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18 de novembro de 2019 - 20:04
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Jonas coloca Içara em olimpíada nacional
22/10/2010 às 14:00 | Lucas Lemos com informações de Simone Costa (PMI)
Desde o sucesso de Joice Zilli da Silva, Içara já representa Santa Catarina pela terceira vez na Olimpíada da Língua Portuguesa. Agora, a concorrência está por conta de Jonas Teixeira Ignácio. Com 14 anos, o integrante da Escola Maria Arlete Bitencourt Lodetti foi classificado com a crônica "Belezas da cidade do mel". “Eu sempre gostei muito de escrever com sentimento e uso isso como passatempo, mas quando desenvolvi a crônica não imaginava que seria escolhida”, declarou o estudante, atuante nas oficinas da Academia Içarense de Letras e Artes (Aila), que sonha em ser ator e roteirista na televisão.

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Com um livro pronto para ser editado, o jovem estudante revela um futuro promissor. E, deixa de gerar expectativa dentro da escola para chamar a atenção de toda a cidade ao talento que possui. "O Jonas tem vocação literária, já nasceu escritor”, define orgulhosa Silésia Pizzetti Augustinho, professora de Língua Portuguesa e orientadora durante a execução do texto. “Vamos à Curitiba e fazer o que for possível para trazer o prêmio nacional mais uma vez para Içara”, conclui ela. A viagem deverá ocorrer no início do próximo mês.

“A melhor maneira de incentivar novas conquistas é exatamente apoiar incondicionalmente alunos e professores que nos auxiliam a ser destaque”, afirma a coordenadora Pedagógica do Ensino Fundamental Municipal, Maria Conceição Búrigo Lima. A Olimpíada da Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro é uma iniciativa do Ministério da Educação e da Fundação Itaú Social. E, tem como objetivo contribuir para a formação de escritores de poesia, memórias literárias e artigos de opinião. Somente de Içara, foram 2,5 mil trabalhos inscritos em 2010.


BELEZAS DA CIDADE DO MEL: A cidade onde eu vivo é um berço de culturas, costumes diversos e belezas inigualáveis. Da nossa terra pura, doce e amendoada nascem os frutos valorosos alimentados no seio caloroso de Içara. As pessoas vivem saciadas e felizes dando o melhor de si; na união da boa terra, no ventre quente de amor. O lugar onde vivo é alegre, bonito, cheio de pássaros admirados pelo belíssimo canto, árvores e flores de todos os tipos cores e formas.

Aqui as conversas amigáveis desenrolam-se em lugares pouco inusitados: nos bares de esquina agitados pelo forte aroma do álcool, nas lavouras imensas que sustentam muitas famílias, nos banquinhos de praça acimentados, no frenesi das filas de ônibus e também nos deliciosos passeios matinais.

A bola corre solta por aqui, seja menino, ou seja, menina, todos jogam com a mesma grandeza, sem nenhuma distinção. O futebol, seja um campinho de areia, seja em gramado, é a paixão das nossas crianças. Vê-las correndo, dando sangue e suor pela posse da bola de gomos é indescritível. A poeira cintilante levantada pela paixão a este objetivo, pulsa firme nos corações e de grão em grão decai lentamente no colo da irmã areia. No fim da partida as crianças estão com a pele em pasta, uma combinação de terra e suor, mas mesmo sujas é notável sua alegria inabalável.

Quando amanhece e os raios da noite se extinguem, o trem aparece e felicita os moradores com seu apito ensurdecedor e melodioso. A fumaça brumosa deixada por ele flutua levemente até cair gracioso nos trilhos cor de mel. O café neste momento ferve e borbulha, quente e úmido, como nossos corações ávidos por amor.

O suor dos dias de trabalho na lavoura, escorrega da face cansada e penetra com suavidade no solo, metamorfoseando-se lentamente no mel puro, que existe só aqui, nesse lugar de encantamentos, belezas e doce magia, rotulada de a cidade mais doce do Brasil.

Um dia, quem sabe, lá no futuro, quando tudo estiver completamente mudado, possa-se olhar para tudo isso e sentir grandes e vãs saudades. Queira Deus que lágrimas quentes desçam dos meus olhos e salguem minha face, fazendo-me recordar que nada disso foi mera ilusão. As lágrimas serão as únicas lembranças do mel puro e da terra doce, nascidas no seio da mãe Içara que me acalentava e afagava meus medos e inseguranças, na minha pobre e frágil inocência...
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