Cotidiano | 01/08/2026 | 10:00
Silesia Pizzetti: A formação da Vila de Içara
História resgata o papel de Marcos Rovaris e das famílias bergamascas na origem e no crescimento de Içara.
Silesia Pizzetti
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Marcos Rovaris era culto e mantinha boas relações, líder e empreendedor, somadas à sua vivacidade e a força de seus compatriotas bergamascos e amigos de infância, ele foi determinante para colonização da Primeira Linha do Rio Sangão e principalmente para a formação da Vila de Içara. “Os primeiros moradores e desbravadores contavam que Içara teve seu começo com a chegada à Primeira Linha Sangão dos primeiros imigrantes italianos, no final do Século XIX. Bem no começo do Século XX, eles aqui (centro) chegaram.” Bonifácio Espindola Neto, 2019.
Içara pertenceu a Araranguá até 1925 e a Criciúma até sua emancipação em 1961. Desde então, dividiu a Primeira Linha entre Içara e Criciúma, sendo o limite na comunidade de São João. Contudo, durante a colonização não havia divisão, todos viviam como uma só comunidade. As famílias próximas ao Pontilhão do Sangão faziam promessas a São Donato e vinham a pé pagá-las na capela de Içara. O frigorifico e o Armazém de Marcos Rovaris e Marcelo Lodetti servia a toda Primeira Linha e arredores comprando os suínos para abate e com a venda de produtos “secos e molhados” necessários aos colonos.
Como registra o Professor Altamiro Dagostin no primeiro ensaio histórico de Içara, releta que a grande maioria dos imigrantes da Primeira Linha vinham de Província de Bérgamo, na Itália. Dentre as famílias da Primeira Linha que dariam origem a cidade de Içara, Altamiro Dagostim aponta os Rovaris, Menegaro, Lodetti, Bonomo, Colle, Piazzoli, Manente, Valvassori, Zilli, entre outras. Aqui plantaram suas vidas e produziram a história de mais uma cidade do sul catarinense, formando a cidade de Içara e desenvolvendo a região.
Os imigrantes Bergamascos trouxeram não só o desenvolvimento urbano e econômico para Içara, mas também muito contribuíram para a vida religiosa. Na bagagem portaram a devoção e a imagem de São Donato, que após desbravarem a mata virgem, construírem seus ranchos e abrirem as primeiras coivaras para plantar, trataram de edificar uma pequena capela em honra ao santo devoto, cuja imagem trouxe, em partes, na viagem.
A igreja sempre foi um ponto de encontro e união entre os imigrantes, criando ao seu redor a comunidade. Assim, podemos afirmar categoricamente que foi em torno da capela de São Donato que os bergamascos plantaram a semente do que mais tarde seria a cidade de Içara.
A construção no início do século XX da Capela em madeira e coberta de palha, depois de coberta por“tabuletas”, enquanto Abelle Colle esculpia o corpo do santo, pois viera somente a cabeça e das mãos da escultura, mas isto aprofundo num artigo posterior. Com o projeto e início da construção da Estrada de Ferro Dona Tereza Cristina que cortaria os lotes coloniais do lado oeste da Primeira Linha, em 1922 reconstrói-se em alvenaria a Capela de São Donato nas terras de Giacomo D’Inca e Dona Maria Savio, exatamente onde está o Hospital do mesmo nome. Porém, no ano seguinte, por divergências entre os bergamascos ou por interesses econômicos de bergamascos construísse simultaneamente outra Capela de alvenaria a São Donato mais abaixo, em terras de Marcos Rovari, onde está a praça hoje, mais próxima à futura estação ferroviária, também em terras de Rovaris, no Km 47 da estrada de Ferro.
A urbanização da vila de Içara dividiu-se entre os dois pontos, capela de cima e capela de baixo. Agora pense, havia duas capelas e apenas um santo em terras bergamascas, como diz os jovens “deu ruim”. A inovadora ferrovia e o empenho dos bergamascos foram pontos fundamentais para impulsionar o desenvolvimento da cidade de Içara.










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