Economia | 08/09/2026 | 09:49
Andreia Limas: Na transformação do sistema elétrico, já é possível armazenar energia em casa
Com capacidade de 5 kWh, uma única bateria pode sustentar um consumo moderado por cerca de 6 a 10 horas seguidas sem nenhuma energia da rua
Andreia Limas - andreia.limas@canalicara.com
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Se você acompanha a coluna, tem visto nas últimas semanas como mudanças recentes têm transformado o sistema elétrico brasileiro. Já falamos por aqui sobre a abertura do mercado livre de energia para consumidores de baixa tensão, que vai ampliar as possibilidades de fornecimento a residências e pequenos negócios.
Também já tratamos da autoprodução de energia por esse público, sobretudo com a instalação de painéis solares, como forma de reduzir o custo da conta de luz.
Nesta semana, vamos abordar o armazenamento de energia em baterias, para uso à noite e em dias nublados, quando há a impossibilidade de geração fotovoltaica e não se pode ou não se quer recorrer ao fornecimento da distribuidora.
Reserva
Assim como a caixa d’água garante o consumo de água quando há interrupção do abastecimento, as baterias funcionam como uma reserva de emergência. Com capacidade de 5 kWh, uma única bateria pode sustentar um consumo moderado por cerca de 6 a 10 horas seguidas sem nenhuma energia da rua.
Atualmente, no ambiente residencial e comercial de pequeno porte, o uso acontece em dois formatos: sistema isolado, no qual o combo "painel solar + bateria" funciona de forma 100% independente da distribuidora, e sistema com nobreak, para manter o funcionamento de aparelhos elétricos durante as quedas de energia.
Barreiras
A utilização de baterias em residências e pequenos negócios ainda não ocorre de forma ampliada devido a barreiras que envolvem insegurança jurídica, pela falta de regras claras sobre como conectar esses sistemas na rede das distribuidoras, como tributá-los ou remunerá-los de forma justa.
Outro fator é a burocracia para homologar um inversor híbrido (solar + bateria) na distribuidora, pela falta de um procedimento padrão de vistoria e faturamento para esse tipo de equipamento. Além do custo elevado das baterias.
Mas esse cenário está prestes a mudar com a instituição do Marco Regulatório do Armazenamento de Energia.
O que muda
Com o Marco Regulatório e as novas resoluções da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), já vigentes, essas barreiras começaram a cair. Novas regras foram criadas para garantir a segurança jurídica.
A distribuidora agora é obrigada a seguir um rito padronizado e simplificado para aprovar um sistema híbrido. O processo de vistoria e o parecer de acesso ganharam regras claras e prazos rígidos que as concessionárias devem cumprir. Com o avanço do escalonamento da cobrança, usar a rede da distribuidora para injetar o excedente de energia e utilizá-lo posteriormente deixou de ser 100% gratuito. Assim, guardar a energia na própria bateria para usar à noite pode evitar o pagamento desse “pedágio de injeção”.
A viabilidade financeira absoluta para o pequeno consumidor ainda está em transição, mas a barreira da burocracia foi derrubada e o caminho para as baterias se tornarem acessíveis está pavimentado.
Investimento
Para instalar um sistema híbrido (solar + bateria) do zero, projetado para gerar créditos de dia e garantir o autoconsumo e backup à noite, o investimento total estimado varia entre R$ 28 mil e R$ 45 mil para uma residência de padrão médio.
O custo de um sistema com bateria é cerca de 80% a 100% mais caro do que um sistema solar tradicional, devido ao preço do inversor especial e das células de lítio. Como o investimento inicial é alto, o tempo necessário para o sistema se pagar apenas com a economia na conta de luz fica entre 8 e 11 anos.
Empresas
A estimativa muda significativamente para um consumidor de baixa tensão não residencial (comércios, escritórios, consultórios ou pequenas indústrias). Embora ambos estejam na baixa tensão (Grupo B), a dinâmica de consumo de um negócio é o oposto de uma residência.
Nas empresas, o consumo maior ocorre durante o dia, exatamente no mesmo horário em que as placas solares estão gerando o pico de energia. Isso altera o tamanho dos equipamentos necessários, o valor do investimento e, principalmente, torna o retorno financeiro mais rápido.
O valor total estimado do investimento fica entre R$ 20 mil e R$ 33 mil, enquanto o tempo de retorno é de 5 e 7 anos para consumidores não residenciais.
Créditos
O pequeno consumidor ainda não pode receber dinheiro vivo vendendo a energia da bateria para a rede, mas o Marco Regulatório desenhou um modelo de créditos e compensação inteligente para essa injeção.
Se a bateria estiver 100% cheia e as placas continuarem gerando excedente de dia, esse excesso é injetado na rede da distribuidora e vira créditos em kWh na conta de luz, válidos por 60 meses, que abatem o consumo de momentos em que é preciso usar a energia da rua (não é possível carregar a bateria usando a energia da distribuidora de madrugada e injetar essa mesma energia de volta na rede para ganhar créditos).
Futuro
No futuro, quando a abertura do mercado livre para consumidores residenciais e pequenos negócios estiver concluída, as regras mudam completamente para as residências. O pequeno consumidor poderá sair do modelo tradicional de créditos (distribuidora) e escolher para quem quer vender a energia excedente. Poderá fechar um contrato com uma comercializadora independente e programar a injeção do excedente da bateria na rede exatamente no horário em que o mercado estiver pagando mais caro pelo MWh, gerando receita extra real.
De olho
Nesta semana, vamos ficar de olho na divulgação da inflação de agosto, que será realizada pelo IBGE.














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