Cotidiano | 23/05/2026 | 10:00
Silesia Pizzetti: A Primeira Linha, onde nasce Içara
Primeira Linha reúne mais de 135 anos de história e marcou o início da colonização entre Criciúma e Içara.
Silesia Pizzetti
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A Primeira Linha é uma estrada do Núcleo Colonial de Cresciuma, município de Araranguá, hoje está dividida entre os municípios de Criciúma e Içara. Com mais de 135 anos de colonização, a Primeira Linha do Rio Sangão está profundamente ligada à fundação da cidade de Içara e a criação desde município.
A Primeira Linha possui uma extensão de aproximadamente 12 km. Inicia em Criciúma, em frente à Igreja de São Jorge, próximo ao Bairro Sangão, atravessa a Rodovia Jorge Lacerda e o pontilha do trem, segue em direção norte passando pelo Quartel do 28ª GAC, cruza a Rodovia Luiz Rosso, segue pela Vila de São João divisa entre os município de Criciúma e de Içara, segue pelo bairro Cristo Rei, quando recebe o nome de Rua Sete de Setembro, passando em frente ao Hospital São Donato, ultrapassa a SC 445 (Rodovia Paulino Búrigo), descendo pela Rua Criciúma no bairro Jardim Elizabete e finaliza no bairro Jaqueline de Içara, onde fazia limite com a sesmaria da família Ribeiro.

Esta via, posteriormente, foi prolongada com a ocupação dos filhos de imigrantes poloneses, teuto-russos e italianos, formando a comunidade de Santa Cruz. Num ato de invasão da companheira colonizadora ao fundo da Sesmaria Ribeiro ainda improdutiva. Sesmaria foi a primeira divisão de grandes levas de terras do Império brasileiro a partir do litorâneo, doadas aos imigrantes luso-açorianos com o propósito de povoar e evitar a invasão espanhola, enquanto os lotes coloniais eram pequenos terrenos de 15, 20 ou 30 hectares vendidos à outros imigrantes europeus para a exploração agrícola.
A história contemporiza os ano de 1890, quando a recente República brasileira estabelece uma nova política de imigração, cria a Companhia Metropolitana responsável por trazer os imigrantes da Europa e a Companhia Terres para abrir as Linhas e demarcaria os lotes para a ocupação das terras a serem vendidos aos colonos imigrantes europeus e a produção de alimentos para a nação brasileira.
A Companhia Brasileira Torrens, sob a responsabilidade da Comissão de Terras de Tubarão, que fez a medição dos lotes e a abertura de estradas provisórias para a implantação do Núcleo de Hercílio Luz, que mais tarde foi batizado de Colônia de São José de Cresciuma. A Primeira Linha é uma das vias que tomou como ponto de partida o leito norte do Rio Sangão, em direção norte. As linhas posicionavam-se na frente dos lotes, dividindo-os, e fazia à ligação de uma localidade a outra. A princípio as linhas eram apenas uma picada em meio à floresta, depois a Companhia Torrens utilizou-se da mão-de-obra dos próprios colonos para alargar e aplainar as estradas que formavam as linhas.
O senhor Carlos Lodetti, morador da Primeira Linha, próximo ao Pontilhão, compara a estrada aberta pelos agrimensores como uma linha de costura, “as estradas eram compridas e estreitas”.
Os colonos podiam optaram por um lote menor, mais barato. Na Primeira Linha havia lotes de 1ª. classe com 30 hectares, de 2ª. classe de 25 hectares, ou ainda até os da última 3º. classe com 15 hectares apenas, afirma o engenheiro agrônomo Evoi Valvassori, em 2017. A viagem e as despesas anexas estavam incluídas na conta da terra a pagar para o Governo Imperial brasileiro. A Primeira Linha era composta de 83 lotes coloniais com área de 25 hectares cada, medindo 250 metros de frente por 1.000 metros de profundidade.
As famílias tinham vindas da Europa, urbanizada e industrializada, foram abandonadas em meio a floresta virgem, sem casa e com gigantesca árvores e animais selvagem, recebendo da Companhia de Colonização apenas um machado, que deu de ombros e exclamou “virem-se”.




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