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Economia | 13/04/2026 | 17:02

Andreia Limas: Como anda sua saúde financeira?

Equilibrar receitas e despesas continua sendo um grande desafio para as famílias e o resultado é um endividamento recorde

Andreia Limas - andreia.limas@canalicara.com

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Quem já chegou à vida adulta sabe como é importante cuidar da saúde financeira, tanto quanto zelar pela saúde física e mental, já que a primeira tem influência direta sobre as outras duas.

Mas equilibrar receitas e despesas continua sendo um grande desafio para as famílias. Em teoria, parece fácil: não gastar mais do que se recebe. Porém, na prática, é bem mais complicado do que isso. A começar pela falta de planejamento e passar pela falta de controle e pelas incertezas da economia.

O resultado? Recorde de endividamento no país e inadimplência na casa dos 30%.

Pesquisa
A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio, mostra que o percentual de famílias brasileiras com dívidas a vencer atingiu 80,4% no mês passado, renovando o maior nível da série histórica do levantamento.

Inadimplência
Apesar do volume recorde de endividados, os índices de atraso, que são complicadores da situação por gerarem juros ao consumidor, apresentaram sinais de estabilização. Porém, em patamares elevados.

O percentual de dívidas em atraso permaneceu em 29,6% em março, estável em relação a fevereiro, mas ainda acima dos 28,6% de março de 2025. Dentro dessa estatística, o grupo que declara não ter condições de pagar as contas atrasadas recuou para 12,3% (queda de 0,3 ponto percentual no mês).

Santa Catarina
No recorte estadual, a inadimplência das famílias catarinenses voltou a cair em março, marcando o quinto mês consecutivo de redução no indicador. O percentual de famílias com contas em atraso recuou de 28,1% em fevereiro para 26,8%, uma queda de 1,3 ponto percentual.

Ao mesmo tempo, o nível de endividamento das famílias apresentou leve alta, passando de 72,8% para 73,5% em março. Já o percentual de famílias que afirmam não ter condições de pagar suas dívidas em atraso permaneceu praticamente estável, passando de 10,4% para 10,3%.

Cartão de crédito
Entre as principais modalidades de endividamento, o cartão de crédito segue liderando, presente em 86,3% das famílias catarinenses. Na sequência, aparecem os carnês (25,7%) e o crédito pessoal (17,4%).

Juros
Dever no cartão de crédito nunca é uma boa ideia, pois os juros aplicados no Brasil, especialmente no rotativo (pagamento parcial da fatura), estão entre os mais altos do mercado. As taxas médias do rotativo oscilavam historicamente entre 12% e 15% ao mês, podendo ultrapassar 440% ao ano.

Desde janeiro de 2024, os juros do rotativo e parcelamento de fatura são limitados a 100% do valor principal, evitando que dívidas se multipliquem sem controle. Ainda assim, as taxas são elevadas e superam em muito outras modalidades de crédito.

Opções
Uma das opções ao rotativo é o próprio parcelamento de fatura, que possui taxas menores, mas ainda elevadas, geralmente entre 4% e 8% ao mês.

A regra de ouro é sempre pagar o total da fatura até o vencimento. Se não puder pagar o total, outra alternativa ao parcelamento são empréstimos pessoais, que costumam ter juros mais baixos. No entanto, são concedidos apenas a quem não está inadimplente, ou seja, com o nome “sujo” (negativado).

Usar o limite da conta corrente para o pagamento da fatura não é recomendado, pois os juros são muito altos, embora limitados a 8% ao mês, estando também entre as modalidades de crédito mais caras.

Crédito “barato”
Entre as modalidades com as menores taxas de juros do mercado estão o crédito consignado (desconto em folha), empréstimos com garantia (imóvel ou veículo) e antecipação do saque-aniversário do FGTS. Essas modalidades oferecem juros reduzidos por apresentarem menor risco de inadimplência para os bancos.

Consignado
O consignado geralmente é a opção mais barata, com juros que costumam variar de 1,4% a 1,8% ao mês para aposentados, pensionistas do INSS e servidores públicos.

Já a taxa média de juros do crédito consignado para trabalhadores CLT (Crédito do Trabalhador) registra valores próximos a 3,2% e 3,83% ao mês. Essa modalidade em geral oferece taxas menores que o crédito pessoal convencional.

Saque-Aniversário do FGTS
O Crédito ao Trabalhador foi criado para contrapor o saque-aniversário do FGTS e sua antecipação, modalidade de empréstimo que usa o saldo como garantia de pagamento e, por consequência, tem taxas menores, até em comparação ao consignado em alguns casos. A antecipação permite retirar parte do saldo, antes do mês de aniversário do titular, e está disponível mesmo para negativados.

De olho
Nesta semana, vamos ficar de olho no pacote de medidas que o Governo Federal promete anunciar com foco em reduzir o endividamento das famílias e ampliar o acesso ao crédito. Entre as ações analisadas estão a concessão de garantia da União para renegociação de dívidas, descontos sobre o valor devido e a liberação de parte do FGTS para pagamento de dívidas.