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Economia | 01/06/2026 | 19:06

Andreia Limas: O que nos mostram os números do PIB e do emprego formal?

Ambos apontam avanço nos primeiros meses do ano, com crescimento diverso entre os setores econômicos

Andreia Limas - andreia.limas@canalicara.com

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Foram divulgados, na última semana, dois importantes indicadores econômicos: o PIB do primeiro trimestre e a geração de empregos formais do primeiro quadrimestre do ano, ambos com características interessantes para serem analisadas.

Embora os números tenham sido positivos, não alcançaram a repercussão merecida, frente a outros debates que movimentaram os noticiários. Nada incomum no país em ano eleitoral, com vaga à presidência da República em disputa. Mas como o propósito aqui é tratar de economia, mesmo que os assuntos se misturem muitas vezes, vamos aos dados.

Crescimento
Começando pelo Produto Interno Bruto, o PIB brasileiro cresceu 1,1% no primeiro trimestre do ano, em relação ao quarto trimestre de 2025. Frente ao primeiro trimestre de 2025, o ritmo da economia avançou 1,8%, enquanto no acumulado dos últimos quatro trimestres, o PIB registrou elevação de 2,0%.

Em valores correntes, foram gerados R$ 3,3 trilhões, sendo R$ 2,8 trilhões referentes ao Valor Adicionado (VA) a preços básicos e R$ 461,2 bilhões aos Impostos sobre Produtos Líquidos de Subsídios.

Os três setores apresentaram resultado positivo: agropecuária de 2,0%, a indústria de 1,0% e os serviços de 0,5%. Os dados são do IBGE.

Agropecuária
Segundo o instituto, a taxa da agropecuária pode ser explicada pelo crescimento de produção e ganho de produtividade da agricultura. Condições climáticas favoráveis na maior parte das regiões produtoras do país e a expansão da área plantada impulsionaram o cultivo de soja que, com acréscimo de 4,8% na estimativa anual de produção, alcançou produção recorde na série histórica.

Por outro lado, outros produtos agrícolas, cujas safras também são significativas no primeiro trimestre, registraram queda na estimativa anual tanto de produção quanto de produtividade, como, por exemplo, o milho (-2,5%) e o arroz (-10,6%).

Indústria
Entre as atividades industriais, a extrativa mineral (3,6%) e a construção (2,9%) tiveram desempenho positivo, enquanto a transformação manteve-se praticamente estável (0,1%). Houve queda na atividade eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-0,3%). O setor industrial corresponde a aproximadamente 23% do valor adicionado.

Serviços
Entre as atividades de serviços, que têm peso de aproximadamente 70% na economia do país, houve crescimento no trimestre, frente ao quarto trimestre do ano passado, em informação e comunicação (2,4%), atividades imobiliárias (1,2%), outras atividades de serviços (0,8%), comércio (0,6%) e administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (0,4%).

Por outro lado, caíram transporte, armazenagem e correio (-0,7%) e atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (-0,6%).

Empregos
O avanço dos setores econômicos, no entanto, não significa necessariamente aumento na geração de empregos formais, como mostram os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

Já considerados os ajustes, o saldo do primeiro trimestre deste ano (613,9 mil) foi menor do que o registrado no mesmo período do ano passado (675,6 mil), ainda que ambos sejam positivos.

Setores
Mesmo que os grupamentos econômicos sejam diferentes – no Novo Caged, estão divididos em indústria, comércio, serviços, construção e agropecuária, enquanto no PIB são considerados indústria (incluindo a construção), serviços (abrange também o comércio) e agropecuária – ter o maior crescimento nas atividades também não significa gerar mais empregos.

Observando o primeiro trimestre deste ano, juntos, os serviços (com saldo de 382.395 novas vagas) e o comércio (saldo negativo de 18.500), adicionaram 363.895 postos de trabalho com carteira assinada.

A seguir, vêm construção e indústria, com 234.851 novas vagas na soma (120022 e 114829, respectivamente). Na agropecuária, foram 15.138 postos de trabalho acrescentados de janeiro a março.

Quadrimestre
Diferente do PIB, os dados do Novo Caged estão atualizados até abril. No acumulado do primeiro quadrimestre do ano foram gerados 699.762 novos postos de trabalho, representando um crescimento de 1,5% em relação ao estoque de dezembro 2025.

Quatro grandes grupamentos de atividades econômicas registraram saldos positivos, sendo o maior crescimento o dos serviços (saldo de 451.996 postos), um aumento de 2%). Na construção, foram 143.547 novas vagas, na indústria mais 124.085 e na agropecuária, 6.760 empregos. Apenas no comércio foi apresentado saldo negativo (-26.614 postos).

De olho
Nesta semana, vamos continuar de olho nos dados da economia. O IBGE começa a divulgar o desempenho dos setores econômicos em abril, iniciando pela indústria. Já o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços divulga os números da balança comercial de maio.