Economia | 08/06/2026 | 10:11
Andreia Limas: Podemos viver um apagão de mão de obra?
Com a evolução do mercado de trabalho, houve uma transformação na força produtiva e alguns tipos de profissionais tornaram-se raros e disputados
Andreia Limas - andreia.limas@canalicara.com
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Não é de hoje que se ouve falar em carência de mão de obra qualificada, mas a situação vem se agravando nos últimos anos, a ponto de a falta de qualificação não ser mais um impeditivo à contratação: as empresas aceitam promover e estimular a capacitação necessária para manter suas equipes.
A gestão de pessoas tornou-se ainda mais estratégica e o leque de benefícios aos trabalhadores foi ampliado, pois as organizações entenderam que esse tipo de investimento tem capacidade de reduzir drasticamente a rotatividade de pessoal e os custos que ela acarreta.
Mas será que o setor produtivo tem se movimentado o suficiente para evitar um apagão de mão de obra?
Expansão
Desde a pandemia, o mercado de trabalho formal tem registrado saldo positivo na geração de empregos no Brasil e o país alcançou a menor taxa de desocupação da sua história. Por outro lado, esse crescimento se mostra engessado.
Claramente, é muito maior o potencial de expansão do contingente de trabalhadores com carteira assinada. Porém, há vagas que acabam ociosas e, na maioria dos casos, não por falta de qualificação profissional.
Transformação
Ainda voltando à pandemia, a crise de saúde afetou as atividades econômicas e levou a desligamentos de trabalhadores. Muitos deles acabaram virando MEIs, um caminho que se mostraria sem retorno. Tanto que, desde então, o número desse tipo de pessoa jurídica explodiu no país, à medida em que a contratação de celetistas vem desacelerando.
Além disso, com a evolução do mercado de trabalho, as vagas ociosas e a busca por melhor qualidade de vida, os trabalhadores passaram a optar por empregos com menor carga horária, que exigem menos física e mentalmente.
Com essa transformação na força produtiva, alguns tipos de profissionais tornaram-se raros e/ou disputados. A seguir, cito alguns exemplos, mas a lista é bem maior.
Transporte
Para um país que tem no transporte rodoviário seu principal modal logístico, o setor é estratégico e acaba impactando a economia de forma geral. Daí a preocupação com a escassez de motoristas, seja para transportar cargas ou passageiros.
Pesquisa CNT mostrou que 66,2% dos empresários apontam a falta de motoristas como a principal carência do setor. O problema está ligado à baixa atratividade da profissão e à falta de profissionais com experiência e treinamento adequado.
Entre os caminhoneiros autônomos, a idade média é de 46 anos e a dificuldade de renovação do contingente é enorme.
Educação
Em 2024, o Censo Escolar registrou 47,1 milhões de matrículas na educação básica e 2,3 milhões de professores atuando nas escolas brasileiras. Ao mesmo tempo, há risco de falta de docentes no futuro. Estudo do Instituto Semesp projeta que o déficit de professores na educação básica pode chegar a 235 mil em 2040.
Baixa atratividade da carreira, remuneração, condições de trabalho, evasão nos cursos de licenciatura, envelhecimento de parte do corpo docente e falta de professores em áreas específicas, como matemática, física, química e tecnologia, estão entre os principais gargalos.
Técnicos industriais
O Mapa do Trabalho Industrial 2025-2027, do Senai/CNI, projeta que o Brasil precisará qualificar 14 milhões de pessoas em ocupações industriais até 2027, sendo 2,2 milhões em formação inicial e 11,8 milhões em requalificação para suprir a demanda.
A demanda nacional por novos profissionais de nível técnico inclui logística e transporte, construção, operação industrial, manutenção e reparação e metalmecânica.
Tecnologia
A tecnologia é uma das áreas mais aquecidas e com maior descompasso entre oferta e demanda de profissionais, chegando a 30,2%, segundo estudo da Brasscom. As funções mais demandadas incluem gerente de TI, desenvolvedor back-end, coordenador de segurança da informação, gerente de projetos, analista e cientista de dados, especialista em IA e machine learning e analista de segurança da informação.
Estratégia
Com esses exemplos, vimos que nem sempre a carência de mão de obra está diretamente ligada à falta de qualificação profissional. Dessa forma, o caminho para evitar um “apagão” passa por uma estratégia conjunta entre empresas, poder público, instituições de ensino e entidades empresariais.
Entre as principais medidas estão fortalecer o ensino técnico e profissionalizante, requalificar quem já está no mercado, aproximar empresas e instituições de ensino, valorizar profissões essenciais, desenvolver competências digitais em todas as áreas, mapear e estimular os talentos regionais.
Região Carbonífera
Um dos principais efeitos do aquecimento na geração de empregos é a atração de trabalhadores de outras regiões do país e mesmo de outros países. Na Região Carbonífera, esse movimento é facilmente percebido pela quantidade de migrantes e imigrantes já inseridos no mercado de trabalho.
De olho
Nesta semana, vamos ficar de olho na divulgação da inflação de maio, que será feita pelo IBGE.




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