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05 de abril de 2020 - 00:21
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Déficit em ONG pode tornar atividades inviáveis
29/05/2007 às 08:58 | Lucas Lemos | jornalagoraonline.com.br
Educar para formar profissionais capacitados para competir no mercado de trabalho. É com esse propósito que a Organização Não Governamental (ONG) Maria Bernadete Coan Inácio tem trabalhado, mesmo com dificuldades financeiras. Com caixa quase zerado, a entidade pode fechar as portas em breve por enfrentar dificuldades ao procurar ajuda financeira da comunidade içarense. Atualmente a ONG desenvolve trabalhos de orientação sexual e de aperfeiçoamento na área de informática.

Conforme a coordenadora da ONG, Aurea Célia Scaravaco, “existe uma grande dificuldade de manter uma organização com o propósito que temos, formar para o mercado de trabalho”. Ela destaca que por mês são gastos cerca de R$ 1 mil e que as verbas recebidas pela Prefeitura Municipal de Içara e da Cooperaliança somam somente a metade do gasto mensal. “Somos gratos tanto à Prefeitura quanto à Cooperaliança, porém devido ao déficit de R$ 500 mensais estamos pensando em fechar as portas”, revela a coordenadora.

“Atualmente temos cerca de 60 alunos no curso de informática”, comenta Áurea Célia. “Não tenho computador em casa, mas já sabia mexer, porém foi aqui que aprendi algumas funcionalidades que eu não sabia que existiam”, revela Douglas Viana Ezequiel, de 10 anos, que durante a manhã cursa a 4ª série, e durante as tardes de segundas e quartas-feiras vai para o curso de informática na ONG. “Aprendi, por exemplo, como mexer na barra de tarefas do Windows”, destaca Mateus Domingos, de 10 anos, que também freqüenta a 4ª série. “Assim como Douglas e Mateus, já passaram pela nossa ONG cerca de 500 pessoas. Somente no último ano foram 140”, completa o educador atuante na entidade, Antônio Alcides Amaro. O curso, composto por cinco apostilas – datilografia, windows XP, word XP, excel XP e internet - é realizado em até três meses. “Estamos com dificuldades de completar o último módulo, de internet, pois nossa conexão, de banda larga, foi cancelada em janeiro devido a dificuldades que tivemos em pagar”, complementa a coordenadora da ONG. “Vejo que a maioria das crianças que vem para a Organização estão realmente afim de aprender informática, pois isto poderá ser o diferencial no futuro profissional delas”, finaliza o professor de informática Ramon Fontana.

Além de cursos de informática, a ONG oferece orientação sexual para os adultos. “Preocupamos-nos principalmente com os idosos, que quando jovens não receberam as informações necessárias sobre as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) e a Aids”, destaca Áurea Célia. Conforme ela, a orientação é feita na sede da própria entidade, localizada na Rua 30 de Dezembro, sala 101 do prédio 149, no bairro Jardim Elizabete, onde são passadas às pessoas interessadas, uma cartilha com informações, no qual após a leitura podem ser tiradas as duvidas sobre o assunto.

Durante o ano, são oferecidos também alguns cursos rápidos de artesanato. “Ano passado fiz um curso de Biscuit. É sempre muito bom aprender novas artes”, destaca Andreza Taufenbach de Souza, de 10 anos. “O desenvolvimento de atividades extras depende do dinheiro que entra na ONG. Temos estrutura para oferecer cursos de artesanato e de costura, porém sem dinheiro não temos como chamar os professores destas áreas. Nossas máquinas de costura estão paradas pois além da ajuda de custo que damos aos nossos professores, não temos condições de pagar a energia que estes aparelhos iriam consumir”, revela Áurea Célia.


Sobre a ONG

A ONG surgiu em 2000, quando os professores aposentados Áurea Célia Scaravaco e Antônio Alcides Amaro viram a necessidade de preparar os jovens para o mercado de trabalho. “Se não educarmos os jovens para a sociedade, estes sofrerão sérias conseqüências no futuro, por questões econômicas ou até de segurança pública”, completa Áurea Célia. “Nosso maior problema é que em nossa cidade não somos reconhecidos. Em 2004 recebemos um prêmio nacional, porém em Içara são valorizadas somente as entidades que já nascem grandes e que custam muito dinheiro. Nós acabamos esquecidos. Quando surgimos éramos a única ONG educacional na cidade. Hoje existem quase 30 entidades com o mesmo objetivo”, completa a coordenadora.
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