Economia | 06/04/2026 | 17:37
Andreia Limas: Por que o crescimento da indústria é importante?
Setor representa quase 25% do PIB nacional e tem participação significativa no comércio exterior, arrecadação de impostos, volume de investimentos e geração de empregos formais
Andreia Limas - andreia.limas@canalicara.com
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Dados relacionados ao Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2025 mostram que, entre as três atividades econômicas analisadas pelas Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, a indústria foi a que registrou o menor crescimento, 1,4%, diante de 11,7% na agropecuária e 1,8% nos serviços.
Mas o que significa para a economia o setor viver ou não um bom momento? Os reflexos são importantes, considerando a contribuição da indústria no próprio PIB – foram R$ 2,56 trilhões no ano passado, o que representa 23,4% de participação no total; no comércio exterior, na arrecadação de impostos, no volume de investimentos e na geração de empregos formais.
Crescimento
Por isso, aumenta o otimismo diante da informação de que a produção industrial brasileira registrou em fevereiro o segundo crescimento consecutivo, ao avançar 0,9%. Com isso, a indústria acumula expansão de 3% no ano. Em relação a fevereiro do ano anterior, o setor recuou 0,7%, após avançar 0,2% em janeiro, quando interrompeu três meses consecutivos de queda na produção: dezembro (-0,1%), novembro (-1,4%) e outubro de 2025 (-0,4%).
A média móvel trimestral em fevereiro foi de 0,3%, o acumulado no ano foi de -0,2% e o acumulado em 12 meses foi de 0,3%. Com esses resultados, a produção industrial se encontra 3,2% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020), mas ainda está 14,1% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada pelo IBGE.
Categorias
O crescimento da produção industrial foi registrado nas quatro grandes categorias econômicas e na maior parte (16) dos 25 ramos pesquisados. Entre as atividades, as influências positivas mais importantes foram assinaladas por veículos automotores, reboques e carrocerias (6,6%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (2,5%).
Com isso, a atividade de veículos automotores, reboques e carrocerias acumula expansão de 14,1% nos dois primeiros meses de 2026 e elimina o recuo de 9,5% verificado nos dois últimos meses de 2025. Já a produção de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, marcando o terceiro mês consecutivo de crescimento, registrou ganho de 9,9% nesse período.
Entre as atividades que apresentaram recuo, a principal influência veio da produção de farmoquímicos e farmacêuticos (-5,5%), que intensificou a magnitude de queda verificada no primeiro mês do ano (-1,4%). Também houve impactos negativos assinalados pelos setores de produtos químicos (-1,3%) e de metalurgia (-1,7%).
Empregos
Em relação à geração de empregos formais, o desempenho no primeiro bimestre também foi positivo, com saldo superior a 86 mil vagas adicionadas no país, levando o estoque a mais de 9,1 milhões de postos de trabalho com carteira assinada. Com isso, a indústria brasileira se mantém como o segundo setor que mais emprega, atrás apenas dos serviços, que têm estoque superior a 24 milhões de empregos e no ano acumula mais de 221 mil vagas acrescentadas.
Recorte estadual
Trazendo para o recorte estadual, a indústria liderou a geração de empregos formais em Santa Catarina, com saldo superior a 17,2 mil vagas adicionadas no primeiro bimestre, levando o estoque a mais de 819 mil empregos. Com estoque superior a 1 milhão, os serviços tiveram saldo positivo de 15,5 mil vagas no período.
Içara
Em Içara, dos 22,7 mil trabalhadores com carteira assinada, 9,5 mil estão na indústria, frente a 6,1 mil no comércio e 5,7 mil nos serviços. No município, o setor também liderou a geração de empregos, acrescentando 150 novas vagas este ano, diante de 62 nos serviços.
Comércio e serviços
Está prevista para a próxima semana a divulgação da Pesquisa Mensal de Serviços e da Pesquisa Mensal do Comércio referentes a fevereiro, igualmente realizadas pelo IBGE.
A edição anterior mostrou que o volume de serviços do país variou 0,3% em janeiro de 2026, em relação a dezembro último, na série com ajuste sazonal. Com esse resultado, o setor iguala o patamar recorde da série histórica, que também foi alcançado nos meses de outubro e novembro do ano passado, ficando, ainda, 20,1% acima do nível pré-pandemia.
Já o volume de vendas do comércio varejista do país variou 0,4% frente a dezembro de 2025 (-0,4%). Com isso, a evolução do índice de média móvel trimestral para o varejo ficou em 0,3% no trimestre encerrado em janeiro de 2026.
Desocupação e rendimentos sobem
Influenciada por perda de vagas nos segmentos de saúde, educação e construção, comum no início do ano, a taxa de desocupação voltou a crescer no país, chegando a 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro. Isso significa que 6,2 milhões de pessoas buscaram trabalho sem sucesso no trimestre, 600 mil a mais do que no trimestre encerrado em novembro de 2025.
Mesmo assim, a taxa é a menor para um trimestre encerrado em fevereiro desde o início da série histórica em 2012. A boa notícia para o mercado de trabalho é o rendimento real habitual de todos os trabalhos, que atinge novamente patamar recorde, chegando a R$ 3.679, aumento de 2,0% no trimestre e de 5,2% no ano. Os dados são da PNAD Contínua Mensal, divulgada pelo IBGE.
De olho
Nesta semana, vamos ficar de olho na inflação de março. A divulgação do IPCA está prevista para sexta-feira, 10, quando deveremos ter uma noção dos efeitos reais da alta do diesel na economia. Também para esta semana está prevista a divulgação da balança comercial de março.

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