Canal Içara

Canal Içara

21 de abril de 2019 - 01:26
Crônica de Páscoa: o exemplo do Mestre Jesus
19/04/2019 às 14:43 | Simone Luiz Cândido
Na sexta-feira da paixão de Cristo, o mestre nos ensina que seu sofrimento não foi em vão. Ele veio ao mundo ensinar sobre o amor e o perdão. Sempre que alguém era acusado de algum pecado, ele olhava com misericórdia e dizia: vai e não voltes a pecar. Jamais falou sobre os pecados alheios com julgamentos.

Muitos pecadores andavam junto de Jesus. Sentiam todo amor e compaixão que o mestre tinha para com eles. Nessa sexta-feira, em que recordamos a paixão e morte de Jesus, podemos fazer algumas reflexões. Com que olhar estamos olhando as pessoas próximas de nós?

Temos o mesmo olhar misericordioso ou continuamos como o povo do tempo de Jesus que julgava os pecados alheios e não olhava os próprios? Costumo dizer que muitos ligam o "INFERNÔMETRO" julgando outras pessoas e suas atitudes. Será que o Mestre Jesus faria isso? Ou amaria a cada um mesmo com seus erros e atitudes as quais julgamos serem erradas?

Existem muitos caminhos a ser seguido, Jesus mostrou o amor ao próximo, o perdão a misericórdia, não importa qual religião seguimos e sim que possamos ser caridosos com os nossos semelhantes. Não é necessário que alguém siga a religião a qual praticamos, se alguém faz o bem e tem amor ao próximo se faz um pouco daquilo que o Mestre Jesus ensinou já é um bom caminho.

Para chegarmos a nossas casas, por exemplo, tem vários caminhos não podemos entrar em conflitos por que alguém nos diz que o caminho que trilha é o melhor caminho. Todos os caminhos chagam até nossas casas. Assim também são as religiões todas ajudam a nos elevarmos, a aprendermos sobre o amor o perdão a sermos melhores. Se nos ajuda a crescer estamos no caminho certo seja ele onde for.

A minha verdade não pode fazer com que outras pessoas se sintam menores pela sua opção de vida. Se o Mestre Jesus acolheu a todos com amor e misericórdia porque nós não podemos fazer o mesmo? O olhar terno do Cristo me faz pensar com amor ao próximo, sem julgar suas vidas sem ligar o "INFERNÔMETRO".

No domingo da Páscoa em que se comemora a transição da morte para a vida eterna, podemos reforçar nosso desejo de mudança, daqueles que estavam como mortos em seus julgamentos para uma nova vida, em que amamos incondicionalmente, sem julgarmos a vida alheia. Tentarmos ter um coração de criança que não tem maldade e assim seguirmos os exemplos do Mestre Jesus.

Que cada um de nós possa transformar-se mudando a si mesmo amando o próximo como a si mesmo eis o segundo maior mandamento, nos disse o Mestre Jesus.


Hoje é um lindo dia para resgatar o amor-próprio
12/04/2019 às 09:41 | Simone Luiz Cândido
Era apenas uma menina e aos quinze anos começara a ter gosto por maquiagens, arrumar os cabelos, aprender sobre depilação. Algumas coisas muito interessantes a faziam sentirem-se mais bonita.

Olhava-se no espelho penteia seus cabelos, coloca cremes para finalizar o penteado, havia comprado alguns batons cores claras, pois sua mãe não gostava que ela usasse cores extravagantes.

Seus cabelos ainda com corte um pouco curto, sua mãe nunca a deixara com cabelos longos, olhou em uma novela uma atriz que lhe chamou atenção, pensou consigo se deixar meus cabelos crescerem ficarei com os cabelos iguais aos dela.

Algum tempo depois seus cabelos haviam crescido, sim ficaram muito parecidos com os da atriz da tal novela.

Mudanças em seu corpo de menina a faziam ficar um pouco tímida, alguns olhares de garotos para ela, pois estava se tornando uma mulher.

Alguns desafios a atormentavam, a tal depilação, certa feita foi usar lâmina para se depilar, cortou-se. Pensou nossa isso é difícil demais. Preferia ser menina brincar com as poucas bonecas. Tornar-se mulher não era tarefa fácil.

Aos poucos ela foi descobrindo sobre depilação, tipos de cera, quente, fria, rolon, papéis de entretela, talco para que a cera pudesse colar nos dias quentes. Assim ela foi montando seu arsenal depilatório. A princípio ela chorava cada vez que tinha que fazer a tal depilação. Depois tirou de letra e o tal sacrifício da depilação havia se tornado algo bom, pois assim ela sentia-se bonita.

Aprendeu a fazer suas unhas e nos fins de semana era sagrado todo sábado lá pelas quatro da tarde pegava seu kit de unhas. Unhas feitas depilação em dia. Estava pronta para sair de casa se sentindo bem consigo mesma. Não tinha roupas de marca nem estilosas. Cuidava-se e lá ia ela sexta e domingos nas baladas e assim se divertia.

Alguns anos depois encontrou alguém especial casou-se aumentaram as tarefas árduas de casa, ela já não tinha o mesmo tempo disponível de antes, esquecera um pouco de si.

A menina de quinze anos já tinha seus vinte e poucos anos crescera, mas em algum tempo perdeu-se, tornou-se outra. Cansada das novas tarefas além de trabalhar fora chegar a casa fim do dia.

Roupas, alimento para cozinhar, nossa e agora? As unhas dos sábados foram substituídas por outras tarefas que ela não conseguia terminar até às quatro da tarde. Entre descansar e fazer as unhas ela trocou por descansar.

Foi percebendo que se havia perdido da menina de quinze anos animada cheia de amor-próprio, embora ela nunca descuidasse de si mesma ou se tratasse com desleixo.

Alguns anos após o casamento vieram os filhos e o cansaço, além das dores que ela já tinha causadas pelas tendinites do trabalho em confecções. Ela precisava escolher se cuidava mais das crianças ou dela mesma. Por amor ela foi se tornando simplesmente mãe e esposa deixou de si mesma, cuidava-se a prestação.

Coloria os cabelos, pois isso é o mínimo que ela poderia fazer para manter-se bem consigo mesma. Comprava alguns cremes corporais, cuidava dos cabelos, fazia depilação e a essa altura havia se tornado expert nunca mais chorou agora isso é um motivo para que se sinta bem.

Quantas de nós mulheres vamos deixando o amor-próprio de lado? Pelo cansaço das tarefas diárias, por alguma doença que nos atinge, Muitas mulheres estão em tratamento contra o câncer, além dos tratamentos dolorosos, que lhes maltratam, perdem os cabelos, a vontade de viver.

Não sou do tipo de mulher que acredita que todos os dias deveram estar lindas maquiadas, o tempo todo sorrindo com roupas novas e chiquérrimas.

Mas precisamos sim olhar para nós mesmas, com o mesmo olhar da descoberta dessa menina de quinze anos que foi se perdendo com o tempo.

Os nossos companheiros de jornada também podem e devem nos ajudar nas tarefas diárias. Elogiar ajudar essa mulher a continuar amando-se, cuidando-se, quando uma mulher está ao lado de alguém que a elogia, seja apenas um amigo, ou marido, namorado. Essa mulher consegue sim tornar-se uma mulher bela com autoestima alta amando-se do jeito que ela é.

Esse cuidar-se se torna algo prazeroso quando nos sentimos amadas e acolhidas, não necessariamente precisamos ter alguém ao nosso lado, nós podemos ajudar umas as outras a nos valorizarmos. Elogiarmos outras mulheres só nos fará bem.

Se ainda pudermos incentivar a cuidar-se então teremos um mundo próximo de nós com mulheres felizes sentindo-se plenas.

Se eu não posso usar, por exemplo, maquiagens e cosméticos de marcas famosas hoje têm muitas possibilidades, existem lojas que vendem bons produtos e que fazem o mesmo que produtos de marca.

O importante é que cada uma de nós independente de como somos tenhamos amor por nós, àquelas mulheres que estão em tratamento de alguma doença podem sim e devem ser incentivadas a amar-se, por que não usarmos maquiagem? Precisamos nos ajudar, assim formaremos uma corrente de amor entre nós.

E quanto a nós mães, esposas trabalhadoras, simplesmente mulheres com dores aflições angústias, muitos dias difíceis, que tal tirarmos um tempo para nós?

Ainda é tempo para mudarmos, podemos resgatar a menina cheia de amor-próprio cheia de sonhos. Somos mulheres que podem e devem sentir-se lindas. Todo dia é dia para mudanças e hoje é um lindo dia.


Medos que se transformam em coragem para viver cada dia melhor
05/04/2019 às 08:00 | Simone Luiz Cândido
Quando criança nosso quarto era muito pequeno. Dividíamos uma cama de casal eu e minha irmã mais nova. A cama era encostada na parede, pois não havia espaço suficiente para que estivesse de outra forma.

Ela sempre me dizia: “Dorme na beirada que eu durmo no canto, se vier o bicho Papão nos pegar, ele te pega primeiro e eu fico salva”. Quando sentíamos muito medo, íamos chamar a mãe. Ela já cansada das atividades diárias dizia: “Coça a cabeça que o medo passa”. Passava? Que nada, continuava nos atormentando, segurávamos a mão uma da outra e enquanto não estivéssemos com bastante sono, não deixávamos a outra dormir. Assim enfrentávamos nossos medos.

De manhã cedo tomávamos o café com os pães feitos pela mãe. Bons tempos de infância em que nossa preocupação era estudar, tirar boas notas, aprender a ler e escrever. Ouvi muitas vezes minha mãe dizer “um dia tu vai saber o que é ser mãe”. Eu ouvia, entendia muito pouco sobre isso. Ela, mãe de cinco filhos, sabia o que era ser mãe.

Cresci, me tornei uma mulher adulta e mãe. Pude compreender o que isso significa. Ter coração fora do corpo, não saber o que fazer quando um filho fica doente, implorar para que Deus dê uma luz em qual médico se deve levar para alcançar a cura, invernos com crises de asma, noites a fio sentada cuidando e zelando outra vida que dependia de mim. Quantas noites lembraram-me da minha mãe que sem recursos cuidou de nós cinco.

E os meus medos de infância se tornaram outros. Agora o medo era de não conseguir cuidar de um ser indefeso, muitas vezes com febre, entre outras coisas que são comuns em crianças. Três anos e meio depois, eis que chegou nossa segunda filha, desafio ainda maior em dose dupla, o amor também crescera. Sinto tanta falta de uma avó materna por perto para me ajudar a descobrir o que fazer nos momentos de aflição.

Peço á Deus que minha mãe reze por nós para que eu consiga perder meus medos e com muita coragem enfrentar os desafios da maternidade. Muitas vezes olhamos bebês limpos, cheirosos, nem imaginamos o quanto é difícil ser mãe, olhar várias vezes durante a noite se a criança está respirando, se dormiu sem tossir.

Quanta coisa passou sendo mães e a cada dia aprendemos um pouco mais sobre nossos filhos. Descobrimos quando estão bem, quando vem chegando alguma gripe com as mudanças de humor. Tudo isso vai formando um conjunto de sintomas e vivências. Chega o tempo dos nossos filhos terem seus medos e lá vem à pequena de seis anos e pergunta: “Mamãe e se eu sentir medo á noite”? Eu respondo: “pode me chamar sempre que precisar a mamãe vai atender você”.

E muitas vezes ela vem no meio da noite, quando vimos está entre nós e bem espaçosa. E eu reclamo? Claro que não. Quem passou longos anos tentando ser mãe não reclama de presença. Acordamos com uma miniatura de pessoa junto de nós.

Com o tempo nós mães vamos mudando a maneira de tratarmos nossos filhos. Quando se sente medo é tão bom um abraço, uma palavra de conforto. Assim vamos mudando a história deles, com afeto e principalmente nosso apoio. Recebi muito amor dos meus pais, mas somos cinco e sendo cinco - e não dois como no meu caso - era muito mais difícil. Sem contar que não se tinha máquina de lavar, nem muitas facilidades que hoje temos em nossas casas.

Os medos que tínhamos quando crianças se transformaram em lembranças, nos ajudaram a alicerçar nosso presente e futuro. Hoje crescemos e podemos ajudar outros a perderem seus medos da vida de sermos nós mesmos. Medo de ficar na beirada e sermos atacados hoje se transforma em coragem para vivermos cada dia melhores.


Em crônica, a lição das goiabas
29/03/2019 às 16:39 | Simone Luiz Cândido
Era fim de ano. Estava um grupo de estudos reunido, conversavam sobre mudanças que pretendiam fazer em si. Um disse: “Eu preciso ter mais paciência, pois para mim ainda é muito difícil ser paciente”. Outro disse: “Eu preciso ter o dom de perdoar as pessoas”. Assim seguiram as reflexões de cada um até que uma das pessoas disse: “Meu problema é com comida”. Alguém do grupo lhe perguntou, mas como assim problema com comida? Ela respondeu:

Minha dificuldade é dividir comida. Vou relatar para vocês algo que aconteceu comigo, pois foi um dia muito importante para o meu crescimento. Era uma noite de estudos como essa, nos despedimos e seguimos a pé para casa. Eis que no caminho surge um pé de goiabas com muitas frutas maduras. Eu que gosto muito de goiabas, colhi algumas e coloquei dentro da minha bolsa.

Continuei o caminho. Apareceu um senhor e me disse: “Estou com fome, tens algum dinheiro ou algo para eu comer?”. Eu respondi: “Não tenho dinheiro comigo”. E realmente não tinha dinheiro nessa ocasião. Sai dali bem tranquila e fui para casa. Já era bem tarde. Estava com fome, abri minha bolsa, peguei as goiabas e na primeira mordida lembrei-me do senhor que me pediu algo para comer. Larguei as goiabas sobre a mesa e pedi perdão a Deus, pois poderia ter oferecido as goiabas a ele. Não sei se a pessoa gostava de goiabas, mas meu egoísmo falou mais alto. Depois desse dia passei a refletir mais sobre isso.


Encerrado o estudo com todas as reflexões sobre as mudanças pretendidas pelo grupo. Era o dia da confraternização de final de ano. Todos trouxeram algo para confraternizar. Uma das participantes trouxe sua filha para o estudo, todos confraternizaram e ainda sobraram várias comidas que foram divididas entre si.

A moça das goiabas deu carona para a mãe e a filha. Vieram pelo caminho ainda conversando e refletindo sobre as mudanças propostas no que a menina surpreende as duas e diz: “Já que você falou em desapegar das comidas, que tal começar hoje me dando esse teu bolo de chocolate?”. As duas ficaram surpresas com a rapidez que a criança aprendera a lição das goiabas. E é claro que a menina levou para casa o bolo de chocolate.

Precisamos ter esse aprendizado rápido e eficaz como as crianças. São pequenas mudanças que podemos ter em nosso interior a cada dia.


Crônica: sintonize boas frequências
22/03/2019 às 07:00 | Simone Luiz Cândido
Há quem diga que a energia que carregamos nos apresenta antes de qualquer palavra. Eu acredito muito nisso. Somos seres energéticos. Nossos pensamentos e sentimentos contribuem para que estejamos em harmonia ou não. Quando por ventura nos sentimos tristes, nosso estado vibracional muda de frequência.

Quando estamos alegres, conseguimos transmitir boas energias, muitas dessas energias são transmitidas mesmo à distância. Pessoas mais sensíveis conseguem sentir nosso estado vibracional. Quando nos sentimos tristes, podemos ter doenças físicas causadas por nossa tristeza. Se não cuidarmos, podemos transmitir nossa tristeza para outras pessoas.

Por sermos seres energéticos, precisamos cuidar do nosso estado vibracional. Se, por exemplo, sentimos raiva de alguém, podemos enviar energias ruins e além de nos causarem mal, podem chegar até a outra pessoa com emoções ruins. E o que fazer para equilibrarmos nossas energias? Não é uma tarefa muito fácil. Requer muita sabedoria e harmonia em nosso ser.

Quando acontecem as perdas de pessoas que amamos precisamos chorar, pois são seres que conviveram conosco ou em algum momento de nossa vida estiveram conosco. Esse choro não deve ser de desespero. Esse desespero não irá nos fazer bem. Temos que ser fortes em meio à dor da perda, ainda assim procurar equilíbrio emocional para que nos sintamos bem. É preciso emanar amor mesmo nos dias em que sentirmos raiva por algo que tenha acontecido conosco.

Imaginemos a luz refletindo no espelho. Ela ilumina o espelho e retorna até nós. Dessa mesma forma são nossas emoções. Elas podem nos fazer bem ou mal. A escolha vai depender de nós.
Tudo que fizermos jamais faremos somente para os outros. Nossos atos, pensamentos e sentimentos tem a causa e efeito. Hoje eu faço, amanhã eu tenho efeito do que fiz.

Quem nos dera fosse simples viver sempre emanando amor por onde passar. Muitas vezes nosso humano fala mais alto. Já li algumas vezes sobre apacientar essa palavra e atitude de ter paciência muito usada pelos nossos irmãos muçulmanos. Precisamos aprender a apacientar, acalmar nosso ser, entrar em sintonia com boas vibrações.

Viver é algo desafiador. Estamos nesse planeta com grandes desafios. Muitas pessoas aparecem no nosso caminho. Com todas podemos aprender muito. Quando chegarem até nós energias de raiva e desamor, podemos emanar boas energias de amor e paz. Isso precisa ser um exercício diário, o qual é preciso aprender a cada dia mais.

Mesmo com tantas dificuldades em nossas vidas podemos tentar vivermos em um mundo melhor, onde o amor pode ser cultivado. Continuamos espalhando sementes de amor e bons sentimentos. Cada um colhe aquilo que planta, seja nas atitudes ou em nossos sentimentos.
Se pudermos vibrar coisas boas, nossas vidas serão muito mais leves e felizes.


Simone Luiz Cândido é voluntária na causa adoção de crianças e adolescentes; já participou de três antologias com suas crônicas, além disso, ama escrever reflexões sobre a vida cotidiana, eternidade, amor e convivência.