Canal Içara

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22 de fevereiro de 2019 - 01:11
Nove lições que podemos tirar para nossas tão frágeis vidas
15/02/2019 às 16:41 | Simone Luiz Cândido
Quais as lições podemos tirar desse início de 2019 em meio a nossa tão frágil vida? Os planos para 2019 como estão indo? Para muitos chegou muito rápido e inesperado seu only day (único dia).

Foram tantos acontecimentos que nos fizeram termos uma comoção nacional. Nem sempre os nossos planos ou de outras pessoas acontecem como planejado. Para muitas famílias de Brumadinho a lama levou além de seus bens materiais. Levou pessoas amadas, histórias de vida, algumas foram contadas pela imprensa, outras jamais saberemos quais são. Quantos sonhos ficaram soterrados pela lama, quantas lágrimas caíram? Lágrimas que foram derramadas por um país inteiro.

Outro lado desse triste acontecimento foi a solidariedade. Uma delas que me chamou atenção foi a lavanderia montada num acampamento para os bombeiros e voluntários. Pessoas anônimas lavavam e embalavam as roupas e junto do pacote deixaram um bilhete carinhoso agradecendo pelo trabalho feito com tanto amor.

Voluntários se multiplicaram no intuito de aliviar as dores físicas e as da alma. Pais a procura incessante de seus filhos. Famílias inteiras desaparecidas, angústias e aflições vistas e sentidas por todos nós. Mesmo de tão longe é impossível não sentirmos a dor dessas pessoas.

Aos poucos, com muita solidariedade e forças vindas do alto, os sobreviventes de Brumadinho recomeçam suas vidas. Alguns agradecem por terem sido resgatados em meio a tanta lama, outros choram suas dores. As feridas são imensas.

Orações, emanações de boas energias, preces, seja quais forem os nomes usados, são bem-vindas. Seguem suas vidas com o desejo de que isso tudo passe que possam viver novamente em harmonia. Sonhar não custa nada.

Passados alguns dias, veio a enchente no Rio de Janeiro. Mais uma vez nossos corações se afligiram ao vermos mais vidas sendo perdidas, dessa vez para água. Paramos para pensar nas famílias e se fosse conosco? Empatia pelo outro sempre fará bem. Tentar colocar-se no lugar do outro e, quando não podemos fazer nada de material, elevemos nossas preces.

Alguns dias depois amanhecemos com mais outra notícia triste: um incêndio que atingiu o Ninho do Urubu, o centro de treinamento do Flamengo. Dez jovens atletas de 14 a 17 anos perderam suas vidas e seus sonhos de um futuro promissor. Apenas três dos jovens conseguiram sair do alojamento com vida, um deles com 40% do corpo com queimaduras.

Mais uma vez as lágrimas rolaram. Deu um aperto no peito. Tenho cinco sobrinhos com idade semelhante a esses meninos que sonhavam, acreditavam em um futuro cheio de vitórias e troféus. Assisti os noticiários com profunda dor em meu coração. Só de imaginar se fosse com alguém da minha família dói profundamente.

Com essas notícias todas vamos nos comovendo, as perdas nos fazem pensar em nossas vidas no only day (único dia). Será que estamos fazendo nosso melhor onde estamos? Temos dias bons, outros nem tanto, mas se faz necessário olharmos ao nosso lado ou mesmo tão longe de nós, tantas perdas, tantas dores e muitas vezes nos apegamos em dores tão pequenas.

Enquanto outros perderam uma família inteira, um casal perdeu seu único filho que sonhava ser jogador de futebol. E nós com tantas coisas maravilhosas em nossas vidas nem sempre agradecemos pelo que temos.

Entre tantos acontecimentos tristes, o acidente de helicóptero na segunda-feira com a morte do jornalista Ricardo Boechat e do piloto Ronaldo Quattrucci. Ainda nessa mesma manhã do dia 11, Ricardo Boechat comentava sobre os acontecimentos de 2019. Apenas algumas horas depois a fragilidade da vida o alcançara.

O ano de 2019 têm sido com todos esses fatos e acontecimentos um ano de reflexões sobre o quanto somos frágeis. Hoje estamos aqui, temos tantas tarefas, as quais correremos para realizá-las e o nosso tempo por vezes é tão limitado.

Lições que podemos tirar para nossas tão frágeis vidas

- Só temos o hoje, o amanhã se Deus quiser virá para nós ou não virá.
- Precisamos nos harmonizar com aqueles que vivem ao nosso redor ou que a vida nos trouxe.
- Sermos mais tolerantes com os erros dos outros, aprendermos com os nossos erros.
- A receita para minha vida não é a mesma do outro, cada um tem seu livre arbítrio para viver e se tornar uma pessoa melhor a cada dia.
- Nem sempre seremos amados da forma que merecemos, mesmo assim podemos amar.
- Encontros e desencontros sempre terão em nossas vidas, podemos e devemos aproveitar cada instante com os que ficam ao nosso lado. Aos que partem desejamos o bem, assim o bem retorna até nós,esses fazem parte do nosso aprendizado.
- Não podemos nos culpar pelo amor que não recebemos de quem não deseja estar conosco. Quando convidamos alguém para uma festa e a pessoa não comparece na festa a culpa não é nossa, é de quem não quis vir a nossa festa.
- Vivamos como se hoje fosse nosso only day(único dia) assim teremos feito todo possível para vivermos cada dia melhor.
- Faça sua existência a mais bela história que os outros poderão ler. Ouse viver espalhando amor por onde passar. Assim poderás dizer ao fim da jornada cumpri o que vim fazer.

Dedico este texto a todas as famílias que sofrem as dores das perdas nesse início de ano. Rogo ao bom Deus que recomeços aconteçam e que suas dores sejam amenizadas.


Contra a saudade, sinta o amor
08/02/2019 às 08:27 | Simone Luiz Cândido
Sabe aqueles dias que em que a saudade bate forte, o coração vai ficando apertado. Parece que esses dias não irão passar. Essa saudade tem cheiros de perfumes, de comidas prediletas, cheiro de café coado na hora, tem as músicas favoritas que podemos ouvir, sorrimos ou chorarmos. Tudo vai depender de como estivermos nesse dia.

O fato é que nem sempre conseguimos aprender a viver com a saudade. Ela nos machuca muitas vezes. São tantos dias que acordo com saudades de ser chamada de filha de ouvir a voz do meu pai e da minha mãe. Com o passar do tempo à voz vai ficando mais distante, fica aquela impressão de ter ouvido, mas preciso me esforçar um pouco para conseguir ouvir com nitidez, afinal são 23 anos e nesse tempo não tínhamos tantas tecnologias ao nosso alcance.

Olhamos algumas fotos já amareladas pelo tempo, lembramo-nos de histórias contadas e recontadas por eles. A saudade é tamanha que nela cabem muitas pessoas, um amigo querido de apenas seis anos, companheiro das brincadeiras, cabelos quase ruivos, sardinhas no seu rosto. Joel seu nome. Lembro-me até hoje de seu jeito carinhoso de me tratar, das brincadeiras. A meningite o levou. Lembro-me do carinho que fiz em seus cabelos durante o velório. Era mais uma criança que partia para a eternidade.

Nessa época era comum crianças falecerem. Dessa vez foi um amigo tão próximo de mim. Passei o dia inteiro pulando o muro nos fundos de casa indo e voltando para casa dele. Era nossa despedida. Jamais poderia esquecer o meu amigo de infância. Tantos partiram. Alguns de maneira inesperada. Primos que nos deixaram por acidente. Tantas lembranças e de um futuro que não chegou a existir.

Quantas tias, primas, amigos que o câncer levou. Lutaram bravamente. Em alguns a fé se intensificava a cada dia. Era raro reclamarem mesmo em meio às dores que sofriam. Alguns acompanhei bem de perto. Visitava, fazia companhia. Outros de longe, rezando, intercedendo, pedindo ao bom Deus que ficassem bem, que não sofressem. Dias de dores e de aprendizado. Minha tia Eloisa, exemplo de fé de coragem, mulher guerreira, mesmo em meio as suas dores me deu muita força num dos momentos de muita dor.

Em novembro de 2015 acalentou meu coração, numa das horas mais tristes, quando nosso pequeno anjo (Léo Victor) partiu para junto do bom Deus. Foram apenas três meses de gestação junto de nós. Foi amado e gestado com muito amor. Cumpriu seu papel junto de nós. Nesse dia pude perceber que em muitos momentos guardamos nossa dor e vamos acalentar os outros. Assim aconteceu comigo.

Voltei daquele hospital um pouco curada pelo abraço que recebi. Eloisa me disse: "Mone, está tudo bem, vai passar, vai ficar tudo bem, vai ser feito o melhor para todos nós". Entendi, mais uma vez o que significa amor ao próximo. Recebi amor. Essa saudade se torna uma saudade boa, de me sentir amada e acolhida num dos dias mais tristes da minha vida. Era minha segunda perda. Em 2009 havia perdido outro bebê com três meses de gestação, mas na época o exame deu negativo, vim, a saber, somente no dia que perdi.

Muitas vezes não entendemos o motivo de acontecerem mudanças em nossas vidas. Foi o meu caso. Mudei de cidade depois de passar a vida inteira em Içara. Meu amado tio Toni, irmão do meu pai, morava aqui na região no Arroio do Silva. Nossa vinda para cá nos proporcionou muitas visitas, cafés junto com ele, foi um tempo maravilhoso. Pude dar tantos abraços, ter conversas maravilhosas. Há quatro meses o tio mudou de plano, foi repentino e inesperado. Agradeço a Deus, pois nos trouxe para mais perto, pude estar muitas vezes com ele.

Saudades de estar junto dele, mas com toda certeza estivemos todo o tempo possíveis juntos. Agradecer só nos faz bem. Nem sempre entendemos as mudanças, mas lá na frente nos vem o entendimento, saberemos que foi o melhor para nós. Palavras não descrevem o significado dessas saudades, mas tenho certeza de que todos que por mim passaram deixaram um pouco de si levaram um pouco de mim. Muitos dias são dolorosos, mas amor que recebi, os aprendizados me fazem ver o quanto fui feliz em ter estado com pessoas tão especiais escolhidas por Deus para marcarem minha existência.

Nos dias em que a saudade estiver forte, ouça as músicas favoritas, cozinhe as comidas favoritas, tire fotos, faça algo que sempre fizerem juntos. Sinta todo amor, pois esse levará para eternidade. Se a saudade for de alguém que está por aqui, não perca tempo, ligue, mande mensagem marque uma visita, diga eu te amo, sinto sua falta. Deixe suas marcas eternizarem naqueles que a vida lhe trouxe, são presentes especiais.


Only day: ainda dá tempo de começar a fazer a diferença
02/02/2019 às 09:00 | Simone Luiz Cândido
O que você faria se soubesse que lhe resta apenas um dia de vida? Nesse dia você teria que resolver todas as suas pendências. Será que iria ver seus pais? Irmãos, amigos, filhos?

O tempo é muito curto. Talvez você precisasse mandar alguns recados via redes sociais. Assim poderia deixar uma lembrança sua para mais pessoas. Talvez gravasse algum áudio para que se lembrassem da sua voz. Ou quem sabe um vídeo genérico, mandaria para todos colocando todo seu amor e carinho.

E aquela pessoa que te magoou e você não teve coragem de voltar a conversar. Talvez mandasse um recado, um pedido de reconciliação, demonstrasse a importância dessa pessoa em sua vida e no seu crescimento.

Nossa já é hora de almoçar. O tempo correu muito rápido. Não deu para fazer muita coisa. Você chega em casa e resolve almoçar com sua família, olha cada um deles nos olhos diz o quanto os ama. Sorri feliz em ter uma família tão especial, enquanto tantos sonham ter, e não a tem.

Ainda faltam algumas pessoas que você precisa dizer o quanto são importantes para você. E agora tens só mais 12 horas que nunca mais voltarão. Ainda dá tempo para dizer eu te amo, você é especial para mim, nas horas difíceis você me ajudou, lembrei tanto de você no dia de hoje, entre tantas coisas que poderia dizer.

Talvez você tentasse entrar em contato com o máximo possível de pessoas para que te sintas importante e saibas que serás eternizado em seus corações. Diria vivi com vocês a experiência mais maravilhosa que alguém pode ter, aprendi com cada um de vocês um pouco daquilo que hoje sou. Gratidão por todo aprendizado.

Falta pouco para terminar o only day (único dia) que lhe resta. Já são 20 horas e agora o que fazer? Jantar com alguém especial? Seus pais, irmãos? Alguém que faz muito tempo que não vê? Sentir o amor dos que o rodeiam? Aproveitar cada segundo desse dia?

São 21 horas e você está num restaurante jantando com pessoas especiais. Sorri novamente, agradece por estar com eles, pede sua comida preferida. Uma noite perfeita regada de maravilhosas conversas, sorrisos e boas companhias.

No final desse dia você descobre o quanto perdeu de tempo deixando de dizer que ama as pessoas, que sente falta de um amigo que nunca mais conversou. Que deixou de visitar seus pais por que já estão idosos e sempre falam as mesmas coisas e você já estava cansado de ouvir lamentações.

Ah! Quanta saudade se tem de nossos pais que já partiram para o plano espiritual. Sabemos o quanto gostaríamos de ouvir suas histórias novamente. Daríamos tudo para sentir seu abraço caloroso e ouvir sua voz.

O tempo correndo e você para diz para Deus: "Será que consegui cumprir minha missão? Será que fiz tudo o que pude para ser melhor”? Então você percebe que passou a vida inteira dizendo não ter tempo, mas na verdade você não tirava tempo para as pessoas.

Você não priorizava, escolhia apenas poucas pessoas que conviviam contigo e nos planos de Deus estavam tantas pessoas maravilhosas as quais você deixou de lado, alegando falta de tempo.

Quanta riqueza de amizades você perdeu, quanto afeto desperdiçado. Quanto tempo perdido com coisas bobas você perdeu. Analisando essa pergunta para Deus, você vê muitas coisas a serem mudadas em você mesmo, ser mais paciente, estender a mão ao outro que sofre tantas dores sejam elas físicas ou psíquicas e até espirituais.

Quantos sofrem as dores das partidas e o que fazemos? Escrevemos nas redes sociais apenas um sinto muito, meus pêsames? E o depois quando vem o vazio será que tiramos um tempo para dizer algo dar um apoio, dizer amigo mesmo aqui de longe, se precisar estarei aqui para te escutar.

E de repente você acorda um tanto quanto assustado. Era apenas um sonho esse seu único dia, você senta a beira da cama, respira fundo e diz para si mesmo: “A partir de hoje irei repensar minhas atitudes, minhas prioridades, meus verdadeiros valores”.

O only day pode ser qualquer dia desses em que vivemos. Não sabemos o dia da nossa partida. Então que tal mudar isso? Começando hoje? Fazer a diferença. Refletindo nesse que seria nosso único e último dia, podemos mudar muitas coisas, planejar outras vivências. Dizer o quanto amamos as pessoas próximas de nós e também aquelas que não são próximas, mas estão presentes em nossas vidas.


Crônica: Não existe receita certa para viver o verão
25/01/2019 às 08:00 | Simone Luiz Cândido
Abrindo as redes sociais vejo tantas belas fotos na praia ou até mesmo na piscina. Muitas pernas a beira-mar ou a beira da piscina. Fotos mostrando o lado maravilhoso do verão. Legendas lindas de descanso de paraíso nas férias e no verão. Sim maravilhoso para aqueles que podem estar assim simplesmente vivendo, essa fase toda que mais parece uma novela.

A vida real para muitos é um pouco diferente. Os agricultores começam o dia cedo e por sorte hoje tem esclarecimentos sobre os cuidados que devem tomar com a pele usando protetor solar. Dias difíceis calor e colheitas por fazer, temporada de colher fumo e todas as atividades relacionadas a essa época.

Meus queridos primos da família Lacerda nesse trabalho há muitos anos herdaram dos pais a profissão. É preciso ter muita coragem para continuar trabalhando na agricultura, plantando os alimentos que chegam a nossa mesa. Os pescadores também trabalham de sol a sol muitas vezes cansados de um dia que começou ainda na madrugada, mãos calejadas de puxarem as redes nos trazendo deliciosos frutos do mar.

Quantos trabalhadores de construção civil que constroem nossos sonhos, casas ou prédios ou até mesmo reformas, tornando realidade aquilo que um dia era somente um desejo, um pensamento nosso.

Meus dias de verão começam com um belo banho. Fico sem suar por no máximo uma hora, depois lá vem tal suor, lá vou eu para mais um dia de tarefas a cumprir. Amarro meus cabelos e logo começa a escorrer suor. Então paro, medito e penso nos adultos e crianças que queriam ter cabelos assim como os meus, mesmo suados, mas os tenho. Agradeço a Deus por estar bem e poder realizar tantas coisas nos meus dias.

Lembro-me das pessoas acamadas, muitas delas com escaras pelo corpo, pois estão por muito tempo num leito em casa, num asilo ou hospital. Quanto sofrimento além das dores físicas as dores da alma. Se eu deixo de fazer as coisas que são necessárias no verão? Claro que não, alguns banhos roupas limpas e lá vou eu cozinhar, limpar, costurar, fazer algo para família para o café da tarde.

Penso que cozinhar é um ato de amor, principalmente sendo algo que vá deixar alguém feliz. Por aqui temos intolerância à lactose e ao glúten, tarefa um pouco difícil, mas aos poucos vou aprendendo a cozinhar e inventar novas receitas. Se todas dão certo? Claro que não. As receitas bem sucedidas às repasso, pois sei o quanto é difícil ter pessoas com restrição alimentar.

Ar condicionado? Que nada muitas vezes nem ventilador dá para usar. Na rua é impossível e muitas das minhas tarefas são na rua. Cadê as maravilhas do verão? Vejo poucas, para muitos é tempo de trabalhar e para esses mesmo com calor e dificuldades se faz importante essa estação.

Leio muitas reclamações sobre o calor e observo também que em muitas casas não existem árvores, pois fazem sujeira. As folhas caem e sujam o pátio. E isso não se restringe apenas às propriedades urbanas. Já vi propriedades rurais com vasta extensão de terras sem nenhuma árvore próxima da casa. Sendo assim não podemos exigir da natureza algo que nós não colaboramos.

Verão é tempo de arejar a mente e caminhar no mar. Isso faz muito bem, estar entre amigos, unir famílias. Precisamos ter cuidados com o sol. Nos dias atuais felizmente se tem conhecimento que a exposição solar pode causar queimaduras e até mesmo câncer de pele. Num passado não muito distante, os agricultores, pescadores e nós mesmos quando íamos nos expor ao sol não tomávamos os devidos cuidados com a pele.

Cada um vive seu verão conforme suas possibilidades. Que bom poder desfrutar de férias maravilhosas em lugares maravilhosos. Não podemos esquecer que mesmo em nossas férias, pessoas trabalham cuidando do lugar aonde vamos. Estamos sempre ligados aos outros, sejam eles nossos conhecidos ou não, sempre precisaremos de outros para fazer algo que não fazemos, plantar nossa comida, pescar nosso peixe, recolher nosso lixo, trabalho feito com maestria pelos coletores.

Se alguns dos que fazem parte dessa grande corrente parassem por alguns dias seu trabalho imaginemos como ficaria a situação. Ano passados tivemos a experiência da greve dos caminhoneiros. Ficou bem difícil para todos. O verão pode ser maravilhoso sim, mas não nos esqueçamos daqueles que fazem acontecer esse verão que muitos amam. Lá atrás, nos bastidores tem muitos trabalhadores fazendo valer a pena.

Que o nosso verão seja como as minhas receitas sem glúten e lactose, as que derem certo passamos em frente, as que não derem podemos deixar para trás. Tudo o que fazemos ou vivemos é experiência de vida, serve para nosso aprendizado. A vida vem sem receitas para vivermos, muitas coisas acertamos, outras nem tanto, mas na próxima receita podemos mudar os ingredientes e dará certo. Seguimos tentando.

Dedico aos meus queridos primos agricultores Gelson, Mari Jhulia, Gildo, Janete, Jaqueline, Jucinéia, Gilmar, Isabel, Jucelma e Rui.

Receita bem-sucedida
Bolo de banana sem glúten e sem lactose

Calda: 1 xícara de açúcar; 1/3 de xícara de vinagre. Levar ao fogo até dourar, colocar no fundo da forma, depois colocar as bananas cortadas.

Massa do bolo:
3 colheres de sementes de chia
3 colheres de linhaça dourada ou marrom.
1 xícara de açúcar mascavo(ou branco)
½ xícara de óleo
3 bananas maduras
½ xícara de farinha de arroz ou amido de milho
1 colher de fermento em pó
Canela a gosto
Bater no liquidificador até ficar homogêneo, colocar metade da massa. Depois colocar outra camada de banana cortada e o restante da massa por cima. Assar em forno quente.


O que podemos aprender com a jabuticaba?
18/01/2019 às 20:06 | Simone Luiz Cândido
Quem planta jabuticabas por muitas vezes pode esperar muitos anos até colher os frutos. Tive a oportunidade de plantar sementes de jabuticaba que trouxe de onde era a casa da minha avó. Colhi os frutos 13 anos depois do plantio. Hoje deve ter uns 27 anos. Essa é a chamada jabuticaba comum e dá frutos uma vez ao ano entre outubro e novembro.

Belíssima lembrança de minha infância na casa da Vó Ana em Içara. Essa casa era tamanho 4x6 metros no máximo. Pé de jabuticabas ao lado da casa, na frente um pé de brinco de princesa que eu gostava de enfeitar meus cabelos. As canecas de esmalte com flores, a forma esmaltada com flores. Bolacha em formato de joelho nos potes para quando chegavam os netos em casa.

Era tudo muito simples. As louças eram lavadas dentro de uma bacia num suporte de madeira colocado do lado de fora da janela chamado lavandim. E quando fazíamos arte nos chamava seus GRAMPUTAS. Eu nem sabia que esse termo realmente existia. Nossa avó Ana nasceu em 9 de novembro de 1909. Pesquisei essa palavra e encontrei o significado: GRAMPUTA são “crianças que aprontam muito, que tiram seus pais do sério”.

Tempo muito bom na casa da vó. Cheiro de infância de simplicidade. A jabuticabeira ainda existe. Onde era a casa hoje passa a Rua João Valvassori, próximo ao viaduto no Jardim Elizabete. Herdamos essa simplicidade, esse jeito de amar a família, esse tipo de afeto. Alguns de nós gostamos de cozinhar. Lembro sempre do primo Sérgio fazendo comida para os netos. Deixou um legado de amor. Das polentas com peixe frito, marca registrada da família Luiz. Saudades imensas da casa da vó, que mudou daqui para outro plano no ano de 1983.

Cada vez que eu vejo um pé de jabuticaba lembro-me de muitos da família Luiz, do pé que plantei (de semente jabuticabeira maior que ainda existe onde era a casa da vó). Hoje sou muito feliz por ter tido uma infância tão boa. Todos os sábados vínhamos visitar a vó. Recordações de um tempo onde tudo era simples, mas muito valorizado.

Olhando as jabuticabeiras aqui de casa continuo me impressionando. Uma delas tem mais de 20 anos, deu frutos com uns cinco anos. Resiste muito bem e dá frutos várias vezes por ano, pois é de enxertia. Seu caule tem várias cicatrizes, onde já frutificou muitas vezes. Na mesma planta tem flores e frutinhas miniaturas brotando. Quanto mais o tempo passa mais cicatrizes ficam, mas ela continua florindo e frutificando.

Penso nas pessoas, muitas vezes feridas, machucadas pelo tempo, por tudo que acontece na vida. Mesmo assim permanecem florindo e dando frutos. Quem planta jabuticabas muitas vezes não colhe. Foi o caso da minha mãe, que plantou essa muda aqui de casa. Ela sempre nos dizia e guardo para vida toda: “Se eu não colher, alguém depois de mim colherá". Precisamos plantar mesmo com cicatrizes, seguimos plantando deixando a doçura daquilo que um dia foi.

Florescer é preciso para produzir frutos mesmo com as cicatrizes. Tenho certeza, em meio às cicatrizes, podemos deixar perfume das flores e a doçura do fruto que um dia plantamos. Quem planta colhe ou deixa para os outros colherem. Na nova casa que estamos morando tive a satisfação de encontrar rosas maravilhosas plantadas por dona Cecília, que, aos seus 80 e poucos anos mudou para outro plano em outubro do ano passado.

No quarto das meninas vem o cheiro maravilhoso das rosas e da alfazema perfumada, ao redor da casa tem as maravilhosas ervas que fazia seus chás, algumas laranjeiras recém-plantadas, outras cheias de laranjas. Cada dia mais compreendo a lição das jabuticabas do plantar sem pensar se vou colher ou se deixarei para os próximos que virão.

Hoje colhi o primeiro figo dos três que nasceram no pé que a dona Cecília plantou. Na outra casa que moramos plantamos um Flamboyant e uma goiabeira. A vizinha me questionou: “Que dó deixar aqui.” Eu respondi: “Plantei sabendo que estamos de passagem. Se vingar e não cortarem alguém há de colher”. Essa é a diferença que podemos fazer no mundo em que vivemos plantamos para o outro. Se colhermos é lucro.


Simone Luiz Cândido é voluntária na causa adoção de crianças e adolescentes; já participou de três antologias com suas crônicas, além disso, ama escrever reflexões sobre a vida cotidiana, eternidade, amor e convivência.