Canal Içara

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16 de junho de 2019 - 21:54
Cotidiano » Além da lenda
No passado, curiosos registros de nascimento
09/04/2011 às 12:01 | Derlei Catarina De Luca - derlei.deluca@canalicara.com
Em andanças pelo litoral de Içara, Barra Velha, Urussanga Velha e Lagoa dos Esteves chamam atenção pela forma como eram efetuados os registros de nascimento de parte da população. Um exemplo? O pai chamava-se Patrício Luís Espíndola. O filho foi registrado como Jordão Patrício Luis. Já o neto foi registrado como Leandro Jordão Patrício. Ou seja, Leandro é filho de Jordão que é filho de Patrício.

O pai chamava-se Antônio Joaquim. O filho foi registrado como Pedro Antônio. O neto chamava-se Antônio Pedro. O pai: Crispim Santiago O filho: João Crispim. O neto: Genésio “dos Santos” acrescentado por conta própria, pelo padre na hora do batismo. O pai chamava-se Jesuíno Figueira. O filho era Lodovico Jesuíno. O neto chamava-se Antônio Lodovico. São numerosos os registros.

O nome de família só foi fixado nas últimas gerações. Até então lembrava a cultura muçulmana, ou dos mouros como eram chamados os árabes na Espanha. Como a tradição mourisca chegou à região? Muito antes dos famosos comerciantes de Criciúma? Pode ser também herança dos cristãos novos, judeus expulsos da Península Ibérica, vindos para o Brasil para não serem queimados na fogueira. Mas isto não era regra. Existem no município várias famílias de origem espanhola que mantiveram o sobrenome: Fernandez, Rodriguez, Cabreira.

As histórias do litoral içarense remontam a três baianos chegados na época da Guerra do Paraguai: Crispim Santiago, Lotério Felício e João Soares. Durante a batalha, Dom Pedro II prometeu alforria para os escravos que se alistassem para a guerra surgindo daí o famoso Batalhão Voluntários da Pátria. Voluntários eram os negros que entre a escravidão e a guerra preferiam a guerra.

Seriam eles islamizados? Muito provavelmente fossem da tribo malê, cultos e letrados. Devem ter trazido também a “coberta d’alma” tradição inexistente em Portugal e nos Açores, mas existente na região. Desses “baianos alforriados” não existem documentos escritos, apenas a tradição oral dos descendentes. O fato de não haver documentos escritos, contudo, não significa a inexistência de ligação entre eles e os malês.
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