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15 de novembro de 2019 - 11:24
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Capela enfrenta desgaste em Linha Anta
11/02/2014 às 08:03 | Especial da Gabriel Bosa, do Jornal da Manhã
Da janela de casa o agricultor aposentado Norivaldo Ghedin acompanha a depreciação da Capela de Santo Antônio, na comunidade de Linha Anta, em Içara. O mato aos poucos toma conta do local, que por anos serviu para momentos de celebração e reflexão dos moradores da região. “Já faz muito tempo que ela está deste jeito. Na minha opinião é melhor derrubar do que deixar neste estado”, desabafa o aposentado.

Construída pelos colonizadores há 90 anos, a igreja foi desativada no final da década de 1970 por não mais comportar o número de frequentadores. Em 1984 a edificação foi tombada como Patrimônio Público de Içara, porém, o prestígio concedido à capela não foi o suficiente para assegurar que ela não caísse em estado de abandono.

Em 2001 o poder público, juntamente com a comunidade e outras entidades, realizou uma restauração completa na igreja. Durante anos o local serviu como um espaço artístico e de recreação, e posteriormente como um ambulatório para os moradores da comunidade. Mas em 2008 a capela voltou a fechar as portas.

“É uma área complicada, no limite de Criciúma, Içara e Morro da Fumaça. Não tinha as condições para atender toda a população”, explica Sanete Monteiro Martins, diretora de Patrimônio Histórico e Museus da Fundação Cultural de Içara. Morando em frente à igreja, a dona de casa Maria de Lourdes Maragno ainda recorda vividamente do tempo que dava aulas para crianças do ensino fundamental na capela, há mais de 40 anos. “Deveriam fazer algo ali. Poderia funcionar como um museu, dar aulas de catequese, ficaria bom”, considera.

De acordo com Sanete, um projeto de restauração promovido pelo município em outros pontos históricos de Içara deverá ser aplicado na capela de Santo Antônio. “O trabalho consiste num levantamento arquitetônico de toda a estrutura, para ver o que podemos fazer no local”, explica a diretora. “Espero que até o final deste mês nós já possamos dar entrada na documentação do projeto”, complementa. É a esperança que o seu Norivaldo tem de, do alto da janela, poder ver a capela mais uma vez sendo aproveitada pelos moradores, e não somente acompanhar o mato crescer.

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