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18 de outubro de 2019 - 06:07
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Médicos cubanos recebem aval de pacientes
09/07/2014 às 09:35 | Especial do Jornal Gazeta
A última equipe dentre os dez médicos cubanos do Programa Mais Médicos completa três meses de atendimento nos postos de saúde de Içara. E poucos meses após a chegada, já recebem elogios da população. Eles estão no Demboski, Presidente Vargas, Primeiro de Maio, Boa Vista, Jaqueline, Jardim Silvana, Jardim Elizabete e Vila Nova.

Moradora do bairro Primeiro de Maio, Alessandra Dutra Budny, conta que tem palavras mais difíceis de entender por causa da língua, mas afirma que a médica Maria Esther Diaz Betencourt é muito paciente. “Ela repete quantas vezes for necessário e isso acaba sendo retribuído. Gosto bastante dela por causa disso, por ela ser bem atenciosa com os pacientes”, comenta.

Para José Carlos Silveira, o diferencial é que os profissionais não olham apenas para a cara do paciente. “Eles dizem o que você tem e realmente fazem uma investigação para descobrir e fazer a coisa certa”, avalia. A médica cubana Maria Esther Diaz Betencourt, natural de Caibarién, está em Içara desde dezembro. Segundo ela, Içara é um lugar tranquilo e de pessoas acolhedoras.

“Nós aprendemos a conversar com os pacientes no dia a dia. Nos postos de saúde falo somente Português, por isso, acabo aprendendo mais do que no curso que tivemos em Brasília antes de vir para Içara. E sempre quando surge alguma dúvida, porque ainda estamos aprendendo, procuro as enfermeiras que me explicam”, relata a profissional. Ela conta que consegue ler livros em português tranquilamente, mas que a linguagem popular dificulta um pouco, mas mesmo assim, consegue compreender.

Com relação a mudança cultural ela relatou que não estranhou, já que havia tido experiência na Venezuela. “Lá existia um programa semelhante como este. Além disso, nós cubanos também somos latino-americanos e por isso a cultura é parecida. Sendo que o Brasil foi colonizado por Portugal e nós pela Espanha, dois países parecidos. O que nos preocupa agora é o frio”, destaca.

Na comunidade do loteamento Jussara, no bairro Jardim América, o atendimento ocorre desde abril. A responsabilidade por atender a população está por conta de Justo Quintero, natural de Baracoa, o mais antigo município cubano [fundado em 1511]. “Tivemos uma boa recepção por parte das autoridades locais, incluindo um café com todos os médicos, prefeito, vice-prefeito, secretário e outras autoridades. Foi algo que nos motivou bastante, porque eles falaram da expectativa que tinham com a gente”, conta.

“É difícil pegar uma língua de uma hora para outra. Por isso a gente vai aumentando o vocabulário ouvindo os pacientes e com o passar dos dias vai ficando mais fácil. Sinto que ainda falta muito para eu aprender para ter uma comunicação mais efetiva e lograr êxito com os pacientes, para que eu entenda mais facilmente os pacientes e que eles também me entendam, para dar um diagnóstico certo”, acredita.

Para se dedicar ao programa Mais Médicos, os profissionais se abstêm de algumas coisas como, por exemplo, a família. Maria Esther tem um filho universitário e, para ela, a saudade neste momento é bem grande. “Ele está estudando Engenharia Civil, então não pode parar para vir ao Brasil ficar comigo. O jeito é aguentar esta saudade”, lamenta. Já Quintero, é casado e também tem um filho. “Estamos fazendo todos os trâmites para que eles possam ficar aqui no Brasil comigo. Espero logo tê-los ao meu lado”, fala em tom de esperança.

“Onde vamos, percebemos que está havendo uma aceitação muito grande em relação aos médicos das estratégias de saúde. Isso nos deixa mais tranquilos para que possamos fazer com calma outras necessidades que a cidade precisa e não conseguíamos antes. Volta e meia tínhamos alguns problemas com médicos que estavam saindo e éramos obrigados a ir atrás”, coloca o secretário municipal de Saúde, Lauro Nogueira. “Um médico a cada 4,5 mil pessoas, que seria o máximo, conforme a OMS. Içara tem 50 mil e então deveríamos ter 11 médicos, mas temos 21. Estamos quase o dobro do máximo que preconiza a Organização Mundial de Saúde”, pontua.

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