Economia | 27/10/2026 | 14:16
Andreia Limas: Mercado financeiro reage fortemente à vitória de Lula
No primeiro pregão após a eleição presidencial, Bolsa de Valores teve queda histórica e o dólar disparou, segundo analistas pela surpresa com o resultado das urnas
Andreia Limas - andreia.limas@canalicara.com
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Quem acompanha a coluna deve lembrar que já tratamos aqui sobre a reação imediata do mercado financeiro ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais. Com a vantagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) na corrida pelo Palácio do Planalto, sinalizando a possibilidade de uma troca de governo a partir de 2027, houve valorização dos fundos brasileiros negociados no exterior, recorde histórico na Bolsa de Valores, queda do dólar e do euro frente ao real.
Da mesma forma, o mercado reagiu fortemente, mas no sentido inverso, tão logo a totalização dos votos confirmou a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, realizado no domingo, dia 25.
Ibovespa
No primeiro pregão após a eleição presidencial, nessa segunda-feira, dia 26, o pânico na abertura foi tamanho que a B3 precisou acionar o circuit breaker (mecanismo que suspende temporariamente os negócios) pela primeira vez desde março de 2020, no início da pandemia.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, despencou 13,88%, fechando a 176.608 pontos. Setores dependentes de consumo doméstico e crédito lideraram as perdas, com ações como Magazine Luiza desabando mais de 58%.
Câmbio e juros
O dólar comercial registrou uma das maiores altas diárias desde 1999, saltando 8,21% e fechando a R$ 5,40. Nas primeiras horas do pregão, a moeda americana chegou a tocar a máxima de R$ 5,60. As taxas de juros futuros (DI) também dispararam para os vencimentos de longo prazo.
Mercado externo
A turbulência nos mercados domésticos provocou um forte impacto nos ativos brasileiros negociados no exterior, com destaque para o mercado norte-americano. A reação internacional foi marcada pelo pânico imediato dos investidores estrangeiros, operando em forte sintonia com o cenário de aversão a risco visto no Brasil.
O EWZ, principal fundo de índice que acompanha as ações brasileiras em Nova York, caiu cerca de 26% no pré-mercado na manhã dessa segunda-feira. Embora tenha reduzido parte das perdas com a abertura oficial do mercado americano, o movimento antecipou o ajuste de rota global dos investidores.
Ações de grandes empresas brasileiras listadas nos Estados Unidos, como Itaú Unibanco, Petrobras e Vale, também sofreram perdas massivas logo nas primeiras horas de negociação.
Surpresa
Essa reação deve-se em boa parte à surpresa com o resultado das urnas, pois além de o candidato do PL ter saído em vantagem do primeiro turno, as pesquisas eleitorais realizadas posteriormente ainda mostravam que estava na frente na preferência do eleitor, embora dentro da margem de erro (no chamado empate técnico).
A vitória inesperada do petista desencadeou um movimento de desmonte de posições por parte de investidores que apostavam no triunfo de Flávio como cenário-base. Para o mercado, havia uma alta probabilidade de vitória da oposição, que defendia pautas de privatização e maior austeridade, mas as expectativas acabaram frustradas.
E mais: há um forte ceticismo dos investidores quanto à condução das contas públicas no quarto mandato de Lula, diante do receio de uma política fiscal expansionista e do aumento de gastos governamentais.
Susto
A boa notícia é que, para os analistas do mercado, a forte reação reflete o susto inicial pelo resultado inesperado, mas a recuperação é possível. A tendência de médio prazo dos ativos dependerá diretamente dos acenos políticos de Lula, sobretudo, da indicação dos nomes que comporão sua nova equipe econômica para 2027.
Se a nova administração demonstrar compromisso real com a responsabilidade fiscal, previsibilidade e segurança jurídica, a confiança deve ser restabelecida gradualmente. Mas é claro que isso também dependerá de outros fatores, como o desenho do orçamento da União e a condução da política monetária.
Entidades empresariais
As entidades empresariais também se manifestaram sobre a vitória de Lula. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) adotou um tom institucional focado na pacificação nacional, cooperação e desenvolvimento econômico. A CNI lembrou ainda que disponibilizou aos candidatos o plano "Brasil 2050", um conjunto de propostas e projetos estruturantes elaborados pelo Sistema Indústria.
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) manifestou o desejo de que “o novo mandato seja marcado pelo diálogo, pela responsabilidade institucional e pelo compromisso com o desenvolvimento social e econômico do Brasil”.
Para a CNC, o país enfrenta desafios que exigem equilíbrio, responsabilidade fiscal, segurança jurídica e uma visão estratégica de longo prazo. E a entidade reconhece o papel do empresariado brasileiro nesse contexto, investindo, empreendendo, gerando empregos e renda e contribuindo decisivamente para o fortalecimento da economia nacional.
Indicadores
Vale ressaltar também como andavam alguns indicadores econômicos antes das eleições presidenciais. Até junho, o Produto Interno Bruto (PIB), conjunto dos bens e serviços produzidos no país, mostrava um crescimento moderado da economia brasileira, de 0,5% no segundo trimestre deste ano na comparação com o primeiro trimestre. Em relação ao mesmo período do ano passado, apresentou alta de 2%, ligeiramente acima do acumulado de quatro trimestres, que teve expansão de 1,9%. Em valores, o PIB chegou a R$ 3,4 trilhões no segundo trimestre.
Já a inflação foi de 0,82% em setembro, chegando a 4,58% no acumulado dos últimos 12 meses e a 3,95% no acumulado no ano. A meta estabelecida para 2026 é de 3%, podendo variar 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Na reunião de setembro, o Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 13,75% ao ano, dando sequência ao ciclo de redução iniciado em março. O comitê voltará a se reunir na próxima semana.
De olho
Nesta semana, vamos ficar de olho em outro importante indicador econômico, a geração de empregos formais, apontada pelo Novo Caged, divulgado pelo Ministério do Trabalho.













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