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04 de agosto de 2020 - 13:32
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Antônio Arthur de Mello em perfil
10/09/2011 às 07:26 | Derlei Catarina De Luca - derlei.deluca@canalicara.com
Tinha o rosto marcado, a alma sensível e entusiasmo para brigar por seus direitos. Apesar de ter nascido na Sanga Funda, fora registrado em Urussanga por ser costume da família. Nascido em 1930, doze dias depois da revolução era um homem típico do seu tempo.

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Em 1954, aos 24 anos, foi fichado como ajudante de mineiro na Sociedade Carbonífera Próspera. Mas antes já trabalhara na Carbonífera Mina União Ltda apesar de não ter tido a carteira assinada.Sindicalista atuante participava de todas as assembléias, greves manifestações e lutas organizadas pelo sindicato. Aliás, era o número um nos piquetes.

Não dormia sem ouvir a Radio Gaúcha, para saber noticias do PTB, o partido do seu coração. Tinha como líderes Leonel Brizola, João Goulart e Luís Carlos Prestes. Do sindicato para o Grupo dos 11 foi um passo natural. Brizolista apaixonado foi militante do PTB, depois do MDB e por fim do PDT até sua morte.

Naquele dia saiu de casa às 5h como todas as manhãs. Aquele, porém, não era um dia como os outros. Na mina colocou fogo no estopim de dinamite. O fogo apagou antes de atingir a espoleta. Toni foi tentar acender outra vez e a dinamite detonou.

Foi um acidente feio. Toni Arthur, como era conhecido, sobreviveu cego de uma vista e com o rosto indelevelmente marcado pelos estilhaços de carvão que lhe deram para o resto da vida um tom esverdeado no rosto. A ditadura militar o fez sofrer, mas não arrefeceu seu espírito de luta. Continuou frequentando o sindicato, reunindo os companheiros para discutir a lei do FGTS, lia e passava aos demais os jornais clandestinos que lhe chegavam as mãos.

Considerava-se feliz por sobreviver a ditadura, ver realizado o sonho da redemocratização e a volta de Leonel Brizola ao país. O PDT estava sendo reorganizado, Brizola veio até a Região Carbonífera pernoitando na Praia do Rincão. Toni Artur fez questão de montar guarda durante toda a noite na casa onde Brizola dormia. Até sua morte acreditou na possibilidade de os homens construírem seu destino e lutou por isto.
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