Lucas Lemos
Economia | 17/08/2026 | 13:02
Andreia Limas: Será possível manter a inflação e os juros em queda?
Assim como a taxa Selic, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo registrou a quarta redução seguida no ano
Andreia Limas - andreia.limas@canalicara.com
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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na última semana o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente a julho, mostrando que a inflação brasileira ficou em 0,07%, seguindo uma tendência de queda iniciada em março.
Após alcançar 0,88% no terceiro mês do ano, o IPCA baixou para 0,67% em abril, 0,58% em maio e 0,16% em junho. Nesse intervalo foram quatro reduções consecutivas.
Não por acaso, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central também promoveu quatro cortes seguidos na taca básica de juros entre março e agosto, levando a Selic de 15% para 14% ao ano.
Inflação
No acumulado de 2026, o IPCA está em 3,44%. Já nos 12 meses encerrados em julho, a alta é de 4,44%, abaixo dos 4,64% registrados até junho.
Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses permanece dentro do intervalo de tolerância da meta definida pelo Banco Central. O sistema de metas contínuas estabelece um objetivo de inflação de 3% para este ano, com variação de 1,5% para mais ou para menos, ou seja, entre 1,50% a 4,50% para 2026.
Juros
Nunca é demais lembrar que a inflação é um dos principais indicadores observados pelo Copom para decidir se deve manter, aumentar ou reduzir a Selic. No momento, com o índice sob controle, o comitê decidiu por manter o ciclo de cortes iniciado este ano.
A taxa básica de juros ficou em 15% ao ano por cerca de nove meses. Em março, o Copom reduziu a Selic para 14,75%, em abril para 14,50%, em junho para 14,25% e, na última reunião, realizada no início deste mês, para 14%.
Incertezas
De acordo com o comitê, a decisão foi tomada mesmo com o ambiente externo ainda incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas.
“Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, apontou em ata.
Cenário doméstico
Em relação ao cenário doméstico, o colegiado considera que o conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião sugere uma moderação gradual da atividade econômica, embora ainda em patamar resiliente, com sinais mistos entre setores, e mercado de trabalho aquecido.
“Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia desacelerou, porém ainda acima do limite superior da meta, enquanto as medidas subjacentes desaceleraram para patamar ligeiramente abaixo do limite superior da meta”, diz a ata. Quando a reunião foi realizada, os números do IPCA disponíveis ainda eram os de junho.
“O comitê relembra que o arrefecimento da demanda agregada é um elemento essencial do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda da economia e convergência da inflação à meta”, pontua.
Decisão
O Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros pois entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante.
“Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, ressalta.
Incógnita
Resta saber se será possível manter a inflação e os juros em queda. As expectativas de mercado, trazidas pelo Relatório Focus divulgado nesta segunda-feira, mostram que os analistas projetam 5,02% de inflação no acumulado deste ano, igualando a projeção da última semana, mas abaixo do projetado há quatro semanas (variação de 5,15%).
Para a Selic, a projeção caiu de 14% ao ano há quatro semanas para 13,75% no boletim desta semana. É esperar para ver se as previsões se concretizam.
De olho
Enquanto isso, vamos continuar de olho na inflação, divulgada mensalmente pelo IBGE, e nas reuniões do Copom. Serão mais três até o final do ano, nos dias 15 e 16 de setembro, 3 e 4 de novembro, 8 e 9 de dezembro.

















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