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Economia | 04/05/2026 | 19:12

Andreia Limas: A força de trabalho também está envelhecendo

Se por um lado há falta de mão de obra qualificada, por outro há um contingente de profissionais que se mantêm em atividade após os 60 anos

Andreia Limas - andreia.limas@canalicara.com

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A temática da carência de mão de obra qualificada não é nova e cada vez mais as empresas encontram dificuldades em contratar. Talvez por isso, uma nova tendência venha se fortalecendo no mercado de trabalho nos últimos anos, valorizando profissionais que antes eram preteridos, por serem considerados “velhos demais”.

Sim, vou falar hoje dos 60+, ou a geração prateada, como alguns preferem. Eles não só têm estendido suas carreiras por mais tempo (a tal da longevidade produtiva), como viraram ativos preciosos para as organizações.

Números
Como não existe economia sem números, trago alguns bem interessantes divulgados pelo IBGE. Claro que não são tão atualizados assim, mas nos darão uma clara visão do cenário.

Comecemos pelo aumento da população de 60 anos ou mais de idade, que passou de 22 milhões para 34,1 milhões, entre 2012 e 2024, um aumento percentual de 53,3%.

Ocupação
O nível de ocupação desse grupo foi de 24,4%, sendo de 34,2% entre os homens e de 16,7% entre as mulheres. Ou seja, cerca de 1 a cada 4 pessoas idosas estava ocupada em 2024.

As taxas de subutilização (13,2%) e de desocupação (2,9%) eram bem inferiores às apresentadas pela média da população, 16,2% e 6,6%.

Na faixa etária de 60 a 69 anos, quase metade dos homens (48,0%) e pouco mais de um quarto das mulheres (26,2%) estavam ocupados. Com 70 anos ou mais, 15,7% dos homens e 5,8% das mulheres ainda permaneciam no mercado de trabalho.

No geral, a taxa de desocupação (6,6%) foi a menor da série histórica iniciada em 2012. Já o nível de ocupação atingiu o nível mais alto da série (58,6%).

Liderança
A inserção das pessoas idosas no mercado de trabalho por posição na ocupação ocorre, principalmente, pelo trabalho por conta própria (43,3%) e como empregador (7,8%), em comparação com as pessoas de 14 anos ou mais, que representaram 25,2% e 4,3% nessas posições, respectivamente.

Rendimento
O rendimento médio real habitual do trabalho principal para as pessoas de 60 anos ou mais (R$ 3.108) foi 14,6% superior ao das pessoas de 14 anos ou mais – enquanto no grupo de 14 a 29 anos, o valor do rendimento-hora foi de R$ 13,30, para as pessoas com 60 anos ou mais foi quase o dobro, R$ 25,60.

Içara
Dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, também nos permitem fazer um recorte de Içara, referente ao mercado de trabalho formal – celetistas e estatutários.

Dos 23.227 vínculos registrados em 2024 no município por estabelecimentos dos setores público e privado, 1.027 eram de pessoas com 60 anos ou mais de idade. Eram, então, 398 nos serviços, 323 na indústria, 232 no comércio, 69 na construção e 5 na agropecuária.

Enquanto a remuneração média geral ficava em R$ 3.726,89, a desse grupo era de R$ 4.142,03. O maior contingente de pessoas com 60 anos ou mais no trabalho formal possuía o ensino médio completo (451 trabalhadores), mas a maior remuneração média (R$ 8.606,05) era recebida por aqueles com ensino superior completo (147 trabalhadores).

Transformação
Pesquisadora do FGV IBRE, Janaína Feijó destaca que a chamada “geração prateada” tem sido cada vez menos relacionada à ideia de inatividade ou dependência, conquistando maior relevância do ponto de vista econômico e social.

“Essa transformação é reflexo do aumento da expectativa de vida, dos avanços na medicina e da maior valorização da autonomia e do bem-estar ao longo da vida”, diz.

Ela explica que o aumento de pessoas 60+ no mercado de trabalho nos últimos anos foi fortemente concentrado em trabalhadores do setor de serviços, como vendedores do comércio e mercados, com um aumento de 26,75% no período, e na categoria operários e artesãos da construção, mecânica e outros ofícios, com 21,2%.

Necessidade
A decisão de se manter no mercado de trabalho também é alimentada pela necessidade de arcar com seus custos de vida. André Braz, superintendente de Índices de Preços do FGV IBRE, explica que na composição da cesta de consumo desse grupo tendem a ganhar peso itens como plano de saúde, medicamentos, produtos hortifrutigranjeiros, que podem representar uma pressão de preços diferente da observada nas demais faixas etárias.

Desafios
Para a pesquisadora do FGV IBRE, o envelhecimento da força de trabalho indica a necessidade de planejar sua inclusão produtiva formal, com ampliação de oportunidades de requalificação profissional e criação de ambientes laborais mais acessíveis e livres de preconceito etário.

Juros
O Copom reduziu a taxa básica de juros (Selic) para 14,5% ao ano na reunião da semana passada, marcando a segunda redução consecutiva. Essa taxa de juros atua como o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação, influenciando o custo de empréstimos, financiamentos e investimentos no país.

De olho
Nesta semana, vamos ficar de olho no lançamento do Brasil em Números, referente a 2025. Elaborada pelo IBGE, a publicação está em sua 33ª edição, oferecendo um panorama abrangente dos dados sociais, demográficos e econômicos do país.