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03 de junho de 2020 - 13:49
Cotidiano » TAC dos médicos
“Vai acontecer o caos”, aponta médico
17/04/2013 às 20:40 | Lucas Lemos - lucas.lemos@canalicara.com
A discussão sobre o cumprimento da carga-horária dos médicos repercute sob críticas da categoria. Para o presidente do sindicato da região Sul, Luiz Augusto Borba, a cobrança poderá resultar inclusive em problemas para toda a região. Para evitar isto o melhor caminho seria refazer todos os Termos de Ajustamento de Conduta propostos até agora. Afinal, o modelo já vigente é incompatível com os contratos assinados entre os médicos e os municípios.

“Quando somos chamados para um cargo médico em prefeitura se fala em produtividade e não em carga horária. Somos burros em assinar o documento. Algum dos prefeitos veio falar conosco? Não procuraram porque possuem uma grande e errada participação. Para ser funcionário público é preciso concurso público e eles não querem. Isto significa custo”, coloca.

“Vai acontecer o caos. Estes movimentos vão fazer o médico fazer conta. Médico é um cara que assina e não sabe o que assinou. Ele não fica parado em um lugar. Trabalha em dois ou três lugares. Não costuma e não sabe cumprir horas. Trabalha no hospital, têm exames, a cirurgia atrasa... Como vai cumprir horas?”, questiona.

Quanto aos valores praticados, o gastro chama atenção também para a defasagem. Se for preconizado os 15min de consulta conforme estimativa do Ministério da Saúde, um clínico-geral receberia cerca de R$ 14,3 por paciente. Já num plano de saúde, o pior valor chegaria a R$ 30. “Se eu ficar e atender cinco consultas médicas de plano de saúde por dois dias, ou seja, 10 consultar ao mês, já tiraria o que ganho numa prefeitura. Se o médico fizer as contas vai largar tudo”, aponta. “Quem determina a hora? Quem determina tempo de consulta? Quem determina a experiência do profissional?”, completa.

O presidente da classe reconhece que o cumprimento das horas nunca foi cobrado. Ele mesmo fez parte do quadro de médicos especialistas da cidade e indica que a situação ocorre há mais de 30 anos. “Fui atender números de pessoas em Içara. Eram 15 números duas vezes por semana. Ninguém me cobrou horário. O contrato é ilegal. Para contratar servidor público tem que ser por concurso”, enfatiza. “Eu acho mais certo começar do zero. Como está não vai dar certo. Eles não querem pagar. Estão empurrando com a barriga. Enquanto isso atendemos o que foi combinado”, reforça.

Ainda na avaliação do líder sindical, a Prefeitura jogou a bomba para a sociedade. “Foi muita deslealdade isto. Acho que o jornal foi usado pelos políticos de Içara. Criciúma não fez isto. Então Içara se jogou nas cordas. O secretário já conhecia o problema. Porque não fez nada? Ele agora jogou a classe médica contra a comunidade de Içara em vez de nos chamar para tratar do TAC”, reclama. “Somos um elo. Não somos mais que ninguém na saúde. Não vivemos sem enfermeiras ou sem a secretária. É um conjunto”, afirma.

Outra reclamação é quanto a instabilidade empregatícia e a falta de direitos dos profissionais. Os médicos que são contratados para o programa Estratégia de Saúde da Família, por exemplo, recebem R$ 9,2 mil por 40h semanais. “Mas este cara não tem direito a férias, fundo de garantia, insalubridade e nem ao emprego. Mudou a gestão, vai para a rua. Ele ganha R$ 9 mil, mas não tem direito a nada. Este recurso ainda vem do Governo do Estado. O Município não paga nada”.

LISTA DE ESPERA – Entre as reclamações já levadas ao Ministério Público da comarca de Içara está a rejeição de pelo menos um médico em cumprir apenas os pacientes que estão numa lista prévia. Isto significa que na falta de uma pessoa não autoriza que ocorra encaixe. Neste caso a crítica do presidente do sindicato é para o profissional. “Eu acho que o médico deveria atender por número de pacientes que foi acordado. Atendo no Rio Maina. Sei que chamam pessoas e não acho isso errado. Acho que está errado o colega. Ele acordou o número. Se ele fez um acordo, deveria cumprir. Acho até grosseiro”, pontua Luiz Augusto Borba.
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