Canal Içara

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22 de setembro de 2020 - 11:36
O amor que acende a lua, de Rubem Alves
17/09/2010 às 10:09 | Maristela Benedet - maristela.benedet@canalicara.com
“O amor que acende a lua”, um dos melhores livros de crônicas e contos de Rubem Alves. O escritor, filósofo e psicanalista é um dos raros na literatura que desperta a alma enquanto se viaja na poesia e filosofia das histórias sem compromisso com a razão. Na obra, relata os contos dentro das quatro fases da lua: lua nova, lua crescente, lua cheia e lua minguante.

As narrações nascem do olhar profundo e simples sobre o cotidiano ou da sugestão de leitores que pedem para ele escrever em defesa das flores, por exemplo. Das flores reflete que as várias espécies amarradas nas coroas dos velórios são torturadas e dignas de pena. A pipoca é outro tema. Faz uma metáfora interessante com o alimento somente vista pelo olhar de um poeta. Lembra que o milho somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer e pelo poder do fogo pode nos transformar em outra coisa – voltar a ser criança!

Assim como o milho que após o “pum” se transforma em algo que nem havia sonhado: A lagarta surge do casulo como borboleta voante. Rubem Alves provoca, surpreende, assusta, acalma e acaricia. Uma leitura para degustar devagar, sentindo cada sabor das palavras, como ele mesmo diria. Para devaniar na fantasia e construir o mundo belo, mágico, irreal onde alegria se faz morada eterna no nosso ser. Com mais de 50 livros publicados para adultos, crianças e educação, vale a pena se deliciar com a juventude e a peraltice do autor nos seus quase 80 anos.


A Cabana, de Willian Young
20/08/2010 às 13:19 | Maristela Benedet - maristela.benedet@canalicara.com
O desaparecimento de uma menina após a viagem da família, o drama de um pai e sua culpa e o recebimento de intrigantes bilhetes integra a história de ficção de A Cabana. O pai Mack Allen Phillips é convidado a voltar a cabana onde supostamente a menina teria sido raptada e assassinada há mais de quatro anos. Mack desiste de buscar explicações e aceita o convite. Nessa busca as cegas, ele não sabe, mas tem um encontro som seu próprio ser.

No espaço em que se hospeda, encontra vestígios de sangue que poderia ser de sua filha e a presença do divino. O pai, o filho e o Espírito Santo materializados provocam a sua fé abalada pela perda da filha. Seus conflitos e duvidas em relação à existência de Deus são então questionados. O livro leva a pensar sobre quem é Deus, seu mistério e suas repostas a tantas perguntas. Uma da obras mais lidas dos últimos tempos. Um convite a refletirmos sobre a nossa espiritualidade.


Mentes Brilhantes, Mentes Treinadas
30/07/2010 às 09:21 | Maristela Benedet - maristela.benedet@canalicara.com
Entender os mistérios da mente humana é a proposta do livro “Mentes Brilhantes, Mentes Treinadas”. A obra é um dos últimos lançamentos do fenômeno comercial na linha de psicologia, com mais de 11 milhões de livros vendidos no Brasil, Augusto Cury.

Divididos em cincos capítulos: O amor inteligente, Mentes treinadas, Mentes despreparadas, Mentes que se Conhecem e Mentes agitadas, o autor sugere como podemos usar a mente em benefício da nossa qualidade de vida. Nesse sentido, devemos nos conhecer e treinar a mente para sabermos agir com razão e emoção na dosagem certa, em cada situação de conflito envolvendo nossas relações sociais. Uma leitura gostosa e provocante nessa eterna busca pelo autoconhecimento.


1968 - O que fizemos de nós, de Zuenir Ventura
09/07/2010 às 09:53 | Maristela Benedet - maristela.benedet@canalicara.com
Como são os jovens de hoje? Quais são os ideais dessa geração? Estão são interrogações do jornalista Zuenir Ventura em “1968 - O que fizemos de nós”. A obra faz novas provocações após 42 anos do lançamento do Best-seller “1968 – O ano que não terminou”, publicação em que os ideais coletivos para mudar o mundo moviam o sentido de vida daquela juventude dita rebelde. E hoje? Como vivem os filhos daqueles que sonhavam com um novo mundo?

Com depoimentos, reflexões e entrevistas com personalidades e políticos que influenciaram na construção dos rumos da sociedade nos últimos anos, o autor vai chegando a algumas conclusões: O jovem de hoje é individualista. Não é politizado e nem solidário. Carreira, sucesso e fama norteiam seus objetivos e são mais dependentes, demoram a sair casa.

Uma preocupação é com a Imagem. Nunca uma geração esteve tão focada na aparência. “Sem poder mudar o mundo muda-se o corpo”. Nas suas observações, é uma geração sem ideologia, que não contesta e não protesta, pois tudo é permitido e não existe mais tabu. Uma boa leitura para todos pensarmos sobre momentos essenciais da nossa história. Importante análise nesse momento em que nos preparamos para escolher os políticos que estarão no poder nas esferas estadual e federal.

SOBRE O AUTOR: Pela série de reportagens publicadas no Jornal do Brasil, em 1989, “O Acre de Chico Mendes”, Zuenir Ventura ganhou os Prêmios Vladimir Herzog e Esso em 1989. As reportagens e a nova pesquisa efetuada 20 após a morte de Chico Mendes, resultaram no livro “Chico Mendes – Crime e Castigo”, lançado em 2003.


Viajando na Leitura! Sobrevivi para contar
04/06/2010 às 14:12 | Maristela Benedet - maristela.benedet@canalicara.com
Uma história surpreendente e emocionante. Em “Sobrevivi para contar”, o leitor vai descobrir a capacidade que a fé é capaz de transformar em um ser humano. Entender que a crença em um Deus superior pode mover as mais intransponíveis montanhas. A obra conta a história pessoal da africana Imaculleé Ilibagiza. Aos 22 anos, ela é a única sobrevivente da família em um dos mais recentes genocídios da história da África, em 1994.

Vivendo feliz com pais e dois irmãos unidos e amorosos, em instantes a jovem se depara com uma guerra sangrenta, envolvendo as duas principais etnias de Ruanda, os tútsis e hútus. No massacre, mais de um milhão de pessoas são assassinadas pelos hutús. Movidos pelo ódio, racismo e manipulados pela imprensa, amigos e vizinhos se tornam inimigos. Integrante da etnia tutsis, Imacullé tentar se salvar em um minúsculo banheiro com mais sete mulheres durante três meses. Sofrendo com o fim trágico da família, o medo e as ameaças constantes de serem descobertas e mortas, encontra na fé a força e a coragem para acreditar que sobreviveria para contar.

Sem poder comunicar-se com as companheiras, seu diálogo seria com Deus por meio das orações. Crença motivadora para manter o sonho com um futuro em meio a inúmeras tragédias. Um relato de esperança de alguém que escapou da morte com somente um fio da própria existência. Uma prova de que a espiritualidade pode ser um fundamental alicerce para resolver os mais dramáticos problemas. Um livro de cabeceira “estimulante” na nossa jornada diária.

INDICAÇÃO: Sobrevivi para contar, de Immaculeé Ilibgiza e Steve Erwin (Editora Fontanar, 2008)
Onde comprar? Fátima Bookstore, em Criciúma (R$ 36,90)


*Maristela Benedet é colaboradora do Canal Içara, tem formação em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo desde 1996, atua na área e nas horas de lazer dedica-se a leitura