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13 de maio de 2021 - 12:32
Economia » Coronavírus Covid-19
Andreia Limas: O que a vacina tem a ver com a economia?
20/01/2021 às 08:00 | Andreia Limas - andreia.limas@canalicara.com
Lucas Lemos [Canal Içara]
O fato da semana no Brasil é o início da vacinação contra a Covid-19, após a aprovação do uso emergencial da Coronavac e da vacina de Oxford pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no domingo, 17, com a primeira pessoa sendo imunizada no mesmo dia.

Neste primeiro momento, serão vacinados profissionais de saúde, idosos que estão em asilos e indígenas. Em seguida, será a vez de pessoas com mais de 75 anos. Na etapa seguinte, a imunização ocorrerá em idosos com idades entre 60 e 74 anos. A terceira fase incluirá as pessoas com comorbidades e, por fim, os professores, profissionais das forças de segurança, funcionários e detentos do sistema prisional.

Mas por que estou ressaltando este assunto em uma coluna de economia? A vacinação não deveria ser tratada por alguém da área da saúde? Sim, os aspectos relacionados à eficácia, bem como os possíveis efeitos colaterais, indicações, riscos etc, devem ficar os especialistas. A proposta aqui é abordar brevemente o que a vacina tem a ver com a economia.

Do início

Antes de mais nada, lembro o que a pandemia significou para o mercado mundial: fechamentos, quebradeira, desemprego, recessão, uma das mais graves crises da história, que fez o PIB encolher mundo afora, interferiu nas bolsas, nos preços e na vida financeira de todos. Passado o susto inicial, a economia começou a reagir e houve casos em que os índices alcançaram patamares até maiores em comparação aos do início do ano. Mas para que a recuperação econômica se confirme, é preciso que essa reação dure. E é aí que entra a importância da vacina.

Esperança

Tanto os economistas quanto os representantes da classe empresarial colocam a vacina como fundamental para criar um ambiente propício ao crescimento. Com a imunização, as atividades econômicas impactadas pela pandemia e que ainda estão suspensas poderão enfim ser retomadas com segurança. Aquelas que ainda passam por restrições voltarão à operação plena. Já as demais terão condições de expandir os negócios, em um cenário de menor incerteza.

Emprego

Um dos primeiros reflexos, então, virá em forma de empregos. Mesmo que o número de contratações venha superando o de demissões desde junho, é preciso lembrar que eles refletem apenas as vagas de trabalho com carteira assinada, que representam somente uma parcela da população economicamente ativa. Nessa conta, existem também os autônomos, os empreendedores, os microempreendedores individuais e os informais, muitos deles ainda lutando para se reposicionar no mercado.

Consumo

Mais pessoas trabalhando significa mais renda e maior poder de compra, impulsionando o consumo. Durante a pandemia, o e-commerce e o auxílio emergencial garantiram a sobrevivência do varejo, que conseguiu atenuar as perdas e fechar o ano com números melhores do que o esperado. No entanto, o benefício concedido pelo Governo Federal a informais, microempreendedores individuais e desempregados terminou em dezembro – em função do calendário de pagamentos, alguns ainda recebem, mas pelo menos por enquanto não haverá mais parcelas. Daí a necessidade de acelerar a reinserção dessas pessoas no mercado de trabalho e/ou em suas atividades.

Serviços

Talvez o setor que aguarde com mais expectativa os efeitos positivos da vacinação seja o de serviços, sobretudo aqueles prestados presencialmente, de longe os mais afetados pela crise. Alguns ainda seguem paralisados, como os eventos artísticos e shows, e toda a cadeia produtiva envolvida.

Indústria

Por outro lado, a indústria foi o primeiro setor a superar a crise, voltando à produção e apresentando crescimento em 2020, apesar de todas as dificuldades, desde a paralisação das atividades até o encarecimento dos insumos e a falta de matéria-prima. Por isso, o otimismo de ter um desempenho ainda melhor este ano, atrelado principalmente ao reaquecimento da economia suscitado pela chegada da vacina. A leitura é que, com o problema de saúde controlado, será possível voltar a investir.

Governo

O mesmo pensamento vale para o governo, tanto o estadual quanto o federal. Com a imunização, a tendência é diminuir o número de casos de coronavírus, reduzindo a necessidade de atendimento hospitalar e a demanda por leitos de UTI, atenuando por consequência os gastos com esses serviços, uma economia que cobrirá com sobras os custos com a aquisição das vacinas. Com o menor aporte na saúde e o fim do auxílio emergencial e da compensação paga a trabalhadores que tiveram os contratos suspensos ou a carga horária/salários reduzidos, os recursos públicos poderão ser usados em ações que fomentem a economia.

Estratégia

A vacinação também é uma medida estratégica na competição com outros países. Não por acaso, entre as dez maiores potências econômicas do mundo – Estados Unidos, China, Japão, Alemanha, Índia, Reino Unido, França, Itália, Brasil e Canadá – apenas o Japão ainda não começou a imunização, embora já tenha adquirido doses suficientes para os 127 milhões de habitantes das empresas farmacêuticas Moderna, AstraZeneca e Pfizer, que entraram com pedido de homologação no país em dezembro. As vacinas serão gratuitas e não começaram a ser aplicadas ainda porque o governo prepara uma ampla campanha de divulgação para engajamento do público.

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