Economia | 15/06/2026 | 13:44
Andreia Limas: Alimentação e transportes mantêm inflação acima da meta
Índice acumulado nos últimos 12 meses chegou a 4,72% em maio, diante dos 4,5% do teto previsto para 2026
Andreia Limas - andreia.limas@canalicara.com
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De acordo com o IBGE, a inflação brasileira foi de 0,58% em maio, desacelerando em relação ao resultado de abril (0,67%). No entanto, acumula alta de 3,20% nos primeiros cinco meses de 2026 e chega a 4,72% nos últimos 12 meses, acima do teto da meta estabelecida para este ano.
A meta de inflação definida para 2026 é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Isso significa que o teto máximo que o índice pode atingir para que o país cumpra a meta é de 4,5%.
Mas por que está tão difícil?
Vilões
Nos últimos meses, dois grupos são os principais vilões da inflação: alimentação e bebidas e transportes. Em janeiro, os transportes tiveram variação de 0,60% e o maior impacto (0,12 ponto percentual) no resultado do mês (0,33%).
Em fevereiro, o IPCA teve alta de 0,70%. A maior variação e impacto foram registrados no grupo educação (5,21% e 0,31 p.p.), seguido por transportes, com a segunda maior variação e impacto (0,74% e 0,15 p.p.).
No resultado de março, o índice avançou 0,88% e os destaques foram os grupos transportes, com alta de 1,64% e 0,34 p.p. de impacto, e alimentação e bebidas, que subiu 1,56%, com impacto de 0,33 p.p. no índice do mês. Juntos, os dois grupos responderam por 76% do IPCA de março.
Para a elevação de 0,67% em abril, o grupo alimentação e bebidas contribuiu com a maior variação e impacto (1,34% e 0,29 pp), seguido por saúde e cuidados pessoais (1,16% e 0,16 pp).
Maio
Com taxa de 1,33% e 0,29 p.p. de impacto, o grupo alimentos e bebidas respondeu por metade do resultado de maio, seguido dos grupos habitação, com 1,22% de variação e 0,18 p.p. de impacto, e saúde e cuidados pessoais, cuja alta foi de 0,90% e o impacto de 0,12 p.p.
A alimentação no domicílio registrou variação de 1,65%, com influência das altas da batata-inglesa (44,69%), do tomate (20,62%), da cebola (16,80%) e das carnes (1,39%). No lado das quedas destacam-se o café moído (-2,38%) e as frutas (-0,70%).
Patamar elevado
Segundo o IBGE, o aumento nos preços desses itens no mês passado se deve à redução na oferta e, ainda, à influência do valor do frete por conta da alta dos combustíveis.
Porém, é bom lembrar que essas variações dizem respeito apenas ao comportamento dos preços no intervalo analisado. Nunca é demais lembrar que alguns itens alcançaram patamares elevados de preços que vêm se mantendo ao longo dos últimos anos.
Carnes
Um bom exemplo disso é a carne bovina, que encareceu expressivamente a partir da pandemia, com os cortes hoje chegando a custar três vezes mais do que antes da crise de saúde.
Esse encarecimento se deve a uma combinação de fatores: a forte demanda internacional, potencializada também pela desvalorização cambial, a disparada nos custos de produção, o próprio ciclo natural da pecuária e o fortalecimento da demanda interna.
Má notícia
Quando a carne de boi sobe, a dona de casa já sabe: os preços das demais carnes acompanham. A má notícia para os consumidores é que não há perspectiva de melhora desse cenário a curto prazo.
Os custos de produção continuam altos, sobretudo em insumos como s grãos utilizados para ração (milho e farelo de soja, por exemplo), além de combustíveis e energia, impactados pelas guerras.
Exportações
A exportação de carnes brasileiras continua a bater recordes, mesmo com os entraves postos por alguns países consumidores – na prática, o que se vê é a abertura de novos mercados sempre que algum se fecha. A atratividade é ainda maior com a valorização do dólar, a moeda corrente no mercado internacional.
Com as vendas para o exterior aquecidas, diminui a oferta no mercado interno, mantendo os preços em patamares elevados, seguindo a lei da oferta e da procura.
Café
O café enfrenta um movimento semelhante, que começou em 2024, quando o Brasil, maior produtor mundial, sofreu uma quebra de safra provocada pela estiagem.
Com menor volume disponível, os preços subiram, não só no país, mas no mercado global, uma vez que o segundo maior produtor de café do mundo, o Vietnã, também enfrentou uma queda de 17,2% na produção e de 47% nas suas exportações.
A oferta diminuiu, ao passo que a demanda aumentou e vocês já sabem o que acontece nesses casos. Como agravante ainda houve a redução dos estoques, pois desde 2021 o consumo supera a produção mundial. E mais a valorização do dólar, como sabemos, um estímulo às exportações e ao aumento de preços no mercado interno.
Desaceleração
Voltando à inflação, ainda é cedo para saber o quanto o país ficará perto da meta este ano. O que vamos perceber nos próximos meses é se a tendência de desaceleração vai se manter e os juros vão continuar caindo.
De olho
Nesta semana, saberemos se o Copom dará sequência aos cortes na taxa básica de juros, iniciados em março com a perspectiva de queda na inflação. Vamos ficar de olho. Atualmente, a Selic está em 14,5% ao ano.






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