Canal Içara

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21 de outubro de 2018 - 19:06
Crônica para quando eu crescer
19/10/2018 às 10:28 | Simone Luiz Cândido
Nascemos dependentes de outras pessoas: nossos pais, avós, tios ou alguém próximo, pois seres indefesos necessitam que alguém o alimente, dê banho e outros cuidados, que, sem eles, não sobreviveríamos. Assim, vamos crescendo e nos desenvolvendo!

Aprendemos lições de vida e afetos, que nos sãos passados de geração em geração. Vamos sendo moldados pelos nossos responsáveis e adquirimos o jeito de serem, os hábitos e nos tornamos pessoas com muitas semelhanças aos nossos.

Do nascimento até ficarmos independentes, demoram alguns anos. E haja paciência de quem nos cuidou! Crescemos e vamos passando por várias fases e, aos poucos, vamos dependendo menos para nossas tarefas diárias, mas nem sempre agradecemos por todo cuidado que tiveram.

Olhando para as mãos de nossos pais, já enrugadas pelo passar do tempo, podemos perceber o quanto foram importantes para nossas vidas. Quantas vezes essas mãos cuidaram de nós, quantos afagos, quantas comidinhas gostosas com tanto amor nos fizeram! Muitas histórias nos contaram até aprendermos a falar, depois a ler. Incansáveis com seus ensinamentos repetiam muitas vezes, até que aprendêssemos e alguns acabam esquecendo todos os sacrifícios que seus pais passaram para o seu desenvolvimento.

Os anos passam e os pais envelhecem, repetem as histórias que já ouvimos várias vezes, ou nem as ouvimos, deixamos de lado. Quantos vivem na solidão, sem uma visita ou um telefonema dos filhos! Alguns perdem a memória, esquecem com facilidade fatos cotidianos. Outros não conseguem lembrar-se de seus próprios filhos. E nós, podemos nos esquecer deles?

Amor de verdade jamais é esquecido! Mesmo que eles não recordem quem tu és, lembra-te que foste criança e eles te tornaram o adulto de hoje. Cresci e sigo o exemplo de meus pais, que ensinaram, por onde eu passar deve deixar marcas de onde vim do quanto recebi de amor. Assim, segue o ciclo da vida para minhas filhas, pois já cresci e meus pais moram em outra dimensão de lá quero que tenham orgulho da mulher que me tornei.

Que cada filho, que ainda tem a alegria de ter seus pais por perto, dê toda atenção necessária, muito amor, pois é gratuito. E se Deus permitir, ficaremos com nosso rosto e mãos enrugadas, prova que vivemos muitos anos. E quando não nos lembrarmos de muitas coisas, que nossos filhos nos façam lembrar de todo amor que lhes ensinamos, seguindo o ciclo da vida.

Dedico aos meus pais Luiz e Fátima, que muito contribuíram para eu me tornar quem sou aos meus sogros Fernando e Zenair, que muito auxiliaram seus filhos e netos nessa jornada terrena.


Lembranças da infância nos anos 80
12/10/2018 às 11:00 | Simone Cândido
Para muitos, o Dia das Crianças é sinônimo de presentes que não substituem o carinho, a presença de que uma criança necessita. Desde cedo, elas aprendem por meio dos comercias e/ou pelas redes sociais que nesse dia elas precisam ganhar presentes e, geralmente, ainda escolhem.

Sou a quarta filha de cinco irmãos. Eram tempos muito difíceis! A maioria das meninas da minha época tinha a boneca dorminhoca. Era o sonho das meninas! A tal boneca existia em várias cores, feitas de um tecido brilhante um tipo de veludo. Quando eu ia à casa das outras meninas, lá estava a dorminhoca em cima da cama!

Na TV, ainda em preto e branco, passava o comercial da Susie da Estrela, a prima da Barbie. Olhava com olhos brilhantes para o comercial, mas nunca tive nenhuma das duas bonecas. Existia um tal de bonecão, esse era bem popular. Vinha só com um calção e mais nada. Quem tinha um macacão de algum irmão menor, usava no boneco. O meu, chamava-se Rogério, pois esse seria o meu nome caso eu fosse menino.

Também existiam as pulseiras de metal. Minha vizinha aparecia lá em casa com o pulso cheio de pulseiras, balançando aos meus olhos e aos de minhas irmãs. Ficávamos olhando com vontade de colocar algumas também, mas quatro meninas, não era fácil para meus pais atenderem a esses caprichos.

São tantas lembranças! As festas de crianças com o tal Capilé, um suco feito com sabor framboesa, que misturado com água rendia vários litros, muito doce e o cheiro, nem se fala. Ainda sinto até hoje! E o tal do ki-suco, misturava em dois litros de água e bastante açúcar. Refrigerante era só no Natal e Ano Novo! Meu pai comprava um engradado de laranjinha e fazíamos a festa!

Na venda do Seu Zé Antônio e do seu Maneca (Manoel Goulart), comprávamos doce de abóbora, sorvete e bolacha com maria-mole, balas soft, pirulito zorro e suspiro rosa que na época, eu adorava. Outro dia, experimentei um suspiro daqueles para matar a saudade. Achei terrível, puro açúcar! Como podia gostar naquela época?

A pasta do positivo era muito comum nas escolas dos anos 80, mas lá em casa, ninguém teve e olha que isso era bem comum. As caixas de lápis de cor, minha mãe comprava de doze cores, e dividia metade de cada e azar de quem ficasse com a metade que tinha a cor branca. Nossos cadernos eram encapados com papel manilha e plástico do saco de arroz, que passávamos álcool para tirar as letras. E ficava aquele caderno bem encapado, com um plástico bem resistente. Sim, resistente. Essa é uma das palavras que nos define para as vivências dos anos 80.

Nossas posses eram poucas, mas não era preciso mandar fazer nossas tarefas escolares. Estudávamos com muito amor e quando um ficava doente, chorava para ir à escola. Desde cedo aprendemos a agradecer por tudo que tínhamos em nossa vida. Foram tempos maravilhosos! Penso nas crianças de hoje, nos valores que são passados para elas. Quero passar para as minhas filhas os valores sentimentais da minha infância, do amor e do afeto.

Nossos brinquedos eram simples, pouquíssimas roupas, mas com muito amor e carinho. Brinquedos podem fazer crianças felizes por alguns momentos, mas de nada irá adiantar se não tiverem o afeto de quem presenteou. Então, aproveite e tire esse dia ou outros dias para brincar com as crianças, ou simplesmente sair, rir conversar, comprar livros, estar com elas, pois elas precisam muito mais de presença do que presentes.


Alison Dal Molin de Lacerda em memórias
05/10/2018 às 11:00 | Simone Luiz Cândido
Nossa infância foi muito feliz! Aos domingos, íamos à casa do Tio Agenor. Meu pai Luiz jogava canastra com o tio e a tia Ana. Enquanto isso, brincávamos na rua de subir no pé de goiaba, apanhar laranja crava e quando eu e a Regiane chegávamos o tio logo dizia: “Quem de vocês comeu mexerica verde? Estou sentindo cheiro daqui!” Riamos e nos fazíamos de bobas.

A alegria era garantida no campinho da frente de casa. Num instante, chegavam muitas crianças e adolescentes. Certa vez, fizemos uma fogueira com matos de pés de vassoura, daquelas de varrer o pátio. Todos rindo em meio à fumaça, brincando, diziam: “Estamos no céu!” Falávamos deste céu que acreditamos ser a morada dos que partem antes de nós. Meus primos Eliana, Tânia, Adilton, Regiane, Alison e Idaiana e meus irmãos Rosa, Ana, Rosilene e João brincávamos muito. Era muito divertido! Tantas vezes estivemos na casa deles e eles na nossa. Era amor de irmãos.

Nossos pais partiram muito cedo para eternidade. Sentimos muita saudade. Tornamo-nos ainda mais ligados pelo afeto mesmo sem estarmos presente fisicamente. As redes sociais nos possibilitam comunicação sempre que possível. Há alguns dias, postei sobre a vida e suas surpresas, o quanto nossa vida é frágil. Comentei sobre um jovem que conheci no lançamento de uma antologia da qual era uma das autoras. O jovem Irê Vieira, que conheci dia 4 de agosto, sentou ao nosso lado, juntamente com sua mãe Maria Regina, pessoas muito simpáticas.

No dia 11 de agosto, segundo domingo, dia dos pais o jovem de 27 anos faleceu de acidente. O meu texto falava sobre o quanto devemos amar as pessoas e que precisamos aproveitar a vida. Meu primo Alison comentou: “Meus sentimentos prima e você falou tudo nesse texto...bjos.” Não sabíamos que a fragilidade da vida o alcançaria tão rápido. Apenas dois dias depois, Deus o chamou para a eternidade. Era noite de terça-feira quando recebi a triste notícia.

Fiquei incrédula, sem saber o que fazer. Fiz minha prece a Deus, agradeci pela oportunidade de ser prima de alguém tão especial. Alison era uma alma sútil, veio à terra para levar a alegria, o amor a todos. Demonstrava a saudade daqueles que partiram antes dele, escrevia com gesto de carinho, cada foto de meus pais lá ia ele escrever o quanto amava. Foi amor por onde passou: nas escolas, na rádio, faculdade, li relatos lindos sobre ele, chorei, agradeci mais uma vez. Alguém que soube demonstrar amor? Alison Dal Molin de Lacerda!

Amou a Ana Júlia com muito carinho e, com certeza, ficará gravado no coração dela para sempre. Com Ana Paula, cumplicidade, união, um amor lindo e verdadeiro, intenso, sempre demonstrado para todos os quanto os amava. Cada bolo feito com carinho simplesmente por amar, unido de corpo e de alma nas alegrias e tristezas, dificuldades e conquistas. Se vamos sentir sua falta? Sim, esse mês já ficou vazio, sem seus posts à moda antiga, relembrando pessoas e fatos importantes. Fico com todo esse amor que ele semeou e colheu. A pequena Ana Júlia fruto desse amor tão lindo.

Difícil continuar o caminho, mas a herança maior que alguém pode receber ele deixou, as lembranças do pai e esposo amoroso, cumplicidade ímpar. Podemos chorar a sua ausência, pois somos humanos e necessitamos disso, mas devemos vibrar no amor, pois isso fará muito bem. Aqueles que amamos jamais morrerão, a vida continua, apenas mudamos para outro plano. Lágrimas rolam, não de desespero e, sim, de saudade.

Nessa vida não importa quanto tempo temos e sim, que vivamos intensamente o amor, pois não sabemos o dia de nossa partida para a eternidade, então, hoje é o dia para sermos melhores, amarmos mais.

Até um dia, querido primo! Nos encontraremos na eternidade.


Esperança, a última estrela
28/09/2018 às 11:00 | Simone Luiz Cândido
Na vida trazemos experiências, bagagens que ao longo do tempo algumas as vezes pesam, e muito. Algumas parecem ter muitas pedras, outras, leves e perfumadas. As vezes a vida nos traz pessoas que amamos muito. E a bagagem que trazem consigo nos faz pensar serem belíssimas e suaves. Mas a convivência nos faz ver a quantidade de “pedras” que já carregaram pelo caminho.

Olhamos para nossas bagagens, as quais conseguimos ao longo da vida. Se abrir por vezes terão algumas lágrimas. Outras, alegrias e outras, conhecimento adquirido. Para chegar à etapa final da construção humana precisamos de todas as experiências contidas nestas bagagens, pois servirão para alicerçar nossa vida!

Nosso ser precisa ser transformado ao logo do caminho, “pedras” podem sim se tornarem leves como o algodão doce. Nossos amigos, familiares, pessoas que encontramos ao longo do caminho, por muitas vezes trocam conosco suas bagagens, equilibrando assim nossa existência na Terra.

Se apenas existissem pedras a construção não seria perfeita. É preciso de areia, cimento, água para dar liga a massa que erguerá a construção. Além dessa mistura é preciso de amor daquele que constrói seu castelo da vida. Precisamos olhar nossas bagagens e avaliarmos o quanto são importantes para nos tornarmos seres humanos melhores.

Sim o castelo pode ter pedras, mas, também pode ter a doçura do algodão doce trazida pelas nossas vivências. Podemos acreditar no valor vida quando nos unimos aos outros pelos elos do amor.

Em 1994 conheci o JC Zeferino de lá para cá se tornou escritor e cineasta e em suas obras busca valorizar a vida. Mantemos nossa amizade até hoje embora cada um tenha seguido por um caminho nas estradas da vida. Reencontramos-nos há algum tempo e tomei conhecimento de um belíssimo projeto que se chama, Esperança a última estrela. Um filme curta metragem que terá a tiragem de três mil exemplares.

Logo me coloquei a disposição e faço parte da equipe que busca conseguir os recursos necessários para tornar realidade em breve este importante filme e livro, que, com sua mensagem, vai diminuir sem dúvida o alarmante índice de suicídio que assola nossa região, estado e país!

O projeto conta com o apoio do Centro de Valorização da Vida. Mas para a concretização dele, se faz necessário o seu apoio financeiro. Pode ser com qualquer valor, mas contribua. Somente juntos vamos conseguir! Então se você sentiu em seu coração, doe! Para mais informações acesse www.jczeferino.com

Vale a pena permanecer vivo. O valor de sua vida é incalculável.


Tharsila Werlich em crônica: Mamas de amor
21/09/2018 às 08:45 | Simone Luiz Cândido
Tharsila significa ousada e corajosa. Eis um belo significado para essa pessoa linda que tive o prazer de conhecer através dos programas de rádio e redes sociais. Aquela mulher que fez da sua dor um ato verdadeiro de amor ao próximo.

Nós dos grupos de apoio à adoção de crianças e adolescentes chamamos de atitude adotiva. Pois quando decidimos fazer atitudes que beneficiam outras pessoas, sem pensarmos em nós pensando simplesmente no outro, formamos uma bela rede adotiva, elos de amor.

As dores que passamos se transformam em forças para ajudarmos outras pessoas a atravessarem as pontes da vida. Muitos dias são difíceis tentarmos atravessar as pontes que aparecem pelo nosso caminho. Ás vezes chegou perto, mas acontecem imprevistos e precisamos desviar o caminho, voltar para estrada antiga. Mudar alguns planos que um dia fizemos.

Sim essa linda pessoa mudou o rumo, a rotina, foram muitos tratamentos, muitas pessoas com palavras de apoio e de amor. Alguns amigos inseparáveis recados belíssimos que li, recordo os da Jane Tibincoski, os quais sempre vinham com sorrisos de saudades da companheira de trabalho.

O amor foi enviado de muitas formas e recebido. Creio que você querida Tharcila deve ter tido dias com lágrimas nos seus olhos, deves ter secado muitas lágrimas, para não mostrar fraqueza aos que estavam mais frágeis que você. Encontrastes forças em sua fé, seguintes lutando, e sim conseguistes atravessar pontes novas e iluminadas. Luz da ponte da vida que atravessastes com maestria.

Tudo que passastes, tivestes a bela iniciativa de fazer mamas de alpiste. Assim como você sentiu falta de ter a mama, quisestes ajudar outras mulheres a voltarem ter sua autoestima nesse momento difícil. Sabias exatamente como elas se sentem começou a corrente das mamas de amor. Doação de meias e alpiste.

Ah! Se eu me emocionei? -Sim e muito. Chorei de alegria ao ver essa atitude linda de amor ao próximo. Querida Tharcila o mundo precisa de pessoas como você tão especiais que deixam marcas profundas na rocha de suas vidas. Que possas continuar esse projeto, e que venham outros voluntários dessa linda causa de amor. Mamas de amor sim um belíssimo nome.

Dedico a amada Tharcila Werlich.


Simone Luiz Cândido é voluntária na causa adoção de crianças e adolescentes; já participou de três antologias com suas crônicas, além disso, ama escrever reflexões sobre a vida cotidiana, eternidade, amor e convivência.