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Lucas Lemos

Economia | 15/09/2026 | 13:08

Andreia Limas: PIB mostra crescimento moderado da economia brasileira

Variação foi de 0,5% no segundo trimestre deste ano na comparação com o primeiro trimestre

Andreia Limas - andreia.limas@canalicara.com

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A primeira quinzena de setembro teve a divulgação de dois importantes indicadores econômicos, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A primeira delas foi a do Produto Interno Bruto (PIB), conjunto dos bens e serviços produzidos no país, referentes ao período de abril, maio e junho de 2026.

Os números mostram um crescimento moderado da economia brasileira, de 0,5% no segundo trimestre deste ano na comparação com o primeiro trimestre. Em relação ao mesmo período do ano passado, apresenta alta de 2%, ligeiramente acima do acumulado de quatro trimestres, que teve expansão de 1,9%. 

Em valores, o PIB chegou a R$ 3,4 trilhões no segundo trimestre. 


Setores

O crescimento apresenta variações entre os principais setores econômicos. Entre eles, a agropecuária foi destaque, com variação positiva de 2,8% na passagem do primeiro para o segundo trimestre. Em 12 meses, a alta chega a 6,2%.

Já os serviços, que mais empregam no país, cresceram 0,2% entre os trimestres seguidos e 1,7% no acumulado de 12 meses, enquanto a indústria variou positivamente 0,1% do primeiro para o segundo trimestre e 1,4% em 12 meses. Dentro da indústria, o principal motor foi a indústria extrativa, que saltou 3,4% entre os trimestres seguidos.


Destaques individuais

Detalhando os dados de cada setor, os segmentos que mais cresceram nos serviços foram informação e comunicação (2,1%), transporte, armazenagem e correio (1,1%) e atividades imobiliárias (0,2%). O comércio ficou estável, ou seja, teve variação nula (0%).

Por outro lado, houve variação negativa no segmento administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (-0,4%) e em atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (-0,3%).

A Formação Bruta de Capital Fixo, indicador que representa os investimentos, cresceu 1,2% no trimestre.


Consumo e mercado externo

Pela ótica da demanda, o consumo do governo subiu 0,4%, enquanto o das famílias recuou (-0,4%).

No comércio exterior, as exportações caíram (-0,8%) e as importações subiram 1,8% em relação ao primeiro trimestre de 2026.


Projeção

Após a divulgação, o Relatório Focus, sondagem do Banco Central com instituições do mercado financeiro, aponta projeção menor para o PIB de 2026. A estimativa do boletim publicado nessa segunda-feira é de 1,89%, abaixo à da semana anterior (1,93%), e do crescimento projetado há quatro semanas (1,98%). O relatório com as projeções atualizadas é publicado toda segunda-feira.


Inflação

O boletim também traz a projeção da inflação para este ano de 4,9%, abaixo da semana anterior (5%) e de quatro semanas antes (5,02%). Até agosto, a inflação acumulada é de 3,11%, de acordo com o IBGE.

Divulgado na última semana, o IPCA de agosto registrou deflação de 0,32%, levando o acumulado dos últimos 12 meses a 4,22%, dentro da tolerância da meta estipulada para este ano. Definida em 3% para 2026, a meta de inflação pode variar 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.


Deflação

Considerado a inflação oficial do país, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve em agosto a maior deflação mensal desde agosto de 2022, quando caiu 0,36%. O resultado também reforça o movimento de desaceleração dos preços. Em julho, o índice havia subido 0,07%, enquanto em junho a alta foi de 0,16%.

A queda foi puxada principalmente pelo grupo de Habitação, que recuou 1,87% no mês. Os grupos de Alimentação e bebidas (-0,34%), Transportes (-0,86%) e Comunicação (-0,09%) também registraram deflação no período.


INPC

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias com renda mensal de até cinco salários mínimos, também registrou variação negativa de 0,32% em agosto, chegando a 3,17% no acumulado no ano e a 3,98% nos últimos 12 meses.


De olho

Vale lembrar que a inflação interfere diretamente na taxa básica de juros. Com os índices sob controle, o Copom iniciou em março um ciclo de cortes que levou a Selic a 14% ao ano na reunião de agosto. O próximo encontro do conselho ocorre nesta semana e vamos ficar de olho se a redução continuará. Os analistas do mercado projetam que a Selic fechará o ano em 13,75%.