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Economia | 16/03/2026 | 11:41

Andreia Limas: Inflação acumulada no primeiro bimestre passa de 1%

No ano, o IPCA acumula alta de 1,03% e, nos últimos 12 meses, o índice ficou em 3,81%, de acordo com o IBGE

Redação

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O IBGE divulgou, na última semana, o IPCA de fevereiro, que ficou em 0,70%, elevando para 1,03% a inflação acumulada no primeiro bimestre (foi de 0,33% em janeiro). Nos últimos 12 meses, o índice ficou em 3,81%, abaixo dos 4,44% dos 12 meses imediatamente anteriores. A meta de inflação estabelecida para 2026 é de 3%, com tolerância de 1,5% para cima ou para baixo.

A maior variação e impacto sobre a inflação no mês passado foram registrados no grupo Educação (5,21% e 0,31 ponto percentual), devido aos reajustes anuais das mensalidades de escolas e cursos.

Transportes

Também teve participação relevante o grupo Transportes, com variação de 0,74% e impacto de 0,15 ponto percentual. Juntos, os dois grupos representaram aproximadamente 66% do resultado do mês.

No grupo Transportes, teve destaque o aumento de 11,40% na passagem aérea. Também registraram altas o seguro voluntário de veículos (5,62%), o conserto de automóvel (1,22%) e o ônibus urbano (1,14%). Nos combustíveis, o índice ficou em -0,47%, com quedas na gasolina (-0,61%) e no gás veicular (-3,10%), e altas no etanol (0,55%) e no óleo diesel (0,23%).

Preocupação

Se por um lado a inflação de fevereiro ficou abaixo da registrada no mesmo mês de 2025 (1,31%) e a acumulada nos últimos 12 meses também foi menor, a grande preocupação é com o que pode acontecer daqui para frente. Para os analistas de mercado, a alta nos combustíveis pode forçar uma nova alta em março.

Reflexos

Quando a gente se pergunta o que tem a ver com as guerras que ocorrem bem longe do Brasil, o cenário atual é um bom exemplo dos impactos que podem causar sobre o nosso bolso. Os conflitos no Oriente Médio elevaram o preço do barril de petróleo no mercado internacional e, mesmo com as tentativas de diminuir a influência sobre o preço dos combustíveis no Brasil, não foi possível conter os reajustes até aqui. Bem ao contrário: as altas chegaram a 11,8% no diesel e mais de 2,5% na gasolina em apenas uma semana.

Medidas

Na última quinta-feira, o Governo Federal anunciou um conjunto de medidas para reduzir o impacto da oscilação do valor internacional do petróleo sobre o preço do diesel. Entre elas, zerar a tributação de PIS/Cofins, além de autorizar subvenção aos produtores domésticos e aumentar a tributação sobre as exportações desse combustível.

O presidente Lula também sugeriu que os governos estaduais baixem as alíquotas do ICMS sobre o diesel. Com a logística nacional recaindo basicamente sobre o modal rodoviário, não é difícil prever o que significa o aumento do preço do diesel no valor do frete e, por consequência, dos produtos.

Otimismo

Ainda assim, a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda demonstrou otimismo ao divulgar, na sexta-feira, a grade de parâmetros macroeconômicos de março e estimativas preliminares de impactos do conflito no Oriente Médio sobre a economia brasileira.

Foi mantida expectativa de expansão do PIB em 2,3% em 2026; exatamente no mesmo patamar presente na grade divulgada em fevereiro. Conforme aponta a SPE, a recente alta nos preços do petróleo eleva o crescimento brasileiro esperado em cerca de 0,1 ponto porcentual, principalmente porque o país é hoje o quinto maior produtor de petróleo do mundo e grande exportador.

Projeção

Nos cenários simulados pela SPE, a elevação nos preços do petróleo impacta positivamente a atividade econômica brasileira, a balança comercial e a arrecadação, apenas gerando inflação mais pronunciada no caso de um “choque disruptivo” (o cenário mais extremo, com persistência do conflito e levado o preço do petróleo a uma média anual acima de US$ 100 por barril do Brent).

Juros

Entre os analistas do mercado, entretanto, o otimismo não é compartilhado. Muitos apostam que o efeito imediato da alta dos combustíveis será, no mínimo, a manutenção da taxa básica de juros no patamar atual, de 15% ao ano, na reunião do Copom marcada para esta semana.

Na última reunião, realizada no final de janeiro, o Copom decidiu pela manutenção do índice, por entender “que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”.

Em ata, o comitê registrou que o cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. “O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, anotou. Aguardemos.

De olho

Além dessa questão, vamos ficar de olho nesta semana também às regras anunciadas pela Receita Federal para a declaração do Imposto de Renda 2026, referente aos rendimentos dos contribuintes em 2025. O anúncio ocorrerá nesta segunda-feira.