Cotidiano | 04/06/2026 | 19:15
Silesia Pizzetti: Os Bergamascos ocupam a Primeira Linha
História da imigração italiana revela as origens das famílias que ajudaram a formar a comunidade içarense
Silesia Pizzetti
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Os italianos preferiam vir para o Sul do Brasil, pois o clima subtropical era mais frio, mais próximo do ambiente europeu, tornando mais fácil adaptar-se a nova terra. Para cá transportaram suas vidas, criando aqui, um novo mundo impregnado dos costumes, das tradições e das memórias do velho mundo.
As primeiras famílias italianas a colonizar a Primeira Linha do Rio Sangão vieram para o Brasil da Província de Bérgamo, do norte da Itália. De acordo com o historiador Mario Belolli, a “Primeira Linha iniciou sua ocupação em 25/03/1892, quando as primeiras famílias bergamascas e de outras províncias italianas recém-chegadas da Europa em duas levas: primeira em 15/07/1891 e a segunda em 28/10/1891.” Destinadas a Colônia Privada de Nova Veneza, foram distribuídos principalmente nas áreas dos Núcleos de Nova Treviso e Nova Belluno, chamado por eles de “Montanhon”. Os imigrantes adquiriram os lotes ainda na Itália, na planta. Mas foi grande a decepção ao se depararem com um terreno extremamente acidentado, de difícil acesso, pouco propício a agricultura e a pecuária.
Meses depois da chegada à Nova Veneza, insatisfeitos e com o convite do patrício e amigo de infância Marcos Rovaris, trocaram seus lotes pedregosos do Montanhão por outros mais planos e arenosos na Primeira Linha, fixando moradia definitiva e dedicaram-se a agricultura e suinocultura em parceria com o frigorífico e fábrica de banha dos bergamascos Marcos Rovaris e Marcelo Lodetti.
Marcos Rovaris por sua vez veio para o Brasil solteiro, junto com os pais e irmãos para Colônia de Cocal do Sul. Marcos adquiriu lotes na Primeira Linha, o lote n. 27 em frente ao atual Quartel Militar do 28ª GAC, onde abriu o frigorífico e o lote n.76, o qual ele subdividiu e vendeu em lotes urbanos. Para este último incentivou a construção da igreja de baixo, dando origem ali ao centro da cidade de Içara.
No século seguinte outros italianos chegam, oriundos da Região do Veneto, juntando-se aos bergamascos por casamento ou por negócios de terra. Com base no Censo da Cúria de 1909 e nos registros de posse dos lotes, podemos nomear a assinatura dos casais de cada núcleo familiar, e não só do patriarca, mas também da mulher que trabalhou igualmente para o desenvolvimento dos 83 lotes coloniais da Primeira Linha do Rio Sangão.
REGIÃO DA LOMBARDIA (Províncias de Bérgamo e Cremona): Abeli, Abati, Arigoni, Antea, Bacis, Belolli, Bianchi, Bonomo, Caldart, Carlessi, Bristot, Colonetti, Cremaschi, Daminelli, D’Incà, Ferrari, Elambi, Gaspodini, Gregorini, Giassi, Ghessi, Ghidotti, Guidi, Lodetti, Locatelli, Manganelli, Mangilli, Mandelli, Manenti, Miglio, Moleri, Navoni, Nichele, Pagani, Pesenti, Piazzoli, Provenzi, Raquele, Ronchi, Rossi (Fermo), Rovaris, Sangaletti, Savi, Scarpelline, Scotti, Stucchi, Ubbiali, Vaisoler, Valvassori, Vismara e Venturini.
REGIÃO DO VENETO (Província Belluno, Treviso e Verona) : Biff, Benedet, Bortoluzzi, Busanello, Colle, Dagostin, Dal Pont, Daros, Dal Toé, Dalmolin, De Luca, Dusione, Guglielmi, Martinello, Mangotte, Menegaro, Monaretto, Salvador, Serafin, Ricieri, Rizzieri, Tassi, Tezza, Topanotti, Vofago, Volpato, Zago e Zanolli.





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