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Economia | 06/10/2026 | 13:41
Andreia Limas: Como o resultado das urnas refletiu na economia?
Reação dos mercados veio logo após a apuração dos votos, culminando com a alta na Bolsa e quedas nas cotações do dólar e do euro
Andreia Limas - andreia.limas@canalicara.com
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Como já mostramos algumas vezes por aqui, a relação entre política e economia é bastante estreita, a ponto de uma interferir diretamente na outra, e o resultado do primeiro turno das eleições gerais no Brasil provou isso de forma muito clara.
A reação dos mercados, interno e externo, começou assim que a apuração dos votos apontou vantagem do senador Flávio Bolsonaro sobre o presidente Lula na corrida pelo Palácio do Planalto, sinalizando a possibilidade de uma troca de governo a partir de 2027.
Na coluna de hoje, vamos falar sobre isso, abordando o que ocorreu na economia após o primeiro turno. A análise do que virá no segundo turno e suas possíveis implicações deixaremos para depois de 25 de outubro, quando o pleito estiver definido.
Repercussão no exterior
A primeira repercussão veio ainda no domingo, 4, quando fundos que acompanham o desempenho da bolsa brasileira e são negociados no exterior anteciparam a reação do mercado financeiro nacional.
O EWZ, fundo negociado nos Estados Unidos que acompanha ações de empresas brasileiras, disparou quase 10% no after-hours, período de negociação após o fechamento regular da Bolsa de Nova York.
Às 23h50, no horário de Brasília, o EWZ era negociado a US$ 42, uma alta de 9,98%. No pregão regular, o fundo havia fechado a US$ 38,19, com alta de 2,83%.
Ásia e Europa
A reação também apareceu na Ásia. Em Tóquio, um fundo que acompanha o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abriu o dia em alta de 9,40%, a 322 ienes.
O resultado gerou ainda uma forte apreciação do real frente às principais moedas estrangeiras, influenciando na queda do euro, já abalado por questões internas da União Europeia. A moeda começou esta terça-feira, 6, cotada a cerca de R$ 5,62, após recuar 5,41% ante o real nessa segunda-feira, com a cotação a R$ 5,555 na venda.
Mercado interno
No Brasil, a reação também foi imediata: o Ibovespa disparou e superou pela primeira vez os 200 mil pontos nessa segunda-feira. O dólar caiu mais de 4% e voltou ao patamar de R$ 5. As taxas de juros projetadas pelo mercado para os próximos anos também recuaram com força.
Pesquisas
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) ficou à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por 47,03% a 45,16% dos votos válidos. Embora pequena, essa vantagem não aparecia nas pesquisas realizadas às vésperas do pleito, que colocavam o atual presidente na liderança das intenções de voto, dentro da margem de erro.
Se por esse aspecto o resultado pode parecer inesperado, por outro confirma o que outras pesquisas já apontavam pouco antes das eleições: o descontentamento com o atual governo, avaliado negativamente (ruim ou péssimo) por uma faixa entre 40 e 45% dos entrevistados, diante de 33 a 36% de avaliação positiva (ótimo ou bom).
Análise
De acordo com a análise de economistas, os movimentos pós-primeiro turno refletem a avaliação de investidores de que o resultado aumentou as chances da oposição na disputa presidencial e a expectativa de uma eventual mudança na política econômica, com maior foco no ajuste fiscal, o esforço para equilibrar as contas públicas. Com isso, investidores projetam valorização das ações e queda do dólar e dos juros futuros.
Como ainda temos um segundo turno pela frente e as urnas já provaram inúmeras vezes o quanto podem ser imprevisíveis, a volatilidade nos mercados financeiros deve se manter nas próximas semanas. Apenas depois da definição é que veremos a tendência que deve seguir.
Freio
Ao analisar o cenário doméstico relacionado a indicadores como PIB, inflação, taxa de juros e mercado de trabalho formal, nem sempre nos atentamos à influência que as eleições têm sobre eles.
Na minha avaliação, o resultado do primeiro turno e a forte reação dos mercados a ele sinalizam para um ambiente de espera. Investimentos, contratações e o próprio comportamento das atividades econômicas vivem numa espécie de freio no país até que se defina o próximo governo e as medidas que virão a partir dele.
De olho
Nesta semana, vamos ficar de olho na divulgação da inflação de setembro, ainda sem os impactos das eleições. Até então, a tendência era de queda no índice mensal, mantendo a projeção para o ano dentro da taxa de tolerância da meta estipulada para 2026 (3%, podendo variar de 1,5% a 4,5%).











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