Cotidiano | 30/05/2026 | 09:00
Silesia Pizzetti: A vida dos Bergamascos para a Primeira Linha do Rio Sangão
A fé, o trabalho e a união dos imigrantes de Bérgamo ajudaram a formar um dos primeiros núcleos urbanos que deram origem à cidade de Içara.
Silesia Pizzetti
Compartilhar:
No final do ano de 1891, muitos migrantes procedentes de Bérgamo, Cremona, Ferraro, Verona e Mantova, num total de 1.348 almas, deixaram o porto de Gênova em 28/10/1891 embarcados no navio francês “Cachemir”, rumo ao sul do Brasil.
O navio vinha apinhado de imigrantes. Era uma viagem muito difícel. Os imigrantes sofriam com as más condições em que eram alojados, além de sofrer com as intempéries e as tempestades em alto mar. Contam que a agitação do mar e o balanço do navio aos poucos iam tomando impulso, levando a tripulação ao desespero. O italiano é um povo de incomparável fé. Nesta hora, eles agarram-se ao terço e rogam a proteção da “Madona di Caravaggio” e de ‘’San Donato”, que traziam com eles. Quando a tempestade acalmava e o sol voltava a brilhar, a alegria retomava ao som da velha sanfona. Jogavam “mora” e cantam para passar o tempo.
Dentre os imigrantes, vinham os bergamascos que colonizaram a Primeira Linha. O navio aportou no Rio de Janeiro, depois em Desterro (Florianópolis), e desembarcam em Imbituba, de onde tomaram o trem até Pedras Grandes. Eles chegaram a Urussanga, a acomodados em carros de bois e lombos de mulas. Ali, foram recebidos com festa, permanecendo por três dias. Depois seguiram para a colônia de Nova Veneza por picadas em meio a floresta selvagem, abrindo caminho a facão até o Núcleo de Nova Treviso, chegando no dia 24/12/1891.
Os italianos da Província de Bérgamo tinha por destino ocupar o entorno da Colônia de Nova Veneza, os Núcleos Coloniais de Nova Treviso e de Novo Belluno. Treviso era um “montagnon” diziam os italianos, formado por pedregosas montanhas, localizadas no pé da Serra. De beleza incomparável, porém muito difícil para o desenvolvimento da agricultura e da pecuária. Ainda mais, pela pouca assistência da Companhia de Terras que aos colonos deram apenas enxadas, foice, machados, picareta ou apenas um destes instrumentos.
Desolados com as más condições do lote negociado ainda na Itália, aceitaram o convite do amigo e compatriota Marcos Rovaris para deixarem Treviso e ocupar terras mais férteis no Núcleo Colonial de Cresciuma. E assim a partir de março de 1892, juntaram-se a Rovaris na Primeira Linha do Rio Sangão, para formar uma produção consorciadas em que os colonos plantavam a terra e criavam suínos destinados ao frigorífico de Marcos Rovaris e Marcelo Lodetti, localizado na Primeira Linha em frente ao atual Quartel do 28ª. GAC. Os empresários beneficiavam a carne de porco e fabricavam a banha para exportação pelo Porto de Araranguá.
Apesar da grande fragilidade da travessia, em que os imigrantes perderam filhos e idosos na viagem e os sepultaram nas águas do Oceano Atlântico. A dureza do Brasil selvagem, as montanhas acidentadas e a falta de condições de moradia e trabalho não desanimou os bergamascos. Estes italianos já eram famosos pela teimosia, briguentos por tradição, mas muito empenhados ao trabalho. E assim, os bergamascos unidos pela devoção a São Donato, pela fé em Deus e num futuro melhor, reconstruíram a vida familiar e uma pequena capela Primeira Linha, na altura do bairro Cristo Rei, onde iniciou um singelo núcleo urbano, que logo acelerou seu desenvolvimento pela passagem da Estrada de Ferro Dona Teresa Cristina, dando fundação a vila e posteriormente a cidade de Içara.





.jpg)







.png)



.png)



.png)



















