô gosta muito de plantar, seu quintal é de um capricho quase indescritível. Há alguns anos plantou uma pequena muda de jabuticaba segundo ele ganhou a semente de um amigo e semeou. Olhava todos os dias com muito carinho a tal jabuticabeira sempre questionava se ia dar tempo de colher jabuticaba antes dele partir daqui da terra. Na véspera de seu aniversário de 87 anos descobrimos as primeiras flores brotando nos galhos de jabuticaba.

A alegria tomou conta dele ao ver sua árvore frutífera plantada com tanto amor florescendo. Parece algo com pouco significado, mas para ele é a jabuticaba de estimação, semeou regou, esperou nascer e a viu crescer. Muitos reclamam do calor, mas não temos paciência para plantar uma árvore e vê-la crescer e nos dar uma bela sombra. Para alguns um ipê significa beleza aos olhos de quem o vê. Para outros uma árvore que só faz sujeira. Dependendo da maneira em que analisamos a situação ela pode ser boa ou ruim.

Quando olhamos para um belo jardim com flores podemos apreciá-lo e imaginarmos quanto tempo alguém cuidou regou com paciência até que estivesse assim. Ter paciência é um exercício diário que em sempre é fácil. No jardim de nossa existência precisamos regar e cuidar com muito carinho aqueles que por nossa vida passam, alguns florescerão, outros continuarão do mesmo jeito sem frutificar, mas nós podemos continuar tentando semear, até que venham os frutos

Quem planta jabuticaba nem sempre colhe jabuticabas, muitas demoram anos para darem frutos, se todos pensassem que não iriam colher jabuticaba ninguém conheceria seus frutos. Isso nos faz lembrar que as sementes lançadas agora podem ser frutos colhidos daqui muito tempo. Semear vale a pena mesmo quando não estivermos mais aqui nossas sementes poderão frutificar.


Simone Luiz Cândido é voluntária na causa adoção de crianças e adolescentes; já participou de três antologias com suas crônicas, além disso, ama escrever reflexões sobre a vida cotidiana, eternidade, amor e convivência.