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Décio Batista/Agecom/Unesc

Cotidiano | 23/10/2026 | 09:08

Espaço Cultural Toque de Arte da Unesc abre exposição que celebra o legado vibrante de Willy Zumblick

A neta do artista, Andréa Zumblick, prestigiou a abertura da Mostra, que contou ainda com um show da Orquestra Santa Terezinha de Tubarão e do grupo Cia de Dança da Universidade.

Redação | com informações de Décio Batista, da UNESC

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No vaivém dinâmico de estudantes, professores e visitantes que cruzam o Bloco Administrativo da Unesc, o fluxo comum da rotina universitária ganha uma pausa poética. Na noite de abertura, o Espaço Cultural Toque de Arte abriu seu espaço para a exposição "Vivências Populares de Willy Zumblick: Celebrações, Figuras e Território", uma imersão na memória visual e no afeto da gente catarinense.

Promovida pela Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação, Inovação e Extensão (Propriex), com apoio da Diretoria de Extensão, Cultura e Ações Comunitárias (Dirext), e organizada pelo Setor de Arte e Cultura, a mostra é uma parceria com a prefeitura de Tubarão, por meio da Fundação de Cultura de Tubarão, e presta uma homenagem a um artista cuja vida se confundiu com a própria história da sua comunidade.

O Portinari do Sul

Assim como Cândido Portinari eternizou em cores e formas os trabalhadores e as dores do Sudeste brasileiro, Willy Zumblick desempenhou papel equivalente no Sul do país. Ao longo de sua trajetória, o pintor tubaronense produziu mais de cinco mil obras, construindo um acervo documental único sobre o cotidiano, a labuta, a espiritualidade e a alegria simples do homem catarinense.

Zumblick nunca buscou a paisagem idealizada ou o retrato aristocrático por encomenda. Seu pincel encontrava poesia na mão calejada do trabalhador, nas marcas do tempo gravadas no rosto de um idoso ou no sorriso solto acompanhado de um copo de vinho em dia de festa. Para o pintor, o retrato só se completa quando revela a profundidade de uma vida inteira.

Um percurso em três tempos

Com telas originais e reproduções em tecnologia LED, a mostra "Vivências Populares" mergulha na identidade do Sul do estado. A exposição foi estruturada para reencenar a própria lógica criativa de Zumblick, propondo uma jornada narrativa dividida em três atos integrados:

- A Terra: O território e a paisagem regional como ponto de partida.
- Quem a Habita: O ser humano que transforma o espaço por meio do trabalho e do convívio.
- A Festa: O momento culminante em que a comunidade se reúne para celebrar a vida e a tradição.

Na poética de Zumblick, o território só ganha vida quando é trabalhado, e a cultura atinge seu ápice na celebração coletiva.
O coração dessa festividade reside na Festa do Divino Espírito Santo de Laguna, tradição açoriana do século 18 que o artista registrou pioneiramente em telas monumentais. Ao lado dela, manifestações como o Boi de Mamão e as procissões noturnas ganham destaque, reafirmando a cultura popular como um organismo vivo, resistente e em constante reinvenção.
Tradição e inovação: Arte acessível e democrática

Um dos pontos mais instigantes da mostra é a convivência harmoniosa entre duas telas originais e reproduções exibidas em painéis de LED de alta definição. Mais do que uma alternativa técnica para viabilizar a itinerância de obras de alto valor histórico e preservação delicada, essa composição provoca um diálogo moderno sobre alcance e democratização cultural.

A presença da tecnologia permite que a obra circule por novos espaços e alcance um público diversificado, reafirmando a própria essência popular que sempre norteou a criação de Zumblick. Ver o brilho de uma fogueira ou o vermelho vivo de um flamboyant em flor traduzidos tanto na tinta quanto na luz do LED é um convite para refletir sobre como a arte se conecta com o nosso tempo sem perder sua alma.

Pronunciamentos

Na cerimônia de abertura, as autoridades expressaram em suas falas a importância e o momento histórico da instalação da exposição no campus de uma universidade comunitária e rica em conhecimento, arte, cultura e pesquisa.

Na visão da pró-reitora Vanessa Moraes de Andrade, enquanto Universidade, essas obras promovem um diálogo muito importante sobre costumes da sociedade na época.

“Nós, da Unesc, estamos muito felizes por receber a obra de um artista tubaronense que tinha como principal bandeira retratar o cotidiano e, principalmente, a cultura do povo, como a Festa do Divino e o Boi de Mamão. Ele não é apenas um artista que retrata o povo: retrata a cultura popular do Sul do nosso estado. E é muito especial receber essas obras em nosso espaço cultural, onde circulam estudantes e a comunidade acadêmica e externa”, destacou.

Para o diretor da Fundação Cultural de Tubarão, Alysson Pinto Oliveira, ver as obras do tubaronense em um local tão privilegiado é uma honra para a autarquia.

“Primeiramente, é uma honra e um privilégio estar aqui, trazendo a cultura e o jeito de fazer arte de Willy Zumblick. Ele é tubaronense, mas sua arte transcende os limites de Tubarão, chegando a Criciúma, a toda Santa Catarina, ao Brasil e até à Europa. Estamos muito felizes com a acolhida aqui na Universidade e por ver que a comunidade acadêmica e os visitantes, ao entrarem em contato com esta exposição, celebrem a felicidade. Nos sentimos verdadeiramente em casa. Celebrar Willy Zumblick é celebrar a vida e trazer à tona a memória afetiva de grandes momentos da crônica popular e de celebrações populares e religiosas”, comentou o diretor.

Conforme a coordenadora do Setor de Arte e Cultura da Unesc, Amalhene Baesso Reddig, a Lenita, o Espaço Cultural recebe exposições desde 2000 e já sediou 155 mostras.

“Encontramos muita realização e felicidade ao desenvolver esse trabalho. Posso dizer: onde há arte, eu existo. Procuro a arte e a encontro, porque sou muito apaixonada por ela. Receber hoje o trabalho de Willy Zumblick, grande artista tubaronense que produziu tantas obras e deixou um legado gigantesco para o mundo, nos enche de encantamento. Também nos orgulha receber, para esta exposição, uma obra original de 1940, emprestada pelo Sindicato dos Mineiros de Criciúma e Região”, ressaltou a coordenadora.

Lenita também agradeceu a equipe da Fundação Cultural de Tubarão pelo empenho e dedicação, e ao jornalista da Agência de Comunicação da Unesc (Agecom), Décio Batista, que também se encanta e se emociona com a cultura e a arte e indicou esta exposição.

Quem se fez presente, representando a família, foi a neta do artista, que também é coordenadora de Patrimônio da Fundação, Andréa Zumblick.

“Para mim, é emocionante. Apesar de eu já estar envolvida com a cultura e com o trabalho das exposições, é sempre uma lembrança. Quando apresentaram a dança do Pau de Fita, isso me remeteu muito à infância e à memória, porque participávamos desses eventos. Nossa família é muito grata às pessoas por manterem a vida e a arte do meu avô sempre vivas na memória dos catarinenses, e por permitirem que suas obras expostas aqui na Unesc sejam apreciadas. Esta Universidade é um lugar muito especial. Eu também estudei aqui, então me sinto em casa”, confessou Andréa.

O médico Benito Gorini Borges também prestigiou a abertura da exposição. Nas horas vagas tem na pintura como o seu hobby , inclusive expondo seus trabalhos no Espaço Toque de Arte.

“Isso é fantástico. Willy Zumblick é um nome que, na arte do Sul, está entre os maiores, sem dúvida nenhuma. Esta nova exposição é fantástica. Fiquei realmente surpreso com a qualidade. Há conhecíamos as obras dele, tanto as antigas quanto as mais recentes. É muito bonito. Parabéns às equipes da Unesc e de Tubarão por trazerem essa exposição para Criciúma”, enalteceu Borges.

Visitação

A exposição integra a programação do Espaço Cultural Unesc "Toque de Arte", equipamento cultural reconhecido e integrado ao Sistema Estadual de Museus.

Período de Visitação: 21 de outubro a 14 de dezembro de 2026.
Horário: Segunda a sexta-feira, das 8h às 22h.
Local: Espaço Cultural Unesc "Toque de Arte" (Bloco Administrativo Unesc, Criciúma/SC).
Entrada: Gratuita e aberta a toda a comunidade.

Agendamentos e visitas mediadas

Grupos escolares e a comunidade em geral podem agendar visitas guiadas pelos canais de atendimento do Setor de Arte e Cultura:
E-mail: cultura@unesc.net
WhatsApp: (48) 3431-2622 / (48) 99644-1986
Instagram: @culturaunesc
Facebook: arteculturaunesc