Percebo que muitas pessoas tendem a entrar no ciclo vicioso. Fazem repetidas vezes aquilo que já deu certo. Entretanto, quando eu faço somente aquilo que já é conhecido, eu perco a oportunidade de testar novas ideias, de ter novas experiências, de aprender com meus erros e de adquirir novos conhecimentos.

O fato de me expor a situações não conhecidas, ativa um ciclo virtuoso de aprendizado contínuo. Além disso, você começa a entender que os erros fazem parte desses momentos de descoberta, afinal, eu ainda não aprendi isso, e existe uma curva de aprendizado que é elevada à medida que eu testo, erro e aprendo.

Vamos refletir um pouco. Você se recorda de nos últimos 30 ou 60 dias ter experimentado algo novo, ou tentado fazer algo de um jeito diferente? Se a resposta for não, eu te convido a começar experimentar esses movimentos.

Que tal fazer o seguinte exercício para aquecer os motores:
• Imagine que a sua empresa ou a empresa que você trabalha, fosse como um desenho em um papel. Você pode até desenhar algo que ilustre ela;
• Agora passe uma borracha nesse desenho (físico ou mental);
• Você tem a oportunidade de imaginar “como seria essa empresa, se você tivesse a oportunidade de criá-la hoje, como se ela nunca houvesse existido”;
• Imagine como seria. Você vai continuar gerando valor para seu usuário/cliente, mas de uma forma diferente;
• Nesse exercício você pode desenhar, anotar ou apenas imaginar;

Foi difícil fazer esse exercício? Deu um nó em sua cabeça? É normal e interessante pensar em como desejamos tanto ter essa liberdade de ação, mas, quando a conquistamos, por vezes hesitamos em construir algo do zero. Algo nos bloqueia.

Esse bloqueio pode estar conectado ao fato de sempre buscarmos uma resposta correta, aquilo que sabemos que vai dar certo e ao medo de se expor e fracassar. Queremos ser perfeitos, mas o perfeito não existe.

Se você ficar amarrado ao fato de ter que ser a pessoa que sempre acerta, você vai perder a chance de construir coisas incríveis, coisas não vistas, coisas que podem ou não dar certo, afinal, errar faz parte desse processo de inovação.

Estamos nos primeiros passos, imaginando e criando novas possibilidades. Ninguém garante que isso vai gerar valor para nossos clientes e usuários, mas e se gerar?

Que tal começar a pensar e testar novas possibilidades. Fazer mais do mesmo te leva ao mesmo destino, só não te garante que esse destino seja o mesmo que seus clientes estejam buscando. No cenário atua em que nos encontramos, mudar a rota e buscar novas possibilidades é fundamental.


Taise Domiciano: Um guia para pensar de forma inovadora
02/08/2022 às 08:36 | Taise Domiciano
A busca por inovação é constante. Boa parte das empresas já se deram conta que entregar mais do mesmo, não é garantia de manter seu cliente satisfeito. É preciso achar formas de manter seu produto ou serviço relevante. Mas como fazer isso?

Tem momentos que não conseguimos pensar em novas alternativas, parece que esgotamos todas as possibilidades, não enxergamos nenhuma oportunidade em meio ao caos. Para isso, existe o SCAMPER, um técnica de geração de ideias, um modelo estruturado que te guia em um brainstorming.

Essa técnica foi desenvolvida por Bob Eberle, um administrador educacional, com o objetivo de aumentar o alcance das ideias, e facilitando a habilidade de pensar em novas soluções e alternativas.

SCAMPER é um acrônimo, ou seja, cada letra representa uma palavra, que são: Substituir, Combinar, Adaptar, Modificar, Propor outros usos, Excluir, Reordenar. Agora você já entendeu no que a técnica consiste, vamos entender como aplicá-la.

Identifique um problema a ser resolvido, esse vai ser o ponta pé inicial dessa dinâmica. Deixe evidente qual é o problema que estamos tentando resolver, você pode escrever em um papel e deixar a vista de todos. Problema definido, agora podemos começar a usar as palavras do SCAMPER. Vejamos:

Substituir

A primeira letra é substituir, nesta etapa, nós realizamos um estudo acerca do problema em questão e procuramos algo que possa ser substituído no produto, serviço ou processo.

Perguntas orientadoras
• O que posso substituir para melhorar?
• Como posso substituir o lugar, o tempo, os materiais ou as pessoas?
• Posso substituir uma parte por outra ou mudar qualquer parte?
• Posso substituir alguém envolvido?
• Posso usar outros ingredientes ou materiais?


Combinar

Chegou o momento de observar se podemos combinar aquele produto, serviço ou processo em questão (foco do problema) com alguma outra coisa, de modo a estimular novas criações.

Perguntas orientadoras
• Que ideias, materiais, recursos, processos, pessoas, produtos ou componentes posso combinar?
• O que posso combinar para maximizar o número de usos?
• O que posso combinar para reduzir os custos de produção?
• Quais materiais eu poderia combinar?


Adaptar

O que pode ser adaptado ou ajustado. Às vezes, é necessário introduzir alterações para satisfazer as preferencias de seus usuários.

Perguntas orientadoras
• Qual parte do produto eu poderia mudar?
• Posso buscar inspiração em outros produtos ou processos, mas em um contexto diferente?
• Quais ideias eu poderia adaptar, copiar ou emprestar de produtos, serviços ou processo?
• Que processos devo adaptar?


Modificar

Este é o momento de analisar seu produto, serviço ou processo e entender o que precisa ser otimizado ou o que precisa ser amenizado.

Perguntas orientadoras
• O que posso ampliar ou fazer maior?
• O que posso baixar o tom ou apagar?
• Posso adicionar recursos extras?
• Como posso agregar valor extra?
• O que você pode remover ou fazer menor, condensado, mais baixo, mais curto ou mais leve?


Propor outros usos

A equipe deve analisar se esse produto, serviço ou processo, poderia ser usado para outras coisas também. Quais possibilidades podem ser exploradas?

Perguntas orientadoras
• Para que mais pode ser usado?
• Como uma criança o usaria?— uma pessoa mais velha?
• Como as pessoas com diferentes deficiências o usariam?
• Qual outro grupo-alvo poderia se beneficiar deste produto?
• Que outro tipo de usuário precisaria ou quer meu produto?
• Quem ou o que mais pode ser capaz de usá-lo?
• Há novas maneiras de usá-lo em sua forma ou forma atual?


Excluir

Reflita, será que há algo aqui que possa ser excluído, que não faça sentido para nossos usuários?

Perguntas orientadoras
• O que posso remover sem alterar sua função?
• Posso reduzir o tempo ou os componentes?
• O que aconteceria se eu removesse um componente ou parte dele?
• Como posso simplificar isso?
• O que não é essencial ou desnecessário?
• Posso eliminar as regras?


Reordenar

Aqui você deve ser perguntar, como pode reorganizar, reordenar o produto, serviço ou processo.

Perguntas orientadoras
• O que posso reorganizar de alguma forma – posso trocar componentes, o padrão ou o layout?
• Posso mudar o ritmo ou o horário?
• O que eu faria se parte do seu problema, produto ou processo funcionasse ao contrário?
• Posso reorganizar de que forma isso acontece?


Agora você já sabe como o método funciona. Que tal experimentá-lo? Podemos dizer que o métodos SCAMPER, é um conjunto de faíscas, que provocam o pensamento divergente, aquele que nos leva a pensar em alternativas não pensadas de forma natural. Ele ajuda você a percorrer novos caminhos em busca de soluções inovadoras.


Taise Domiciano: Qual é a sua visão de futuro?
26/07/2022 às 08:00 | Taise Domiciano
Todos nós, sem exceção, temos sonhos e desejos para o futuro. Entretanto, conversando com algumas pessoas, percebi que muitas delas deixam esses sonhos guardados apenas em sua mente, o que é um erro, afinal isso pode ser esquecido e somente vagar em lembranças.

Assim como as organizações precisam de uma visão de futuro, nós como seres humanos precisamos também saber aonde queremos chegar. O que você quer ser e alcançar?

Para quem já leu o livro “Alice no País das Maravilhas”, tem um trecho em que o gato surge em uma arvore por onde a Alice passa e ela súplica ajuda ao gato:

Alice: "Eu só queria saber que caminho tomar".
Gato: "Isso depende do lugar aonde quer ir".
Alice: "Realmente não importa".
Gato: "Então não importa que caminho tomar".

Ou seja, se você não sabe para aonde quer ir, qualquer caminho serve. Eu preciso de objetivo, eu preciso saber o que quero alcançar, para assim me preparar para esse caminho, e começar a trilhá-lo.

Vamos imaginar o seguinte: estamos no ano de 2032, se passaram 10 anos e você encontrou seu diário. O que está escrito nele? Você pode ter a grata surpresa de ver que anotou seus sonhos lá e à medida que o tempo foi passando, foi conseguindo alcançar muitos deles, por conta do seu empenho e dedicação.

Ou, você pode se dar conta que não fez nada e nem se deu ao trabalho de escrevê-los. E você passou esses 10 anos apenas vivendo a vida de outras pessoas, fazendo o que as outras pessoas esperavam que você fizesse ou até se contaminando com as tendências que a internet estava ditando naquele momento.

Eu sempre falo, precisamos cuidar para não se contaminar com a ideia de sucesso que a internet nos passa: seja empreendedor, tenha vários negócios, tenha 3 startups, sendo duas delas unicórnios, tenha 100 mil seguidores nas redes sociais, e muitas outras coisas que alguns gurus dizem ser a receita do sucesso.

Esse cenário está deixando as pessoas ansiosas e frustradas. Um alerta, comece a olhar para dentro de você, o que você de fato sonha e quer? Quem você quer ser? Onde você quer estar? O que te torna feliz?

Pessoas são diferentes. E que bom que são! Você pode desejar ser um empreendedor ou atuar dentro de uma organização ou ainda ficar em casa por um tempo para curtir a sua família e seus filhos. Você pode querer comprar algo, ou se desafazer de algo. Você pode querer sair do caos e da vida turbulenta ou pode querer estar na vida turbulenta. Você pode querer escrever um livro ou praticar um esporte. Você pode querer viajar para a Europa ou apenas quer conhecer alguma cidade próxima que você nunca visitou. Você pode querer ir a um show de rock ou se isolar um pouco e curtir o aconchego de sua casa.

Não há nada de errado com o que você quer, desde que seja de fato o que você quer e esteja conectado com a sua visão de futuro. Suas ações hoje implicam no seu amanhã. Desta forma, o que você sonha para daqui 10 anos, precisa de ação, precisa de movimento.

Esses sonhos precisam ser transformados em desafios e por isso a criatividade entra em cena. Use sua imaginação para sonhar e para pensar em como você fará para alcançar esse objetivo. Depois, precisamos de ação. É arregaçar as mangas e correr atrás.

Ficar parado não é um ingrediente. A não ser que você queira encontrar seu diário em branco, e perceber que o tempo simplesmente passou e você estava imerso em tantas coisas e nem se deu conta.

Que tal começar a pensar em seu futuro hoje e usar sua imaginação e criatividade para conquistá-lo?


Você já deve ter visto várias empresas que possuem um setor de inovação, certo? Neste setor temos alguns colaboradores, que tem a função de inovar. Um pouco óbvio, né? Até aqui tudo bem, a empresa tem consciência que precisa mudar e colocou pessoas para fazerem isso.

Então, qual o problema disso? O problema é que um setor de inovação sozinho não fará a inovação acontecer. É preciso uma cultura de inovação, partindo da alta liderança e patrocinado por eles, atingindo todos os demais colaboradores.

Um setor de inovação pode ajudar a disseminar essa cultura e contribuir para que os outros colaboradores também consigam inovar, através de técnicas, ferramentas, processos, enfim. Esse setor pode gerar o movimento necessário na organização. Mas, o responsável pela inovação acontecer, não pode ser só ele. Isso é uma tarefa de todos!

O erro de muitas organizações que desejam inovar, é encarar a inovação como algo isolado, criando departamentos, com a esperança de que eles consigam realizar um milagre. Isso não acontece!

Empresas que fazem isso, podem gerar uma impressão de que a inovação é algo restrito a algumas pessoas. Que é algo que exige uma capacidade que os demais não tem, somente aqueles que estão naquele departamento.

A inovação precisa ser encarada como uma competência. Os colaboradores precisam sentir liberdade para encontrar soluções criativas para os problemas, fazer testar, errar, aprender, melhorar e continuar.

O ambiente a nossa volta influência na forma como fazemos as coisas, por isso falamos tanto de liberdade criativa e segurança psicológica. E quando falamos de criar, estamos falando da possibilidade de errar também. Por isso, ter uma tolerância ao erro e deixar claro até onde o colaborador pode ir é importante. Estimule a técnica de errar pequeno, barato e rápido.

Se queremos um ambiente inovador, precisamos punir de alguma forma a acomodação, seja usando gestão por competência, e fazendo feedbacks com a equipe para guiá-los no caminho da inovação. Há e vale lembrar, sempre comemore as conquistas, reconheça o esforço das pessoas, e mantenha seu time motivado e engajado.

Assim, você vai conseguir iniciar um movimento de cultura de inovação, o que provavelmente vai render muitos frutos para a organização. Mais do que nunca, inovar é preciso para se manter relevante no mercado. Então, encontre aliados que tenham essa mentalidade diariamente, encarando cada desafio e buscando soluções criativas e que gerem valor para seus clientes e usuários.


Vivemos em um mundo dinâmico e cercado de desafios esperando para serem resolvidos. A capacidade de inovar e encontrar soluções criativas para esses desafios, é um fator determinante para a perenidade dos negócios.

Fazer mais do mesmo, definitivamente não resolve esses desafios. Por isso, eu vim falar de um método que faz a diferença quando se trata de encontrar soluções criativas: Design Thinking.

Segundo Tim Brown o design thinking é “uma abordagem centrada no ser humano para a inovação que se baseia no kit de ferramentas do designer para integrar as necessidades das pessoas, as possibilidades de tecnologia e os requisitos para o sucesso dos negócios.”

Eu particularmente gosto muito do método e já apliquei ele em algumas empresas e em sala de aula, e o resultado é sempre surpreendente. O método possui três pilares que dão sustentação ao processo, que são: empatia, colaboração e experimentação.

Além disso, o método é dividido em 5 etapas:



O primeiro passo é entender o problema que você está tentando resolver, antes de sair procurando soluções. Esse é um passo difícil, pois a maioria das pessoas tende a sair resolvendo, pois fomos ensinados a sermos excelentes executores. Entretanto, é de extrema importância que nessa fase, todos estejam focados em entender realmente o problema.

Quando estou facilitando a metodologia, eu sempre falo para as pessoas, se apaixone pelo problema e flerte com a solução. Nessa fase o grupo deverá entender o que precisa ser descoberto, e ir a campo conversar com pessoas que realmente enfrentam o problema, para entender melhor alguns aspectos.

Um erro comum é o grupo achar que já sabe o que as pessoas pensam e sentem, e não dar tanta atenção a essa fase de empatia. Um alerta, essa fase é o ponto inicial, e se você burlar ela, com certeza não terá um resultado assertivo. Não tenha medo, arregace as mangas e vá a campo conversar com pessoas. Você vai se surpreender e vai garimpar muito ouro quando compreender que realmente precisa mergulhar no problema.

Com os resultados da pesquisa em mãos é hora de juntar tudo e começar a agrupar as informações e consolidar os aprendizados. Nesse momento a equipe poderá desenhar a jornada do usuário, e construir sua persona, com base nas entrevistas e observações feitas junto aos usuários. Além disso, a equipe poderá revisitar seu desafio inicial e verificar se ele está coerente ou precisa ser ajustado.

Agora que já mergulhamos no problema e estamos encharcados com informações importantes e já pegamos o peixe (o problema correto), podemos seguir para a parte que para mim é muito instigante: o processo de ideação.

Você pode realizar sessões de brainstorming, e usar várias técnicas para estimular esse processo de geração de ideias, como: crazy eights, pensamento lateral, inversão de problema, inexistência, entre outros. A chave para esse processo é liberar todas as ideias mais ousadas, mas para isso é preciso ter um ambiente que proporcione liberdade, ou seja, clima, segurança psicológica e materiais como: post it, canetas coloridas, papel e fita. Faça um grande mural de ideias.

Agora você deve estar se perguntando “Mas o que eu faço com tantas ideias?” “Como vou escolher uma ideia?”. Não se preocupe! Temos técnica para escolher a ideia também. Você pode fazer uma votação. Cada participante tem direito a três votos. Depois da votação você pode usar uma matriz de Impacto X Complexidade. As ideias que estiverem no quadrante de menos complexidade e mais impacto, são as ideias mais favoráveis para seguir em frente.

Você definiu o problema. Você falou com clientes. Você pensou, criou todo tipo de ideias, e trabalhou com sua equipe para escolher a ideia que vocês acham que poderá realmente resolver o problema que você definiu. O que vem depois?

Você deverá fazer um protótipo da ideia e validar esse protótipo com usuários. Você vai entender se aquilo que vocês idealizaram resolve o problema e gera valor para o usuário. A gente projeta, constrói, testa e repete esse processo.

Repetir esse loop de prototipagem, teste e coleta de feedback do usuário é essencial para encontrar a melhor solução para o desafio apresentado. Cada entrevista vai jogar mais luz para o trabalho que vocês estão executando e vai aproximar mais você de encontrar algo realmente inovador.

Lembra que nosso objetivo inicial era resolver um desafio? Quero te lembrar que nós só vamos conquistar esse objetivo, conhecendo as reais necessidades dos nossos usuários, seus desejos e percepções. Por isso, esse método se mostra tão eficiente quando se trata de descobrir oportunidades de inovação, através da empatia e desenvolver uma solução de valor.


Taise Domiciano é palestrante, professora, pesquisadora de futuros, facilitadora e mentora em criatividade, inovação e futuros.