Douglas Nazario & Arquivo Empresas JR
Cotidiano | 06/08/2026 | 17:15
O que vem antes do asfalto? A engenharia invisível que sustenta a economia brasileira
Muito antes de caminhões, vibroacabadoras e rolos compactadores entrarem em cena, uma cadeia de engenharia, mineração, ciência e controle tecnológico define a qualidade das rodovias por onde circula a maior parte da riqueza produzida no Bra
Redação | com informações de Douglas Nazario e Marciano Bortolin, da NZBT Comunicação
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Mais de 75% de toda a carga transportada no país percorre rodovias. São alimentos, medicamentos, combustíveis, máquinas, insumos industriais e produtos destinados aos mercados interno e externo que dependem diariamente da malha viária para chegar ao destino. Segundo o Ministério dos Transportes, por meio da Secretaria Nacional de Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), o Brasil possui mais de 1,7 milhão de quilômetros de estradas, a quarta maior rede rodoviária do mundo, e uma frota superior a 3,5 milhões de caminhões.
Em Santa Catarina, um dos estados mais industrializados e exportadores do país, essa dependência é ainda mais evidente. Corredores logísticos como as BR-101, BR-470, BR-282 e BR-153 conectam polos industriais, agrícolas e portuários, formando uma engrenagem essencial para a competitividade catarinense e para o abastecimento nacional. Segundo o Governo Federal, esses eixos são estratégicos para o escoamento da produção agroindustrial e industrial do Estado.
Apesar dessa importância econômica, poucos imaginam que uma rodovia começa a ser construída muito antes da aplicação da primeira tonelada de massa asfáltica. Antes do pavimento existe um processo silencioso que envolve geologia, topografia, laboratório, mineração, engenharia e tecnologia. É justamente nesse universo pouco conhecido que se concentra boa parte da durabilidade, da segurança e da eficiência das estradas brasileiras.
Muito antes da primeira máquina
Ao contrário do que o senso comum imagina, uma obra rodoviária não começa quando escavadeiras chegam ao canteiro. Antes disso, engenheiros analisam projetos executivos, levantamentos topográficos, características geotécnicas do solo, sistemas de drenagem e cronogramas de execução. Cada decisão tomada nessa etapa influencia diretamente a vida útil do pavimento.
"O resultado que o usuário vê ao final da obra começa muito antes da aplicação da massa asfáltica. Cada decisão tomada no planejamento influencia diretamente a qualidade, a durabilidade do pavimento e o melhor aproveitamento dos recursos investidos", afirma Éder Rodrigues, CEO das Empresas JR.
Segundo André Supp, gerente de contratos da JR Construções, o período de preparação pode durar semanas antes mesmo do início da movimentação de terra. "O que as pessoas normalmente imaginam é que, quando termina uma licitação, no dia seguinte as máquinas já entram na obra. Na realidade existe uma sequência importante de etapas técnicas antes do início efetivo dos trabalhos", explica.
A rodovia nasce na mineração
Muito antes da usina produzir a massa asfáltica, existe outro protagonista invisível: a rocha. É dela que saem britas, pedriscos, pó de pedra e outros agregados minerais que representam aproximadamente 95% da composição de um pavimento asfáltico. O ligante derivado do petróleo, conhecido como CAP (Cimento Asfáltico de Petróleo), responde por uma pequena parcela da mistura, mas é responsável por unir todos os materiais.
“Cada agregado extraído passa por processos de britagem, classificação granulométrica e controle de qualidade antes de seguir para a usina. O objetivo é garantir que cada fração mineral apresente exatamente as características previstas pelos engenheiros”, afirma Saulo Machado, gerente de produção da JR Construções. Ainda segundo Machado, “sem essa etapa, não existe pavimento de alto desempenho”.
O laboratório onde a estrada realmente começa
Se a mineração fornece a matéria-prima, é o laboratório que decide se ela poderá ou não se transformar em rodovia. Todos os materiais utilizados passam por ensaios que avaliam resistência, umidade, granulometria, teor de ligante, capacidade de suporte e comportamento estrutural. A aprovação acontece antes mesmo da produção da massa asfáltica.
"Se quisermos resumir, a rodovia nasce dentro do laboratório. Na rotina das Empresas JR, cerca de 14 profissionais atuam diariamente realizando ensaios em solos, agregados, concreto, emulsões, CAP e misturas asfálticas.", reforça André Supp. O controle continua durante toda a execução da obra e após a aplicação do pavimento, com novos testes capazes de confirmar se a qualidade obtida na usina permaneceu na pista.
Para Rodrigues, o controle tecnológico representa também uma forma de preservar investimentos públicos. "Existe uma percepção de que qualidade aumenta custos. Na verdade, acontece exatamente o contrário. O controle evita desperdícios, reduz retrabalhos, aumenta a vida útil das obras e garante que os recursos sejam aplicados da forma correta", afirma.
Água, o maior inimigo do pavimento
Outro fator decisivo para a durabilidade das rodovias não está na superfície, mas abaixo dela: a drenagem. Grande parte dos problemas estruturais surge quando a água infiltra nas camadas internas do pavimento, reduzindo sua capacidade de suporte e acelerando o aparecimento de fissuras e deformações.
Por isso, sistemas de drenagem superficial, subterrânea e profunda são dimensionados antes mesmo do início da terraplenagem, seguindo critérios técnicos estabelecidos pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
Uma receita diferente para cada rodovia
Não existe um único tipo de massa asfáltica. Assim como diferentes concretos atendem diferentes obras, cada rodovia recebe uma formulação específica, definida conforme volume de tráfego, peso dos veículos, clima e características do solo. Nas Empresas JR são utilizadas aproximadamente 17 formulações distintas para atender desde vias urbanas até rodovias federais submetidas ao intenso transporte de cargas.
Segundo Machado, a padronização industrial é determinante para garantir desempenho. "Cada tonelada produzida precisa reproduzir exatamente a composição definida pelos engenheiros. Pequenas variações de temperatura, umidade ou dosagem podem comprometer o comportamento do pavimento ao longo dos anos."
Quando o asfalto velho volta a ser novo
Entre as tecnologias que mais despertam interesse está o RAP (Reclaimed Asphalt Pavement), sistema que permite reaproveitar o pavimento retirado durante obras de restauração. Depois de fresado, o material retorna à usina, passa por britagem, peneiramento e novos ensaios laboratoriais. Somente após essa análise os engenheiros definem quanto daquele pavimento poderá voltar à produção.
Dependendo da aplicação, cerca de 20% da nova mistura pode ser composta por material reciclado, reduzindo o consumo de matérias-primas virgens, diminuindo resíduos e fortalecendo práticas de economia circular na infraestrutura rodoviária. Cada tonelada de RAP reaproveitada evita a extração de aproximadamente uma tonelada de agregados minerais, reduzindo diretamente a necessidade de novas atividades de mineração. Além disso, o reaproveitamento também diminui o consumo de CAP (Cimento Asfáltico de Petróleo), contribuindo para a redução do uso de derivados do petróleo e tornando o processo ainda mais sustentável.
Infraestrutura que move a economia
Para o secretário de Infraestrutura de Criciúma, João Paulo Casagrande, a qualidade do pavimento vai muito além da mobilidade urbana. "Cada investimento em infraestrutura representa economia futura em manutenção, mais segurança para os usuários e melhores condições para o desenvolvimento das cidades. Uma rodovia ou avenida bem executada reduz custos operacionais e amplia a eficiência da logística."
Na avaliação do presidente da Associação Empresarial de Criciúma (ACIC), Franke Hobold, infraestrutura e competitividade caminham lado a lado. "Uma economia forte depende de logística eficiente. Rodovias de qualidade reduzem tempo de viagem, diminuem custos de transporte, aumentam a competitividade das empresas e fortalecem toda a cadeia produtiva catarinense. Investir em infraestrutura é investir no desenvolvimento econômico."
A importância desse cenário fica ainda mais evidente diante do diagnóstico da Confederação Nacional do Transporte (CNT). Segundo a Pesquisa CNT de Rodovias, 67% da extensão avaliada apresenta classificação regular, ruim ou péssima, reforçando a necessidade permanente de investimentos em planejamento, engenharia e manutenção.
"O Brasil depende das rodovias para movimentar sua economia, conectar pessoas e levar desenvolvimento a todas as regiões. Por isso, investir em infraestrutura com qualidade não é apenas construir estradas, é investir na competitividade do país, na segurança das pessoas e no futuro das próximas gerações. Na JR Construções, acreditamos que cada obra bem executada contribui para esse objetivo. Se cada empresa fizer a sua parte, entregando engenharia, tecnologia e qualidade, todos ganham: a sociedade, a economia e o Brasil", conclui Éder Rodrigues, CEO das Empresas JR.
No fim da viagem, a camada escura que os motoristas enxergam representa apenas a parte visível de um processo que começa muito antes da chegada das máquinas. Antes do asfalto existem rochas transformadas em agregados, solos analisados, projetos desenvolvidos por engenheiros, laboratórios que aprovam cada mistura e uma cadeia de tecnologia responsável por garantir que milhões de toneladas de riquezas continuem circulando, diariamente, pelas rodovias brasileiras.

















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