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Economia | 03/08/2026 | 11:09

Andreia Limas: Vamos falar sobre a importância dos programas sociais para a economia?

A estimativa é de que, a cada R$ 1 pago no Bolsa Família, R$ 1,78 retorne para o PIB, graças ao efeito multiplicador

Andreia Limas - andreia.limas@canalicara.com

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O funcionamento da economia ainda é um mistério para muita gente, mas o que todos sabem é que sua movimentação impacta diretamente a vida de cada um de nós. Você pode até não entender por que a guerra entre países tão distantes faz você pagar mais pela gasolina, porém, percebe o aumento e a diferença que isso faz no seu orçamento familiar. Esse é só um exemplo para mostrar o quanto fatores internos e externos podem influenciar a economia e ter efeitos a curto, médio e longo prazo que serão sentidos por você.

Trago esse assunto hoje para falar sobre os benefícios sociais e o quanto eles são importantes do ponto de vista econômico.

Bolsa Família
Vamos começar logo pelo maior, o Bolsa Família, que em julho beneficiou quase 19,3 milhões de famílias brasileiras, o equivalente a mais de 49,7 milhões de pessoas. O valor médio pago a cada família no mês foi de R$ 679,19, representando um investimento superior a R$ 13 bilhões.

Trazendo para a nossa realidade, no mês passado, mais de 1,8 mil famílias foram beneficiadas em Içara, com investimento de R$ 1,2 milhão.

Benefício de Prestação Continuada
Temos ainda o Benefício de Prestação Continuada, pago a pessoas com deficiência e idosos inscritos no Cadastro Único que não estão aposentados e integram famílias com renda per capita de até um quarto do salário mínimo.

Em junho deste ano, quase 6,4 milhões de pessoas receberam o BPC no país, totalizando mais de R$ 10,3 bilhões investidos. Em Içara, foram 916 beneficiados e quase R$ 1,5 milhão de investimento mensal.

Gás do Povo
Outro programa de grande abrangência, o Gás do Povo recebeu em julho investimento de quase R$ 1 bilhão, dos quais, R$ 94,3 mil aplicados em Içara.

A lista é mais ampla, mas vamos ficar só com esses três casos.

Recursos públicos x iniciativa privada
Não vou comentar aqui a importância social desses programas, para ficarmos só na esfera econômica. Ao ver esses números, muitas pessoas pensam que esses recursos públicos estão sendo “gastos” e não “investidos”, mas na prática não é o que ocorre.

A fonte pagadora pode até ser pública, mas esse dinheiro acaba indo para a iniciativa privada e retornado ao caixa do governo com sobras.

Efeito multiplicador
Como as famílias beneficiárias vivem em situação de vulnerabilidade, elas tendem a gastar o dinheiro imediatamente para suprir necessidades básicas. Com isso, quase 100% do benefício retorna direto para o comércio em alimentação, remédios e vestuário.

O dinheiro injetado movimenta mercadinhos, farmácias e serviços nos próprios municípios. O aumento da demanda no comércio força empresas e fornecedores a produzirem mais, ajudando a manter e ampliar os postos de trabalho.

Impacto local
Usando os números mais recentes, para o comércio e os prestadores de serviços içarenses, somente esses três programas do Governo Federal significam uma injeção mensal de R$ 3,6 milhões, gerando demanda também para as atividades econômicas ligadas à indústria, construção e agropecuária.

Essas operações, por sua vez, geram empregos e impostos municipais, estaduais e federais, consolidando assim o chamado efeito multiplicador.

Retorno
Estudos do ⁠Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome indicam que o Bolsa Família é uma das transferências com maior retorno econômico, retornando para o PIB R$ 1,78 para cada R$ 1 investido – no BPC, o retorno é de R$ 1,19, enquanto no seguro-desemprego fica em R$ 1,06 e na Previdência Social em R$ 0,52.

Efeito preguiça
Os dados consolidados também desmentem o “efeito preguiça”, ou seja, a falsa ideia de que receber benefícios sociais é um desestímulo ao trabalho formal, por indolência, acomodação ou medo de deixar de ser beneficiário.

Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), os beneficiários do Bolsa Família e pessoas inscritas no Cadastro Único concentraram a maior parte das vagas com carteira assinada abertas no Brasil em 2025. Dos 1,274 milhão de postos formais criados no ano, 1,160 milhão, ou seja, 91%, foram ocupados por esse público.

E a tendência se manteve em 2026. Entre janeiro e maio, o saldo de empregos formais foi de 767 mil vagas. Desse total, 517 mil foram preenchidas por pessoas de famílias beneficiárias do Bolsa Família e outras 200 mil por inscritos no CadÚnico que não recebem o benefício. Apenas cerca de 50 mil vagas ficaram com trabalhadores fora desse universo.

Saldo positivo
Vale lembrar também que o saldo de empregos formais se manteve positivo no país no primeiro semestre deste ano. O último saldo negativo foi registrado em dezembro, mas esse já era um resultado esperado devido aos fatores sazonais, como a dispensa de temporários.

Saída
Outro dado relevante a se considerar é que mais de 5,1 milhões de famílias deixaram o Bolsa Família entre março de 2023 e maio de 2026 após ampliarem a renda.

De olho
Nesta semana, vamos ficar de olho na reunião do Copom, que definirá o novo patamar da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,25% ao ano.