Cotidiano | 20/07/2026 | 13:01
"Bexiga caída" tem tratamento e não é consequência natural da idade
Especialista alerta para os sinais do prolapso dos órgãos pélvicos e reforça que o diagnóstico precoce amplia as possibilidades de tratamentos menos invasivos
Redação | com informações de Marciano Bortolin, da Unesc
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A sensação de peso na região íntima aliada à dificuldade para urinar costumam ser encaradas por muitas mulheres como consequências naturais do envelhecimento ou dos partos. No entanto, esses sinais podem indicar o prolapso dos órgãos pélvicos, condição popularmente conhecida como "bexiga caída", que compromete a qualidade de vida e exige avaliação especializada.
Embora o avanço da idade e os partos vaginais aumentem o risco para o problema, eles não significam que a mulher inevitavelmente desenvolverá a doença. Ao longo dos anos, ocorre uma perda fisiológica de colágeno, alterações hormonais, redução da qualidade muscular e sobrecarga sobre o assoalho pélvico, fatores que favorecem o aparecimento do prolapso. Ainda assim, quando surgem sintomas que interferem na rotina, a situação deixa de ser uma alteração esperada do envelhecimento e passa a representar uma condição clínica que necessita de acompanhamento.
"A presença do prolapso nem sempre está relacionada à intensidade dos sintomas. Muitas mulheres apresentam algum grau de descenso dos órgãos pélvicos no exame físico sem qualquer sintoma. Por outro lado, prolapsos pequenos podem causar grande impacto funcional. Atualmente, o tratamento é guiado principalmente pelos sintomas e pelo prejuízo à qualidade de vida, e não apenas pelo estágio anatômico", afirma a uroginecologista Nadhine Ronsoni.
Sintomas interferem na rotina e na autoestima
Os principais sinais incluem sensação de peso ou pressão vaginal, percepção de abaulamento na região íntima, dificuldade para esvaziar completamente a bexiga, necessidade de fazer força para urinar, desconforto durante as relações sexuais, infecções urinárias recorrentes e até perda urinária. Conforme Nadhine, é comum que os sintomas se intensifiquem ao final do dia, após longos períodos em pé ou depois de carregar peso, melhorando quando a mulher se deita.
"A procura por um especialista deve ocorrer assim que esses sintomas começarem a comprometer as atividades do dia a dia. Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores são as possibilidades de tratamento conservador e de evitar a progressão do prolapso", ressalta.
Os impactos vão além do aspecto físico. Estudos apontam redução significativa da qualidade de vida das pacientes, com limitações para praticar exercícios, permanecer muito tempo em pé ou levantar peso. Na esfera sexual, pode surgir dor durante a relação, sensação de abaulamento, diminuição da autoestima e redução da libido.
Além disso, o problema costuma repercutir na saúde emocional. Ansiedade, vergonha, medo da progressão da doença e isolamento social estão entre os relatos frequentes de mulheres que convivem com o prolapso. Muitas deixam de viajar, frequentar academias ou manter relações íntimas por receio dos sintomas. "Hoje sabemos que o objetivo do tratamento não é apenas corrigir a anatomia, mas restaurar a qualidade de vida, a função urinária, a função sexual e o bem-estar emocional", ressalta a especialista.
Hábitos saudáveis ajudam na prevenção
Embora fatores como genética, idade e histórico de partos não possam ser modificados, alguns hábitos fazem diferença na prevenção e na evolução da doença. Entre eles estão manter o peso adequado, tratar a constipação, controlar doenças respiratórias, evitar o tabagismo e reduzir situações que aumentem a pressão constante sobre o assoalho pélvico, como esforço repetitivo para evacuar e tosse crônica.
O fortalecimento da musculatura pélvica também desempenha papel importante. De acordo com Nadhine, evidências científicas mostram que o treinamento dos músculos do assoalho pélvico reduz os sintomas e pode retardar a progressão dos prolapsos leves.
O tratamento é definido de forma individualizada e considera a intensidade dos sintomas, idade, presença de vida sexual ativa, outras doenças associadas e as expectativas da paciente. Nos casos leves, a abordagem costuma incluir fisioterapia do assoalho pélvico, tecnologias voltadas para a região íntima e mudanças de hábitos. Já quando os sintomas comprometem significativamente a qualidade de vida ou não há resposta ao tratamento conservador, a cirurgia passa a ser indicada.
"As técnicas atuais procuram restaurar o suporte dos órgãos pélvicos preservando as funções urinária, intestinal e sexual. A escolha do procedimento deve ser compartilhada com a paciente, após uma discussão detalhada sobre riscos, benefícios, possibilidade de recorrência e expectativas. Nem todo prolapso precisa de cirurgia, assim como o grau da alteração nem sempre corresponde ao desconforto sentido pela paciente. A cirurgia deve tratar a paciente, e não apenas o exame físico. O sucesso hoje é medido principalmente pela melhora dos sintomas, recuperação funcional e satisfação da mulher", explica.
"Também é fundamental romper a ideia de que o problema faz parte do envelhecimento feminino. O prolapso é uma condição extremamente comum, mas possui tratamento eficaz e seguro. Muitas mulheres convivem durante anos com sintomas que limitam sua qualidade de vida por acreditarem que não existe solução. Quanto mais cedo ocorre a avaliação especializada, maiores são as possibilidades de oferecer tratamentos individualizados e menos invasivos", conclui Nadhine.














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