Canal Içara

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02 de dezembro de 2020 - 17:13
A alma do Velho e o Mar
24/10/2013 às 14:13 | Maristela Benedet - maristela.benedet@canalicara.com
O mar é o presente e a eternidade do velho pescador Santiago. As águas são o único mundo que ele conhece e onde colhe o alimento do corpo e da alma. Nos peixes sacia a fome e a solidão. Nas mãos calejadas pelo Sol, faz dos oceanos a morada e nas estrelas o abrigo. No entanto, nos últimos dias, o velho amigo parece tê-lo abandonado.

Considerada uma das mais belas obras da literatura contemporânea, “O Velho e o Mar”, de Ernest Hemingway, é um clássico imortal escrito em 1952. Best-seller em todo o mundo a obra instiga a essência humana. Deitado sobre jornais na velha cabana, Santiago pouco descansa e a tristeza domina os pensamentos. Sem fisgar nenhum peixe há mais de dois meses acredita estar sem sorte e o suposto azar lhe afastaria do jovem seu único parceiro nas pescarias mar a fora.

Ainda assim, movido por uma esperança infinita, em mais um amanhecer antes do sol nascer, segue na busca pelo seu pão, na certeza que desta vez terá melhor sorte. Parece ter razão. Em poucas horas, um peixe graúdo maior que seu barco é fisgado. É travada uma luta para resgatar o pesado animal. Com pouca água e comida, as forças do velho parecem se dissipar e as mãos sangram. Assim os longos dias e noites tocam o espírito e sua fé.


Os cães nunca deixam de amar
04/10/2013 às 09:27 | Maristela Benedet - maristela.benedet@canalicara.com
Olhos amendoados, sorriso no rabo, um cachorro alegre e sedutor. A advogada americana Teresa amava os cães beagles. Ela teve alguns e os perdera para as doenças ou velhice. Não queria sofrer novamente quando um fofo filhote foi apresentado em um abrigo para animais abandonados. O animalzinho correu em sua direção e ambos se apaixonaram no mesmo instante.

Teresa adotou o cachorro batizado de Seamus sem prever que essa relação de afeto traria felicidade e momentos difíceis. Lançado esse ano e em primeiro lugar no The New York Times, “Os Cães nunca deixam de amar” relata a história real de Teresa J. Rhyne com seu cão Seamus e a superação de uma doença grave. Após dois casamentos fracassados, a advogada com mais de 40 anos buscava a serenidade e, pouco apostava no namoro iniciado há pouco tempo com Alex, escritor mais novo que ela.

Em casa, o beagle se revela dominador e sem limites comandando a casa e a família. A relação entre ele é Alex parece complicada nos primeiros encontros, mas em pouco tempo, o escritor se rende aos encantos sutis do cãozinho. No território controlado pelo animal, a vida entre os três parece entrar em harmonia. Os problemas começariam pelos altos uivos diários, perfil normal na raça, e as reclamações dos vizinhos.

A advogada não previa que o conflito seria minimizado pelo diagnóstico de um tumor maligno na pele de Seamus. O tratamento para salvar o cachorro junto às dificuldades para pagar a quimioterapia fortaleceria o vínculo entre os três. Após um ano de cuidados e o alívio pelo cãozinho curado, a vida mais uma vez desafia a coragem de Tereza. Ela descobre estar com câncer de mama.

O choque inicial não enfraquece a advogada na luta para mais esse enfrentamento, agora pela sua vida. “Se o cachorro sobreviveu, ela também sobreviverá”. Com o apoio e carinho dos seus companheiros Alex e Seamus, o caminho para vencer a doença se torna mais leve. Apostando na força do amor entre os humanos e animais, a advogada deposita a esperança em conquistar a cura.


Romance: Ame o que é seu
28/09/2013 às 16:29 | Maristela Benedet - maristela.benedet@canalicara.com
Uma vida perfeita. Um casamento de contos de fadas com um marido amoroso e completo. E, uma bem sucedida carreira como fotógrafa. Ellen se sentia feliz e realizada. No entanto, em um dia que parecia ser corriqueiro, o destino iria lhe reservar uma armadilha trazendo a tona um passado marcante.

O fato provocaria aflições no seu coração e dúvidas sobre as suas escolhas. Esse é o enredo que marca o romance Ame o que é Seu, da autora best-seller no gênero com mais de 5 milhões de livros vendidos, Emily Giffin. Após oito anos e um casamento de dois, Ellen encontra por acaso Leo, um ex-namorado com quem vivenciou uma forte relação de paixão e sofrimento.

O reencontro inesperado fragiliza suas emoções nas lembranças que teimam em permanecer interferindo em sua rotina. A fotógrafa começa a questionar o seu amor pelo marido Andy. É dominada com sentimentos de culpa por não conseguir evitar pensar em Leo e, toda a história que tiveram no passado.

As dúvidas aumentam. Quando recebe uma mensagem do ex-namorado jornalista, oferecendo a oportunidade para fotografar uma personalidade famosa a ansiedade fica mais forte. O medo de a paixão reacender dificulta a decisão em aceitar a proposta, mesmo consciente que não deve perder essa chance única para a carreira.


1984: Um mergulho do passado no futuro
31/08/2013 às 15:53 | Bruno Miranda - bruno.miranda@canalicara.com
O livro 1984, lançado há 64 anos, voltou a ser discutido recentemente após as denúncias de espionagem contra os EUA. No romance, a tecnologia já era ferramenta do governo para controlar as pessoas. O mundo era dividido em três grandes potências que sempre se mantinham em guerra.

O governo repressor e autoritário controlava desde os acontecimentos passados - reescrevendo edições antigas de jornais para se favorecer - até o pensamento da sociedade, que não tinha liberdade de ter suas próprias convicções. Narrado no futuro para a época (se passa em 1984 e foi lançado em 1949), a obra retrata a vida de Winston, um homem comum e provavelmente um dos únicos a se lembrar do mundo antes do controle do governo.

Winston também está disposto a fazer de tudo para ajudar a derrubar o Grande Irmão, figura criada para representar todo o partido e intimidar a população. Com uma narrativa mais densa, Orwell consegue promover um desconforto no leitor ao descrever minuciosamente uma sociedade fictícia que possui um embasamento tão bem argumentado que dá impressão de que pode se tornar realidade a qualquer momento.

A leitura inicia mais arrastada devido as explicações sobre a situação da sociedade, mas logo se torna mais empolgante com a chegada de uma mulher que mexe com Winston e se torna mais um motivo para ele lutar contra o governo, já que nem mesmo era permitido manter relações entre homem e mulher.


Os Meninos da Guerra na fuga do nazismo
29/08/2013 às 15:26 | Maristela Benedet - maristela.benedet@canalicara.com
Segurando com força as mãos firmes do pai, o garoto rompe os sonhos de criança e corre na fuga dos soldados nazistas pelos matos de Serniki, na Polônia, no inverno de 1939. Com pouco mais de três anos, não sente medo e confia que na proteção do pai nada irá lhe acontecer. A história de Hilel Silberfarb, um sobrevivente das barbáries do holocausto, hoje conhecido como Guilherme, vivendo no Rio Grande do Sul é relatada no livro: Os Meninos da Guerra, de Wilson Amaral.

Guilherme e seu pai Samuel, foram os únicos sobreviventes de uma família de quatro filhos e esposa da perseguição monstruosa do movimento fascista. Foram quase seis anos vivendo nos matos escondidos em tocas e árvores e comendo raízes e caças. E, como se não bastasse à batalha diária para se esconder dos soldados, os ferimentos provocados por balas de fuzis e doenças como o tifo, nas precárias condições de saúde, seria mais um conflito na luta incessante de pai e filho para manterem a vida.

O relato comove pelos acontecimentos envolvendo uma criança. Mesmo sem oportunidade de vivenciar a inocência da infância e de entender o sentido da violência, teve que amadurecer com o genocídio. O relato rompe o estigma registrado pelos historiadores, de que somente os judeus eram os perseguidos e foram exterminados.

Mostra a violência contra os comunistas, homossexuais, ciganos e, a resistência dos prisioneiros que tentaram fugir e lutaram pela liberdade, num dos episódios de maior atrocidade contra a humanidade deixando marcas profundas na história mundial. Em 1993, Guilherme viria a ser uma importante fonte de pesquisa para ao roteirista Steven Spiller na composição do filme “A Lista de Schindler”, onde mostrou o extermínio a sangue frio de mulheres, crianças e adultos, nos campos de concentração.


*Maristela Benedet é colaboradora do Canal Içara, tem formação em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo desde 1996, atua na área e nas horas de lazer dedica-se a leitura