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10 de julho de 2020 - 13:49
Política »
Reunião ministerial virou bagunça?
24/05/2020 às 04:30 | Érik Borges - erik.borgesvieira@gmail.com
A reunião ministerial virou bagunça. Quando que a gente ia imaginar que um encontro entre um presidente da República e seus ministros pudesse ser de um nível tão baixo, tanto intelectualmente como de palavreado. O senhor Jair Bolsonaro é de uma arbitrariedade sem tamanho. Em um tom intimidatório, agressivo e descabido para a situação, Bolsonaro descarta o principal problema enfrentado pelo país atualmente, que são as mais de mil mortes diárias em recorrência de Covid-19, trata países como a China (nosso maior comprador) com palavras ofensivas e lida com os ministros como quem está lidando com um time de futebol, na base do grito.

Quando ele manda ignorar a imprensa, ele está mandando ignorar o povo. Porque a imprensa é uma ferramenta da comunicação e a comunicação é fundamental para a manutenção da democracia. Essa semana, um cinegrafista da Rede Globo teve o dedo quebrado por um bárbaro que o agrediu com o tripé do equipamento de filmagem. O agressor foi preso em flagrante.

Voltando ao assunto: a falta de preocupação com a pandemia causa espanto e deixa todos perplexos. Além disso, enquanto um ministro apresenta o plano denominado de "pró-Brasil", o outro ministro, Paulo Guedes desconstrói o discurso do colega e o que se vê é que um rema pra um lado, o outro rema pra outro lado e o que se tem é um governo atrapalhado na Educação, atrapalhado na Saúde, atrapalhado no Meio Ambiente, atrapalhado na Cultura e em diversos outros ministérios.

Um Ministro da educação chamando os ministros do STF de vagabundos e pedindo a prisão deles. Tudo isso sob o consentimento do presidente. Isso me fez lembrar da época em que o presidente de um sindicato falou que pegariam em armas caso a presidente Dilma sofresse impeachment e ela consentiu a frase. A gravidade é a mesma.

O Bolsonaro diz sim que vai interferir nos órgãos de inteligência, incluindo investigações da Polícia Federal, como fez com a troca da direção-geral e da superintendência no Rio de Janeiro. Isso é sim obstrução de Justiça. O mesmo que a Dilma fez ao nomear o Lula como ministro da casa civil na tentativa de impedir que ele fosse alvo de investigações em Curitiba. O mesmo que o ministro do Temer fez ao falar que a Lava-Jato estava indo longe demais.

É tudo do mesmo. Nada mudou. O mau-caratismo continua impregnado. Só que agora o vermelho deu lugar ao verde e amarelo. Deu lugar a mais um traidor da pátria. Jair Bolsonaro falou em mensagens de texto que a PF estaria na cola dos deputados bolsonaristas e que esse seria mais um motivo pra trocar o comando da Polícia Federal.

Bolsonaro mandou os ministros ignorarem a imprensa. E que quando em fosse elogiado na mídia seria demitido. Um show de palavrões e palavras de baixo escalão. Como se aquilo fosse uma conversa informal. Aquele encontro reuniu todas as áreas de atuação do Governo Federal. Mas parecia um encontro de pessoas que improvisavam na fala e simplesmente se baseavam em convicções descabidas. Não é de hoje que o presidente, o ministro das Relações Exteriores e demais integrantes do governo falam coisas ruins sobre a China. O ministro Paulo Guedes fala que a única forma de o Brasil se reerguer é atraindo investimentos estrangeiros, os demais ficam criando intrigas com declarações constrangedoras e desnecessárias. A gente sabe que a China tem um regime antidemocrático, tem um presidente autoritário e a liberdade de expressão e de imprensa na China é 0. Mas a China é a nossa maior cliente. O Brasil não está em uma bolha. Não tem como o Brasil se reerguer sem negociar com o mundo todo.

O tom intimidatório do presidente é nítido. A sua total falta de respeito com os demais. Ele se sente incomodado com o fato de as investigações estarem perto dos parlamentares próximos a ele. Aquele discurso anticorrupção, aquele discurso de governo íntegro se desfaz a cada dia. Com um governante que despreza a liberdade de imprensa.Já não bastasse tudo isso, o general Augusto Heleno emite uma nota de ameaça às instituições democráticas. Ele afirma que caso o celular do Jair Bolsonaro seja pego para perícia, consequências imprevisíveis tendem a acontecer. O que é isso? Isso não é discurso contra a democracia? Isso não é ameaça ao estado democrático de direito? Então que façam logo o que pretendem fazer e mostrem de uma vez por todas essa face autoritária que a cada dia se apresenta com mais nitidez. Como disse Jesus a Judas: "Faça logo o que queres fazer".



Erik Borges é ex-secretário parlamentar na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo e pós-graduando em Comunicação e Semiótica. Sua opinião não reflete, necessariamente, o posicionamento do Portal Canal Içara.
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