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22 de maio de 2019 - 14:32
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Mulheres buscam distância das drogas
15/05/2012 às 19:09 | Lucas Lemos - lucas.lemos@canalicara.com
Mais de 50 mulheres aguardam uma nova oportunidade. São dependentes químicas que desejam uma vaga na comunidade terapêutica Deus está aqui. Mas para garantir espaço precisam demonstrar que a vontade parte delas e não somente de familiares e amigos. Esta distância do álcool, maconha, crack e outras drogas mobiliza atualmente sete internas na casa de Coqueiros, em Içara. As idades variam de 19 a 50 anos.

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Às 7h ocorre o despertar. A partir das 7h30 serve-se o café da manhã. Depois tem o momento devocional, as atividades da casa e até um tempo para leitura. É assim a manhã das mulheres que estão em terapia. Mas a rotina varia conforme a semana. Nas segundas-feiras, por exemplo, ocorre a tarde da beleza. É o momento em que elas tratam da autoestima.

"Temos uma cabeleireira que cede o momento de folga para este trabalho voluntário. Se alguém mais quiser contribuir também estaremos de braços abertos. Pode ser também manicure e pedicure", relata a presidente Rosane Cavalheiro de Oliveira. Ela ainda lista que nas terças-feiras já foi iniciada também as aulas de artesanato. E no sábado ocorre o momento da Educação Física.

Aos domingos a sistemática muda. É um dia destinado principalmente ao descanso e o entretenimento. Uma das formas de diversão é a televisão. “Verificamos que tipo de reflexões os filmes podem trazer e quais os debates provocarão”, ressalta o monitor. No último domingo do mês a comunidade também é aberta para a visitação de familiares. Antes disso o contato com parentes e amigos ocorre somente em atos devocionais nas terças-feiras ou sábados.

Este cotidiano deverá atingir pelo menos 12 mulheres durante nove meses. O ambiente está preparado. A disponibilidade de vagas, contudo, é gradativa. “Estamos fazendo desta forma para evitar que o período de abstinência ocorra ao mesmo tempo. Nas primeiras três semanas é comum a variação de humor e isto pode prejudicar a terapia”, destaca um dos monitores, Alexandre de Oliveira. “Toda a adaptação é acompanhada de uma psicóloga”, completa Rosane.

Alexandre já esteve no outro lado. Foi internado em diferentes casas. E por isso entende o comportamento arredio que possa demonstrar qualquer novata. Também pelo entendimento de causa, opinou por algumas mudanças na unidade terapêutica feminina de Içara. Uma das diferenças é o uso de garfo e faca. “Optamos por objetos descartáveis para que seja possível uma autonomia maior. Encontramos modelos resistentes que podem ser utilizados sem risco”, detalha Rosane.

A escolha por talheres descartáveis significa um custo maior dos almoços e jantas. A manutenção da casa também depende de outros itens. É preciso de comida, tecidos, tintas, linhas e outros artigos para os artesanatos, além de recursos financeiros para o aluguel do terreno. “Assinamos um contrato de locação com compromisso de compra. Esperamos que a aquisição seja possível ainda neste ano”, revela Rosane.


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