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Economia | 24/07/2026 | 12:45

Mais de mil estrangeiros estão no trabalho formal em Içara

De acordo com dados da RAIS, ao final de 2025 eram 952 imigrantes empregados no município, número que subiu para 1.164 este ano

Andreia Limas - andreia.limas@canalicara.com

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O mercado de trabalho formal em Içara conta com mais de mil estrangeiros, considerando os dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) 2025 e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), ambos divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O maior contingente é de profissionais com nacionalidade cubana.

Conforme a RAIS, o município fechou o ano passado com estoque de 24.637 vínculos empregatícios, entre celetistas (empregados com carteira assinada) e estatutários (funcionários públicos contratados por estatuto ou lei própria). Nesse total, havia 952 estrangeiros, uma fatia de 3,86%.

Entre os imigrantes, cubanos, venezuelanos e haitianos somavam 787 pessoas, o equivalente a 82,67% dos estrangeiros no trabalho formalizado em Içara, diante de 165 pessoas de outras nacionalidades (17,33%). Com 342 representantes, os cubanos eram então 35,92% desse grupo, enquanto os 321 venezuelanos representavam 33,72% e os 124 haitianos, 13,03%, homens e mulheres.

A participação de estrangeiros na força de trabalho do município vem aumentando desde a pandemia, passando de 321 em 2019, ano anterior à crise de saúde, para 589 em 2024, No entanto, o crescimento mais expressivo ocorreu entre 2024 e 2025, uma variação de 61,63%.

A análise dos dados do Novo Caged mostra que essa evolução se mantém em 2026. Entre janeiro e maio, Içara gerou 572 novas vagas com carteira assinada, com 360 brasileiros e 212 estrangeiros ocupando esses postos de trabalho. Ou seja, são 212 imigrantes a mais somente entre os celetistas. Novamente, cubanos (123) e venezuelanos (60) formam a maioria entre os estrangeiros.

Tendência estadual

A contratação de mão de obra estrangeira em Içara segue uma tendência observada em Santa Catarina, onde o contingente de imigrantes no trabalho formal passou de 76.056 em 2024 para 94.224 ao final do ano passado, segundo dados da RAIS.

A Região Carbonífera também acompanha esse movimento, com o contingente aumentando de 3.125 para 4.158 entre um ano e outro. Maior município da região em termos de população e número de empresas, Criciúma concentrou o maior contingente de imigrantes formalizados nos dois anos, indo 1.197 em 2024 para 1.480 no ano seguinte.

Estudo

Um estudo elaborado pela Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc) mostra que Santa Catarina voltou a liderar o país na geração de empregos formais para estrangeiros. Entre janeiro e maio de 2026, o estado registrou 10,2 mil novas carteiras assinadas de pessoas de outros países, o maior resultado da série histórica para os cinco primeiros meses do ano.

Em comparação ao mesmo período do ano passado, as contratações de estrangeiros cresceram 14%, o que evidencia a importância dessa mão de obra para atender à demanda das empresas catarinenses.

Os dados também revelam o perfil dessa força de trabalho. Os venezuelanos representam 43% do saldo de vagas registrado no estado entre janeiro e maio, seguidos pelos haitianos, com 23%, e pelos cubanos, com 19%.

O Oeste catarinense concentrou o maior saldo de vagas, com 3,4 mil trabalhadores entre janeiro e maio. Logo depois aparecem o Vale do Itajaí e o Norte catarinense, que juntos somaram 3,5 mil novas vagas nos cinco primeiros meses do ano.

A Grande Florianópolis registrou 1,4 mil novos postos de trabalho, enquanto Sul e Serra apresentaram crescimento de 43% e 182%, respectivamente, em relação ao mesmo período do ano anterior. No Sul, o crescimento das contratações foi alavancado por diferentes segmentos industriais, como laticínios, confecção e automotivo, além do comércio varejista.