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Economia | 22/09/2026 | 12:09

Mantido do ciclo de redução da Selic, é hora de avaliar os danos dos juros altos

Após nove meses estabelecida em 15% ao ano, taxa básica vem sendo reduzida em 0,25% a cada reunião do Copom e agora está em 13,75%

Andreia Limas - andreia.limas@canalicara.com

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Na reunião realizada na semana passada, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu reduzir a taxa básica de juros para 13,75% ao ano, dando sequência ao ciclo de redução iniciado em março.

Após nove meses estabelecida em 15% ao ano, a Selic vem sendo reduzida em 0,25% a cada reunião do colegiado, até chegar ao patamar atual. A principal razão para o aumento dos juros e sua manutenção em patamares elevados é controlar a inflação, uma medida eficaz tendo em vista os índices alcançados.

No entanto, não só do controle de inflação vive a economia e o longo período com juros nas alturas cobra seu preço: com o crédito mais caro, inibe-se os investimentos, o país registra desaceleração da atividade econômica e, por consequência, do mercado de trabalho formal.

As incertezas em relação aos empregos levam à diminuição do consumo das famílias e ainda é preciso lidar com um índice de endividamento histórico, uma vez que as elevadas taxas de juros criaram dívidas impagáveis.

A grande questão agora é: como reverter esse cenário, mantendo a redução dos juros e o controle da inflação?

Ambiente externo
Ao tomar a decisão de continuar a redução da Selic de forma moderada, o Copom avaliou que o ambiente externo permanece incerto em função dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas.

“Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, apontou na ata divulgada nesta terça-feira, 22.

Cenário doméstico
Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião mostrou uma moderação gradual da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos.

“Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e a média de medidas subjacentes desaceleraram, situando-se abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, porém ainda acima da meta”, constatou o comitê.

Inflação
Vale lembrar que o IPCA de agosto registrou deflação de 0,32%, levando o acumulado dos últimos 12 meses a 4,22%, dentro da tolerância da meta de inflação estipulada para este ano. Definida em 3% para 2026, a meta pode variar 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

PIB
O Copom considerou ainda que a atividade econômica brasileira manteve trajetória de moderação e citou a leitura mais recente do PIB, referente ao segundo trimestre de 2026.

Os números confirmam a desaceleração apontada por outros indicadores e revelam que o movimento foi mais intenso nas atividades econômicas e nos componentes da demanda mais sensíveis ao ciclo econômico.

“O Comitê relembra que o arrefecimento da demanda agregada é um elemento essencial do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda da economia e convergência da inflação à meta”, salientou.

Crédito
Outra constatação é que a evolução do mercado de crédito bancário com recursos livres também é consistente com um quadro de desaceleração do crescimento, em meio a uma política monetária restritiva.

“Nota-se, em particular, redução nas modalidades de mais longo prazo, mais sensíveis à política monetária que as modalidades de curto prazo ou emergenciais, mais onerosas”, pontuou.

Empregos
Em relação ao mercado de trabalho, a taxa de desemprego mantém-se em patamares historicamente baixos, enquanto o crescimento da taxa de ocupação vem apresentando desaceleração. Os rendimentos médios desaceleraram na margem, mesmo em termos nominais, mas ainda crescem em termos reais.

No emprego formal, o saldo do ano segue positivo, com a criação de 972.203 vagas no país entre janeiro e julho, mas abaixo dos 1.363.370 postos de trabalho adicionados no mesmo período do ano passado, o que significa uma redução de 28,69% nesse comparativo.

Desafio
Permanecendo esse cenário até o fim do ano, o grande desafio para o próximo presidente da República, seja ele quem for, e sua equipe econômica será encontrar a fórmula para reequilibrar todos esses fatores e colocar o país novamente num ritmo de crescimento mais consistente.

Relatório Focus
 O Relatório Focus, sondagem do Banco Central com instituições do mercado financeiro, aponta nesta semana projeção de 4,92% para a inflação deste ano, acima dos 4,90% da semana passada, mas ainda abaixo dos 5,02% projetados quatro semanas antes. Para o PIB, a estimativa é de fechamento em 1,88%, diante de 1,89% na semana anterior e de 1,95% quatro semanas antes.

Em relação à Selic, a projeção caiu de 13,75% para 13,50%. Vale lembrar que o Copom ainda se reunirá mais duas vezes este ano, no início de novembro e no início de dezembro.

De olho
Nesta semana, vamos ficar de olho na divulgação do Relatório de Política Monetária do terceiro trimestre. O relatório é um dos documentos mais importantes emitidos pelo Banco Central, servindo como uma prestação de contas detalhada sobre as decisões do Copom, além de trazer estimativas oficiais do BC para o crescimento do PIB e as trajetórias estendidas de inflação.