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20 de setembro de 2019 - 09:00
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Amor de mãe em crônica
10/05/2019 às 09:12 | Simone Luiz Cândido
Ser mãe, o paraíso tão sonhado para muitas mulheres. Algumas engravidam com muita facilidade, inclusive conseguem planejar até a data do parto. Esse não foi o meu caso. Foram anos a fio tentando ser mãe. Quem disse que não conseguiria?

Tratamentos, injeções, adesivos, ultrassonografia, exames e mais exames. Alguns anos passaram nessa tentativa de me tornar mãe. Decidimos entrar na fila de adoção, cadastro na comarca tudo certo, estávamos habilitados, era o Positivo da gestação de um menino ou menina de até um ano, idade essa escolhida pelo meu medo, pois desconhecia adoção de crianças maiores.

Tentativas continuavam, sofrimentos, dores causadas pelas medicações e num belo dia nosso telefone tocou. Eu estava na fisioterapia, imobilizada. Não consegui atender ao telefone celular. Assim que sai vi a ligação do fórum e fui às pressas para casa e perguntei: “Aconteceu alguma coisa com o nosso cadastro?” E logo veio à resposta: “Nosso bebê chegou”.

Sentei atordoada com a notícia em meio às lágrimas e emoção perguntei: é um menino ou uma menina? Meu marido logo respondeu: “Não sei. Esqueci-me de perguntar”. Havia me tornado mãe, mas ainda não sabia o sexo do bebê. Era a primeira ultrassonografia naquela véspera da chegada da nossa primeira filha.

Chegamos ao fórum, assinamos os documentos, mas ela passaria mais uma noite abrigada. Se dormimos essa noite? Claro que não. No dia seguinte saímos, compramos roupas, leite, mamadeiras, fraldas... Ali nasceu uma nova mãe e também o pai. Ainda não sabíamos como era nossa filha, apenas sabíamos que ela seria nossa desde sempre, pois Deus havia escolhido nosso lar para que viesse estar conosco.

Um dos dias mais lindos de nossas vidas chegara ao fim de tarde com uma roupa que eu havia levado para a assistente social. Dormia com seu rostinho sereno no colo da conselheira tutelar. Coração cheio de um amor diferente. Meu sonho havia se tornado realidade. Segurei em meus braços, senti o calor do corpo daquela que agora se tornara nossa filha. Através de um gesto de amor de alguém que lhe trouxe a vida tornei-me mãe.

Agradeço todos os dias e faço minhas preces Deus em sua infinita sabedoria enviou nossa filha até nós, buscamos o caminho legal, pois assim queremos que ela cresça sabendo que somos pessoas corretas e seguimos aquilo que a lei determina.

Alguns anos se passaram ouvi tantas vezes a palavra mãe, soava em meus ouvidos como uma música suave. Cresceu começou a falar, e começou a pedir uma irmãzinha, oração de criança Deus costuma atender. Três anos depois em março de 2012 recebi o resultado de um exame beta positivo, era o primeiro, não sabia se sorria ou chorava tinha perdido as contas de quantos negativos já tinha lido.

Nossa menina guardou segredo da gravidez, aguardamos um tempo para contarmos à família, ela pegava um copo e dizia: “- Mamãe, vamos “brilar (brindar) o bebê.” Ela ainda era pequena tinha apenas três anos tinha sido promovida a mana.

Depois de uma gestação difícil com crises de asma e pressão alta no mês de novembro fui mãe pela segunda vez.

Teve-se diferença? Sim algumas, dessa vez o parto, dificuldades para amamentar o bebê, mas o amor esse, me parece ser infinito quando se trata do amor de mãe. Agora dividia entre duas meninas. Trocar, amamentar, dar banho, dar afeto para maior de três anos e meio, não deixa-la sentir-se abandonada.

Muitos novos desafios os quais amei cada um deles. Dormir muito tarde, amamentar que até então nem imaginava como seria, não nascemos mães, nos tornamos mães. Cada filho que chega descobre-se novas fases do amor materno, acordamos com o rosto cansado, jeito de mãe. Sentimos medo de não darmos conta de cuidar das crianças.

Mesmo em meio às dificuldades diárias medos e inseguranças, conseguimos seguir, recebemos o amor de nossos filhos. Hoje minhas filhas têm dez e seis anos, ouço suas vozes, seus sorrisos, sinto cheiros, recebo abraços calorosos, tudo o que sempre sonhei ter no amor materno.

Procuro deixar as marcas do amor por elas, em cada abraço nosso transmito todo amor desejando que se lembrem desses momentos e que se tiverem seus filhos levem o mesmo amor até eles.

No próximo domingo se comemora o dia das mães. Minha mãe já nos dizia: dia das mães é todo dia. Devemos tratar nossas mães com amor, com carinho todos os dias. Toda mãe merece ser amada e por que não também ser cuidada por nós.
Simone Luiz Cândido é voluntária na causa adoção de crianças e adolescentes; já participou de três antologias com suas crônicas, além disso, ama escrever reflexões sobre a vida cotidiana, eternidade, amor e convivência.
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