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Câncer de Pele em SC é mais que o dobro do País
29/01/2007 às 03:50 | Imprensa Unisul
Dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer) sugerem o surgimento de 40 novos casos de melanoma maligno da pele em Florianópolis durante o ano de 2006. Em números absolutos, pode parecer pouco. Mas se a análise for feita em cima do Estado de Santa Catarina, os números assustam. Segundo o INCA, Santa Catarina tem a mais alta taxa de incidência de câncer de pele do país: 8,58 casos para cada 100 mil homens e de 8,26 casos para cada 100 mil mulheres. Ou seja, em números absolutos, 250 novos casos durante o ano entre os homens catarinenses e 250 novos casos entre as mulheres do Estado. Para outros tipos de câncer de pele, menos agressivos, a incidência é de 130 casos para cada 100 mil habitantes.

“A incidência do câncer de pele aqui no Estado é mais do que o dobro da incidência no resto do país”, diz o médico dermatologista Daniel Holthausen Nunes, professor da disciplina de Dermatologia nos cursos de Medicina da Unisul na Pedra Branca, em Palhoça, e em Tubarão. “É um problema de saúde pública”, define.

Há uma série de fatores que contribuem para números tão assustadores. Os principais envolvem o tipo de colonização, a coloração da pele dos imigrantes europeus, que não tem uma proteção natural, e a diminuição da camada de ozônio sobre os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A latitude também contribui para uma incidência grande de irradiação ultravioleta, como no caso da Austrália, país campeão nas estatísticas de câncer de pele e onde a legislação prevê até roupas com protetores solares.

“De fato, o fator de proteção solar pode estar nas roupas. É um pouco mais caro, por enquanto, mas não está sendo divulgado”, informa o médico dermatologista.

Tecidos com fotoprotetor são novidades no Brasil. Uma malharia de Santa Catarina, a LC Malhas, de Brusque, é pioneira nesse tipo de confecção. Ela acrescenta ao tecido o UVBlock (um bloqueador de raios ultravioletas). Quando a malha é tingida é aditivado um componente químico com proteção. Enquanto a malha – vendida para São Paulo, onde vira camiseta – tiver fibra, a proteção continua valendo. Os fatores de proteção, em média, equivalem a 30, mas eles dependem da cor do tecido. De 2 a 3 mil quilos de tecido por ano são produzidos pela LC com UVBlock.

“Outro problema é que o bloqueador solar, no Brasil, é considerado cosmético e não medicamento. Como cosmético, a tributação é maior”, observa o médico Daniel Nunes, para quem roupas com proteção ou o uso de bloqueadores UV deveriam ser obrigatórios, como item de segurança, para trabalhadores da agricultura, da pesca, garis e policiais que trabalham na rua. “São profissões de alto risco pela exposição sistemática ao sol e precisam de um vestuário com fator de proteção”, argumenta.

Para quem fica se tostando na beira da praia, então, o problema é bem maior. Às vezes não basta evitar o sol entre 10h e 16h. Isso depende muito do tipo de pele. Quanto mais clara, maior a necessidade de proteção. “Quem tem tipo de pele claro, que fica vermelho, ou camarão, e não bronzeado, tem que respeitar o sol”, adverte. São pessoas com pele fator tipo 1 e que precisam usar protetor no mínimo 30, com reaplicações a cada duas horas. Na água, a proteção pode resistir ao primeiro mergulho, mas não por muito tempo quando se passa boa parte do dia brincando no mar ou piscina.

O quadro mundial da doença pode ser alarmante para alguns países. Nos Estados Unidos, informa Daniel Nunes, o risco de um cidadão branco desenvolver câncer de pele era de 1 para cada 200 há 10 anos. No ano 2000, era de 1 para cada 90 pessoas. A projeção para 2010 é assustadora, de uma para cada 50 pessoas.

Segundo Nunes, além da prevenção ser fundamental o diagnóstico preciso e rápido resolve a questão do câncer de pele em 100% na maioria dos casos. Mas é preciso ter muito cuidado, porque a doença é assintomática. Não dói. Quando chega a doer, normalmente é tarde demais. “Qualquer lesão deve ser retirada de forma cirúrgica, para erradicar a doença o mais rápido possível. Se isso for feito no início, a cura é de 100%”, garante o dermatologista.


TIPOS DE CÂNCER DE PELE:

A exposição aos raios ultravioletas é que provoca, direta ou indiretamente, o câncer de pele. Próximo ao meio-dia esses raios têm maior potencial cancerígeno. O raio ultravioleta atinge o DNA da célula, modificando-a. Ao crescer de forma diferente, está configurado o câncer.

CARCINOMA BASOCELULAR – É o câncer de pele mais comum no ser humano. Raramente leva a óbito, porque não se espalha, não causa metástase. Como é assintomático, não pode ser negligenciado pelo paciente quando for detectado, o que pode ser feito por observação da lesão, que não coça, não arde. São lesões que medem de 0,5cm a 1 centímetro, lembram uma pérola, pelo formato e cor brilhante e têm a presença de vasos na lesão, como se fossem pequenas varizes. A remoção cirúrgica da lesão, com margem de segurança, se feita logo, leva a uma cura de 100%.

CARCINOMA ESPINOCELULAR – Mais comum na face e no antebraço, é um pouco mais agressivo. Pode até levar a metástase. Como reação imunológica, normalmente produz ínguas, gânglios próximos da área da lesão. Tem evolução mais rápida. Começa com uma mancha vermelha, espeta, é áspera, como uma verruga. É comum também nos lábios, principalmente entre fumantes. A chance de cura é de 100%, mas é preciso diagnóstico precoce e tratamento cirúrgico rápido porque há possibilidade de infiltração e de criação de raízes. Pode ser indicada radioterapia – aplicação de radiação para destruição das células cancerígenas.

MELANOMA – É o tipo de câncer de pele mais grave. Derivado de sinais, pintas, pode matar. É agressivo, cresce radialmente para as laterais. Enquanto a profundidade for pequena, há chance de cura. Porém, em seis meses pode-se perder a chance de tratamento, porque passa-se a uma outra fase de crescimento, vertical, aprofundando-se. Nesse caso o prognóstico é ruim e a sobrevida fica comprometida. Por isso o paciente deve ficar atento a alterações na pele, sinais que mudam de cor e forma, assimétricos, com área irregular. A abordagem é cirúrgica, com remoção para ver a profundidade. Se maior que 1mm (um milímetro), pesquisa-se os linfonodos e retira-se toda a cadeia de gânglios linfáticos comprometida, por questão de margem de segurança. Claro que a análise deve ser feita caso a caso. Outros exames podem indicar se há ou não metástase, se é operável ou não. A quimioterapia é paliativa, diminui a velocidade, mas o câncer continua crescendo. A sobrevida em casos de metástase é de apenas 20% depois de cinco anos de doença. O comprometimento é sistêmico, atingindo outros órgãos do corpo humano. Em diagnóstico precoce, a mortalidade é baixa.

“A prevenção mais efetiva”, diz o médico e professor da Unisul, “é a não-exposição ao sol” em horários complicados e a proteção quando se está andando debaixo do sol.
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